sábado, 7 de agosto de 2010

Algarve – Portugal


O Algarve constitui uma das regiões turísticas mais importantes de Portugal e da Europa. O seu clima temperado mediterrânico, caracterizado por invernos amenos e curtos e verões longos, quentes e secos, as águas tépidas e calmas que banham a sua costa sul, as suas paisagens naturais, o patrimônio histórico e etnográfico ou a sua deliciosa e saudável gastronomia são atributos que atraem milhões de turistas nacionais e estrangeiros todos os anos e que fazem do Algarve uma das províncias mais ricas e desenvolvidas do país.




Durante séculos, foi ponto de passagem para vários povos, incluindo os Tartessos, Fenícios, Gregos e Cartagineses. Fez parte do vasto Império Romano, ostentando cidades relevantes como Balsa e Ossónoba, e durante cerca de cinco século esteve sob o domínio dos povos islâmicos, atingindo um elevado esplendor cultural e econômico. Terminada a conquista da região durante o reinado de D. Afonso III, o antigo Al-Gharb mourisco foi incluído no reino cristão mais ocidental da Penísula Ibérica, entrando numa certa decadência que seria interrompida já no século XV pela odisseia da exploração da costa africana e da conquista das praças marroquinas, sob o comando do Infante D. Henrique. Com o fim da presença lusitana nas praças africanas, a região entrou novamente numa certa decadência, acentuada pela destruição imposta pelo terramoto de 1 de novembro de 1755. Posteriormente, o Algarve iniciou o século XX como uma região rural, periférica, com uma economia baseada na cultura de frutos secos, na pesca e na indústria conserveira. Contudo, a partir dos anos 60, dá-se a explosão da indústria do turismo, mudando assim por completo a sua estrutura social e econômica.

Desde os alvores do reino, constituiu uma região bem delimitada e individualizada, não só em termos geográficos mas também do ponto de vista identitário, com características históricas, climáticas, etnográficas, arquitéctônicas, gastronômicas e econômicas muito próprias.

Atualmente, o turismo constitui o motor economico do Algarve. A antiga província tradicional possui algumas das melhores praias do Sul da Europa, e condições excepcionais para a prática de atividades e desportos ao ar livre.

Sendo a região mais a sul de Portugal Continental, ocupa uma área de 5,412 km² e nela residem 458,734 habitantes (INE 2010).



História

– Etimologia
O termo "Algarve" provém de "al-Gharb al-Ândalus" nome dado ao atual Algarve e baixo Alentejo durante o domínio muçulmano, significando "Andaluz Ocidental", pois era a parte ocidental da Andaluzia muçulmana.

– Ocupação árabe
As regiões espanholas e portuguesas outrora conhecidas por al-gharb al-Andalus (em árabe: الغرب الأندلس) eram o mais importante centro muçulmano da época da "Hispânia Islâmica", sendo assim o centro islâmico da cultura, ciência e tecnologia. Nessa altura, a principal cidade da região era Silves, que, quando foi conquistada pelo rei D. Sancho I, dizia-se ser cerca de 10 vezes maior e mais fortificada que Lisboa. O Algarve foi a última porção de território de Portugal a ser definitivamente conquistado aos mouros, no reinado de D. Afonso III, no ano de 1249.

– Conquista portuguesa
Segundo alguns documentos históricos, a conquista definitiva do Algarve aos mouros neste reinado, nomeadamente a tomada da cidade de Faro, foi feita de forma relativamente pacífica. No entanto, apenas em 1267 - no tratado de Badajoz - foi reconhecida a posse do Algarve como sendo território português, devido a pretensões do Reino de Castela. Curiosamente, o nome oficial do reino resultante seria frequentemente designado de Reino de Portugal e do Algarve, mas nunca foram constituídos dois reinos separados. A zona ocidental do Algarve é designada por Barlavento e a oriental por Sotavento. A designação deve-se com certeza ao vento predominante na costa sul do Algarve, sendo a origem histórica desta divisão incerta e bastante remota. Na Antiguidade os Romanos consideravam no sudoeste da península Ibérica a região do Cabo Cúneo - que ia desde Mértola por Vila Real de Santo Antônio até à enseada de Armação de Pêra - e a região do Promontório Sacro - que abrangia o restante do Algarve. O primeiro-ministro do rei D. José I, o Marquês de Pombal tentou efetuar uma divisão, nunca reconhecida pelo Papado Romano, da diocese de Faro em dois bispados: Faro e Vila Nova de Portimão. O limite entre eles era a ribeira de Quarteira e o seu prolongamento em linha reta até ao Alentejo.


Geografia
O Algarve confina:
  • a norte com a região do Alentejo (sub-regiões do Alentejo Litoral e Baixo Alentejo),
  • a sul e oeste com o Oceano Atlântico, e
  • a leste o Rio Guadiana marca a fronteira com Espanha.
O ponto mais alto situa-se na serra de Monchique, com uma altitude máxima de 902m (Pico da Foia).

– A região é subdividida em duas zonas:
  1. a Ocidente (o Barlavento) – 8 municípios, cidade principal Portimão. Serra Foia, rio Arade.
  2. a Leste (o Sotavento) – 8 municípios, cidade principal Faro. Serra Caldeirão, rio Guadiana.


Um hospital principal em cada uma das zonas garante os cuidados de saúde em todo o Algarve. Em termos de infraestrutudas, o Aeroporto Internacional está numa zona e o Autódromo Internacional noutra. Finalmente, desportivamente, a disputar a segunda liga de futebol, o "pseudo-concurso" entre históricos do futebol algarvio, na tentativa de saber qual o primeiro a ascender ao escalão principal, se o Portimonense - representante do Barlavento - ou se o Olhanense - pelo lado sotaventista.



A Ria Formosa é um brejo, um atoleiro situado na província do Algarve em Portugal, que se estende pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo Antônio, abrangendo uma área de cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 km desde o rio Ancão até à praia da Manta Rota.


  • A sul é protegida do Oceano Atlântico por um cordão dunar quase paralelo à orla continental, formado por duas penínsulas (a de Faro, que engloba a praia do Ancão e a praia de Faro; e a de Cacela, que engloba a praia da Manta Rota) e cinco ilhas barreira arenosas (Ilha da Barreta, Ilha da Culatra, Ilha da Armona, Ilha de Tavira e Ilha de Cabanas), que servem de protecção a uma vasta área de sapal, canais e ilhotes.
  • A norte, em toda a extensão, o fim da laguna não tem uma delimitação precisa, uma vez que é recortada por salinas, pequenas praias arenosas, por terra firme, agricultável e por linhas de água doce que nela desaguam (Ribeira de São Lourenço, Rio Seco, Ribeira de Marim, Ribeira de Mosqueiros e o Rio Gilão).
Tem a sua largura máxima junto à cidade de Faro (cerca de 6 km) e variações que nos seus extremos, a Oeste e a Este, atingem algumas centenas de metros. A sua fisionomia é bastante diversificada devido aos canais formados sob a influência das correntes de maré, formando assim, uma rede hidrográfica densa.

É uma zona úmida de importância internacional como habitat de aves aquáticas. A zona é objeto de monitorização permanente, sendo ainda local de estudo para muitos alunos da Universidade do Algarve.




– Clima
Um dos principais traços distintivos da região algarvia constitui o seu clima. As condições climáticas que o senso-comum atribui geralmente ao clima algarvio podem ser encontradas em todo o seu esplendor no barrocal e no litoral sul, especialmente no região central e no sotavento algarvio.

Um conjunto de características base resumem o clima da região, em especial do barrocal e do litoral sul: verões longos e quentes, invernos amenos e curtos, precipitação concentrada no outono e no inverno, reduzido número anual de dias com precipitação e elevado número de horas de sol por ano.

A temperatura média anual do litoral do sotavento e da região central do Algarve é mais elevada de Portugal Continental e uma das mais elevadas da Península Ibérica, rondando os 18 °C.

