domingo, 19 de julho de 2009

Castelo de Chenonceau

O Castelo de Chenonceau (em francês, "Château de Chenonceau"), também conhecido como Castelo das Sete Damas, é um palácio localizado na comuna de Chenonceaux, departamento de Indre-et-Loire, na região do rio Loire, a Sul de Chambord, na França.

O primeiro castelo foi construído no local de um antigo moinho, em posição dominante sobre as águas do rio Cher, sua primeira menção aparece num texto, no século XI, sua história está associada a sete mulheres de personalidade forte, duas das quais rainhas de França.


História – A atual fortificação remonta a um pequeno castelo erguido no século XIII. O edifício original foi incendiado em 1411 para punir o seu proprietário Jean Marques por um ato de sublevação. Este reconstruiu o castelo e um moinho fortificado no local, durante a década de 1430. O seu endividado herdeiro, Pierre Marques, vendeu o castelo a Thomas Bohier, Camareiro do Rei Carlos VIII de França, em 1513, que destruiu o castelo existente, conservando a torre de menagem, e construiu uma residência inteiramente nova entre 1515 e 1521; o trabalho foi por vezes supervisionado pela sua esposa, Catherine Briçonnet, a qual teve o prazer de hospedar a nobreza francesa, incluindo Francisco I de França em duas ocasiões.

Mais tarde, o filho de Bohier foi desapropriado, sendo o castelo entregue ao Rei Francisco I por débitos não pagos à Coroa. Depois da morte deste monarca, em 1547, Henrique II ofereceu o palácio como presente à sua amante, Diane de Poitiers, a qual se tornou ardentemente ligada ao château e às suas vistas em conjunto com o rio. Ela haveria de mandar construir a ponte arcada, juntando o palácio à margem oposta. Supervisionou, então, a plantação de extensos jardins de flores e de vegetais, juntamente com uma variedade de árvores de fruto. Dispostos ao longo do rio, mas protegidos das inundações por terraços de pedra, os refinados jardins foram estabelecidos em quatro triângulos. Diane de Poitiers foi a inquestionável senhora do palácio, mas o título de propriedade manteve-se com a Coroa até 1555, quando anos de delicadas manobras legais finalmente a beneficiaram com a posse. No entanto, depois da morte de Henrique II, em 1559, a sua viúva e regente, Catarina de Médici despojou Diane da propriedade. Uma vez que o palácio já não pertencia à Coroa, a rainha não podia desapropriá-la totalmente, mas forçou-a a trocar o Castelo de Chenonceau pelo Château de Chaumont-sur-Loire.

No entanto, tendo apreciado as benfeitorias, resolveu dar continuidade às obras. A Rainha Catarina fez então de Chenonceau a sua residência favorita. Como regente da França, Catarina podia gastar uma fortuna no palácio. Em 1560, as primeiras exibições de fogo de artifício alguma vez vistas na França tiveram lugar em Chenonceau, durante a celebração que marcou a ascensão do seu filho, Francisco II, ao trono. Entre as marcas que imprimiu ao conjunto, determinou a construção, em 1577, de um novo aposento, exatamente por cima da ponte construída pela sua rival. Esse imenso salão sobre o rio, com dois andares e a extensão de 60 m de comprimento por 6 m de largura, ficou conhecido como a Grande Galeria e tornou-se na marca característica do palácio. Catarina de Médici aumentou os jardins e parques do palácio. Quando a rainha Mary Stuart visitou a França, em 1560, Catarina homenageou-a em Chenonceau com uma recepção para mil pessoas, que durou vários dias.

Com a morte de Catarina, em 1589, o palácio passou para a sua nora, Louise de Lorraine-Vaudémont, esposa de Henrique III. Em Chenonceau, Louise recebeu a notícia do assassinato do seu marido e caíu num estado de depressão, passando o resto dos seus dias vagueando sem destino ao longo dos vastos corredores do palácio, vestida de roupas matutinas entre sombrias tapeçarias pretas, onde foram cosidos caveiras e ossos cruzados.

Outra amante tomou posse em 1624, quando Gabrielle d'Estrées, a favorita de Henrique IV, habitou o palácio.

Depois desta, foi possuído pelo herdeiro de Louise, César de Bourbon, Duque de Vendôme, e a sua esposa, Françoise de Lorraine, Duquesa de Vendôme, e passou tranquilamente pela linha hereditária dos Valois, alternadamente habitado e abandonado por mais de uma centena de anos.

O Castelo de Chenonceau foi comprado pelo Duque de Bourbon em 1720. Pouco a pouco, este vendeu todo o conteúdo do palácio. Muitas das refinadas estátuas acabaram no Castelo de Versailles. A propriedade foi vendida a um proprietário rural chamado Claude Dauphine. A esposa de Claude (filha do financeiro Samuel Bernard e avó de George Sand), Madame Louise Dupin, trouxe a vida de volta ao palácio ao receber os líderes do Iluminismo: Voltaire, Montesquieu, Buffon, Bernard le Bovier de Fontenelle, Pierre de Marivaux, e Jean-Jacques Rousseau. Louise salvou o palácio da destruição durante a Revolução Francesa, preservando-o da destruição pela Guarda Revolucionária, uma vez que era essencial para as viagens e para o comércio por ser a única ponte que atravessava o rio numa área de várias milhas. Diz-se que terá sido Louise quem trocou a ortografia do palácio (de Chenonceaux para Chenonceau) para agradar ao aldeões durante a Revolução Francesa. Deixou cair o "x" do final do nome do palácio para diferenciar o que era um símbolo de realeza, da república. Foram encontradas fontes que, apesar de não oficiais, têm suportado esta lenda, tendo o palácio desde então sido referenciado e aceito como Chenonceau.

Em 1864, Daniel Wilson, um escocês que fizera fortuna instalando luz de gás por Paris, comprou o palácio para a sua filha. Na tradição de Catarina de Médici, ela gastaria uma fortuna em festas de tal forma elaboradas que as finanças foram delapidadas, sendo o palácio desapropriado e vendido a José-Emilio Terry, um milionário cubano, em 1891. Terry vendeu-o em 1896 a um membro da sua família, Francisco Terry. Em 1913, a família Menier, famosa pelos seus chocolates, comprou o palácio, mantendo a sua posse até hoje.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a galeria foi usada como enfermaria hospitalar; durante a Segunda Guerra Mundial foi um meio de escape da zona ocupada pelos nazistas de um lado do Rio Cher, para a livre zona de Vichy na margem oposta.

Em 1951, a família Menier encarregou Bernard Voisin de restaurar o palácio, o qual devolveu à delapidada estrutura e jardins (destruídos por uma cheia do Rio Cher em 1940) um reflexo da sua antiga glória. Sendo uma mistura entre o Gótico tardio e o Renascimento inicial, o Castelo de Chenonceau e os seus jardins estão abertos ao público. Sem contar com o Real Castelo de Versailles, Chenonceau é o mais visitado castelo na França.

Arquitetura – O Castelo de Chenonceau apresenta um corps de logis (corpo de casas) quadrado, com um vestíbulo central dando acesso a quatro salas de um lado e do outro. No rés-do-chão existe:
  • uma capela,
  • o quarto de Diane de Poitiers e
  • o gabinete verde de trabalho de Catarina de Médici.
Ao fundo do vestíbulo acede-se à galeria sobre o rio Cher. A galeria do rés-do-chão tem:
  • um pavimento branco e preto, tendo acolhido o hospital militar já referido acima.
O resto do rés-do-chão comporta:
  • o quarto de Francisco I e
  • o salão Luís XIV.




As cozinhas estão instaladas nos fundos do palácio. Um cais de desembarque permite a descarga direta das mercadorias.




A escadaria, com duas asas direitas, está acessível por trás de uma porta que se situa a meio do vestíbulo. No primeiro andar:
  • o vestíbulo de Catherine Briçonnet,
  • 4 salas,
  • o quarto das cinco Rainhas,
  • o quarto de Catarina de Médici (por cima do seu gabinete verde),
  • o quarto de César de Vendôme, e
  • o quarto de Gabrielle d'Estrées.

No segundo andar:
  • o quarto de Louise de Lorraine, carrega o luto da esposa de Henrique III, onde se nota a côr negra dominante dos lambris, as pinturas macabras e as decorações religiosas evocando o luto.

