quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A loucura dos reis – famílias felizes III




O Prudente, Luís XI nasceu no palácio episcopal de Bourges em 3 de julho de 1423 e morreu em 30 de agosto de 1483. Foi rei da França entre 1461 e 1483. Filho de Carlos VII de França e Maria de Anjou e desde cedo se rebelou contra a autoridade paterna.






___Vida_____________________________________________
Aos 3 anos, foi encerrado no castelo de Loches, onde permaneceu até os 10 anos de idade. Aos 11 anos, seu pai permitiu que ele fosse viver em Amboise com a mãe. Tinha um gosto pronunciado pela fé e pelos estudos, apesar de cair por vezes em conflito com a Igreja. Em 1436, seu pai determinou um casamento com Margarida da Escócia, união estratégica que o desagradou. Sua aversão ao pai cresceu. Aos 17 anos, Luís integrou revolta da nobreza contra o pai mas, derrotados, tiveram que se submeter e Luís foi mandado para o Dauphiné. Luís continuou a conspirar contra seu pai, desposou Carlota, filha do Duque de Savóia, e procurou refúgio junto ao Duque da Borgonha, rival da Coroa francesa. Luís XI estava no castelo de Genappe, propriedade do Duque da Borgonha, quando recebeu a notícia da morte do pai.

Luís pode ter herdado alguns distúrbios nervosos do pai, apesar de sua competência como rei e sucesso com que restaurou a autoridade da coroa.

As exéquias de Carlos VII foram celebradas no dia 8 de agosto de 1461, e Luís XI não compareceu. Coroado rei, dispensou os conselheiros do pai, e colocou sua própria gente.
  • passou a taxar os nobres,
  • aumentou os impostos,
  • dispensou os coletores do Papa, e
  • controlou as questões eclesiásticas.
Luís XI, não era um homem muito inteligente; era astuto, habilidoso e supersticioso, adorava andar por seu reino, e era pouco inclinado a levar uma vida de Corte. Fisicamente, era maldotado, sofrendo de uma doença de pele que o fazia temer ser leproso. A excentricidade de seu caráter, valeu o título de "aranha universal". Sua pouca disposição para se vestir como rei ou desfrutar os luxos da realeza, seus acessos de mal humor sugerem que talvez fosse vítima de uma neurose branda, que pode ter herdado do pai e do avô. Há alguma possibilidade de que os genes de Carlos VI expliquem algumas das idiossincrasias pessoais do filho e do neto.

___Casamento e descendência_______________________
Carlota deu 7 filhos a Luís, mas passava pouco tempo com ele, e permanecia sozinha em Amboise ou Tours. Luís XI teve uma amante: Marguerite de Sassenage, que lhe deu vários filhos. Sua esposa se acomodou dentro dessa situação, preferindo ignorar as infidelidades.

– casou em Tours em 24 de junho de 1436 com Margarida Stuart da Escócia (1418-1444), filha de Jaime I:
  • sem filhos desse casamento

– casou pela segunda vez em Chambery 14 de fevereiro de 1457 com Carlota (1445-1483), filha de Luís, Duque da Savóia e teve:
  1. Joaquim (1459)
  2. Luís (1467)
  3. Carlos VIII (1470-1498 ) – rei em 1483, rei de Nápoles em 1495
  4. Francisco (1472-1473 ), Duque de Berry
  5. Luísa (1460)
  6. Ana de França (1462-1522) – casada em 1474 com o senhor de Beaujeu; depois com Pedro II, duque de Bourbon em 1488, regente na menoridade do irmão Carlos VIII. Os contemporâneos a admiravam e a chamavam Madame la Grande.
  7. Santa Joana de Valois ou Santa Joana de França (1464-1505) – canonizada em 1950, duquesa de Berry em 1498, casou em 1476 com Luís de Orleans, futuro Luís XII, que a repudiou em 1498. Fundadora da Ordem das Anunciadas.

– de Phélisé Regnard, viúva de Jean Pie, teve:
  1. Guyotte, Bâtarde de France, casada com Charles du Sillon

– da Marguerite de Sassenage teve:
  1. Guyette de Valois, morta em 11 de março de 1502, legitimada
  2. Joana de Valois (1447-1519) Senhora Mirabeau – legitimada 25 de fevereiro de 1466, casada em 1466 com Luís Almirante de Bourbon, filho de Carlos I Duque de Bourbon, deste casal descenderá mais tarde Diane de Poitiers
  3. Maria de Valois (1451-1470) – legitimada em 1467, casada em 1467 com Aymar de Poitiers, senhor de Saint-Vallier
  4. Isabel de Valois – casada com Louis de Saint-Priest

Fonte: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green e Wikipédia

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A loucura dos reis – famílias felizes II

Teria uma herança genética da doença de Carlos VI se revelado em seu filho, Carlos VII, ou em seu neto Luís XI?

Por meio de uma manipulação política astuta e uma onda de patriotismo associada com a estranha e enigmática figura de Joana d'Arc, meio mística, meio patriota, "possivelmente um homem em trajes de mulher", e com a ajuda da deserção do duque de Borgonha da aliança inglesa, o poder inglês na França desmoronou pouco a pouco, permitindo a Carlos VII recobrar sua autoridade e reconstruir sua administração.

Nasceu em Paris 22 fevereiro 1403 e faleceu no castelo de Mehun-sur-Yèvre em 22 julho 1461. Rei da França em 1429 sagrado em Reims, com a ajuda de Joana d'Arc. Filho de Carlos VI e Isabel da Baviera, seus irmãos mais velhos faleceram antes do pai, deixando-lhe o título de delfim (herdeiro do trono francês). Casado com Maria de Anjou, filha de Luís II de Anjou, rei de Nápoles.

Embora Carlos tenha sido um rei bem sucedido sob muitos aspectos, havia nas complexidades de sua personalidade alguns indícios de que talvez tivesse herdado algo da fragilidade nervosa do pai. Seu biógrafo do século XIX, Fresne de Beaucourt, disse que ele era "muitos homens num só". "Os olhos pequenos e empapuçados de roedor, o nariz comprido e bulboso, os lábios grossos e sensuais e o colorido doentio, não permitem que o retratado seja incluído entre os mais belos tipos de fisionomia real". (assim descreve Malcom Vale, seu retrato no Louvre).

Seu caráter parece ter sido reflexo de sua aparência:
  • homem pouco atraente, incoerente, volúvel, irresponsável, desconfiado, ressentido e sensual.

Carlos VII temia tentativas de assassinato, por ter crescido em uma corte traiçoeira e violenta. Jamais esqueceu do assassinato do duque de Borgonha na ponte de Montereau. No final de 1450, estava doente, sintomas secundários de uma doença venérea, provavelmente sífilis. Sua amante famosa foi Agnes Sorel, morta em 1450, e outra amante, Antoinette de Maignelay (1430- 1461) dame de Villequier.


Carlos havia sido deserdado pelo pai Carlos VI, em 1421. Sua relações com seu filho e herdeiro Luís XI, foram extremamente tensas. Vencedor final da Guerra dos Cem Anos, Carlos VII morre 8 anos mais tarde, em 22 de julho de 1461, aos 58 anos, amargurado por enfrentar a rebeldia do próprio filho Luís. Impaciente por governar, arriscando a unidade tão caramente conquistada, o filho levanta os vassalos contra o rei e se alia ao rival, de novo um duque da Borgonha - desta vez Filipe o Bom.