O clima do Algarve, segundo a classificação de Koppen, divide-se em duas regiões: uma de clima temperado com inverno chuvoso e Verão seco e quente (Csa) e outra de clima temperado com Inverno chuvoso e verão seco e pouco quente (Csb). Com exceção da Costa Vicentina e das serras de Monchique e de Espinhaço Câo, toda a região algarvia possui um clima temperado mediterrânico do tipo Csa.

No litoral do sotavento algarvio as noites tropicais (noites com temperatura mínima igual ou superior a 20 °C) são frequentes durante o período estival. De fato, a temperatura mínima mais alta de sempre registada em Portugal pertence à estação meteorológica de Faro: 32,2 °C, a 26 de julho de 2004.



Fonte: Wikipédia

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O Jardim Botânico localiza-se no bairro de mesmo nome, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, o Jardim Botânico é um exemplo da diversidade da flora brasileira e estrangeira. Nele podem ser observadas cerca de 6.500 espécies (algumas ameaçadas de extinção), distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas. O Jardim abriga ainda monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico, além de um importante centro de pesquisa, que inclui a mais completa biblioteca do país especializada em botânica, com mais de 32 mil volumes.



História
– Da criação ao período Imperial
Sua origem remonta à vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, acompanhada pela Corte (1808). Fixando-se no Rio de Janeiro, então alçada à condição de sede do Império Português, a mudança trouxe diversas oportunidades e melhorias para a cidade, dentre elas a implantação de uma Fábrica de Pólvora na sede do antigo Engenho de Rodrigo de Freitas, cujas ruínas dos muros atualmente integram os limites do Jardim Botânico.

Recém-chegado, por Decreto de 13 de junho de 1808, o Príncipe-Regente D. João criou no antigo "Engenho da Lagoa", pertencente a Rodrigo de Freitas, o Jardim de Aclimação, com a finalidade de aclimatar as plantas de especiarias oriundas das Índias Orientais: noz-moscada, canela e pimenta-do-reino.

No mesmo ano, a 11 de outubro, recebeu o nome de Real Horto. Sua direção foi entregue ao marquês de Sabará, diretor da fábrica de pólvora criada ao lado, que também entendia de botânica, sendo depois substituído pelo Tenente General Carlos Napion. Em 1810, segundo o "Dicionário de Curiosidades do Rio de Janeiro", o alemão Kaucke o transformou em uma estação experimental. Nos viveiros já havia mudas de cânfora, nogueira, jaqueira, cravo-da-índia e outras plantas do Oriente.

Com a Proclamação da Independência do Brasil, o Real Horto foi aberto à visitação pública em 1822 como Real Jardim Botânico. Adquiriu a partir de então foros de botânico, pois seu diretor era um erudito frade carmelita, frei Leandro do Sacramento, professor de botânica conhecido pelos seus estudos da flora brasileira. Frei Leandro introduziu melhoramentos e organizou um catálogo das plantas ali cultivadas. Foi o orientador das aléias de mangueiras, jaqueiras, nogueiras e outras, assim como das cercas de murtas, crótons, hibisco. Em sua homenagem, uma das dependências do Jardim tem o seu busto e o belo lago leva o seu nome.

– Da Proclamação da República aos nossos dias
Com a Proclamação da República, passou a ser denominado como Jardim Botânico (1890). Desde então, teve vários visitantes ilustres como Albert Einstein, a rainha Elizabeth II de Inglaterra e outros, transformando-se em cartão-postal da cidade.

O Jardim encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1937.

Em 1991, a UNESCO considerou-o como Reserva da Biosfera. Nesse momento, quando o Jardim passava por dificuldades de manutenção e conservação, um grupo de empresas (públicas e privadas) se formou para auxiliá-lo. Como resultado das parcerias, em 1992 o orquidário e a estufa de violetas foram renovados, além de procedida uma limpeza no lago. Em 1995, foi construído o Jardim Sensorial, com plantas aromáticas e placas indicadoras em Braille, permitindo a visitação por deficientes visuais. Posteriormente uma nova estufa para as bromélias foi construída. No início do século XXI, o muro do Jardim na Rua Pacheco Leão foi demolido, dando lugar a uma grade, melhorando a sua integração paisagística no bairro.

Como reconhecimento pela sua importância científica, foi rebatizado como Instituto de Pesquisas Jardim Botânico em 1998, ficando afeto ao Ministério do Meio Ambiente. Finalmente, em 2002, tornou-se uma autarquia.


Visitação
Entre os pontos a serem considerados pelo visitante, destacam-se:

– Centro de Visitantes
No Centro pode-se solicitar a visita acompanhada, pesquisas bilingues. O espaço também é utilizado como local de exposições de arte.

– Aléia Barbosa Rodrigues
O seu nome é uma homenagem ao naturalista brasileiro João Barbosa Rodrigues, diretor da instituição entre 1890 e 1909. Aléia principal do Jardim, constitui-se no seu cartão de visitas, ladeada por imponentes Palmeiras imperiais.

A primeira muda de sua espécie a chegar no Brasil foi plantada pelo Príncipe-Regente D. João em 1809. Era então administrador Serpa Brandão, e tanto era seu carinho e seu ciúme pela palmeira que, quando esta floresceu e frutificou, colhia suas sementes e as queimava, para que não se vulgarizasse com numerosos exemplares! Com o tempo, os escravos viam nas sementes modo de conseguir dinheiro fácil, e às ocultas colhiam seus frutos à noite e iam vendê-los. O conjunto monumental da aléia é integrado pelo portal oriundo da demolição do prédio da Academia Imperial de Belas Artes (1938).

– Aléia Custódio Serrão
Assim nomeada em homenagem ao segundo administrador da instituição, Frei Custódio Serrão (1859-1861), destaca-se pelos exemplares de Abricó-de-macaco, espécie nativa da Amazônia, e pelos de Sumaúma, uma das árvores de maior porte no mundo.

Em uma das extremidades da aléia, no local onde o então Príncipe-Regente plantou a primeira Palmeira Imperial (1809), derrubada por um raio em 1972, encontra-se um busto de D. João VI. As sementes dessa primeira palmeira, deram origem à Palma Filia, hoje também no local.

– Aléia Pedro Gordilho
Nomeada em homenagem a Pedro Gordilho Pais Leme, antecessor de Barbosa Rodrigues à frente da instituição, destaca-se pelas árvores de pau-brasil, símbolo nacional brasileiro, e pelas cascatas.

– Aqueduto da Levada
Construído em 1853 com o objetivo de ordenar o curso das águas pluviais do vale da Margarida, onde havia cultura de "Carludovica palmata" (com cuja fibra se fabricavam chapéus do Chile), para o Jardim Botânico.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2005 o monumento sofreu extensa intervenção de restauro, dentro de um projeto mais amplo de recuperação e requalificação do seu entorno. Esse projeto previu o tratamento da área, então utilizada para o descarte de restos vegetais e de resíduos, e de seus acessos, reintegrando-a ao espaço do Jardim Botânico por meio da recuperação paisagística e da sua articulação com o Caminho da Mata Atlântica e outros acessos, além da criação de novas áreas de visitação e de coleções botânicas.

– Caminho da Mata Atlântica
O chamado Caminho da Mata Atlântica, antigo Caminho do Boi, é um caminho aberto num fragmento preservado da Mata Atlântica. Com aproximadamente 600 m de extensão, inicia-se na catarata e termina, atualmente, no Aqueduto da Levada, aberto em 2005 à visitação pública.

– Chafariz Central

Em ponto central no encontro das aléias, constitui-se numa das mais belas atrações do Jardim. Fabricado na Inglaterra, é constituído por duas bacias. Na maior delas, quatro figuras representam a Música, a Poesia, a Ciência e a Arte. O chafariz foi originalmente instalado na Lapa até que, com a reformulação do Passeio Público (1905), foi aqui instalado.