Gabinete verde
Catarina de Médici, que se tornou regente do reino durante a menoridade de Carlos IX de França, governou o reino a partir do gabinete de Chenonceau. No teto do século XVI, conservado no seu estado original, podem decifrar-se "C"s entrelaçados. Rodeando a porta encontram-se dois armários italianos do século XVI. A excepcional tapeçaria quinhentista de Bruxelas conhecida como "Para a Aristolochia", tanto gótica como renascentista, é inspirada na descoberta das Américas e das suas fauna e flora: contém faisões, ananases, orquídeas e romãs em prata do Peru, animais e vegetais que até então eram desconhecidos na Europa. A sua cor verde original tem-se tornado azul com o passar do tempo.

Nas paredes encontra-se uma coleção de pinturas, das quais as mais importantes são:
  1. Tintoretto A Rainha de Sabá e Retrato de um Doge
  2. Jacob Jordaens Silene de Marfim
  3. Goltzius Hendrik Sansão e o Leão
  4. Jean Jouvenet Jesus expulsando os mercadores do Templo
  5. Bartholomeus Spranger Cena Alegórica (pintada em metal)
  6. Paolo Veronese Estudo da cabeça de uma mulher
  7. Nicolas Poussin A fuga para o Egipto
  8. Anthony van Dyck Criança com Frutos


Quarto de Francisco I
Esta sala tem uma bela lareira renascentista, a qual possui o mote de Thomas Bohier na consola: "S'il vient à point, me souviendra" - (Se conseguir construir Chenonceau, serei recordado). Por cima da porta ecoa o brasão de Bohier.

O mobiliário consiste em três credências francesas do século XV e um armário italiano do século XVI, excepcional com a sua madrepérola e caneta-tinteiro entalhada com incrustações de marfim, um presente de casamento oferecido a Francisco II e Mary Stuart. Na parede está suspenso um retrato de Diane de Poitiers como Diana a Caçadora. O retrato foi pintado no Castelo de Chenonceau em 1556; a sua moldura ostentas as armas de Diane de Poitiers, Duquesa de Étampes. Em ambos os lados estão pinturas de Mirevelt e Ravenstein. Próximo fica um grande retrato de Gabrielle d'Estrées como a Caçadora Diana. Rodeando a janela está Archimedes, por Francisco de Zurbarán, e Dois Bispos da Escola Alemã do século XVII. À direita da lareira, As três graças, representa as "Medemoiselles" de Nesle, três irmãs que foram, sucessivamente, favoritas do Rei Luís XV: Madame de Châteauroux, Vintimille, Mailly.



Quarto das cinco rainhas
Esta sala recebeu o nome de Quarto das Cinco Rainhas em memória das duas filhas e três noras de Catarina de Médici.



suas filhas:
  • Margarida de Valois, a Rainha Margot (esposa de Henrique IV),
  • Isabel de Valois (esposa de Filipe II de Espanha),
e suas noras:
  • Mary Stuart (esposa de Francisco II),
  • Isabel da Áustria (esposa de Carlos IX),
  • Louise de Lorraine (esposa de Henrique III).
Os cofres do teto do século XVI exibe os brasões das cinco Rainhas. A lareira é do período renascentista. As paredes estão cobertas por um conjunto de tapeçarias flamengas representando:
  • o cerco de Tróia e o rapto de Helena,
  • Jogos de Circo no Coliseu e
  • a coroação do Rei David;
  • outra tapeçaria mostra um episódio da vida de Sansão.
A mobília é constituida por uma grande cama de dossel, duas credências góticas encimadas pelas cabeças de duas mulheres em madeira polícroma e uma arca de viagem guarnecida. Nas paredes:
  1. Admirando o Homem Sábio, por Rubens, é um estudo para a pintura maior que atualmente se encontra no Museu do Prado;
  2. Retrato da Duquesa de Olonne, por Mignard;
  3. Apolo na casa de Admete o Argonauta, da Escola Italiana do século XVII.


Quarto de catarina de Médici

Este quarto possui belas mobílias esculpidas do século XVI e está decorado com uma série de tabeçarias flamengas, do mesmo século, retratando a vida de Sansão. Estas são notáveis pelas suas margens preenchidas com animais simbolisando provérbios e fábulas, como por exemplo a fábula de 'O Caranguejo' e a 'Ostra' ou 'A Perícia é maior que a Esperteza'.

Os ladrilhos da chaminé são renascentistas. À direita da cama encontra-se o 'O Ensino do Amor', pintado em madeira por Correggio, do qual a Galeria Nacional de Londres possui uma versão pintada em tela.


Os Jardins – Contam-se dois jardins principais:
  1. o jardim de Diane de Poitiers e
  2. o jardim de Catarina de Médici,
situados de um lado e do outro da Torre dos Marques, vestigio das fortificações que precederam a edificação do atual palácio.


À direita fica o jardim de «Diane de Poitiers» a entrada do qual é vigiada pela casa de Steward: La Chancellerie (A Chancelaria ), construída no século XVI. No centro do jardim existe uma fonte descrita por Jacques Androuet du Cerceau no seu livro intitulado 'Les plus Excellents Bâtiments de France' (Os mais Excelentes Edifícios em França - 1576). Este jardim é protegido das cheias do rio Cher por terraços elevados, dos quais se desfrutam belas vistas sobre as margens e sobre o próprio palácio. De uma concepção surpreendente para a época, o jato de água jorra de uma grande cara talhada e cai dentro de um receptáculo pentagonal de pedra branca.


À direita fica o mais íntimo jardim de «Catarina de Médici» com um tanque central, do qual se descobre a fachada oeste. A troca das decorações florais dos jardins na Primavera e no Verão necessita de 130.000 plantas criadas na propriedade para serem plantadas. Demarcando o Pátio de Honra, os edifícios abobadados do século XVI, alojavam antigamente os Estábulos Reais e a quinta dos bichos-da-seda, introduzidos na França por Catarina de Médici. Também a quinta do século XVI e o parque de 70 hectares podem ser visitados.

Fonte: Wikipédia

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sábado, 18 de julho de 2009

A Guerra de Tróia

A guerra de Tróia, pode ter sido um grande conflito bélico entre gregos e troianos, possivelmente ocorrido entre 1300 e 1200 a.C (fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo). Segundo o poeta-épico, Homero, a guerra foi motivada pelo rapto de Helena, rainha de Esparta, por Páris, príncipe de Tróia. (ao lado 'A Queda de Tróia' por Johann Georg Trautmann)




_______História____________________________
A maioria de gregos clássicos admitia que a Guerra de Tróia era um evento histórico, embora muitos entendessem que os poemas homéricos continham vários exageros. Por exemplo:
  1. o historiador Tucídides, conhecido por seu espírito crítico, considerava-a um evento real, mas duvidava que os gregos houvessem mobilizado a quantidade de navios (mais de mil) mencionada por Homero, para atacar os troianos.
  2. por volta de 1870, na Europa, os estudiosos da Antiguidade eram concordes em considerar as narrativas homéricas absolutamente lendárias. Segundo eles, a guerra jamais ocorrera e Tróia nunca existira.
  3. quando o alemão Heinrich Schliemann (um apaixonado pelas obras de Homero) descobriu as ruínas de Tróia e de Micenas, foi preciso reformular esses conceitos.
  4. ao longo do século XX, tentou-se tirar conclusões baseadas em textos hititas e egípcios, que datam da provável época da guerra.
  5. arquivos hititas, como as Cartas de Tawagalawa, mencionam o reino de Ahhiyawa (Acaia ou Grécia), que se localizava "além do mar" (Egeu) e controlava a cidade de Milliwanda, identificada como Mileto. Igualmente é mencionado, nesses e em outros documentos, a Confederação de Assuwa, uma liga composta por 22 cidades, uma das quais, Wilusa (Ilios ou Ilium), pode ter sido Tróia.
  6. em um tratado datado de 1280 a.C, o rei de Wilusa é chamado de Alaksandu, ou seja, Alexandre, que é o outro nome pelo qual Páris é referido na Ilíada.
  7. após a famosa Batalha de Kadesh (contra o Egito de Ramsés II), essa confederação rompeu sua aliança com os hititas, o que provocou, em 1230 a.C, uma campanha punitiva do rei Tudhalia IV (1240 - 1210 a.C). Mas sob o reinado de Arnuwanda III (1210 - 1205 a.C) os Hititas foram forçados a abandonar as terras que controlaram na costa do Egeu, abrindo espaço para possíveis invasores de além-mar. Nesse caso, a Guerra de Tróia teria sido o ataque de Ahhiyawa (Acaia) contra a cidade de Wilusa (Ílios) e seus aliados da Confederação de Assuwa.
  8. os trabalhos dos historiadores Moses Finley e Milman Parry procuraram associar a Guerra de Tróia com um amplo fluxo migratório de micenianos, decorrente da invasão dos Dórios no Peloponeso. Poderia também haver uma correlação com o ataque ao Egito pelos “povos do mar”, nos tempos do faraó Ramsés III.
  9. mas os céticos quanto à veracidade da guerra glorificada por Homero apóiam-se na ausência de qualquer registro hitita de uma invasão da Anatólia (onde se localizava Tróia) por povos vindos do mar.
Em resumo, embora Schliemann tenha encontrado as ruínas da cidade de Tróia (aliás, várias cidades, uma sobre a outra) no sítio mencionado por Homero, a questão da historicidade da guerra continua dividindo a opinião dos estudiosos.