Descendência:

casou em 18 de dezembro de 1422 com Maria de Anjou (1404-1463 na abadia de Chateliers no Poitou), filha de Luís II de Anjou, rei de Nápoles, e de Iolanda de Aragão.
  1. Luís XI – nasceu em Bourges 1423 morreu em 1483, rei em 1461.
  2. João – nasceu em 1426
  3. Jaime – nasceu em 1426
  4. Carlos – nasceu em 1446-1472 morreu evenenado, Duque de Berry 1461; da Normandia 1465; da Aquitânia 1469. Sem descendência.
  5. Radegonde – nasceu em 1425 e morreu em 1444
  6. Catarina – nasceu em 1428 morreu em 1446. Casada em St. Omer em 1440 e com Carlos da Borgonha (morto em 1477), Duque da Borgonha.
  7. Iolanda– nasceu em 1434 morreu em 1478. Casada em 1452 com Amadeu IX (morto em 1488), Duque de Savóia.
  8. Joana – nasceu em 1435 morreu em 1482. Casada em 1447 com João II (morto em 1488) Duque de Bourbon.
  9. Filipe – nasceu em 1436
  10. Margarida – nasceu em 1437 morreu em 1438
  11. Joana – nasceu em 1438 morreu em 1446
  12. Maria – nasceu em 1438 morreu em 1439
  13. Maria – nasceu em 1441
  14. Madalena – nasceu em 1443 morreu em 1495. Casada em St. Jean d’Angely em 1461 com Gastão de Foix (morto em 1470), conde de Foix, príncipe de Viena.

de Agnes Sorel:
  1. Carlota de Valois – nasceu em 1434 morreu em 31 de maio de 1477, assassinada pelo marido.
  2. Maria Margarida de Valois – nasceu em 1443 morreu em 1473, Senhora de Royan. Casada em Vendôme em 1458 com Olivier de Coëtivy (morto em 1480), Conde de Taillebourg, senescal da Aquitânia.
  3. Joana de Valois – nasceu em 1448 morreu em 1467. Intitulada também bâtarde de France. Casou em 1461 com Antoine de Bueil (morto em 1506), Conde de Sancerre.
  4. uma filha – nasceu em 1449 morreu em fevereiro de 1450

Origem: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green e Wikipédia

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

A loucura dos reis – famílias felizes I



Os efeitos da doença de Carlos VI foram generalizados e prolongados, transformou sua personalidade. Teve os mais deploráveis efeitos sobre a família real, já dividida pelas ambições egoístas dos seus principais membros e a profunda inveja que os separava. As consequências das recaídas de Carlos VI provaram-se desastrosas para seu país.


Carlos subiu ao trono em 1380, depois de uma guerra com a Inglaterra. A zona rural e as cidades francesas haviam sido saqueadas e o tesouro real estava empobrecido. Filho de Carlos V "o sábio" e de Joana de Bourbon. Teve a desvantagem de suceder ao pai ainda menino de 12 anos, sem nenhuma experiência , impressionável e maleável, estava fadado a ser instrumento de sua família. Delegou os poderes aos seus tios:
  1. Luís, duque de Anjou – tentava apropriar-se do reino de Nápoles
  2. Filipe, duque de Borgonha – estava de olho no condado de Flandres
  3. João, duque de Berry – pilhava o Languedoc
Embora Carlos tenha atingido a maioridade em 1381, eram seus tios que comandavam o governo.

Carlos era um rapaz amante dos prazeres, caçador apaixonado. Era benevolente, generoso e afável, apelidado de le bien aimé 'o Bem Amado', um título irônico em vista de sua vida futura, mas que ele apreciaria até sua morte.

Casamento
Casou em 17 de julho de 1385 com Isabel, uma princesa da família real Wittlesbach, filha de Estevão III, duque de Ingolsdt na Baviera Superior, um dos mais poderosos Estados alemães, o avô da noiva era o duque de Milão – Bernardo Visconti.

Carlos era muito devotado a esposa, com quem teve 12 filhos em 21 anos, o último um menino que morreu imediatamente após nascer em 1407. Mas em determinado momento, houve uma mudança, sua aversão a Isabel tornou-se tão forte, que a rainha se retirou dos aposentos reais, dando lugar a uma jovem – Odette de Champdivers, que se tornou conhecida como a "pequena rainha" e teve uma filha do rei: Marguerite de Valois, que mais tarde se casou com Jean de Harpedene e foi legitimada por Carlos VII, em 1427.

O rompimento do casal no entanto, ocorreu num dos momentos em que o rei estava mais são: em 1417, ordenou à mulher que dispersasse sua corte e separou-a de sua filha Catarina e expulsou-a.

Reinado
Em 1388 houve uma mudança no governo, devido a política seguida de seus tios que desgostou o conselho real. O grupo a assumir era composto por homens que desejavam restabelecer a administração de Carlos V e expurgar a corrupção que crescera sob o governo dos tios. De fato o governo só passou de um grupo para outro, composto pela rainha Isabel, uma mulher cobiçosa e egoísta, decidida a enriquecer a si própria e à sua família, e pelo irmão mais moço do rei, Luís, duque de Touraine (mais tarde de Orléans), que segundo rumores se tornou amante da rainha.

Carlos teve uma doença em abril de 1392, que segundo um cronista foi uma "doença estranha e até então inaudita", durante a qual o rei teve febre alta e mais tarde perdeu o cabelo e as unhas. Como muitos outros, inclusive o duque de Berry, ficaram doente ao mesmo tempo, provavelmente foi febre tifóide ou encefalite.

Devido a um ataque gratuito a um fiel servidor real, Carlos tomou a decisão de se vingar e formou uma expedição, onde ficou evidente que não estava bem de saúde. Num determinado momento o rei num acesso, puxou sua espada e aos gritos de "Avante contra os traidores! Eles querem me entregar ao inimigo!" investiu contra todos que estavam ao seu alcance, matando 4 ou 5 de seus cavaleiros. O rei foi agarrado, ficou prostrado e sem fala, revirando os olhos, 2 dias em coma. Porém sob os cuidados de seu médico, foi recuperando a saúde. O fato de que ele tinha uma predisposição para perturbação mental pode ser inferido da doença de sua mãe e da natureza do mal que acometera pouco antes do início da expedição. Esse talvez tenha sido o início de uma esquizofrenia que retornaria em maior ou menor medida durante o resto de sua vida.

O colapso do rei teve efeitos imediatos, seus tios logo se livraram dos conselheiros e assumiram o poder novamente, junto com Luís, irmão do rei. Teve mais uma recaída em julho de 1393, outra em 1395. Com o passar do tempo os intervalos de aparente sanidade entre períodos de loucura foram ficando mais curtos. Com a morte de seu médico, os médicos reais ficaram desorientados, sem saber como lidar com aquele difícil paciente. Assim apelos foram feitos para especialistas menos ortodoxos e muitos feiticeiros foram chamados.

A França sofreu as consequências da prolongada instabilidade mental e do governo fraco de Carlos na forma de guerra civil, conselhos divididos e invasão estrangeira. No seio da família real criavam-se rivais ao poder político, especialmente entre o irmão do rei, Luís de Orléans e seu tio Filipe de Borgonha.

Sucessão
Enquanto esses conflitos aconteciam, um novo perigo para a França aparecia na forma de um ressurgimento das reivindicações inglesas ao trono francês. O jovem e ambicioso rei da Inglaterra, Henrique V. A vitória inglesa deixou os franceses sem liderança e divididos. O herdeiro do rei francês, o duque de Guyenne, morreu de repente e logo depois foi a vez de seu irmão João; Carlos de 14 anos ficou como delfim. Por algum tempo os príncipes franceses resolveram se unir, mas o duque de Borgonha foi assassinado a caminho do encontro com o delfim. Carlos VI, mais uma vez deslocou o delfim, dando ao novo duque de Borgonha, Filipe (casado com sua filha Michele) o direito e o poder de negociar trégua com Henrique V. Em 21 de maio de 1420, negociou-se um tratado que o rei Henrique atuaria como regente do rei francês enquanto ele vivesse e o sucederia quando ele morresse. O tratado foi selado com o casamento de Henrique com Catarina, filha de Carlos, o filho desse casamento seria rei da Inglaterra e da França, deserdando assim seu filho Carlos VII. Henrique morreu em 31 de agosto de 1422, deixando seu filho Henrique VI como sucessor. Carlos VI faleceu em 21 de outubro de 1422. Em sua exéquias em St. Denis, o arauto bradou:
" Deus conceda longa vida a Henrique, pela graça de Deus, rei da França e da Inglaterra, nosso soberano senhor".