– Solar da Imperatriz
Edificação associada ao primeiro engenho de açúcar na então capitania do Rio de Janeiro, o Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, estabelecido em 1575. Este Solar e mais 58 chácaras integravam o vasto latifúndio onde se localizam os bairros que, atualmente, circundam a Lagoa Rodrigo de Freitas. No subsolo do solar havia uma senzala onde eram mantidos os escravos da propriedade. Uma tradição local refere que os escravos aí mantidos se revezavam em gritos e uivos, como forma de resistência, para que seus senhores não dormissem à noite.

– Memorial Mestre Valentim
Criado em 1997, o memorial homenageia o artista brasileiro Valentim da Fonseca e Silva, autor das primeiras obras em metal fundidas no Brasil, abrigando peças provenientes da demolição da antiga Fonte das Marrecas, no Passeio Público (1905). Destacam-se os conjuntos "Aves Pernaltas" e as estátuas de "Eco" e "Narciso", fundidas em bronze.

– Lago Frei Leandro
O seu nome é uma homenagem a Frei Leandro do Santíssimo Sacramento, primeiro diretor do Jardim Botânico, de 1824 a 1829. O lago destaca-se pela presença de vitórias-régias e ninféias em seu espelho d'água, decorado por uma escultura da deusa Tétis em ferro. Nas suas margens, o visitante pode apreciar exuberantes exemplares da Árvore do Viajante.

– Cômoro
O cômoro, elevação adjacente ao lago, foi erguido com a terra retirada para a construção do mesmo. Ambos foram projetados por Frei Leandro, que tinha o hábito de se sentar à sombra da jaqueira (até hoje no local), dirigindo os trabalhos dos escravos. Ali fez colocar uma grande mesa de granito, onde os jovens príncipes, primeiro D. Pedro I e, mais tarde, D. Pedro II, faziam seus lanches. Fez colocar ainda um relógio de sol. O cômoro é encimado por um caramanchão, a chamada Casa de Cedros.

– Orquidário
Estufa construída no final do século XIX, foi reformada na década de 1930, e restaurada em 1998. Além de abrigar mais de 700 espécies de orquídeas, o orquidário abriga plantas ornamentais como antúrios, filodendros, avencas e samambaias, um conjunto de 2 000 vasos com uma das mais belas coleções do Jardim Botânico.

– Bromeliário
Maior bromeliário do Rio de Janeiro, reúne cerca de 1 700 exemplares das Américas do Sul e Central, muitas delas encontradas na Amazônia, na Mata Atlântica, em restingas e caatingas. De formas muito diversas, são muito apreciadas como plantas ornamentais pela sua fácil adaptação ao ambiente. Aqui encontram-se organizadas em canteiros e na Estufa Roberto Burle Marx.

– Insetívoras
Esta estufa concentra uma comunidade de plantas genéricamente denominadas como insetívoras, que atrai a atenção dos visitantes em geral, e particularmente do público infantil.

– Jardim Sensorial
Concebido de maneira a que as suas plantas possam ser tocadas pelos visitantes, destina-se particularmente à apreciação pelos deficientes visuais. O conjunto é constituído por plantas aromáticas e de diversas texturas, sendo o visitante convidado a exercitar os sentidos do tato e do olfato, particularmente. As espécies de plantas encontram-se identificadas por placas com escrita em braille.

– Região Amazônica
Este trecho do Jardim evoca a densa vegetação da Amazônia, cenário completo com uma cabana de sapê e a estátua de um caboclo da região. Aqui se encontram exemplares de seringueiras, babaçus, andirobas, cacaueiros e pau-mulato, espécie interessante pela mudança de cor que apresenta a cada época do ano.

– Jardim Japonês
Criado em 1935, a partir de uma doação de 65 espécies de plantas típicas do Japão, feita pela Missão Econômica Japonesa, que à época visitou o Brasil. Reinaugurado em 1995, apresenta ao visitante um típico recanto nipônico, com um jardim de pedras, e exemplares de bonsais, bambus, cerejeiras, buquês de noiva e salgueiros-chorões. Nos dois lagos, habitados por carpas, destacam-se flores de lótus.

– Arboreto
O Arboreto é composto por cerca de 9 mil espécimes vegetais que representam ecossistemas brasileiros e de outros países . Ao todo, é um fragmento de 57 hectares de Mata Atlântica remanescente, 197 canteiros de coleções de plantas, quatro lagos com vitórias-régias, cerca de 1 500 espécies cultivadas nas estufas do Orquidário, Bromeliário, Insetívoras e Cactário, além de seis jardins temáticos: roseiral, medicinal, sensorial, bíblico, japonês e beija-flores.

Em 30 de setembro de 2009, a Companhia Vale do Rio Doce assinou um convênio para preservar o Jardim Botânico, com o investimento de R$ 2 milhões próprios (não-incentivados) ao longo dos próximos dois anos. Estão previstas ações de jardinagem, limpeza, nova sinalização, reforma dos bancos, intercâmbio de tecnologia ambiental e outros. A Vale patrocina ainda o espaço Teatro Tom Jobim com programação de música.


– O Jardim conta com:
  • 330 mil plantas desidratadas
  • Carpoteca com 5 800 frutos secos
  • Xiloteca com 8 000 amostras de madeira
  • Orquidário
  • Biblioteca com cerca de 66 000 volumes e 3 000 obras raras



Fonte: Wikipédia

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A história de Portugal

Território situado no extremo sudoeste da Europa, com uma área de cerca de 90 000 km2 e uma fachada atlântica de cerca de 840 km, Portugal tem, pelas sua posição geográfica, acentuada ainda pelas características geomorfológicas do seu território, uma posição excêntrica relativamente à Europa. A posição atlântica de Portugal, prolongada, desde o início do século XV, pelos dois arquipélagos descobertos e povoados por portugueses, o dos Açores e o da Madeira, foi a chave da sua história e da sua identidade nacional.


O Atlântico selou o destino histórico de Portugal: encravado entre um poderoso vizinho e o mar, os portugueses souberam tirar partido da sua situação estratégica, quer construindo no mar um poderio militar, quer aliando-se à potência naval dominante (aliança inglesa), assegurando a sua sobrevivência face às pretensões hegemônicas das potências europeias.

A leitura da História de Portugal em termos de um ciclo de apogeu e queda, de potência mundial à irrelevância geopolítica, é uma leitura marcadamente oitocentista, e que deve situar-se no contexto da reflexão política de finais do século XIX. A ideia de que certos fatores como:
  • união dinástica com a Espanha, em que Portugal perdeu a sua dinastia e por isso a sua independência política (dinastia filipina: 1580-1640),
  • terramoto de 1755,
  • invasões francesas (Guerras Napoleônicas),
  • independência do Brasil em 1822,

determinaram a "decadência" de Portugal. A Revolução Republicana de 1910 iria dar uma feição modernizadora a Portugal, dando porém origem a um regime parlamentar instável, marcado por frequentes revoltas militares e pela trágica intervenção no teatro da Primeira Guerra Mundial. A ditadura do Estado Novo, instaurada na sequência da Revolução militar de 1926 (Salazarismo), marcou o Século XX português pela sua excepcional duração (48 anos). Em 25 de abril de 1974 eclodiu um golpe militar organizado pelo Movimento das Forças Armadas: «Revolução dos Cravos» maioritariamente constituído por capitães do exército ("Capitães de Abril") que derrubou a ditatura. Portugal entrou, após um conturbado período revolucionário, no caminho da Democracia Parlamentar, ao mesmo tempo que procedia à descolonização de todas as suas colônias.