_______Mitologia__________________________
A versão mitológica da guerra está contida nos poemas épicos de Homero: a Ilíada e a Odisséia. Segundo essa versão, a guerra se deu quando os aqueus (os gregos da época micênica) atacaram Tróia, para recuperar Helena, raptada por Páris.

A lenda conta que a deusa (ninfa) do mar Tétis era desejada como esposa por Zeus e por Posídon. Porém Prometeu fez uma profecia que o filho da deusa seria maior que seu pai, então os deuses resolveram dá-la como esposa a Peleu, um mortal já idoso, intencionando enfraquecer o filho, que seria apenas um humano. O filho de ambos foi:
  • Aquiles, e sua mãe, visando fortalecer sua natureza mortal, o mergulhou quando ainda bebê nas águas do mitológico rio Estige. As águas tornaram o herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para mergulhá-lo no rio (daí a expressão “calcanhar de Aquiles”, significando ponto vulnerável). Aquiles se torna o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda é mortal. Mais tarde, sua mãe profetisa que ele poderá escolher entre dois destinos:
  1. lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou
  2. permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, porém ser logo esquecido.
«Aquiles escolhe a glória»


Para o casamento de Peleu e Tétis todos os deuses foram convidados, menos Éris (ou Discórdia). Ofendida, a deusa compareceu invisível e deixou à mesa um pomo de ouro com a inscrição “À mais bela”. As deusas Hera, Atena e Afrodite disputaram o título de mais bela e o pomo. Zeus não quis ser o juiz, para não descontentar duas das deusas, então ordenou que o príncipe troiano Páris, à época sendo criado como um pastor ali perto, resolvesse a disputa. Para ganhar o título de “mais bela”
  1. Atena ofereceu a Páris poder na batalha e sabedoria,
  2. Hera ofereceu riqueza e poder,
  3. Afrodite o amor da mulher mais bela do mundo.
Páris deu o pomo à Afrodite, ganhando sua proteção e o ódio das outras duas deusas contra si e contra Tróia. A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda, esposa de Menelau, rei de Esparta, que a conquistara disputando contra vários outros reis pretendentes, tendo todos jurado protegê-la, qualquer que fosse o vencedor da disputa.


Quando Páris foi a Esparta em missão diplomática, apaixonou-se por Helena e ambos fugiram para Tróia, enfurecendo Menelau. Este apelou aos antigos pretendentes de Helena, lembrando o juramento que haviam feito. Agamenon então assumiu o comando de um exército de mil naus e atravessou o mar Egeu para atacar Tróia. As naus gregas desembarcaram na praia próxima a Tróia e iniciaram um cerco que iria durar dez anos e custaria a vida a muitos heróis de ambos os lados. Dois dos mais notáveis heróis a perderem a vida na guerra de Tróia foram Heitor e Aquiles. (imagem de Helena e Páris)



Cavalo de Tróia
Finalmente, a cidade foi tomada graças ao artifício concebido por Odisseu (Ulisses): fingindo terem desistido da guerra, os gregos embarcaram em seus navios, deixando na praia um enorme cavalo de madeira, que os troianos decidiram levar para o interior de sua cidade, como símbolo de sua vitória, apesar das advertências de Cassandra. À noite, quando todos dormiam, os soldados gregos, que se escondiam dentro da estrutura ôca de madeira do cavalo, saíram e abriram os portões para que todo o exército (cujos navios haviam retornado, secretamente, à praia), invadisse a cidade. Apanhados de surpresa, os troianos foram vencidos e a cidade incendiada. As mulheres (inclusive a raínha Hécuba, a princesa Cassandra e Andrômaca, viúva de Heitor) foram escravizadas. O rei Príamo e a maioria dos homens foram mortos (um dos poucos sobreviventes foi Enéas). E assim, Menelau recuperou sua esposa, Helena (tendo matado Dêifobo, com quem ela se casara, após a morte de Páris), e levou-a de volta a Esparta.



– Trecho inicial da Ilíada de Homero –

Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida

(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
ficando seus corpos como presa para cães e aves
de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
desde o momento em que primeiro se desentenderam
o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.


Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Muralhas

Uma muralha, em arquitetura militar, é uma estrutura essencialmente defensiva numa fortificação. Largamente empregada na Idade Antiga e Idade Média, era normalmente erguida em alvenaria de pedra, embora dependendo da cultura, da época ou da região, pudesse ter sido erguida em outros materiais como a taipa, a madeira ou faxina (ramos de árvores e terra), isolados ou combinados. A defesa proporcionada por uma muralha é reforçada por elementos adicionais como fossos, torres, parapeitos, ameias, seteiras e outros. (ao lado imagem das muralhas do Castelo de Sintra – Portugal)

As primeiras fortificações na Europa foram os castros, de planta circular, em posição dominante no alto de montes. Na Idade Média, o alto dos montes foi aproveitado para a construção de muralhas em madeira. Com a difusão da alvenaria, surgiram muralhas estreitas e altas, apresentando adarves, onde os defensores podiam se dispor para a defesa. Posteriormente, observa-se um espessamento das muralhas, acompanhando a sua elevação. Este espessamento era mais acentuado na sua base. A tendência inicial foi a de aumentar a altura das muralhas e não a sua espessura. No entanto, a partir do século XIV, com o surgimento das armas de fogo (pirobalística), as muralhas passaram a ser mais baixas, mais espessas e mais inclinadas, com a função de desviar os projéteis disparados contra ela.



Muralha de Adriano – localiza-se no norte da Inglaterra, na altura aproximada da atual fronteira com a Escócia. É assim denominada em homenagem ao Imperador Públio Élio Trajano Adriano. O Império Romano encontrava-se em expansão militar no século II. Porém, o imperador Adriano compreendeu que a manutenção dessa expansão em todas as direções do Império era inviável. Conhecendo a ameaça naquela fronteira, optou por manter o que já havia sido conquistado. Determinou assim iniciar uma muralha, estrutura defensiva com a função de prevenir os ataques das tribos que habitavam a Escócia: os Pictos e os Escotos (denominados de Caledônios pelos romanos), e que assinalava o limite ocidental dos domínios do Império. Concluída em 126, constitui-se na mais extensa estrutura deste tipo construída na história do Império Romano. Originalmente estendia-se:
  • por cerca de 80 milhas romanas, equivalentes a 73,5 milhas (cerca de 118 quilômetros),
  • desde o rio Tyne até ao Oeste da Cúmbria.
Para a construção foi empregada a mão-de-obra dos próprios soldados das legiões romanas. Cada "centúria" era obrigada a levantar a sua parte da muralha. A muralha foi erguida:
  • sobre a terra,
  • em aparelho maciço de pedra e turfa,
  • com 4,5 m de altura por 2,5 m de largura,
  • O seu topo era percorrido por uma estrada de 1 m de largura, para facilitar as comunicações e os transportes,
  • a cada distância determinada havia uma torre de observação, e
  • a cada distância maior existiam quartéis para as tropas de guarnição.
Vários quilômetros de suas ruínas ainda podem ser vistas, como na altura de Greenhead, ainda que largas secções tenham sido desmanteladas ao longo dos séculos para aproveitamento da pedra em várias edificações vizinhas ao seu percurso, como a da Igreja de Carlisle.