Enquanto a França recuperava sua força sob os dois sucessores de Carlos, seu filho Carlos VII e seu neto Luís XI, a Inglaterra sob Henrique VI, sucumbia às guerras entre facções que o rei inglês foi incapaz de controlar e para cuja continuação seu próprio colapso mental contribuiu.

Descendência
• com Isabel da Baviera (1371-1435), nasceram:
  1. Carlos, Delfim do Viennois (nascido no castelo de Vincennes, 1386)
  2. Joana (1388 - 1390)
  3. Isabel de Valois, nascida no Louvre em 1389 e morta em Blois em 1409, casada em 1396 com Ricardo II e depois de viúva casada em 1406 com Carlos, Duque de Orléans morto em 1465.
  4. Joana de Valois, nascida em Melun em 1391 e morta em Vannes em 1433, casada em 1397 com João VI, Duque da Bretanha, morto em 1442.
  5. Carlos, Delfim do Viennois (1392 - 1401)
  6. Maria de Valois (1393 - 1438), abadessa de Poissy, onde morreu.
  7. Micaela de Valois, nascida em Paris em 1395 e morta em Gand em 1422, casada em 1409 com Filipe III, Duque da Borgonha (morto em 1467).
  8. Luís, Duque de Guyenne ou Aquitânia e Delfim (1396 ou 1397 - 1415), casado com Margarida da Borgonha (1393-1441) filha do Duque da Borgonha, João Sem Medo.
  9. João, nasceu em 1401, Duque de Touraine e Delfim de França, nascido em Paris em (1398 e envenenado em Compiègne em 1417); casado com Jacqueline de Hainaut (assassinada em 1436 no castelo de Teilingen) condessa de Holanda e do Hainaut, filha de Guilherme II, duque da Baviera Inferior, conde de Holanda.
  10. Catarina de Valois, nascida em Paris em 1401 e morta em Londres em 1437, casada em Troyes em 1420 por força do Tratado, com Henrique V de Inglaterra; enviuvando em 1422 casou-se por volta de 1429 com Owen Tudor (morto em 1461). Um de seus netos será o rei Henrique VII Tudor. Por este casamento, Henrique V pode ser proclamado em 1422 Rei de França.
  11. Carlos VII, Rei de França (1403 - 1461), casado com Marie de Anjou
  12. Filipe nascido e morto em Paris em (1407)

• com Odette de Champdivers nasceu:
  1. Margarida de Valois, nascida em 1407 e morta em 1458, legitimada em 1427. Em 1428 foi casada com João III de Harpedanne, senhor de Belleville de Montaigu, com posteridade extinta em 1587.


Origem: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green

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domingo, 9 de agosto de 2009

A grande mulher – Grã Duquesa Isabel


A Grã-Duquesa Isabel Feodorovna da Rússia nasceu no dia 1 de novembro de 1864 em Hesse-Darmstadt, Alemanha e era esposa do Grão-Duque Sergei Alexandrovich, 5º filho do Czar Alexandre II. Era conhecida por “Ella” pela família e amigos e era a irmã 8 anos mais velha da Czarina Alexandra Feodorovna, esposa do Czar Nicolau II. Isabel tornou-se famosa na sociedade russa pela sua beleza, charme e trabalhos de caridade entre os pobres.

Em novembro de 1864, a Princesa Alice de Hesse escreveu uma carta à sua mãe, a rainha Vitória do Reino Unido, onde lhe contava que ela e o seu marido tinham decidido chamar a sua segunda filha, nascida no primeiro dia desse mês, de Isabel em honra da Santa mais amada e venerada no pequeno ducado de Darmstadt. “Esqueci-me de te dizer,” escreveu ela mais tarde numa outra carta, “em resposta à tua carta sobre o nome da Ella que ela deve ser chamada de Isabel. Apenas ‘entre-nous’ a tratamos por Ella.” Nos meses que se seguiram as suas cartas para a mãe enchiam-se de pormenores sobre a doçura da nova bebê, dos seus olhos azuis-escuros, do seu cabelo loiro, da sua alegria, a sua bondade e, ocasionalmente, das suas asneiras.

Em agosto de 1865, a Rainha Vitória foi até Darmstadt, em parte para assistir ao inicio da construção do novo Palácio da Princesa Alice e do seu marido e em parte para conhecer a sua nova neta. Sem se alarmar ou intimidar com o ar majestoso que rodeava a mulher baixa e forte, vestida com um longo vestido negro, a bebê sorriu-lhe e deixou que a sua avó lhe beijasse as bochechas sem qualquer protesto. “Ela é muito boa, a minha avó,” disse ela um pouco mais tarde e a Princesa Alice ficou, sem dúvida, aliviada, uma vez que a sua segunda filha tinha as suas próprias ideias e tinha-se revoltado com a sua outra avó, a Princesa Charles de Hesse lhe tinha tentado tocar. “É muito cansativo,” disse a Princesa Alice sobre o fato de a sua adorável filha não se conseguir comportar com pessoas desconhecidas.

Mas quando no verão de 1865 a sua mãe a levou a visitar Heilligenberg e a sua tia-avó Maria Feodorovna (esposa do Czar Alexandre II) pegou nela ao colo, a pequena criança ficou encantada e colocou os seus braços à volta do seu pescoço, colando a sua cara aquela que era a fria Czarina da Rússia e que encontrou na sua adorável sobrinha-neta um refúgio para os seus dias de solidão no Palácio de Alexandre. Foi durante esta visita que Isabel brincou pela primeira vez com aquele que seria o seu futuro marido, o Grão-Duque Sergei Alexandrovich.

Apesar de descender de uma das mais antigas e mais poderosas famílias nobres da Alemanha, Isabel e a sua família tinham uma vida bastante modesta quando comparada com os padrões reais. As crianças varriam o chão e arrumavam os seus próprios quartos enquanto a sua mãe confeccionava as suas roupas e as dos filhos. Durante a Guerra Austro-Prussiana, era frequente a Princesa Alice levar Isabel consigo quando visitava soldados feridos num hospital próximo. No meio deste ambiente relativamente feliz e seguro, Isabel cresceu rodeada de hábitos domésticos ingleses e o inglês tornou-se sua língua principal, assim como a dos seus irmãos. As crianças falavam inglês com a mãe e Alemão com o pai. «ao lado foto de Ella sentada com a irmã Mae nos braços, Irene, Ernesto, Alice(Alexandra da Rússia) e Vitória»

No outono de 1878, quando Isabel tinha 14 anos, a difteria abalou a casa Hesse matando a sua irmã mais nova, Maria (conhecida na família por Mae) no dia 16 de novembro desse ano. Isabel foi a única dos irmãos que não apanhou a doença e foi enviada para a casa dos avós paternos para não ser afetada. Enquanto lá estava, no dia 14 de dezembro, a sua mãe sucumbiu à doença depois de cuidar de todos os filhos durante essas semanas. Quando Isabel foi autorizada a regressar à sua casa, descreveu a reunião como “terrivelmente triste” e disse que tudo parecia “um pesadelo horrível”.

Pretendentes e Casamento
Durante a sua juventude, Isabel era sedutora e tinha uma personalidade muito aberta. Muitos historiadores consideram-na uma das mulheres mais bonitas da Europa nesta altura. Foi durante esta época que ela chamou a atenção do seu primo mais velho, o futuro kaiser Guilherme II da Alemanha. Ele estudava na Universidade de Bonn e não era raro visitar os seus parentes de Hesse aos fins-de-semana. Durante estas visitas ele apaixonou-se por Isabel e escreveu-lhe numerosos poemas de amor que lhe enviava. Embora se sentisse elogiada pela atenção que recebia por parte do primo, Isabel não se sentia atraída por Guilherme e rejeitou-o educadamente. O futuro kaiser ficou frustrado e decidiu desistir da Universidade para voltar a Berlim. Além de Guilherme II, Isabel tinha muitos admiradores, entre os quais o Lord Charles Montagu, Segundo filho do 7º Duque de Manchester e Henry Wilson que se tornaria num famoso soldado. Outro dos seus admiradores era o futuro Frederico II, Grão-Duque de Baden e primo de Guilherme.