Antes de Portugal
A região que corresponde atualmente a Portugal começou a ser habitada há cerca de quinhentos mil anos, primeiro pelos Neandertais e, mais tarde, pelo Homem moderno. Entre 20 000 aC e 10 000 aC, a Península Ibérica começou a ser colonizada por grupos humanos Cro-Magnon e, milênios mais tarde, passou a abrigar outros povos, autóctones e sem parentesco aparente com quaisquer outros povos conhecidos. Entre eles, estavam os iberos, na costa mediterrânica de Espanha, os tartessos, no extremo sul de Portugal (regiões do Algarve e Alentejo) e os aquitanos e vascones (prováveis antepassados dos atuais bascos), na região dos Pireneus. A hipótese de todos serem de origem berbere, do norte da África, hoje é amplamente desacreditada, embora o parentesco entre iberos e bascos ainda continue a ser investigado. Porém, segue-se a crença de que todos eram povos distintos etnicamente entre si.

No século VII aC, a região passou a ser habitada por povos indo-europeus, sendo estas tribos proto-célticas e celtas. As tribos iberas e algumas vagas celtas misturaram-se, dando origem aos celtiberos, em partes da Espanha. Outras populações proto-célticas e celtas acomodaram-se em território português, como os lusitanos, os vetões (ou Vettones) e os galaicos (ou Gallaeci), entre outras. Influências menores foram os gregos e os fenícios-cartagineses.

– Romanização
No século III aC os romanos penetraram na Península Ibérica no contexto da Segunda Guerra Púnica que mantiveram contra Cartago. Foram anexadas duas regiões da Península Ibérica por Roma como províncias das Hispâni. Entre 209 e 169 aC, o exército romano levou para Roma cerca de 4 toneladas de ouro e 800 toneladas de prata que obtiveram como espólio de guerra retirado dos tesouros das tribos nativas. A exploração mineira, como a das Três Minas, das maiores do mundo romano, que terá iniciado no tempo de Augusto (27 aC- 14 dC), ou das minas do campo de Jales ou da Gralheira era um dos principais fatores econômicos para o interesse romano na região.

A conquista total da península pelos Romanos só ocorreu no tempo do imperador Augusto.
Viriato, o líder lusitano, conseguiu conter a expansão romana durante alguns anos, fazendo com que fosse dos últimos territórios a resistir à ocupação romana da Península Ibérica. Erigindo-se em chefe dos Lusitanos após escapar a uma matança perpetrada à traição pelo romano Galba, uniu à sua volta um número crescente de tribos e travou uma guerra incansável contra os invasores.

Os Romanos deixaram um importante legado cultural naquilo que é hoje Portugal, nos costumes, na arte, na arquitetura, na rede viária e nas pontes, algumas das quais servem até aos nossos dias, como a de Trajano sobre o rio Tâmega em Chaves (Aquae Flaviae) ou a de Vila Formosa (Alter do Chão), mas pouco terão contribuido para a composição étnica portuguesa atual. Uma variante do Latim (Latim Vulgar) passou a ser o idioma dominante da região. Surgiram novas cidades e desenvolveram-se outras, segundo o modelo habitual de colonização romana. No fim do século I aC o imperador Augusto criou a província da Lusitânia, que correspondia a grande parte do atual território português. Em finais do século III o imperador Diocleciano subdividiu a Tarraconense em outras províncias, entre as quais se achava a Callaecia, que integrava o norte do atual Portugal, a Galiza e as Astúrias. Durante o Império Romano o Cristianismo difundiu-se em toda a Hispânia, pelo menos a partir do século III.

Invasões bárbaras
Em 409, os chamados povos bárbaros, compostos principalmente por Suevos, Vândalos e Visigodos, todos de origem germânica, além dos Alanos, de origem persa, fixam-se na Hispânia. Em 411 estes povos dividem entre si o território:
  • os Vândalos Asdingos ocuparam a Galécia,
  • os Suevos, a região a norte do Douro, enquanto
  • os Alanos ocuparam as províncias da Lusitânia e a Cartaginense, e
  • os Vândalos Silingos, a Bética.
Algum tempo depois, ocorre a entrada dos Visigodos na península a serviço do Império Romano e com o objetivo de subjugar os anteriores invasores.

Os povos bárbaros eram numericamente inferiores à população hispano-romana, pelo que foram obrigados à miscigenação étnica e cultural com esta. Muitas cidades foram destruídas durante este período e verificou-se uma ruralização da vida econômica.

Ocupação muçulmana
Em 711 a Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos do Norte de África (basicamente Berberes com alguma componente de Árabes). Estes dominaram partes da península por mais de cinco séculos: inicialmente sobre o controlo do Califado de Damasco, como uma província do império omíada, o Al-Andalus, mais tarde sob a forma de um emirado e califado e, devido ao colapso deste, em pequenos reinos (taifas) com autonomias características. Durante estes séculos, nas Astúrias, a única região que resistiu à invasão árabe, desenvolvia-se um movimento de reconquista da Península, culminando no fim do poder político islâmico nesta com a tomada de Granada pelos Reis Católicos (1492). A esta altura, já o reino de Portugal estava formado, soberano e completo e, talvez por isso, o país explorava o além-mar, em parte sob o pretexto do espírito das Cruzadas, para difundir o Cristianismo. Os muçulmanos que não foram expulsos ou mortos durante o processo de reconquista, tiveram de aderir aos costumes locais (incluindo o Cristianismo).

O nascimento de Portugal
Se rápida foi a invasão árabe, a reconquista cristã foi francamente mais lenta. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a Reconquista era bem sucedida. Primeiro, o Reino das Astúrias, que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III das Astúrias quando morreu. Assim nasciam os reinos de Leão e, mais tarde, de Navarra e Aragão e Castela.

Mais tarde Afonso VI de Leão e Castela (autodenominado Imperador de toda a Espanha), entregou, por mérito, ao seu genro D. Henrique de Borgonha, o governo dos territórios meridionais, o Condado Portucalense, grosso modo entre os rios Minho e Douro e o Condado de Coimbra, entre os rios Douro e Mondego. Destes condados, que faziam ainda parte do reino de Leão, mas que dele tinha grande independência, nasceria o reino de Portugal.

D. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. Por morte de D. Henrique (1112), sucede-lhe a viúva deste, D. Teresa, no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. O pensamento de D. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense, conseguir a independência para o condado. D. Teresa começou (1121) a intitular-se «Rainha», mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço. Aos catorze anos de idade (1125), o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente, e passando a viver em Coimbra a partir de 1130. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses originou a revolta destes, sob chefia do seu filho, D. Afonso Henriques.

A luta entre Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se, até que em 1128 se trava a Batalha de São Mamede (Guimarães) e D. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante quinze anos. Uma vez vencida, D. Afonso Henriques toma conta do condado, declarando-o principado independente.

Continuou, no entanto, a lutar contra as forças de Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas), enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. Em 1139, Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique, tendo declarado a independência com o apoio dos chefes portugueses, que o aclamaram como soberano.

  • Nascia, pois, em 1139, o Reino de Portugal e sua primeira dinastia, com o Rei Afonso I de Portugal (D. Afonso Henriques), e a cidade de Coimbra como a primeira capital.

Só em 1143 é reconhecida independência de Portugal pelo rei de Castela, no Tratado de Zamora, assinando-se a paz definitiva. D. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário da Santa Sé, tendo reclamado para a nova monarquia a proteção pontifícia. Durante o período que se segue, as atenções seguiam, sempre que possível, em assegurar essa soberania (que ficou dificultada durante a crise dinástica de 1383) e prolongar o território para Sul.

Os descobrimentos
A partir da conquista de Ceuta em 1415 iniciaram-se várias campanhas além-mar, na conquista de praças em África, como Ceuta e Tânger. Vendo a riqueza com que se vivia na região, os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais território. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro, o gosto por descobrir. Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana, redescobrindo Madeira, Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola e a Guiné até que D. João II, baseado em boatos que procurou esclarecer, inicia um projeto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. O projeto passa a empreendimento, e eis que Vasco da Gama, já no tempo de D. Manuel I, vê a luz ao Oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana, até à Índia. Entretanto tomava-se conhecimento, através de Cristóvão Colombo, de novo território a Oeste, as mais tarde chamadas Índias Ocidentais, as Américas, portanto. E seria a curiosidade de Pedro Álvares Cabral que traria, para o novo Império Português, o Brasil.