Muralha de Antonino – localiza-se na Escócia, na fronteira com a Inglaterra. A cerca de 160 km ao norte da Muralha de Adriano, trata-se de uma antiga fortificação erguida pelo governador romano da Britânia, Lollio Urbico, por determinação do Imperador Antonino Pio, entre os anos 140 e 142. Esta defesa estendia-se por 55 km, desde o estuário do rio Forth, na costa oriental da ilha, no Mar do Norte, até ao golfo de Clyde, na costa ocidental, sobre o mar da Irlanda, e ao longo de uma linha de fortes construídos anteriormente por Cneo Júlio Agrícola.












Muralha Aureliana – (em italiano: Mura aureliane) é um conjunto de muralhas erguidas em Roma, entre 271 e 275, durante o reinado dos imperadores romanos Aureliano e Probo. Englobava todas as Sete Colinas de Roma, além do Campo de Marte e do distrito do Trastevere, na margem esquerda do rio Tibre.








Sua extensão total:
  • 19 quilômetros,
  • cercava uma área de cerca de 13,7 km2
  • os muros foram construídos com concreto, recoberto por tijolos,
  • têm 3,5 m de espessura por 8 m de altura,
  • com uma torre de planta quadrada a cada 100 pés romanos (29,6 m).
Reformas realizadas no século V dobraram a altura da muralha para 16 m; à época, o complexo tinha:
  • 383 torres,
  • 7020 almenaras,
  • 18 portões principais,
  • 5 poternas,
  • 116 latrinas e
  • 2066 grandes janelas externas
No século III, as fronteiras de Roma haviam se expandido para muito além da área cercada pela antiga Muralha Serviana, construída durante o período republicano, no fim do século IV a.C .Roma permaneceu efetivamente sem quaisquer fortificações durante os séculos subsequentes, período no qual expandiu e consolidou seu império. A necessidade de melhores defesas se tornou necessária durante a crise do século III, quanto tribos bárbaras cruzaram as fronteiras da Germânia. A construção da muralha por Aureliano foi uma medida de emergência, como reação à invasão bárbara de 270; o historiador Aurélio Vítor é explícito ao afirmar que o projeto tinha como meta aliviar a vulnerabilidade da cidade. Pode também ter tido a intenção política de servir como uma declaração de confiança, da parte de Aureliano, na lealdade do povo de Roma, assim como uma demonstração pública de poder. A construção da muralha foi o maior projeto de construção realizado em Roma em muitas décadas. Levou o tempo consideravelmente curto de 5 anos para ser construída, embora o próprio Aureliano tenha morrido antes do seu fim. A incorporação de edifícios já existentes à estrutura da muralha acelerou o progresso das obras e poupou gastos. Entre os edifícios utilizados estavam:
  1. o Anfiteatro Castrense,
  2. a Castra Praetoria,
  3. a Pirâmide de Céstio,
  4. uma seção do aqueduto Aqua Claudia, próximo à Porta Maggiore
  5. credita-se que até um sexto dos muros construídos tenham sido feitos a partir de estruturas pré-existentes.
Uma área atrás das muralhas foi limpa e as passagens para as sentinelas foram construídas, permitindo que fossem rapidamente reforçadas em caso de qualquer emergência. A intenção militar destes muros não era o de suportar longos cercos, já que os exércitos bárbaros raramente tentavam sitiar cidades, pois não tinham nem equipamentos nem provisões suficientes para estas empreitadas; em vez disso, recorriam a ataques e incursões rápidas, contra alvos que tenham defesas frágeis. A muralha era, portanto, um meio de desencorajar estas táticas.

Em 401, durante o reinado de Honório, a muralha e os portões foram reforçados. A esta altura, a Tumba de Adriano, do outro lado do Tibre, foi incorporada, como fortaleza, às estruturas defensivas da cidade. Totila, rei dos ostrogodos, decidiu destruir a muralha em 545, para retirar do Império Bizantino a possibilidade de defender Roma, durante a chamada Guerra Gótica que estava sendo travada. De acordo com o historiador Procópio, cerca de um terço da muralha veio abaixo. A muralha também serviu para definir as fronteiras da cidade de Roma até o século XIX, com grande parte da área construída permanecendo, ao longo dos séculos, dentro dos muros. A muralha também continuou a servir como uma estrutura defensiva militar significante para a cidade de Roma até 20 de setembro de 1870, quando os bersaglieri do Reino da Itália conseguiram derrubá-la, próximo à Porta Pia, e capturaram Roma. Atualmente se encontram notavelmente bem-preservada, principalmente devido ao seu uso constante como fortificação primordial de Roma. O Museo delle Mura (Museu da Muralha), próximo à Porta San Sebastiano, oferece informações sobre a construção da muralha, e como suas defesas eram operadas. Os trechos mais bem-preservados da muralha se encontram do Muro Torto (Villa Borghese) até Cordo d'Italia e Castro Pretorio; da Porta San Giovanni até a Porta Ardeatina; da Porta Ostiense ao Tibre; e em torno da Porta San Pancrazio.



Muralha Serviana – (em latim Murus Servii Tullii) era uma barreira defensiva construída ao redor da cidade de Roma no início do século IV a.C . O muro tinha:
  • 3,6 m de espessura, 11 km de comprimento e mais de 12 portas.
A primeira defesa de Roma consistia sobretudo em um agger erguido ao redor da cidade no início do século VI a.C e atribuído ao 6º rei romano, Sérvio Túlio. A muralha em tufo do qual se vê resquícios atualmente foi na realidade construída no período da República Romana ao longo do mesmo traçado, reforçada em substituição ao antigo agger, depois do saque de Roma no século IV a.C e provavelmente utilizando as mesmas fortificações precedentes, das quais restam pouquíssimos traços. Segundo Tito Lívio foram construídas em 378 a.C por Espúrio Servílio Prisco e Quinto Clélio Sículo. Para acelerar a sua construção foram abertos muitos canteiros de obra simultâneamente. Algumas portas da Muralha Serviana foram restituídas por Augusto, e outras transformadas em arcos de vários significados. A porta Esquilina: transformada primeiro em Arco de Augusto e depois em Arco de Galiano (fig. ao lado).

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Adriano

Públio Élio Trajano Adriano (em latim Publius Aelius Traianus Hadrianus) – 24 jan 76-10 jul 138, mais conhecido apenas como Adriano, imperador romano de 117 a 138. Da dinastia dos Antoninos, um dos "cinco bons imperadores".



Nascido em Itálica na atual Espanha, Adriano era descendente de colonos romanos domiciliados no sul da Espanha e primo de Trajano, tendo sido nomeado por este para uma série de dignidades públicas que o fizeram aparecer como herdeiro presuntivo deste imperador. À época das guerras contra os partas, durante o reinado de Trajano, era governador da Síria.





Foi para Roma com 9 anos. Era alto, elegante, cabelo encaracolado e usava barba. Encorporou-se ao exército. Em 96 morre o imperador Dominício assassinado e Nerva assume o império –começa a dinastia dos Antoninos – reinado que durou apenas 2 anos. Trajano o novo imperador e sua esposa Plotina, adotam Adriano e cuidam dele como filho. Adriano casa com Sabina, e foi senador muito cedo. A Guerra da Dácia (Romênia) consagrou Adriano como general.

Reinado
Trajano morre aos 64 anos, de infarte, e as Legiões declaram Adriano, aos 41 anos, imperador de Roma. Não queria conquistar mais povos.
  • Em 122 chegou a Bretânia, e ergueu um muro de costa a costa – a Muralha de Adriano – para dividir o mundo romano dos bárbaros (palavra grega, que significava: quem não fala grego, fala bá bá bá).
  • Em 124 viajou todo império, foi a grécia e se apaixonou por Atinos.
  • Em 130 chegou ao Egito, quando Antinos morreu num acidente de barco no Nilo.
  • Em 132 os judeus se rebelaram e foram expulsos de Jerusalém.
  • Em 134 voltou a Roma, com 58 anos. Morre sua esposa Sabina e Adriano fica muito doente.
Adriano implementou uma profunda reforma na administração. Durante o seu reinado, foi um viajante incansável, visitando as várias províncias do império: parece ter passado 12 anos do seu reinado fora de Roma. Letrado, era um grande admirador da cultura grega, sendo um dos responsáveis pela propagação do helenismo no mundo antigo. Realizou grandes viagens pelo império, realizando obras e melhorando a infra-estrutura e a economia das províncias. Como gesto simbólico, ordenou uma série de emissões monetárias honrando as províncias, que eram representadas nestas moedas por alegorias femininas que lhes davam uma personalidade moral distinta. Estas alegorias seriam mais tarde representadas como uma série de estátuas que, após a morte de Adriano, seriam colocadas no seu templo em Roma

Foi o arquiteto responsável pela construção do Panteão de Roma reconstruindo um antigo prédio muito menor erguido por Marco Vipsânio Agripa, porém mantendo a velha fachada com o nome do antigo construtor. Construiu perto de Roma a grande villa que leva seu nome (Villa Adriana). Foi um imperador ambulante, viajava sempre e por onde passava ia levantando cidades, construindo estradas, erigindo monumentos.