Eventualmente foi um Grão-Duque russo que conquistou o coração de Isabel. A tia-avó de Isabel, nascida em Hesse, era uma visita frequente no condado e, durante as suas visitas, era sempre acompanhada pelos seus filhos mais novos, Sergei e Paulo. Isabel conhecia os dois irmãos desde bebê, mas achava-os demasiado arrogantes e reservados. Sergei, particularmente, era um jovem calado, muito religioso e apaixonou-se por Isabel quando a viu pela primeira vez depois de muitos anos. Mais tarde ele pediu-lhe para casar com ele, mas, a principio, Isabel não se sentia apaixonada por ele. A opinião da Princesa mudou quando Sergei perdeu os seus pais no mesmo ano. Maria Feodorovna de Hesse morreu de doença e Alexandre II foi morto num atentado à bomba em São Petersburgo quando se encontrava a caminho de uma reunião que tornaria a Rússia numa monarquia constitucional.

O Grão-Duque encontrava-se em Roma quando o seu pai foi assassinado e, por isso, foi-lhe poupada a visão do seu corpo mutilado. Sergei admirava o seu pai e a sua morte fez com que se tornasse num selvagem anti-revolucionário que não escondia o ódio que sentia pelas pessoas que tinham ignorado os esforços de Alexandre II em liberalizar o país. A morte da sua mãe foi também difícil uma vez que ambos eram devotos um ao outro. Estes eventos mudaram-no e Isabel passou a vê-lo “com outros olhos”, uma vez que compreendia a dor pela qual ele passava depois de ter perdido a sua própria mãe. Outras parecenças como a arte e a religião aproximaram-nos cada vez mais. Há quem diga que ele gostava particularmente da sua personalidade que o fazia recordar a sua adorada mãe. Por isso, quando Sergei voltou a pedir a mão de Isabel, ela aceitou e ambos tiveram autorização do pai dela para se casarem. A Rainha Vitória não ficou particularmente encantada com a união.

O noivado da Princesa Isabel foi curto, uma vez que Sergei queria que o casamento se realizasse o mais rapidamente possivel e, apesar do pai dela não aceitar completamente a sua pressa, foi forçado a lidar com ela quando em junho de 1884 chegou a São Petersburgo com Isabel e as suas duas irmãs mais novas Irene e Alice.

A Rússia, com a sua vastidão, a sua atmosfera estranha e inexplicável, surpreendeu as duas princesas mais velhas que, à exceção da Inglaterra, tinham visto muito pouco do mundo. As enormes praças e largas ruas de São Petersburgo, o Neva, maior do que qualquer rio inglês ou alemão, as cúpulas e espirais douradas das catedrais, a grandeza do Palácio de Inverno e a graciosidade da alta sociedade eram tão únicos e inesperados que elas se sentiram desorientadas e confusas, incapazes de se acostumarem ao ambiente estranho e pouco familiar que as rodeava. Elas sentiam-se intimidadas pelas multidões de criados e damas-de-companhia que as rodeavam sem descanço, pelos conselheiros da Corte que davam diferentes instruções e, acima de tudo, pelo irmão de Sergei, o Czar Alexanre III. O imperador era alto, tinha ombros largos, uma voz alta e mãos que conseguiam endireitar uma ferradura sem grande esforço. Apenas Alice que tinha apenas 12 anos na altura parecia não ter nenhuma apreensão. Ela não via nada de assustador, apenas “os corredores vastos e inspiradores do Palácio de Inverno com os seus quilômetros de chão dourado” e passou a maior parte do tempo a jogar às escondidas entre os pilares com o filho mais velho de Alexandre III que era, normalmente, tímido e indiferente com estranhos, mas achava aquela menina com os seus caracóis loiros uma companhia encantadora e com quem se sentia perfeitamente relaxado.

O Grão-Duque de Hesse não tinha permitido que a sua filha mudasse de religião antes do casamento, por isso houve uma cerimônia Luterana e uma Ortodoxa. Quando finalmente ambas as cerimônias acabaram e uma Isabel pálida teve de se despedir do seu pai e das irmãs, sentiu-se que ela estava aterrorizada com a perspectiva de ser forçada a viver uma nova vida num país desconhecido, rodeada de estranhos, novas ligações e com um marido que, no fundo, mal conhecia. Não existe nada que mostre se a nova Grã-Duquesa se sentia infeliz. Se sofria, fazia-o em silêncio, sem se queixar uma única vez. No entanto o sentimento geral na sociedade de São Petersburgo era de simpatia para com aquela jovem ingênua que se tinha casado com um homem conhecido pela sua rudeza e que se dizia esconder uma vida de imoralidade viciosa.

Sergei era considerado um homem bonito, sempre vestido no seu uniforme verde-escuro que lhe dava um aspecto de respeito e conservadorismo. As pessoas que o conheciam diziam que sempre que estavam ao pé dele sentiam sempre que, por detrás da sua expressão controlada, havia uma camada secreta de raiva e frustração. Ele adorava a sua mulher, venerava a sua beleza e cobria-a de presentes como as mais caras jóias e peles, mas era frequente ele censurar o comportamento dela em público se ela se esquecesse das suas instruções ou cometesse o que ele considerava ser uma falta nas regras de etiqueta.

Ninguém que via a Grã-Duquesa Isabel naqueles dias se esquecia dela. “Ela era a criatura mais bela de Deus que eu alguma vez vi”, escreveu um escritor contemporâneo. No entanto, embora se tivessem deixado levar pela sua beleza e apesar de ela ser jovem, alegre e uma pessoa que gostava de desfilar as jóias e roupas que o seu marido lhe oferecia, nunca houve nenhum escândalo ligado ao seu nome.

A Grã-Duquesa Isabel converteu-se à Igreja Ortodoxa apenas dois anos depois do casamento, muito contra a vontade do seu pai. Quando o Grão-Duque de Hesse soube que o Czarevich Nicolau se tinha apaixonado pela sua filha mais nova, a Princesa Alice, ele recusou-se a permitir que outra filha sua abdicasse da sua fé luterana. A Rainha Vitória também não aprovava estas mudanças de religião e não gostava particularmente da ideia de ver a sua neta favorita noiva do herdeiro ao trono russo. Ela tinha-o achado charmoso, simples e natural quando ele visitara Windsor, mas ao mesmo tempo tinha ficado com a sensação de que ele tinha falta de estabilidade e não conseguia tomar decisões por si mesmo. O Imperador e a Imperatriz partilhavam a sua apreenção, mas por razões completamente diferentes, A Princesa Alice não tinha ficado muito bem vista quando visitara São Petersburgo. Alexandre III achou-a uma alemã típica e Maria Feodorovna ficou incomodada com a sua apatia, além disso ela queria ver o seu filho casado com a filha do conde de Paris e não via como aquela pequena Princesa de Hesse com um feitio tímido e quase hostil poderia ser uma boa esposa. Tal como o seu avô, Alexandre II, o Czarevich estava determinado a conseguir aquilo que queria. “O meu sonho é casar-me com a Alice de Hesse”, escreveu ele no seu diário no dia 21 de dezembro de 1889.

Isabel teve uma grande responsabilidade para com a relação do seu sobrinho com a sua irmã. Foi ela que incentivou o amor entre ambos e convenceu a Rainha Vitória (que queria casar Alice com o seu neto Alberto) a aceitar uma possível união entre a sua neta favorita e o Czarevich da Rússia. Finalmente em abril de 1894, o Imperador cedeu, e deu a sua permissão para que houvesse noivado. Nicolau pediu Alice em casamento, mas como esposa do Czarevich e herdeiro ao trono, a Princesa sabia que teria de mudar de religião e, a principio, não conseguiu decidir-se se aceitaria o pedido ou não. “A pobrezinha chorou muito,” escreveu Nicolau no seu diário onde descreveu a conversa que teve com ela que se prolongou até à meia-noite. No dia 8 de abril, no entanto, chegou “um dia lindo e inesquecível” quando o jovem casal foi até ao quarto da Rainha Vitória de mão dada para lhe comunicar que tinham chegado a um acordo. “Fiquei bastante surpreendida”, escreveu a Rainha Vitória no seu diário, “Pensava que, por muito que o Nicky quisesse ir em frente com isto, a Alice não se iria decidir.” O casamento realizou-se em novembro e Alexandra foi coroada Czarina juntamente com Nicolau que passou a ser o Czar de Todas as Rússias.