Com todas as suas colônias estabelecidas, Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial, tornando a Península Ibérica a maior potência mundial da altura.

O império português
Foi o primeiro e o mais duradouro dos Impérios coloniais (1415-1999) da Era dos Descobrimentos. Após a descoberta da costa Africana, enquanto se avançava por terra para o centro do continente, exploravam-se outras alternativas rumo às especiarias. A intensidade desta procura, por várias nações, iria permiti-las estabelecer vastas colônias em todo o mundo, e Portugal foi uma dessas nações. Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboa a Nagasaki, cidade fundada no Japão pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global, trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. Desde a América do Sul à Ásia, Portugal espalhava a língua e os costumes, trazendo para o país grandes riquezas, muitas vezes em prejuízo das colônias.

Dinastia Filipina
Em 1580, com a morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, Portugal enfrenta uma crise dinástica cuja análise se mostrou complexa. Apesar dos esforços de D. António, o Prior do Crato, o trono caiu nas mãos dos reis de Espanha, sob a forma de monarquia dual - dois reinos, um rei.

Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Inglaterra, a França e a Holanda. Os confrontos foram iniciados a pretexto da Guerra dos Oitenta Anos. Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Ocidentais, que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas, escravos da áfrica ocidental e açúcar do Brasil. Portugal foi envolvido no conflito por estar unificado sob a coroa dos Habsburgos, mas os confrontos perduraram vinte anos após a Restauração da Independência em 1640.

Face ao ocorrido, e à instabilidade social provocada pela quebra de promessas pelos reis castelhanos, Portugal vive um período de guerra interna pela restauração da Independência, até conseguir a Paz que elevaria D. João IV ao trono português.

Após 1640 (fim da dinastia filipina), a Coroa Portuguesa criou o Conselho Ultramarino, encarregado de uma nova política colonial, com o objetivo de superar a situação econômica enfrentada pela Metrópole. Neste contexto, o Brasil, como a maior e a mais rica das colônias, foi alvo de um arrocho econômico e administrativo, e ao mesmo tempo, estimulou-se a busca pelo ouro e pedras preciosas.

Era pombalina e iluminismo
No princípio do século XVIII, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal assume o cargo de primeiro-ministro, e torna-se responsável por reformas em várias áreas. Introduziu em Portugal a doutrina do "direito divino dos reis", revelando-se um déspota esclarecido ao serviço de um apagado rei absoluto, D. José I. Os jesuítas, defensores do pacto de sujeição do rei à República, foram naturalmente expulsos. Foi muito contestado pela sua crueldade e rigidez. A reconstrução da baixa de Lisboa, após o Terramoto de 1755, expressa os conceitos urbanos e estéticos do Iluminismo. Relativamente ao Brasil, o Marquês considerava-o uma colônia estritamente dependente de Lisboa e ao serviço do enriquecimento do Reino de Portugal; o povo brasileiro sentiu-se desprezado, o que gerou a instabilidade local suficiente para que a colônia se revoltasse e se viesse a tornar independente.

Invasões francesas
Napoleão Bonaparte orienta a sua política para a Espanha, formalmente um país aliado, mas cuja dinastia Napoleão, à semelhança do que fizera noutros Estados, pretende substituir pela dinastia Bonaparte. É neste contexto que se deve situar a invasão de Portugal, aliado da Inglaterra e, portanto, não aderente ao sistema do Bloqueio Continental decretado em 1806 (Decreto de Berlim). Para conseguir os seus intentos, Napoleão celebra com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de outubro de 1807), no qual previa a divisão de Portugal em três reinos sob a influência da França. Ao mesmo tempo, Napoleão planejava já apoderar-se do Brasil e das colônias espanholas. O plano é executado logo no Outono de 1807, com a invasão de Portugal por um exército comandado pelo general Junot. Todos os planos de Napoleão fracassaram. A família Real Portuguesa, toda a Corte e o Governo, num total de cerca de 15 mil pessoas, partiram para o Brasil, de onde foi prosseguida, com inegável êxito, a política internacional portuguesa. Com a rebelião popular espanhola, as tropas espanholas abandonam Portugal, deixando margem para a revolta do Porto (7 de Junho de 1808) e para a constituição da Junta Provisional, ao mesmo tempo que, em todo o território português alastra um movimento de resistência popular. O desembarque de uma força expedicionária britânica comandada por Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, perto da Figueira da Foz (1 de agosto) deitará por terra os planos de ocupação e dissolução de Portugal. Derrotado em Roliça e Vimeiro (21 de agosto), Junot não tem outra alternativa senão assinar um armistício, que, sob protesto português, lhe permitirá abandonar Portugal em navios britânicos, com as suas tropas e o seu saque. Estava concluído o domínio de Napoleão Bonaparte sobre Portugal, ao mesmo tempo que a guerra alastrava a toda a Península, acabando por comprometer toda a política imperial da França.

Revolução Liberal de 1820
Nos inícios do século XIX Portugal vivia uma crise motivada pela partida da família real para o Brasil, pelas consequências destrutivas das Invasões Napoleônicas, pelo domínio dos ingleses sobre Portugal e pela abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial, o que tinha provocado a ruína de muitos comerciantes portugueses. Ao mesmo tempo, a ideologia liberal implantava-se em pequenos grupos da burguesia.

Os deputados eleitos, oriundos de todo o território controlado por Portugal (Brasil, Madeira, Açores, dependências da África e Ásia) formaram as Cortes Constituintes. O rei D. João VI foi intimado pelas Cortes a regressar a Portugal. Antes de voltar nomeia o seu filho, o príncipe D. Pedro, regente do reino do Brasil, o que desagradou às Cortes Constituintes que entendiam que a soberania só poderia residir em Portugal continental. As cortes ordenaram também que D. Pedro deixasse o Brasil para se educar na Europa. Estas atitudes geraram o descontentamento dos 65 deputados brasileiros nas Cortes Constituintes, que deixam o país em direção ao Brasil. No dia 7 de Setembro de 1822 o princípe D. Pedro recebe mais uma mensagem das Cortes, que rasga diante dos seus companheiros, exclamando: "Independência ou morte!". Este ato, conhecido como o grito de Ipiranga, marcaria a data da independência do Brasil.

No mesmo ano as Cortes aprovaram a Constituição. Inspirada na Constituição francesa de 1791 e na Constituição de Cádis de 1812 , consagra a divisão tripartida dos poderes (legislativo, executivo e judicial), limitava o papel do rei a uma mera função simbólica, colocando o poder no governo e num parlamento unicamaral eleito por sufrágio direto. Isso mostrava a forte influencia iluminista na época.

Guerras liberais
Com a morte de D. João VI, levantava-se um problema de sucessão. Após D. Pedro IV ter sido forçado a abdicar do trono de Portugal em favor do trono do Brasil, D. Maria II subia ao trono por legitimidade. Entretanto, D. Miguel, que já se revoltara pelo menos duas vezes e estava exilado, foi nomeado regente do Reino, e o casamento com D. Maria seria arranjado. Na tentativa de impor o seu regime absolutista, depôs o regime monárquico-constitucional de D. Maria dando início a seis anos de conflitos armados com intervenções da política internacional. Para resolver a situação, D. Pedro abdica do trono para o seu filho Pedro II do Brasil, e impõe-se, pela força. As derrotas sucessivas de D. Miguel iriam forçá-lo a desistir da luta no compromisso de Évora-Monte, e permitir a restauração da Carta Constitucional de 1826 e do trono de D. Maria II.