– Com o intuito de proteger as demais fronteiras romanas contra os bárbaros, construiu grande número de fortificações contínuas na Germânia e na Inglaterra (por exemplo, mandou construir, em 112, a chamada Muralha de Adriano , que marcou durante séculos a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia).




Morte e Sucessão
Adriano morreu em 138, em Roma, com 68 anos. Seu corpo foi depositado num mausoléu, que veio a ser o castelo de Santo Ângelo, em Roma. A sucessão de Adriano foi complicada, a princípio ele havia pensado em adotar como filho e sucessor um dos seus muitos antigos favoritos:
  1. o adolescente grego Antinos, mas este faleceu;
  2. Lúcio Élio Vero, mas este também faleceu prematuramente;
  3. o senador T. Aurélio Fúlvio Boiônio Antonino, que viria a ser conhecido como o imperador Antonino Pio - sob a condição, no entanto, de que este adotasse como seu filho e sucessor, o parente distante de Adriano, o jovem Marco Ânio Vero, o futuro imperador Marco Aurélio, assim como o filho do falecido Lúcio Ceiônio, Lúcio Vero, que viria a ser co-imperador junto com Marco Aurélio.

Após sua morte, há uma tentativa fracassada do Senado de invalidar seus atos, o que foi impedido por Antonino Pio. A hostilidade duradoura entre o Senado e Adriano seria reconhecida pelo seu contemporâneo mais jovem, o senador, orador e correspondente de Marco Aurélio, Frontão, que comparava Adriano ao deus da Guerra Marte e ao deus dos mortos Dis Pater - ambos deuses que se deve tentar apaziguar, mas sem poder realmente amá-los.

Como prova das políticas autoritárias de Adriano, deve ser assinalado que credita-se a ele a criação de um corpo de polícia política no Império Romano, os frumentarii, cujos agentes foram destacados do corpo de funcionários imperiais dedicados à supervisão do abastecimento de trigo da cidade de Roma, daí seu nome em latim.

Origem: Programa de Tv na GNT e Wikipédia, a enciclopédia livre.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Babilônia

Antigo reino da Mesopotâmia, conhecido originalmente como Sumer e depois como Sumer e Acad, entre os rios Tigre e Eufrates, 90 km ao sul da atual Bagdá (Iraque), foi a capital do reino babilônico durante os séculos II e I a.C. Babilônia = Babili em babilônico, "porta de Deus"; Abirush em persa antigo. Berço das primeiras civilizações, faz parte do chamado crescente fértil. Foi também o lugar do cativeiro dos judeus, quando expulsos pelo rei Nabucodonosor II, da Palestina. Os judeus afirmam que Babilônia vem do Hebraico Antigo Babel ( בבל ), que significa "confusão". Essa palavra semítica é uma tradução do sumério Kadmirra.

A civilização babilônica, que existiu do século XVIII ao VI a.C (1700-500 a.C), era como a Suméria que a precedeu:
  • caráter urbano, embora baseada mais na agricultura;
  • constituído por 12 cidades, cercadas de povoados e aldeias;
  • o rei, no alto da estrutura política, monarca absoluto, exercia o poder legislativo, judicial e executivo;
  • abaixo do rei: governadores, administradores selecionados, prefeitos e conselhos de anciãos encarregados da administração local.
Os babilônios transformaram e modificaram sua herança suméria para adequá-la a sua própria cultura e maneira de ser e influenciaram os países vizinhos, especialmente o reino da Assíria, que adotou praticamente por completo a cutlura babilônica.

As escavações arqueológicas realizadas permitiram que fossem encontradas importantes obras de literatura. Uma das mais valiosas é a magnífica coleção de leis (século XVIII a.C) denominada «Código de Hamurabi» que junto com outros documentos e cartas pertencentes a diferentes períodos, proporcionam um amplo quadro da estrutura social e da organização econômica do império da Babilônia.

Mais de 1200 anos se passaram desde o glorioso reinado de Hamurabi (1792-1750 a.C) – foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até o presente. Daí, descobriu-se que a cultura babilônica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 h, da hora em 60 min – até a conquista da Babilônia pelos persas. Durante esse longo período, a estrutura social e a organização econômica, a arte e a arquitetura, a ciência e a literatura, o sistema judicial e as crenças religiosas babilônicas, sofreram considerável mudança. Baseados na cultura do Sumer, os feitos culturais da Babilônia deixaram uma profunda impressão no mundo antigo e particularmente nos hebreus e gregos. A influência babilônica é evidente nas obras de poetas gregos como Homero e Hesíodo, na geometria do matemático Euclides, na astronomia, astrologia, heráldica e na Bíblia.

Os Jardins Suspensos da Babilôniaforam uma das 7 maravilhas do mundo antigo. É talvez uma das maravilhas relatadas sobre que menos se sabe. Muito se especula sobre suas possíveis formas e dimensões, mas nenhuma descrição detalhada ou vestígio arqueológico já foram encontrados, além de um poço fora do comum que parece ter sido usado para bombear água. Seis montes de terra artificiais, com terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 m de altura, construídos pelo rei Nabucodonosor, para agradar e consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra. Chegava-se a eles por uma escada de mármore. Também chamados de Jardins Suspensos de Semiramis, foram construídos no século VI a.C , no sul da Mesopotâmia, na Babilônia. Os terraços foram construídos um em cima do outro e eram irrigados pela água bombeada do rio Eufrates. Nesses terraços estavam plantadas árvores e flores tropicais e alamedas de altas palmeiras. Dos jardins podia-se ver as belezas da cidade abaixo. Não se sabe quando foram destruídos. Suspeita-se que sua destruição tenha ocorrido na mesma época da destruição do palácio de Nabucodonosor, pois há boatos de que os jardins foram construídos sobre seu palácio.

Nabucodonosorrei da Babilônia (630-562 a.C). Durante seu governo a Babilônia atinge o auge de sua prosperidade e hegemonia, sendo conhecida como "Rainha da Ásia". Filho do general Nabopolassar, fundador da dinastia caldéia, sobe ao trono em 605 a.C, depois da morte do pai. Transforma a cidade babilônica em centro cultural e financeiro do mundo antigo. A maior realização de seu reinado é um conjunto arquitetônico para proteger a cidade de invasões, que compreende:
  1. um zigurate em formato de pirâmide com aproximadamente 90 m de altura. Este zigurate ficou conhecido como Torre de Babel,
  2. Jardins Suspensos, e
  3. um canal de defesa ligando os rios Tigre e Eufrates, a 40 km da Babilônia, cercado por um muro em toda a sua extensão (o Muro dos Medas).
Líder militar de grande energia e crueldade, aniquila os fenícios, derrota os egípcios e obtém a hegemonia no Oriente Médio. Estende o Império Babilônico até o Mar Mediterrâneo. Em 598 a.C , conquista Jerusalém e realiza a primeira deportação de judeus para a Mesopotâmia, episódio conhecido como "O Cativeiro da Babilônia". Com a sua morte e sem um sucessor com a mesma força, os babilônios caem diante dos exércitos persas, na noite de 5/6 de outubro de 539 a.C pelo Rei Ciro da Pérsia, que desviou o curso do rio Eufrates para poder penetrar na cidade. Nessa noite, uma festa estava sendo dada em honra de Belsazar, Rei da Babilônia em exercício.

Sítio arqueológico da Babilônia


Origem: Enciclopédia Microsoft® Encarta® 1993-1999 e Wikipédia, a enciclopédia livre.