Em 1891, Isabel e Sergei que não tinham filhos praticamente adotaram os seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, filhos do irmão de Sergei, Paulo. A mãe das crianças tinha caído quando tentava saltar para um barco em andamento e estava grávida de Dmitri. O bebê nasceu prematuro e a mãe morreu poucas horas depois. O pai ficou em estado de choque com a morte da esposa e aceitou de bom grado a ajuda do irmão e da cunhada. Muitos não acreditavam que o bebê fosse sobreviver, mas Sergei ajudou-o, dando-lhe os banhos prescritos pelos médicos, cobrindo-o com mantas de algodão e enchendo o seu berço com garrafas de água quente para manter a temperatura do bebê regular. “Estou a gostar muito de tomar conta do Dmitri,” escreveu Sergei no seu diário. Mais tarde Dmitri seria um dos assassinos de Rasputin, juntamente com o Príncipe Felix Yussopov. Nesse ano Sergei foi também nomeado Governador de Moscou e a família mudou-se para a nova cidade.

A desastrosa guerra Russo-Japonesa de 1904 trouxe uma tarefa à Grã-Duquesa que ela cumpriu de uma forma que deixaria orgulhosa a sua avó Vitória se ela fosse ainda viva. Como esposa do Governador de Moscou, Isabel era líder das organizações da Cruz Vermelha da cidade. Ela enviou comboios-ambulância e equipamento para os soldados enquanto organizava salas de trabalho no Palácio do Kremlin e estava lá todos os dias a supervisor e dar motivação as centenas de mulheres de todos os estratos sociais que trabalhavam lá a empacotar material bélico, medicamentos, comida e roupa para os soldados na frente de combate. Vestia-se sempre de forma simples de azul ou cinzento, estava sempre lá de boa-vontade, tinha sempre um sorriso nos lábios ou um elogio para quem trabalhava, nunca perdia a paciência mesmo quando se cometiam erros e estava sempre pronta para executar os trabalhos mais difíceis.

Morte do marido
No dia 4 de fevereiro de 1905 quando Isabel estava a caminho dos seus quartos privados no palácio onde vivia com o marido e os sobrinhos, ouviu uma explosão que partiu todos os vidros da sua casa. Depois de muitos anos ela sabia que aquilo que temia (e o seu marido esperava) tinha acontecido. Durante muitos anos Sergei tinha-a proibido de andar na mesma carruagem dele e justificava-o dizendo que sabia do ódio que os habitantes de Moscou sentiam por ele.

Sem esperar por alguém para perguntar o que tinha acontecido ou sequer vestir um casaco, Isabel desceu as escadas a correr até chegar ao dia frio de inverno e seguiu um rasto de fumo e cheiro a pólvora que a levaram até à carruagem despedaçada do seu marido da qual apenas restavam os corpos mutilados dos cavalos. Quando chegou os guardas apressavam-se a cobrir o que restava do corpo do marido com os seus casacos.

Começaram a cair-lhe lágrimas e ela ajoelhou-se junto da mancha de sangue na neve, com a multidão a começar a reunir-se à sua volta, olhando horrorizada o macabro espectáculo enquanto a polícia e os soldados procuravam o assassino por entre as pessoas que se encontravam perto do palácio. Algumas horas antes ele tinha saído de casa com uma expressão preocupada, mas a assegurar-lhe que não havia nada com que se preocupar. Embora não tivessem um casamento perfeito, ele era o seu marido que sempre a tinha ajudado a adaptar-se à vida na Rússia e a tratava bem. Ele estava consciente do perigo que corria, mas mesmo assim nunca abandonou as suas responsabilidades e deu o seu melhor no cargo que ocupava. Contudo a sua austeridade quase fanática e a sua crueldade vingativa em certas ocasiões tinham feito com que ganhasse muitos inimigos. Ele era um anti-revolucionário e um autocrata quase tirano, mas ela estava casada com ele há vinte anos e era das únicas que conhecia toda a sua personalidade.

A partir desse dia, Isabel nunca mais comeu carne nem peixe. Quando chegou a casa dividiu as jóias que o seu marido lhe tinha oferecido em três e deu algumas aos seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, devolveu as jóias da coroa e vendeu o resto. O dinheiro que ganhou das jóias foi para a caridade e para o Convento de Maria e Marta em Moscou que passou a visitar com muita frequência, sempre de luto.

Freira
A alta sociedade de São Petersburgo nunca mais a voltou a ver. Só muito raramente Isabel visitava a irmã e a família em Czarskoe Selo e, em 1910, decidiu juntar-se definitivamente à Irmandade de Marta e Maria, doando todas as roupas e pedaços de joalharia que ainda lhe restavam. Não ficou nada, nem sequer com a aliança de casamento. “Este véu,” disse o Bispo Triphonius quando ela entrou no Convento, “vai-te esconder do mundo, e o mundo vai estar escondido de ti, mas vai ser uma testemunha dos teus bons trabalhos que irão brilhar perante Deus e glorificar o Senhor.” A sua nova vida era passada nos quartos pequenos do Convento, apenas mobilados com cadeiras brancas. Ela dormia numa cama de madeira sem colchão e com uma almofada dura. Queria sempre as tarefas mais difíceis, chegando a cuidar de 15 doentes na ala hospitalar sozinha e raramente dormia mais de três horas. Quando um paciente morria, ela passava a noite inteira junto dele (de acordo com a fé Ortodoxa) a rezar intermitentemente sobre o corpo morto.

Quando ela se tornou freira, a sua sobrinha Maria Pavlovna casou-se, e o sobrinho Dmitri passou a viver com o Czar e a sua família.

Apesar de tudo, ela nunca se tornou rígida, severa ou deprimida e até manteve algum do seu divertimento que a tinha tornado encantadora quando jovem. Uma vez quando a sua irmã, a Princesa Vitória, estava no convento de visita com a sua segunda filha, a Princesa Louise, a porta do quarto delas abriu-se de manhã cedo e uma pequena cabeça espreitou a rir-se e a dizer “Olá”. Abismada, Vitória pensou tratar-se de um rapaz mal-educado que tinha conseguido entrar no convento e estava a invadir o seu quarto, mas depressa percebeu aliviada que se tratava da sua irmã mais nova, sem o seu véu e com o cabelo curto.

Depois de entrar no convento, Isabel apenas visitou São Petersburgo em duas ocasiões: quando se celebraram os 300 anos de poder dos Romanov em 1913 e quando rebentou a Primeira Guerra Mundial em 1914 onde ajudou a sua irmã com os planos de ajuda a soldados feridos. Durante muitos anos, as instituições apoiadas por Isabel ajudaram os pobres e os órfãos de Moscou. Ela e outras freiras da sua irmandade trabalhavam com os pobres todos os dias e foram responsáveis pela abertura de discussão sobre a possibilidade de permitir o acesso de mulheres a posições de maior importância dentro da igreja. A Igreja Ortodoxa recusou esta ideia, mas abençoou e encorajou os esforços de Isabel para com os pobres.

Em 1917 rebentou a revolução e, as ligações de Isabel à família imperial causaram-lhe muitos problemas.