Primeira República
O Republicanismo acentuou-se de tal forma na primeira década do século XX que em 1 de fevereiro de 1908 se dá o regicídio. Quando regressavam de Vila Viçosa, o Rei D. Carlos e o seu filho mais velho, o príncipe herdeiro D. Luis Filipe, foram assassinados no Terreiro do Paço (Praça do Comércio), em Lisboa. Acontece em 3 de outubro de 1910 uma revolta que provocaria a deposição de D. Manuel II e a criação da República Portuguesa. Constituía-se o primeiro Governo Provisório, encabeçado por Teófilo Braga, naquele que ficou conhecido como o primeiro momento do período das Três Repúblicas.

A ditadura e o Estado Novo
Por volta de 1928 tornara-se premente a situação financeira do Estado português. Nesse ano foi chamado ao governo um professor de Finanças da Universidade de Coimbra, Antônio de Oliveira Salazar, que teria os destinos de Portugal nas suas mãos durante as próximas quatro décadas.

O seu pensamento político rejeitava o comunismo, mas também as tradições do liberalismo político e econômico. Profundamente conservador e nacionalista, alimentava uma nostalgia pelo meio rural, considerado ideal.

Em 1932 Salazar passa a acumular o cargo de ministro das Finanças, com o de presidente do Conselho de Ministros para o qual é nomeado. A partir daqui dedica-se a montar as estruturas do novo regime político, caracterizado pela existência de um único partido (a União Nacional), por um sistema econômico regulador da economia (condicionalismo industrial) e pelo antiparlamentarismo.

Em 1933, entrou em vigor a nova Constituição Portuguesa. Na prática, o presidente da República foi uma figura apagada, a Assembleia Nacional foi ocupada por apoiantes do regime e o poder concentrou-se na figura de Salazar.

Os antigos partidos políticos portugueses desaparecem, com exceção do Partido Comunista Português (fundado em 1921), cujos dirigentes foram duramente perseguidos pela polícia política. A censura, restabelecida em 1926, foi consolidada e todas as greves proibidas. Em 1936 o regime cria a Mocidade Portuguesa, cujo propósito era incutir à juventude do país as ideias do regime.

Durante a Segunda Guerra Mundial Portugal manteve-se neutro no conflito. Em 1949 Portugal ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e em 1955 na Organização das Nações Unidas.

Revolução dos Cravos
Numa conspiração militar, o Exército Português consegue ser bem sucedido num golpe de estado que, por não ser violento, se tratou de designar historiograficamente de Revolução dos Cravos e que ocorreu no dia 25 de abril de 1974. Os dirigentes do movimento (os "Capitães de Abril"), assumiram como prioridades o fim da polícia política, o restabelecimento da liberdade de expressão e pensamento, o reconhecimento dos partidos políticos existentes ou a criar e a negociação com os movimentos de independência das colônias.

O poder seria assumido pela Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, órgão que seria substituído pelo Conselho da Revolução (1975-1982). Antônio de Spínola foi designado Presidente da República, tendo entrado em funcionamento o primeiro de uma série de governos provisórios, presidido por Palma Carlos.

No dia 25 de abril de 1975, passado justamente um ano sobre a revolução, realizaram-se as primeiras eleições democráticas, cujo objetivo era formar uma Assembleia Constituinte que elaborasse uma constituição para o país. Essa constituição seria promulgada no dia 2 de abril de 1976 e é a constituição que rege Portugal até hoje, apesar de ter sido revista em várias ocasiões.

Terceira República
A Terceira República Portuguesa é o período da história de Portugal que corresponde ao atual regime democrático implantado após a Revolução dos Cravos do dia 25 de abril de 1974, que pôs um fim ao regime autoritário do Estado Novo. Foi caracterizado inicialmente por constante instabilidade e possibilidade de guerra civil durante os primeiros anos pós-revolucionários. Foi elaborada uma nova constituição, a censura foi proibida, a liberdade de expressão garantida, os prisioneiros políticos libertos e as maiores instituições do Estado Novo foram extintas. Subsequentemente foi concedida às colônias africanas a independência.

O I Governo Constitucional de Portugal teve o seu início a 23 de setembro de 1976, sob a chefia de Mário Soares. As primeiras eleições democráticas para a presidência da República foram realizadas por sufrágio direto. A 12 de novembro do mesmo ano realizaram-se as primeiras eleições autárquicas. Passam a funcionar todas as instituições democráticas. Portugal entra para o Conselho da Europa, iniciando o processo de abertura do país que levou à adesão de Portugal à CEE (atual União Europeia) em 1986.

Em 1999, Portugal aderiu à Zona Euro, e ainda nesse ano, entregou a soberania de Macau à República Popular da China. Desde a sua adesão à União Europeia, o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes, a última das quais em 2007, recebendo a cerimônia de assinatura do Tratado de Lisboa.






Fonte: Wikipédia

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domingo, 1 de agosto de 2010

A quase Imperatriz Isabel I do Brasil



Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança nasceu no Rio de Janeiro em 29 de julho de 1846, filha de D. Pedro II e de D. Teresa Cristina. No ano seguinte morreria o primogênito da casa, D. Afonso, com apenas dois anos. D. Pedro Afonso, nascido em 1848, também não passou de dois anos. Um ano mais velha que a irmã, D. Leopoldina, Isabel passou a primeira da linha de sucessão e, já no dia 29 de julho de 1860 (ao completar 16 anos) prestava juramento no Senado como herdeira presuntiva da Coroa.




Estudos
Além do aprendizado normal das meninas:
  • piano,
  • pintura e
  • trabalhos femininos,

Isabel fez estudos gerais com vários mestres:
  • matemática,
  • geografia,
  • inglês,
  • alemão,
  • filosofia,
  • história da literatura,
  • música e
  • desenho,
sob a supervisão de um pedagogo e também do culto pai.


Casamento
As princesas Isabel e Leopoldina tiveram seus noivos escolhidos à mesma época, entre os primos Gaston d'Orleans, conde d'Eu, e Augusto de Saxe-Coburgo Gotha. D. Pedro queria o duque de Saxe como marido de Isabel, mas os pretendentes chegaram ao Rio e prevaleceu a preferência das próprias noivas, e a princesa Isabel casou-se com o conde d'Eu.

Depois do casamento, em 15 de outubro de 1864, o casal partiu em viagem de núpcias pela Europa, interrompida em janeiro de 1865 pelo início da Guerra do Paraguai. Homem de formação militar, o conde d'Eu decidiu voltar ao Brasil para participar dos combates.

No Rio, Isabel e Gaston moravam numa chácara em Laranjeiras, o Paço Isabel – poucos sabem, mas os renques de palmeiras imperiais da rua Paissandu foram plantados para balizar o caminho da princesa e do conde até a praia do Flamengo. O casal também costumava passar muito tempo na casa da princesa em Petrópolis. Inicialmente o casamento parecia estéril e o primogênito,
  • D. Pedro de Alcântara, só nasceu em 1875 (11 anos após o casamento),

seguido de mais 2 filhos:
  • D. Luis 1878,
  • D. Antônio 1881



Regência
A princesa exerceu a regência em três longos períodos, durante as viagens do pai:
  1. maio de 1871 a março de 1872 – governou com o ministério Rio Branco e assinou a Lei do Ventre Livre
  2. março de 1876 a setembro de 1877 – sob o ministério do duque de Caxias
  3. junho de 1887 a agosto 1888 – com os gabinetes do barão de Cotegipe e de João Alfredo, ela assinou em 13 de maio a lei nº 3.353, que abolia a escravatura




A Lei Áurea foi o grande momento da princesa Isabel, saudada por José do Patrocínio como "Redentora". Outro líder abolicionista, André Rebouças, passou a chamá-la de Isabel I, antevendo o seu reinado. Entre as várias homenagens que a princesa recebeu, vale destacar a proteção da "Guarda-Negra da Redentora", uma milícia integrada por libertos que se definia como "uma associação que se dedica de corpo e alma, e em todos os terrenos, na defesa do Reinado da Excelsa Senhora que os fez cidadãos".