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Esparta – Grécia

Esparta (em grego Σπάρτη, transl. em grego moderno Spárti, em grego antigo, Spártē) é um município da Grécia, situada nas margens do rio Eurotas, no sudeste da região do Peloponeso. Foi uma das cidades-estado da Grécia Antiga; conquistou a vizinha Messênia por volta do ano 700 a.C e, duzentos anos mais tarde, coligou-se a seus outros vizinhos, formando a Liga do Peloponeso. Na Guerra do Peloponeso, no século V a.C , Esparta derrotou Atenas e passou virtualmente a governar toda a Grécia, mas em 371 a.C os outros estados revoltaram-se e Esparta foi derrubada, apesar de manter-se poderosa ainda durante mais duzentos anos.

Esparta encontra-se numa região de terras apropriadas para o cultivo da vinha e da oliveira. Na Antiguidade era uma cidade de caráter militarista e oligárquico, nunca tendo desenvolvido uma área urbana importante. O governo de Esparta tinha como um de seus principais objetivos fazer de seus cidadãos modelos de soldados, bem treinados fisicamente, corajosos e obedientes às leis e às autoridades. Em Esparta os homens eram na sua maioria soldados e foram responsáveis pelo avanço das técnicas militares, melhorando e desenvolvendo um treino: organização e disciplina intensivos nunca vistos até então.

Atenas era a principal rival de Esparta e foi ela que liderou as cidades-estado gregas na luta contra os invasores persas, em 480 a.C . A Constituição de Esparta, segundo a tradição, foi escrita por um legislador chamado «Licurgo», que teria vivido no século IX a.C .

História
Esparta surgiu em meados do século IX a.C . Durante a época micênica existiram ao sul do local onde nasceria Esparta dois centros urbanos: Amiclas e Terapne. Nesta última cidade encontraram-se santuários dedicados ao rei Menelau e à sua esposa Helena, personagens da Ilíada de Homero. À semelhança de outras partes da Grécia, a Lacônia conheceu um decréscimo populacional com o fim da era micênica. No século X a.C os Dórios penetraram na região. No século seguinte, quatro aldeias da Lacônia uniram-se para fundar Esparta; no século seguinte a cidade de Amiclas foi incluída em Esparta.

Em 570 a.C , uma tentativa de conquista da Arcádia revelou-se um fracasso, tendo Esparta optado por alterar a sua política no sentido da diplomacia. Assim, Esparta ofereceu a outras localidades do Peloponeso a possibilidade de integrar uma liga por si liderada, a chamada Liga do Peloponeso. A maioria dos estados do Peloponeso integraria esta liga, com excepção de Argos.

Durante as Guerras Persas, Esparta liderou as forças que defenderam a Grécia em terra, enquanto que Atenas defendia pelo mar. Com o final da guerra, as relações com Atenas deterioraram-se, culminando na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C), que os espartanos venceram.

Em 1834, o governo do então reino da Grécia fundou a moderna cidade de Esparta, que ocupa parte da antiga Esparta e que é capital do departamento da Lacônia.

Educação
A educação espartana, que recebia o nome técnico de agogê, apresentava as particularidades de estar concentrada nas mãos do Estado e de ser uma responsabilidade obrigatória do governo. Estava orientada para a intervenção na guerra e a manutenção da segurança da cidade, sendo particularmente valorizada a preparação física que visava fazer dos jovens bons soldados e incutir um sentimento patriótico. Nesse treinamento educacional eram muito importantes os treinamentos físicos, como salto, corrida, natação, lançamento de disco e dardo.

«Desde o nascimento até à morte»
De acordo com Plutarco (50-120 d.C), quando nascia uma criança espartana, pendurava-se na porta da casa um ramo de oliveira (se fosse um menino) ou uma fita de lã (uma menina). Havia rituais privados de purificação e reconhecimento da criança pelo pai, além de uma festa de nascimento conhecida como genetlia, na qual o recém-nascido recebia um nome e presentes de parentes e amigos. Desde o nascimento até à morte, o espartano pertencia ao estado. Os recém-nascidos eram examinados por um conselho de anciãos que ordenava eliminar os que fossem portadores de deficiência física ou mental ou não fossem suficientemente robustos (uma forma de eugenia). A partir dos 7 anos de idade, os pais (cidadãos) não mais comandavam a educação dos filhos. As crianças eram entregues à orientação do Estado, que tinha professores especializados para esse fim. Os jovens viviam em pequenos grupos, levando vida muito austeras, realizavam exercícios de treino com armas e aprendiam a tática de formação.

A educação espartana, supervisionada por um magistrado especial, o paidónomo, compreendia três ciclos, distribuídos por três anos:
  1. Dos sete aos onze anos;
  2. Dos doze aos quinze anos;
  3. Dos dezesseis aos vinte anos (a efebia).
Alguns dos métodos da educação espartana, tendo como base o relato dos historiadores gregos Xenofonte (A constituição dos lacedemônios) e Plutarco (A vida de Licurgo):
  • Em lugar de proteger os pés com calçados, as crianças eram obrigadas a andar descalças, a fim de aumentar a resistência dos pés. Usavam um só tipo de roupa o ano inteiro, para que aprendessem a suportar as oscilações do frio e do calor.
  • A alimentação era bem controlada. Se algum jovem sentisse fome em demasia, era permitido e até estimulado que furtasse para conseguir alimentos, pois acreditava-se que esta desenvoltura o auxiliaria durante a guerra. Castigavam-se, entretanto, aqueles que fossem apanhados roubando - não por terem roubado, mas por terem sido apanhados.
  • Uma vez por ano, os meninos eram chicoteados em público, diante do altar de Ártemis (deusa grega vingativa, a quem se ofereciam muitos sacrifícios). Essa cerimônia constituía uma espécie de concurso público de resistência à dor física.
  • Na adolescência, os jovens eram encarregados dos serviços de segurança na cidade. Qualquer cidadão adulto podia vigiá-los e puni-los. O respeito aos mais velhos era regra básica. Às refeições, os jovens deviam ficar calados, só respondendo de forma breve às perguntas que lhes fossem feitas pelos adultos.
  • Com 7 anos, o jovem espartano entrava no exército. Mas só aos 30 anos de idade adquiria plenos direitos políticos, podendo participar da Assembléia do Povo ou dos Cidadãos (Apelá).
Depois de concluído o período de formação educativa, os cidadãos entre os 20 e os 60 anos, estavam obrigados a participar na guerra. Continuavam a viver em grupos e deviam tomar uma refeição diária nos chamados syssitia.

Para o historiador italiano Franco Cambi, a educação desenvolvida em Esparta e Atenas constitui dois modelos educativos diferentes:
  1. Esparta, a perspectiva militar orientava a formação de cidadãos-guerreiros, defensores do Estado.
  2. Atenas, predominava um tipo de formação mais livre e aberta, que, de modo mais amplo, valorizava o indivíduo e suas capacidades. (Cf. Franco Cambi – História da pedagogia)

– A educação dos homens
Os homens espartanos (esparciatas) eram mandados ao exército aos 7 anos, onde recebiam educação e aprendiam as artes da guerra e desporto. Aos 12 anos, eram abandonados em penhascos sozinhos (só contavam uns com os outros), nus (para criarem resistência ao frio) e sem comida (para caçarem e pescarem). Aos 18 anos, voltavam a Esparta, e até os 30 anos eram considerados cidadãos de segunda classe, sem direito a voto. Podiam ser agredidos por qualquer esparciata acima de 30 anos, ficavam nus e recebiam pouca comida (para aprenderem a furtar). Os jovens poderiam atacar a qualquer momento servos (hilotas), a fim de lutar e se preparar para a guerra, mas se fossem mortos por ele, o servo receberia dois dias de folga (por conseguir matar alguém que não era bom o bastante para o exército espartano). Existia uma temporada de caça aos hilotas, para treinarem os jovens para a guerra.

O homem que conseguisse viver até os 30 anos tornava-se um oficial, voltando ao quartel com todos os direitos de cidadão espartano, além de direito ao voto, direito a ter relações sexuais com mulheres (antes dos 30 só eram autorizadas com homens) e direito a casar. Os homens engravidavam suas mulheres e casavam-se com elas; caso não conseguissem engravidá-las, devolviam-na à sua família e voltavam ao quartel para fazerem parte da tropa de elite do exército. Podiam, assim, "casar" com um homem do exército. Contudo, se conseguissem engravidar suas mulheres, casavam-se com elas e voltavam ao quartel depois de deixá-las grávidas em suas casas. Aos 60 anos, poderiam ir para a casa de suas esposas para viver com elas.