Prisão e Morte
Na Primavera de 1918, Lenin ordenou à Cheka que prendesse Isabel. Mais tarde ela seria exilada, primeiro em Perm e depois em Ekaterinburgo onde também se encontrava a sua irmã Alexandra e a sua família, mas nenhuma das duas sabia da presença da outra na cidade. Mais tarde ela iria juntar-se a outros membros da família Romanov como o Grão-Duque Sergei Mikhailovich, o Príncipe João Constantinovich, o Grão-Duque Constantino Constantinovich, o Grão-Duque Igor Constantinovich e Vladimir Pavlovich Paley. Com os membros da família vieram o secretário de Sergei, Feodor Remez e Varvara Yakovlena, uma freira da irmandade de Isabel. Todos eles foram levados para Alapaevsk no dia 20 de maio de 1918 onde foram presos na antiga Escola Napolnaya nos arredores da cidade. «ao lado Isabel(direita) com a irmã Alexandra e o cunhado czar Nicolau II»

Ao meio-dia do dia 17 de julho, o Oficial da Checa, Petr Startsev e alguns trabalhadores bolcheviques chegaram à escola. Tiraram aos prisioneiros todo o dinheiro e valores que tinham e anunciaram-lhes que seriam transferidos nessa mesma noite para uma fábrica em Siniachikhensky. Os guardas do Exército Vermelho receberam ordens para abandonar o local e foram substituídos por homens da Checa. Nessa noite os prisioneiros foram acordados e levados em carros numa estrada para Siniachikha. A cerca de 18 km de Alapaevsk havia uma mina abandonada com 20 metros de profundidade. Foi aqui que pararam. Os homens da Checa espancaram todos os prisioneiros antes de os atirar para a mina. Ainda antes de ser atirado, o Grão-Duque Sergei Mikhailovich foi morto a tiro por contestar e tentar espancar os guardas. Isabel foi a primeira a ser atirada. Apesar da profundidade apenas Feodor Remez morreu imediatamente.

De acordo com o testemunho de um dos assassinos, Isabel e os outros prisioneiros sobreviveram à queda na mina, o que levou o comandante a atirar as granadas. Depois das explosões, ele disse ter ouvido Isabel e os outros cantarem um hino russo do fundo da mina. Enervado, o comandante atirou uma nova rajada de granadas, mas continuou a ouvir-se os prisioneiros cantar. Finalmente foi atirada uma grande quantidade de arbustos para tapar a mina e o comandante deixou um guarda a vigiar o local antes de partir.

Na manhã de 18 de julho de 1918, o chefe da Checa de Alapaevsk trocou uma série de telegramas com o chefe do Soviete Regional de Ekaterinburgo que tinha estado envolvido no massacre da família imperial. Estes telegramas tinham sido planeados com antecedência e diziam que a escola tinha sido atacada por um “gang desconhecido”. Pouco tempo depois Alapaevsk caiu nas mãos do Exército Branco.

No dia 8 de outubro de 1918, os Brancos descobriram os restos mortais de Isabel e dos seus companheiros dentro da mina onde tinham sido assassinados. Isabel tinha morrido devido a ferimentos resultantes da sua queda de 20 m, mas tinha ainda encontrado forças para fazer uma ligadura na cabeça do Príncipe Ioann. Os seus restos mortais foram retirados da mina e levados para Jerusalém onde estariam longe das mãos dos bolcheviques. Até hoje continuam enterrados na Igreja de Maria Madalena.

Isabel foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Fora da Rússia em 1981 e pela Igreja Ortodoxa Russa em 1992 como Nova Mártir Isabel. Os principais templos que lhe são dedicados são o Convento de Marfo-Mariinsky que ela fundou em Moscou e o Convento de Santa Maria Madalena no Monte das Oliveiras, que ela e o marido ajudaram a construir. Era é uma das mártires do século XX que está representada numa das estátuas acima da Grande Porta Oeste na Abadia de Westminster em Londres, Inglaterra.

Outra estátua de Isabel foi construída após a queda do Comunismo no jardim do seu convento em Moscou. Na inscrição pode ler-se “À Grã-Duquesa Isabel Feodorovna: Com arrependimento.”

Isabel Feodorovna foi assassinada por bolcheviques no dia 17 de julho de 1918 quando tinha 54 anos.

Fonte: romanov.blogs.sapo.pt

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sábado, 8 de agosto de 2009

Abre aspas – Informação

Recebi uma advertência, sobre uma pessoa colocada aqui no meu blog, na postagem sobre a Dinastia de Bragança, e achei melhor informar a quem se refere: Maria Pia, que se diz filha ilegítima de D. Carlos I, rei de Portugal. Esse texto abaixo foi retirado Brasil Imperial



Maria Pia , equívocos e certezas


Foi publicada e dela fizeram referências alguns órgãos de comunicação, uma biografia de Jean Pailler (militar francês que durante quatro anos foi Adido de Defesa da Embaixada de França em Portugal e que publicou também uma biografia do Rei D. Carlos) intitulada "Maria Pia - a Mulher que queria ser rainha de Portugal".

O livro e, sobretudo, a personagem, não mereceriam qualquer referência se o seu reaparecimento inesperado não tivesse causado perplexidade e confusão nos mais desprevenidos e não estivesse servindo a declarados inimigos da Monarquia como arma de ataque à legitimidade dinástica do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, cuja visibilidade tem vindo a aumentar e tanto os incomoda.

Maria Pia, que se chamou antes Hilda de Toledano, era filha de uma senhora brasileira, Amélia de Laredó y Múrcia, que viveu temporariamente em Portugal no início do século XX. Neta de um rico "barão" da borracha, teve umas infância e juventude despreocupadas passadas na Europa, nos lugares onde se cruzavam a aristocracia e os burgueses ricos, foi jornalista, escreveu romances, casou com um rico cubano, depois com um general italiano. E pela década de 50 do século passado, começou a aparecer com outro nome - Maria Pia - e a dizer-se filha ilegítima do Rei D. Carlos.

Numas "memórias" que publicou em 1957, conta histórias do seu passado com episódios perfeitamente inverossímeis, que pretenderam afirmar a sua filiação e a sua posição. A partir de 1958, conseguiu obter um documento que certificava, baseado apenas em testemunhas que apresentou, que na Igreja de San Fermin, em Madrid - que foi destruída durante a Guerra Civil espanhola, bem como todos os registros nela existentes - foi batizada com o nome de "Maria Pia de Saxe Coburgo-Laredó, da Casa de Bragança de Portugal", filha do Rei D. Carlos e inicia a sua pretensão ao trono português, gastando avultadas somas na manutenção de um estilo de vida que considerava digno dos seus títulos, em viagens e propaganda que enviava para supostos partidários portugueses (nos quais, curiosamente, chegou a incluir confessos republicanos e maçons) intitulando-se Duquesa de Bragança.

O resto da sua história rocambolesca tem apenas o interesse dos livros de aventuras. Convém dizer que foi processada várias vezes pelos Duques de Bragança, Senhor D. Duarte Nuno e Senhor D. Duarte Pio e que em 1997 o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que Maria Pia devia ser registrada como tendo nascido em Lisboa, filha de pais desconhecidos. No fim da vida, casou com um português muito mais novo para poder ter passaporte português e perante o desinteresse da sua filha nas aventuras e heranças principescas, cedeu os seus "direitos" a um grotesco homem de negócios siciliano.

Maria Pia foi uma aventureira, brincou aos reis e rainhas, deu títulos e condecorações carnavalescos, com direitos que nunca teve nem poderia ter tido, foi usada em Portugal pela oposição a Salazar que a deixou cair após o 25 de Abril de 1974 (foi seu advogado em Portugal o Dr. Mário Soares, que sendo Primeiro Ministro em 1975, quando do falecimento do Duque de Bragança, Senhor D. Duarte Nuno, mandou uma pessoa do seu gabinete apresentar condolências em nome do Governo português). Esta a história com fim previsível mas lastimável. Convém, no entanto, para quem nunca tenha ouvido falar desta suposta "duquesa de Bragança", reter algumas certezas:

- Maria Pia, apesar dos documentos que exibiu, obtidos da forma como o foram e que em nada abona quem os emitiu, nunca conseguiu provar que era filha do Rei D. Carlos.

- Nunca foi reconhecida - ou sequer mencionada - nem pelo Rei D. Manuel II nem pelo Infante D. Afonso, que certamente saberiam da sua existência.