Na história
O papel histórico da princesa tem sido motivo de controvérsias ao longo dos 120 anos transcorridos desde a Lei Áurea, oscilando desde o papel de mera coadjuvante de um movimento histórico irreversível ao de agente ativo na libertação dos escravos. Joaquim Nabuco escreveu em A minha formação que ela não hesitou diante das ameaças das classes proprietárias de aderirem à República, atendendo a uma voz interior que a mandava desempenhar a sua missão.

Uma nova luz foi lançada sobre a personalidade da princesa Isabel, com a divulgação de uma carta datada do Paço Isabel, 11 de agosto de 1889 ( 3 meses antes da Proclamação da República) e endereçada ao amigo Visconde de Santa Vitoria. Essa carta mostra uma princesa Isabel defensora da indenização dos ex-escravos, da reforma agrária e do sufrágio feminino. Escreve ela, a certa altura:
"Pois as mudancas que tenho em mente, como o senhor já sabe, vão além da libertação dos captivos. Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres dos grilhões do captiveiro doméstico, e isto só será possível atravéz do Sufrágio Feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!"


Outra atitude importante da princesa para com a causa abolicionista foi o trabalho de arrecadação de fundos para a libertação de cativos e seu envolvimento com a campanha para o estabelecimento dos ex escravos em terras próprias, complementando à Abolição, que foi sepultado com o regime monárquico.

Morreu em Eu, na França em 14 de novembro de 1921 com 75 anos.


Fonte: a construção do Brasil - 2006

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O casamento de D.Pedro e D.Leopoldina

D. Pedro tinha 19 anos quando seu casamento com D. Leopoldina, 20 anos, foi abençoado na Capela Real, no Rio de Janeiro. O enlace foi um arranjo político de D. João para estreitar os laços com a Casa Habsburgo – no epicentro do poder na Europa após o Congresso de Viena, em 1815, que restabeleceu a força das velhas dinastias, passada a tormenta napoleônica.

O casamento foi negociado meticulosamente entre o premier austríaco, príncipe de Metternich, e o Marquês de Marialva, ministro plenipotenciário português, que entrou em Viena com um cortejo de 41 carruagens e uma comitiva de 77 pessoas. Entre outros "argumentos", uma fortuna inestimável em joias, diamantes e barras de ouro convenceu o rei da Áustria a mandar a filha para os trópicos.

O contrato do casamento, feito por procuração, previa um vultoso dote à noiva e uma pensão anual de 60 mil florins. D. João pagou caro, mas conquistou um lugar de destaque entre as monarquias restauradas da Europa.

O casamento trouxe nova vibração à Corte do rio de Janeiro. Os meses entre a chegada triunfal da arquiduquesa, a 5 de novembro de 1817, a coroação e aclamação de D. João VI, a 6 de fevereiro, e as comemorações do seu aniversário, em 13 de maio de 1818, foram os mais festivos da permanência da Corte no Brasil.

Além do alemão, Maria Leopoldina Josefa Carolina falava francês, inglês, italiano e logo aprendeu o português. Interessava-se por belas artes, literatura e música, conhecia botânica e mineralogia. Trouxe ao Brasil uma importante missão científica, que incluía o paisagista Thomas Ender e os naturalistas Spix e Martius. Convidou também o músico austríaco Sigismundo Neukomm, discípulo de Haydn, que ficou aqui até 1821 como mestre de música e professor de D. Pedro e de D. Leopoldina.

No campo político, D. Leopoldina ajudou D. Pedro a manter o equilíbrio entre as facções que disputavam o poder. No final de 1826, aos 29 anos, ela sofreu um aborto espontâneo, seguido por uma série de "ataques de nervos" e foi submetida a "pós medicinais, massagens, ventosas, banhos, laxantes, antiespasmódicos e vomitórios". Morreu – não se sabe se da doença ou do tratamento – na manhã de 11 de dezembro. Enquanto viveu, cumpriu plenamente o papel a que fora destinada.



Fonte: nossa História, o jeito novo de conhecer o Brasil - A construção do Brasil - 2006

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Castelo de Praga

O Castelo de Praga está localizado em Praga, capital e maior cidade da República Checa e encontra-se na Colina Hradcany, local onde foi fundada a cidade, que domina a capital na margem esquerda (oriental) de Vltava. O castelo é uma das construções mais importantes da cidade. Foi fundado no século IX e atualmente serve como a residência presidencial, antigamente habitado pelos reis da Boêmia. Em seu interior encontra-se a Catedral de S. Vito, Torre da Pólvora, Palácio Real do Castelo de Praga, Torre Dalibor, Convento de São Jorge, Palácio Lobkowicz e a Viela Dourada. Ocupa uma área superior a 72,5 mil m². Por causa disso é considerado, conforme o Guinness World Records Book, o maior castelo do mundo.


História
Antigamente, era uma fortificação que dominava a região, de onde se permitia controlar todas as embarcações que passavam pelo rio. Foi moradia de vários reis na antiguidade. A partir de 1918 residência oficial de alguns Presidentes de República.

Em 850 foi construído na Colina de Hrad, perto do Rio Moldava moradia para a Família Premyslid (Premyslidas). No início, uma simples estrutura de madeira, barro e pedras rodeada por um fosso e com o tempo, foi ampliada, assim como os habitantes à sua volta. A história da Família Premyslid está totalmente ligada à do castelo. Esta família foi quem fundou a dinastia real que durante séculos iria estar à frente dos eventos relacionados à história do castelo e da própria cidade de Praga. Uma princesa da tribo Cech, no monte Vysehrad, futura Princesa Libuse, a jovem se casou com o lavrador e lenhador Premysl, e fundou a dinastia dos Premyslidas.

Uma cidade formava-se na base da colina onde encontrava-se o castelo de Praga e se tornou um centro político. O castelo da influente Família Premyslid era o núcleo da região. Como governantes e religiosos andavam sempre juntos, o bispado de Praga também estava localizado junto aos terrenos do castelo, assim como o primeiro convento da Boêmia - nome do território onde, à época, estava situada a Republica Tcheca.

Em 932, um dos nomes mais importantes na história do castelo é o do Príncipe Boleslav II. Ao subir ao trono herdou um império poderoso da Europa central, que incluía:
  • Boêmia,
  • Moravia,
  • Silésia,
  • Polônia, e
  • Eslováquia.

Estes mesmos territórios, logicamente, continuam existindo, mas diversos tiveram seus nomes mudados ao longo dos séculos, devido às inúmeras guerras e tratados políticos. Com o casamento da Princesa da Boêmia Doubravka Boleslav e o Príncipe Polaco Mesek I, a Casa de Premyslidas ficou ainda mais forte, o que levou seu domínio a ter grande poderio, e transformou Praga numa das cidades mais influentes da Europa. Nesta época, o castelo já cobria uma área de seis hectares, totalmente cercada por muralhas e guarnecida por torres em intervalos regulares.

Em 1135 , o Príncipe Sobeslav levou a cabo uma importante reconstrução convertendo-o numa fortaleza românica cujas muralhas e torres de vigilância protegiam a Catedral de S. Vito, a Basílica, o Convento de São Jorge, a Residência do bispo e o Palácio Real.

Em 1157, uma enchente destruiu a ponte de madeira que cruzava o Vltava sendo substituída por uma de pedra, ao que se deu o nome de Judite, em honra à esposa do Duque Vladislav, primeiro rei da Boêmia. Neste tempo o bairro do outro lado do rio, denominado Staré Mestoou cidade Velha, se havia convertido num importante centro comercial internacional que fez de Praga a principal cidade da Boêmia com uma vila muito numerosa.

Uma das partes mais importantes do castelo, construída no século XI, foi a Basílica de S. Vito, cuja pedra fundamental foi assentada em 1344, pelo Rei Carlos IV, ele também assegurou a coesão da expansão da cidade, uma estrada real ligando o Castelo à Staré Mesto, à Cidade Velha, que há muito emergira da planície ribeirinha, e a Vyšehrad, matriz da nação, homenagem e respeito profundo do imperador por sua mãe, ali sepultada, a colina tornada ponto obrigatório de passagem para os vianjantes chegados do sul, a generosidade de dimensões da ponte gótica de Peter Parlér, o construtor, reunindo as duas margens do Vltava depois que as águas turbulentas da corrente destruíram e arrastaram a velha ponte românica do século XII.