– A educação das mulheres
As mulheres recebiam educação quase igual à dos homens, participando dos torneios e atividades desportivas. O objetivo era dotá-las de um corpo forte e saudável para gerar filhos sadios e vigorosos. Consistia na prática do exercício físico ao ar livre, com a música e a dança relegadas para um segundo plano (ao contrário do que tinha sucedido na Época Arcaica). Assim como os homens, também iam aos quartéis quando completavam 7 anos para serem educadas e treinadas para a guerra, mas dormiam em casa, onde recebiam da mãe aulas de educação sexual, assim que atingiam a chamada menarca (primeira menstruação), começavam a receber aulas práticas de sexo, para gerarem bons cidadãos para o estado, aulas onde se usavam escravos, com coito interrompido para não engravidarem de hilotas (servos) e recebiam também uma educação mais avançada que a dos homens já que seriam elas que trabalhariam e cuidariam da casa enquanto seus maridos estivessem servindo ao exército.

Assim que atingiam a maturidade (entre 19 e 20 anos) elas pediam a autorização ao estado para casarem, passando por um teste para comprovar sua fertilidade (engravidavam de um escravo que era só para a reprodução, sendo muito bem tratado e alimentado e morto aos 30 anos, pois era considerado velho. O filho que ela tinha com esse escravo era morto e a mulher conseguia sua autorização para casar), caso elas não conseguissem engravidar, era mandada aos quartéis para, assim como os homens, servir ao exército espartano.

A mulher espartana podia ter qualquer homem que quisesse, mesmo sendo casada, já que seus maridos ficavam até os 60 anos servindo ao exército nos quartéis, e podia também requisitar o seu marido ao general do quartel, mas o mesmo não poderia ser feito pelos homens.

Muitos filhos era sinal de vitalidade e força em Esparta, assim, quanto mais filhos a mulher tivesse, mais atraente ela seria, podendo engravidar de qualquer esparciata, mas o filho desta seria considerado filho do seu marido.

Sociedade
A sociedade espartana era fortemente estratificada, sem qualquer possibilidade de mobilidade entre os três grupos existentes: 1. Esparciatas 2. Periecos 3. Hilotas.

1. Esparciatas
Pertenciam a este grupo todos os que fossem filhos de pai e mãe espartanos, sendo os únicos que possuíam direitos políticos (governo da cidade), constituindo o corpo dos cidadãos (homoioi, pares). Deviam dedicar sua vida ao estado espartano, permanecendo à disposição do exército ou dos negócios públicos. Além disso, para se pertencer a este grupo era obrigatório ter recebido a educação espartana e estar inscrito num syssition, onde tomavam a refeição em comum. Segundo Políbio e Plutarco, todos os cidadãos de Esparta receberam uma parte igual das terras públicas. A terra teria sido dividida em parcelas, os klêroi, no mesmo número dos cidadãos existentes. Estas parcelas de terras eram inalienáveis e indivisíveis, passando de pais para filhos. As mulheres podiam herdar o klêros, mas só no caso de não ter existido descendência masculina e com o objetivo de o transmitirem. Os espartanos não podiam exercer o comércio.

2. Periecos
Eram os habitantes das cidades da periferia (que descendiam dos povos conquistados pelos esparciatas) que estavam integrados no estado espartano e ao qual pagavam impostos. Apesar de serem livres, não tinham direitos políticos e dependiam dos espartanos em matéria de política externa. Estavam obrigados a participarem das guerras, mesmo não tendo recebido a mesma educação dos esparciatas. Eles combatiam ao lado dos espartanos, embora em contingentes particulares. Ao contrário dos espartanos, os periecos podiam dedicar-se ao comércio e à indústria artesanal.

3. Hilotas
Eram os servos, que pertencendo ao estado espartano, trabalhavam nos kleros (lotes de terra), entregando metade das colheitas ao espartano e eram duramente explorados. Deviam cultivar essa terra a vida inteira e não podiam ser expulsos de seu lugar. Levavam uma vida muito dura, sujeita a humilhações constantes. Foram protagonistas de várias revoltas contra o estado espartano. Para controlar as revoltas e manter os hilotas sob clima de terror, os espartanos organizavam expedições anuais de extermínio (krypteia ou criptias), onde os hilotas eram obrigados a participar. Tratava-se de um massacre anual que consistia na perseguição e morte dos hilotas considerados perigosos, no qual os espartanos competiam para ver quem matava mais hilotas.

Analisando a situação dos espartanos, periecos e hilotas, alguns historiadores afirmam que os periecos, por dominar o comércio e o artesanato, podiam enriquecer, desfrutando de certo conforto material e liberdade. Os esparciatas, por sua vez, cumpriam obrigações tão pesadas em relação ao Estado que se tornaram vítimas de suas próprias instituições. Quanto aos hilotas, sua vida era marcada pela opressão e miséria.

Instituições políticas
– A Assembléia
Era composta por todos os espartanos, menos periecos e hilotas, e recebia o nome de Apella. Reunia-se uma vez por mês ao ar livre, em local que a arqueologia moderna ainda não conseguiu identificar. Decidia sobre questões ligadas à política externa, elegia os magistrados e designava os gerontes. Porém, na prática, tinha pouca influência na vida política da pólis. Segundo as informações legadas por Plutarco, não podia discutir as propostas que lhe eram apresentadas, mas apenas aprová-las ou rejeitá-las na totalidade.

– Os Reis
Eram dois, oriundos das duas famílias reais que se afirmavam descendentes de Hércules, segundo a tradição, dos gêmeos Eurístenes e Procles, cujos filhos, Ágis e Eurípone, teriam dado nome às dinastias reinantes: àgidas e euripôntidas. Entre suas funções, destacavam-se os serviços de caráter militar e religioso. Em tempo de guerra, um dos reis exercia o comando dos exércitos. Eram membros da Gerúsia e gozavam de certos privilégios, como o direito a uma guarda pessoal, direito a refeição dupla no syssition e a terem uma parte superior aos outros no despojo de guerra.

– A Gerúsia
Preparava as propostas que seriam apresentadas à Assembléia, funcionando também como tribunal supremo. Constituída por 30 elementos (28 gerontes eleitos vitaliciamente, entre os espartanos com mais de sessenta anos, e os dois reis) eleitos através de um procedimento que Aristóteles classifica de pueril na sua obra Política:
  • os candidatos passavam diante da Assembléia, sendo eleito o que recebesse maior número de aplausos, avaliados por um júri encerrado num compartimento próximo
Tinha funções administrativa (supervisão), legislativa (elaboração de projetos de lei) e judiciária (tribunal superior).

– A Ápela
Assembléia formada por cidadãos espartanos maiores de 30 anos. Elegia os membros da Gerúsia e aprovava ou rejeitava as leis encaminhadas por eles.

– Os Éforos
O Conselho dos Éforos - em número de cinco - formavam um colégio que era eleito anualmente por altura do outono pela Ápela. Detinham amplos poderes, eram os verdadeiros chefes do governo espartano:
  • presidiam a Assembléia (coordenavam as reuniões da Gerúsia e da Ápela),
  • davam a ordem de mobilização em caso de guerra,
  • controlavam a administração (a vida econômica e social da cidade) e a educação,
  • vetar os projetos de lei e fiscalizar as atividades dos reis.
  • poderes judiciais, podendo banir os estrangeiros e condenar os periecos à morte, sem necessidade de julgamento.
Não era exigida nenhuma condição de censo ou de nascimento para se ser eleito éforo, pelo que o eforato representava o elemento de igualitarismo nas instituições políticas espartanas. A curta duração do seu mandato impedia eventuais abusos de poder.

Religião
Ocupou em Esparta um lugar mais importante do que em outras cidades, diga-se pelo grande número de templos e santuários: 43 templos dedicados a divindades, 22 templos de heróis, 15 estátuas de deuses e 4 altares. A esta lista é necessário juntar os numerosos monumentos funerários, dado que em Esparta os mortos eram enterrados no interior das muralhas, sendo que alguns destes monumentos funcionaram como locais de culto.