- O Supremo Tribunal de Justiça de Portugal não reconheceu a sua filiação e, assim, os nomes de família que usava.

- Ainda que pudesse ter sido filha do Rei D. Carlos, nunca teria direito a herdar quaisquer direitos sucessórios, por ser ilegítima.

- A Carta Constitucional da Monarquia, vigente até 5 de Outubro de 1910, estipulava de forma clara a sucessão do ramo dinástico de D. Maria II, dizendo expressamente no seu artigo 88º, "Extintas as linhas dos Descendentes legítimos da Senhora Dona Maria II, passará a Coroa à colateral".

- Após a morte do Rei D. Manuel II, em 1932, sem descendência, a linha colateral mais próxima, por varonia - artigo 87º da Carta Constitucional - é a dos descendentes do Rei D. Miguel (tendo sido revogada em 1958 a lei de banimento) é atualmente chefiada por Sua Alteza Real o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, sendo, portanto o legítimo Chefe da Casa Real Portuguesa.

Disse, em 1954, de Maria Pia, o escritor espanhol Wenceslau Fernandes Flores, que a conhecia bem desde a juventude: "talvez a capacidade mais desenvolvida nela, depois da sua grande sensibilidade artística, fosse a Fantasia". Parece estar tudo dito.

Texto de João Mattos e Silva - http://www.monarquia.online.pt

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Jerusalém


Capital e maior cidade de Israel, situada entre o mar Mediterrâneo e o mar Morto, a aproximadamente 93 km à leste de Tel Aviv-Jaffa. Uma cidade santa para três grandes religiões monoteístas do mundo:

  1. judaísmo
  2. cristianismo
  3. islamismo




Lugar sagrado para:
  • cristãos – por ser o cenário da Última Ceia, da crucificação e ressurreição de Jesus Cristo;
  • judeus – é um símbolo de sua terra natal, lugar onde se encontra o Templo de Jerusalém;
  • muçulmanos – é sagrada por ser o local de onde o profeta Maomé ascendeu ao céu

Na Jerusalém atual há duas partes claramente diferenciada:
  • a cidade antiga
Entre os monumentos mais notáveis da cidade antiga encontram-se a Basílica do Santo Sepulcro; o Muro Ocidental Judeu (Muro das Lamentações) – o que sobrou de um grande templo construído por Herodes 'o Grande'; a Cúpula da Rocha – construída no lugar em que se acredita que Maomé tenha subido ao céu, a colina de Al Aqsa e a Cidadela – uma estrutura do século XIV, construída no lugar onde se encontrava a Fortaleza de Herodes.

  • a cidade nova
Os lugares mais interessantes da cidade são: O Museu de Israel, a Universidade Hebraíca de Jerusalém (1918) e os edifícios do Knesset (Parlamento) israelita, construídos em 1965.


______________________História_______________________
O lugar onde se encontra Jerusalém é habitado desde o paleolítico. Os habitantes originais foram expulsos pelos cananeus. Caiu sob o domínio egípcio no século XV a.C . Mais tarde, por volta de 1250 a.C , os hebreus iniciaram a conquista de Canaã. No entanto, as fortificações de Jerusalém impediram durante 200 anos que a cidade sucumbisse, até que finalmente foi ocupada por Davi, depois de ter sido ungido rei de Israel. Salomão concluiu o Templo onde foi guardada a Arca da Aliança e levou Jerusalém ao auge do seu esplendor, transformando-a na cidade sagrada do judaísmo.

A conquista romana ocorreu no ano de 63 a.C e o período de apogeu aconteceu durante o reinado de Herodes 'o Grande'. A rebelião dos judeus contra a autoridade romana fez com que o imperador Tito invadisse e arrasasse a cidade e o Templo, no ano 70 d.C , o que supostamente deu início à grande diáspora.

O imperador Adriano, em sua tentativa de romanização, proibiu a circuncisão, o que provocou rebeliões entre os anos 132 e 135, sufocados com medidas drásticas:
  • proibiu que os judeus vivessem na parte antiga e
  • construiu uma cidade nova chamada Aelia Capitolina

Com Constantino I 'o Grande' o cristianismo converteu-se na religião do Império e os cristãos peregrinaram e colonizaram a cidade, na qual foram construídas muitas igrejas, entre elas a do Santo Sepulcro, também foi a época da redação do Talmude de Jerusalém.

Novamente a cidade foi conquistada pelos persas, sob o comando do rei Cosroes II, em 614 e depois em 637 pelos muçulmanos, chefiados pelo califa Omar I. Foi quando construíram a Mesquita da Cúpula da Rocha. Os turcos seldjúquidas chegaram no ano 1071 e proibiram a entrada na cidade dos peregrinos cristãos, fato que desencadeou as Cruzadas. Em 1099, os cruzados, dirigidos pelo nobre francês Godofredo de Bouilon, conquistaram a cidade, que passou a pertencer ao Reino Latino de Jerusalém até 1187, ano em que foi reconquistada pelos muçulmanos, sob o comando de Saladino I.

Desde o século XIII, Jerusalém continuou recebendo investidas de outros povos conquistadores ao mesmo tempo em que recebia muitos judeus europeus que fugiam de diferentes perseguições. O mandato britânico da Palestina durou 23 anos (de 1922 a 1948), quando foi proclamado o Estado de Israel. Novamente Jerusalém foi cenário de sangrentas lutas entre judeus e árabes que não aceitavam o plano de divisão da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual Jerusalém transformava-se em área internacionalizada, assegurando o livre acesso aos lugares santos das diferentes religiões. Isto foi resolvido com uma divisão na qual Israel ficava com a parte nova e a Jordânia com a parte antiga e seus arredores (Jerusalém Oriental). Em 1950, o Knesset decretou que Jerusalém seria a capital de Israel e, em 1980 consumou sua reunificação, embora não houvesse reconhecimento da comunidade internacional. Os acordos assinados em 1993, entre Arafat e Yitzhak Rabin, previam que Jerusalém oriental seria palestina. Mas em 1996 assentamentos judeus nesta parte da cidade, desencadearam novos conflitos, que se arrastam até os nossos dias.



Fonte: Enciclopédia Microsoft Encarta 1993-1999

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dinastia de Bragança



A Dinastia de Bragança (ou Brigantina), também conhecida como Sereníssima Casa de Bragança, foi a 4ª dinastia de reis portugueses, que reinou entre 1640 e 1910 em Portugal, devendo o seu nome ao fato de os seus membros deterem, como título principal, o de Duques de Bragança. Foi também a dinastia que reinou no Império do Brasil entre 1822 e 1889.







Em Portugal a Casa de Bragança foi elevada à coroa através de D. João II de Bragança, 8.º Duque de Bragança, que se torna rei com o nome de D. João IV (figura ao lado) depois da Restauração da Independência em 1 de dezembro de 1640. A partir do reinado de D. João VI e das lutas entre liberais e absolutistas que seguiram, a Casa de Bragança ficou dividida em três ramos:




  1. Ramo Saxe-Coburgo-Gota Bragança (ou Bragança-Wettin) – descendência do Rei D. Pedro IV e que reinou em Portugal até ao fim da monarquia em 1910. O último rei, D. Manuel II, faleceu em 1932, sem deixar filhos. Leva este ramo devido ao fato dos seus membros descenderem do casamento da Rainha D. Maria II, da Casa de Bragança, com o Príncipe D. Fernando II, da Casa de Saxe-Coburgo-Gota.
  2. Ramo Miguelista – descendência do Rei D. Miguel I que, após ter sido derrotado na Guerra Civil, seguiu para o exílio, não reconhecendo a realeza da sua sobrinha, D. Maria II, continuando a reclamar para si e seus descendentes os seus direitos à coroa portuguesa. O neto, D. Duarte Nuno, acabou por vir a ser reconhecido como herdeiro do trono, pela maioria dos monárquicos, após a morte, sem herdeiros diretos, do Rei D. Manuel II. A chefia da Casa de Bragança, em Portugal, pertence atualmente ao representante deste ramo, D. Duarte Pio, embora exista alguma contestação por parte dos outros ramos da Casa de Bragança.
  3. Ramo Brasileiro (depois chamado de Orleães e Bragança) – descendência brasileira do Imperador D. Pedro I (Rei D. Pedro IV de Portugal). Este ramo reinou no Brasil até 1889, quando foi deposto o último imperador. A filha deste, Princesa Isabel, casou-se com o conde d'Eu, Luís Filipe de Orléans, pelo que os seus sucessores passaram a usar o nome de Orleães e Bragança.
A Casa de Bragança deixou de reinar em Portugal, com o golpe republicano de 5 de outubro de 1910. No Brasil, foi afastada do trono, também por um golpe militar republicano, ocorrido em 15 de novembro de 1889.

Os representantes atuais da Casa, em Portugal, são os Duques de Bragança. O atual chefe da Casa de Bragança, D. Duarte Pio, reúne dois dos ramos existentes – em virtude de ser fruto do casamento entre o chefe do Ramo Miguelista, D. Duarte Nuno, e uma princesa do Ramo Orleães e Bragança, D. Maria Francisca, bisneta do imperador D. Pedro II –

No passado, aos diversos membros da Família Real eram-lhes reconhecidos os seguintes títulos honoríficos:
  • Sua Majestade Fidelíssima (S.M.F.) era reservado ao Rei e à Rainha;
  • Sua Alteza Real (S.A.R.) era reservado ao herdeiro do trono (Príncipe Real) e ao primogénito deste (Príncipe da Beira);
  • Sua Alteza (S.A.) era reservado aos Infantes (filhos do Rei);
  • Sua Excelência (S.E.) era outorgado aos restantes membros da Família Real (bem como às pessoas que detivessem títulos de nobreza).

Após a implantação da República Portuguesa:
  • Sua Majestade Fidelíssima, El-Rei D. Manuel II
  • Sua Majestade, a Rainha D. Amélia de Orleães, rainha-mãe e mãe de D. Manuel II (desposou D. Carlos I)
  • Sua Majestade, a Rainha D. Maria Pia de Sabóia, avó de D. Manuel II (desposou D. Luís I)
  • Sua Alteza, o Infante D. Afonso de Bragança, Duque do Porto, tio de D. Manuel II.

Reivindicações posteriores:
  • Sua Alteza Real, o Infante D. Miguel II de Bragança, filho de D. Miguel I.
  • Sua Alteza Real, a Infanta Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança de Laredo, alegada filha bastarda de D. Carlos I.
  • Sua Alteza Real, o Infante D. Duarte Nuno de Bragança, neto de D. Miguel I.
Atualmente, os membros da Casa de Bragança reivindicam-se como legítima Família Real Portuguesa, sendo os títulos honoríficos de Sua Alteza Real (S.A.R.) e de Sua Alteza (S.A.) igualmente reivindicados.
  • S.A.R., D. Duarte Pio de Bragança
  • S.A.R., D. Isabel de Herédia
  • S.A.R., D. Afonso de Santa Maria
  • S.A., D. Maria Francisca de Bragança
  • S.A., D. Dinis de Santa Maria
  • S.A., D. Miguel de Bragança
  • S.A., D. Henrique de Bragança

Casa Real Portuguesa
O último rei de Portugal, Dom Manuel II, morreu no exílio em 1932. Não deixou descendentes. E também não havia descendência legítima portuguesa de sua bisavó (a Rainha Dona Maria II), nem de seu trisavô (o Rei Dom Pedro IV).

Conforme as normas da Carta Constitucional, que aliás seguiu aí os princípios da antiga Lei Fundamental, devia suceder no trono e, portanto, na qualidade de Chefe da Casa Real, o português que proviesse da linha legítima colateral anterior, segundo as regras da primogenitura e representação.

Essa linha colateral anterior era a da descendência da Dom Miguel I, filho de Dom João VI e tio paterno de Dona Maria II.

O filho primogénito varão de Dom Miguel I fora Dom Miguel II. E este tivera três filhos varões, mas o único dentre eles com a nacionalidade portuguesa era Dom Duarte Nuno.

Dom Duarte Nuno era pois, após a morte de Dom Manuel II, o Chefe da Casa Real portuguesa. No caso de a monarquia ser restaurada, cabia-lhe a sucessão no trono de Portugal. E isto foi reconhecido pela quase totalidade dos monárquicos e pacificamente aceito quer no País quer no estrangeiro.

Dom Duarte Nuno casou perante autoridades consulares portuguesas no Brasil, com Dona Maria Francisca de Orléans e Bragança, legítima descendente da Casa Imperial brasileira e, portanto, de Dom Pedro IV (Imperador Pedro I do Brasil).

Desse casamento nasceu, primogênito, em 1945, Dom Duarte Pio, que com o falecimento de seu pai em 1976, passou a ser o Chefe da Casa Real portuguesa.

Dom Duarte Pio foi afilhado e herdeiro patrimonial da Rainha Dona Amélia (mãe de Dom Manuel II) e hoje é o Chefe da Casa Real Portuguesa.

S.A.R. o Duque de Bragança, Senhor Dom Duarte e S.A.R. a Duquesa de Bragança, Senhora Dona Isabel


Reis da dinastia dos Bragança:
1640 - 1656
D. João IV "O Restaurador" (19 março 1604 V. Viçosa-6 novembro 1656 Lisboa)
Casou com Dona Luísa Francisca de Gusmão

1656 - 1683
D. Afonso VI "O Vitorioso" (21 agosto 1643 Lisboa-12 setembro 1683 Lisboa)
Casou com Dona Maria Francisca Luísa Isabel d´Aumale e Sabóia, ou de Sabóia-Nemours

1683 - 1706
D. Pedro II "O Pacífico" (26 abril 1648 Lisboa-9 dezembro 1706 Lisboa)
Casou com D. Maria Francisca de Sabóia e com D. Maria Sofia de Neuburgo

1706 - 1750
D. João V "O Magnânimo" (22 outubro 1689 Lisboa-31 julho 1750 Lisboa)
Casou com Dona Maria Anna Josefa, arquiduquesa de Áustria

1750 - 1777
D. José I "O Reformador" (6 junho 1714 Lisboa-24 fevereiro 1777 Lisboa)
Casou com D. Mariana Vitória de Bourbon

1777 - 1816
D. Maria I "A Piedosa" (17 dezembro 1734 Lisboa-20 março 1816 Rio de Janeiro)
Casou com D. Pedro III

1816 - 1826
D. João VI "O Clemente" (13 maio 1767 Queluz-10 março 1826 Lisboa)
Casou com Dona Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon e Bourbon

1826 - 1826
D. Pedro IV "O Rei Soldado" (12 outubro 1798 Queluz-24 setembro 1834 Lisboa)
Casou com Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo

1828 - 1834
D. Miguel I "O Tradicionalista" (26 outubro 1802 Lisboa-14 novembro 1866 Áustria)
Casou com Dona Adelaide Sofia Amélia Luísa Joana Leopolodina de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg

1826 - 1853
D. Maria II "A Educadora" (4 abril 1819 Rio de Janeiro-15 novembro 1853 Lisboa)
Casou com D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha

1853 - 1861
D. Pedro V "O Esperançoso" (16 setembro 1837 Lisboa-11 novembro 1861 Lisboa)
Casou com Dona Estefânia Josefa Frederica Guilhermina Antónia de Hohenzollern

1861 - 1889
D. Luís I "O Popular" (31 outubro 1838 Lisboa-19 outubro 1889 Lisboa)
Casou com D. Maria Pia de Sabóia

1889 - 1908
D. Carlos I "O Martirizado" (28 setembro 1863 Lisboa-1 fevereiro 1908 Lisboa)
Casou com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Orleães

1908 - 1910
D. Manuel II "O Rei Saudade" (15 novembro 1889 Lisboa-2 abril 1932)
Casou com Dona Augusta Vitória Guilhermina Antónia Matilde Luísa Josefina Maria Isabel de Hohenzollern-Sigmaringen

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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