– Divindades
As divindades femininas desempenharam em Esparta um papel bastante importante: dos 50 templos mencionados por Pausânias, 34 estão dedicados a deusas. A deusa Atena era a mais adorada de todas. O deus Apolo tinha poucos templos, mas a sua importância era crucial: desempenhava um papel em todas as festas espartanas e o monumento mais importante na Lacônia era o trono de Apolo em Amyclai. Outro traço distintivo era o culto aos heróis da guerra de Tróia. Segundo Anaxágoras "Aquiles era aqui adorado como um deus" e Esparta tinha 2 santuários dedicados a ele. Outras personagens de 'Tróia' honradas por Esparta foram Agamemnon, Cassandra, Clitemnestra, Menelau e Helena.

Esparta prestava também culto a Castor e Pólux. A tradição afirmava mesmo que teriam nascido na cidade. A dualidade das personagens faz lembrar a existência de dois reis em Esparta. Vários milagres foram-lhes atribuídos, sobretudo relacionados com a defesa dos exércitos espartanos (representações dos gêmeos em ânforas eram levadas para o campo de batalha ao lado dos reis).

Héracles era, em Esparta, uma espécie de "herói nacional". Segundo a tradição, o herói teria ajudado Tíndaro a reconquistar o seu trono. O tema dos "Doze Trabalhos" foi largamente explorado pela iconografia espartana.

– Sacrifícios e sinais divinos
Os sacerdotes desempenhavam um papel importante em Esparta. Os dois reis tinham eles próprios um estatuto de sacerdotes: estavam encarregados de realizar os sacrifícios públicos, que eram bastante valorizados, sobretudo em tempos de guerra. Antes da partida de uma expedição militar, efetuava-se um sacrifício a Zeus; no momento em que se passavam as fronteiras realizava-se a Zeus e Atena e antes da batalha a Ares Enyalios. Várias anedotas mostram o respeito dos espartanos pelas festas e sinais divinos, ao ponto de abandonarem o campo de batalha perante augúrios desfavoráveis, como os terremotos.


– Lista de soberanos de Esparta na Antigüidade Clássica:
Licurgo
Brásidas
Gilipo
Lisandro
Menelau – c. 1200 a.C
Leônidas I – 491 a.C a 480 a.C
Demarate – 520 a.C
Cleômenes I – 520 a 490 a.C
Ágis III – 338 a 331 a.C
Ágis IV – 244 a 241 a.C
Cleômenes II
Cleômenes III – 235 a 222 a.C

Fonte: Wikipédia ... Imagens: ESPARTA

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dinastia Wettin e Casa Saxe Coburgo Gota


A Dinastia Wettin de duques, condes, príncipes-eleitores e reis alemães, governou a área do atual estado alemão da Saxônia durante mais de 800 anos, dominando também, durante alguns anos, a Polônia. Membros da Casa de Wettin subiram aos tronos da Grã-Bretanha, Portugal, Bulgária, Polônia, Saxônia e Bélgica. Apenas as linhas dinásticas britânica e belga retêm os tronos atualmente.

A família Wettin começa a aparecer ao serem elevados a margraves de Meissen ou Mísnia em 1089. A família progrediu e se tornou cada vez mais importante na Idade Média, feitos landgraves da Turíngia em 1263, e duques da Saxônia em 1423 com dignidade de eleitores do Sacro Império Romano.

A família se dividiu em dois ramos governantes em 1485 quando os filhos de Frederico II, Eleitor de Saxe concluiram que os 20 anos de reinado conjunto não tinham dado certo.
  • o filho mais velho Ernesto, Eleitor de Saxe recebeu o título e os poderes de Príncipe-eleitor e estabeleceu sua sede de governo em Wittenberg, e
  • seu irmão caçula Alberto de Saxe, Duque de Saxe governou suas terras tendo como sede Dresden.
A Saxônia se dividiu assim em Saxe Eleitoral (sobretudo a Turíngia, governada pelos Wettin «ernestinos», e Saxe Ducal, principalmente no território da moderna Saxônia, governada pelos Wettins «albertinos».

Os Wettins Ernestinos e Albertinos
As diferenças entre os dois ramos se marcaram logo:

Os Albertinos – mantiveram a maior parte da integridade territorial da Saxônia, preservando-a como poder importante na região, usando pequenos feudos de apanágio para seus ramos caçula, os quais, um pouco surpreendentemente, não sobreviviam muitas gerações. No final o ramo albertino passou a deter como um só país 3/4 do patrimônio da casa de Wettin original. Governou como Eleitores de Saxe (1547-1806), como reis da Polônia (1697-1763) e Saxônia (1806-1918), e chefiou o Ducado de Varsóvia, com apoio francês de (1807 a 1814) depois que a invasão pela Russia impediu sua subida ao trono hereditário segundo a Constituição polonesa de 1791. Nas guerras de Napoleão, o ramo albertino perdeu cerca de 40% de suas terras em benefício da Prússia.

Os Ernestinos – subdividiram repetidamente suas terras, criando como que um tremendo tabuleiro de xadrez de pequenos condados e ducados na Turíngia. Adicionalmente, na década de 1540, quase metade das terras do ramo ernestino foram parar às mãos do ramo albertino pelas ações do imperador Carlos V, lutando contra súditos protestantes rebeldes. No final, os ernestinos mantiveram aproximadamente 1/4 apenas, a Turíngia do sul e quantidade de pequenos principados.

A Casa de Saxe-Coburgo-Gota
O ramo primogênito ou ernestino perdeu o eleitorado para o ramo albertino em 1547, mas manteve suas terras na Turíngia, dividindo a área em numerosos pequenos Estados. Uma das Casas ernestinas que resultaram, a de Saxe-Coburgo-Gota, contribuiu para fornecer reis à Bélgica (a partir de 1831) e à Bulgária (de 1908 a 1946), assim como dar reis consortes às Rainhas de Portugal e da Grã-Bretanha. Na verdade, a palavra Wettin, tida como palavra alemã medieval, nunca foi usada na Grã-Bretanha.

Embora o nome da família real britânica tenha sido Saxe-Coburgo e Gota, os descendentes masculinos da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto criaram suas próprias Casas, assim sendo seu sobrenome pessoal, mudou para Windsor por decreto do rei Jorge V em 1917. Como resultado do casamento da Rainha Elizabeth II com o Príncipe Filipe, duque de Edinburgh, o trono passará para sua Casa, originalmente a Oldenburgo, embora provavelmente continuem a usar o nome Windsor como Mountbatten-Windsor segundo ordenou a Rainha Elizabeth no ano de 1960. Mountbatten é a anglicização de Battenberg, título da mãe do Príncipe Filipe, a Princesa Alice de Battenberg.

Em 1836 nasce em Portugal, da união matrimonial da Rainha D. Maria II de Portugal, da Casa de Bragança, com o Príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, da Casa de Wettin, a Casa de Bragança-Wettin (nome adotado para o último ramo dinástico dos monarcas da Casa Real de Portugal).

– As descendências:
  • Bélgica por meio dos descendentes de Leopoldo I da Bélgica
  • Reino Unido por meio dos descendentes de Alberto de Saxe-Coburgo-Gota; Jorge V do Reino Unido mudou o nome de Saxe-Coburgo-Gota para Windsor em 1917, temendo a onda de germanofobia causada pela Grande Guerra
  • Fernando, primo de Leopoldo de Bélgica, casou-se com Maria II de Portugal, e seus descendentes continuaram a reinar em Portugal até ao golpe republicano de 1910
  • Fernando I da Bulgária, tornou-se príncipe e czar, e seus descendentes continuaram a reinar até 1946.
O atual chefe da Casa Búlgara, o antigo rei Simeão II, atende pelo nome Simeon Sakskoburggotski, e em 24 de julho de 2001 tornou-se primeiro-ministro da Bulgária. Foi a primeira vez na História da Europa que um antigo monarca retornou ao poder via eleição democrática.

Em 1826, um ramo mais jovem dos Saxe-Coburgo-Gota herdou o principado húngaro de Koháry, convertendo-o ao Catolicismo. Os príncipes de Koháry eram extremamente ricos e hoje se encontram entre os magnatas da Hungria. Casaram-se morganicamente com uma princesa brasileira, uma arqueduquesa da Áustria, uma princesa francesa, outra da Bélgica e uma da Saxônia. O Ducado de Saxe-Coburgo-Gota consiste na linhagem masculina descendente de Joaquim Ernesto de Saxe-Coburgo-Saalfeld.

Fonte: Wikipédia

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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