O filho de Carlos IV, Wenceslau IV, deu continuidade à obra do pai, e aumentou e fortificou ainda mais o castelo. Nesta época o castelo já podia ser considerado quase como uma cidade dentro de Praga, composta pelos setores dos aposentos reais, áreas religiosas e conjuntos militares. Além disso, dentro de suas muralhas trabalhavam diversos artesãos e comerciantes.

Em 1257, nasce um terceiro bairro, a "cidade nova", construída aos pés do Castelo de Praga e que hoje em dia se denomina Malá Stranaou Parte Pequena. Esta parte cresceu ao redor da Malostranské námestí, praça formada sobre as últimas terraplanes do castelo, e nela se instalaram vários mercados, lojas e casas de marinheiros, cervejeiros, advogados, médicos e burgueses ricos. Foi construída também uma prefeitura perto da primeira Igreja de São Nicolás (1283), e o Mosteiro Agostinho de Santo Tomás, na rua Letenská. No século XIV se levantaram nesta zona o convento e a Igreja Carmelitas de Santa Maria Madalena, na atual Karmelitská.

Em 1483, durante a dinastia dos Jagellons, outras obras são feitas, como a construção das famosas Torre de Pólvora, Torre Branca e Torre Daliborka. Mesmo assim, elas não evitam a chegada de anos negros. A segunda metade do século XV vê a chegada das chamadas Guerras Hussitas, que trazem desgraças e destruição. O castelo sofre diversos danos durante os combates. Como conseqüência, permanece desocupado durante décadas, e grande parte de suas edificações e muralhas são destruídas.

Apenas com o reinado de Vladislav Jagellonský, o castelo de Praga volta a conhecer dias melhores. O soberano promove grandes reformas e acréscimos à construção original. É deste período a construção do famoso Salão Vladislav, aposento medindo 62 x 16 m, e que passa a ser a peça mais importante do castelo. Também é construída, uma magnífica cúpula sob o salão, que viria a ser a primeira do território da Boêmia dotada de elementos arquitetônicos renascentistas.

No castelo de Praga eram coroados todos os reis do país, sendo que a cerimônia ocorria na Catedral de S. Vito. De acordo com uma publicação de 1723, para a coroação de Carlos VI foi preparado um banquete com:

564 faisões,
708 perdizes,
800 frangos,
560 pombos,
46 carneiros,
40 ovelhas,
50 gansos,
120 perus,
130 patos,
70 galinhas e
108 lebres.








Anos mais tarde, já sob o domínio dos Habsburg da Áustria, o castelo entra em novo período. A Imperatriz Maria Theresa contrata o Arquiteto Vienense Niccolo Pacassi, para, a partir de 1753, reconstruir tudo. É adotado um estilo renascentista, seguindo a nova moda de Viena. Em compensação, como Praga agora está dominada pelo império austríaco dos Habsburg, o castelo é esvaziado de seus tesouros e obras de arte que são enviados para Viena. Apenas em 1918, com o fim do império dos Habsburg e a fundação da nação Tcheco Eslovaca, o castelo de Praga volta a sediar a sede do governo. São reiniciadas as obras de restauração, com especial atenção à Catedral de S. Vito, o prédio mais importante de todo o conjunto.


Atualmente

Hoje em dia, a visão do castelo de Praga é um pouco diferente do aspecto que tradicionalmente encontramos em outros castelos. Todo o conjunto é dominado pelas imensas torres da Catedral de S. Vito. Estas torres elevam-se também sobre todos outros prédios da cidade.

O castelo de Praga, na verdade uma pequena cidade, tem vários pontos abertos à visitação. O núcleo inicial do castelo é uma visita muito interessante, pois na verdade é formado por três castelos independentes, sobrepostos. Cada camada foi construída numa época diferente. Infelizmente não resta muito das camadas mais antigas, mas ainda assim, o que pode ser visto ilustra bem a história e o estilo de sua época.

A Catedral de S. Vito e Catedral de Venceslau é o ponto dominante do conjunto, e consiste na própria representação do estado Tcheco. Sua construção levou quase 600 anos. Nela, até 1836, eram coroados os reis do país. Também na catedral, reis, príncipes, imperadores e (futuros) santos eram cremados, onde seus restos mortais estão até hoje. Também na catedral estão guardadas as jóias da coroa, e suas paredes cobertas por 1300 pedras preciosas.

Saindo da catedral e caminhando na direção oposta ao portão de entrada, chega-se à Zlata Ulicka, outro ponto do castelo que merece ser visitado. Nesta rua estavam localizadas as casas dos artesãos e militares que guardavam o castelo. Foi construída no século XVI, e até hoje sua aparência é exatamente a mesma daquela época. No conjunto de prédios que formam o castelo está situado também o gabinete do presidente da República Tcheca, em local não aberto à visitação pública. Outros pontos interessantes do castelo são a Basílica de São Jorge, o monastério de São Jorge, Galeria do castelo, Torre Daliborka, Torre de Pólvora, Palácio Lobkovic e os jardins do palácio.


Fonte: Wikipédia

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domingo, 25 de julho de 2010

Imperador Carlos IV de Praga


Carlos IV do Luxemburgo (Praga, 1316 - 1378), filho de João I do Luxemburgo e neto do imperador Henrique VII. Com a morte do seu pai em 1346 torna-se rei da Boêmia e no mesmo ano torna-se rei dos romanos com o apoio do papa Clemente VI. Em 1355 torna-se imperador de Roma. No ano de 1356 fixa a constituição do Sacro Império Romano-Germânico. Criou em Praga a primeira universidade da Europa Central.





Nasceu em 14 de maio de 1316, morreu em 20 de novembro de 1378. Casado por quatro vezes:
  1. Branca Margarida de Valois
  2. Ana de Baviera
  3. Ana de Swidnica
  4. Isabel de Pomerania

Membro da Casa de Luxemburgo, filho do conde João I de Luxemburgo e de Isabel de Boêmia (filha do rei Wenceslao II e irmã de Wenceslao III). Foi rei dos romanos (entre 1344 e 1378) e imperador do Sacro Império Romano Germânico (entre 1355 e 1378). Através de sua herança paterna também se converteu em rei de Boêmia (entre 1346 e 1378), e conde de Luxemburgo (entre 1346 e 1353). Foi chamado Wenceslao, mas depois de sua confirmação mudou-se o nome por Carlos.

Foi eleito rei de romanos com a oposição do imperador Luis IV ao ter sido declarado deposto pelo papa João XXII pela política que manteve em relação com Itália e o próprio papado. Dois anos depois (em 1346 sucedeu a seu pai no trono de Boêmia e no condado de Luxemburgo), prestou seu apoio ao papa Clemente VI. Em 1348 fundou a Universidade de Praga. Em 1355 foi coroado como rei dos lombardos e, em Roma, como imperador. Em 1356, através da promulgação da Bula de Ouro, ficaram estabelecidos os requisitos e passos necessários para atingir a eleição como imperador do Sacro Império.

Sucedeu-lhe como monarca de Boêmia e Luxemburgo seu filho Wenceslao, que também foi designado rei da Alemanha ou dos romanos.


Família
Carlos casou-se quatro vezes.

Branca Margarita de Valois (1316-1348), filha de Carlos de Valois (1270-1325). Desta união nasceram duas filhas:
  1. Margarita de Boêmia (1335-1349), casada com Luis I de Hungria.
  2. Catalina de Boêmia (19 de agosto de 1342 – 26 de abril de 1395), quem contraiu casamento, primeiro com Rodolfo IV, duque da Áustria e depois com Otto V, duque de Baviera.
Ana de Baviera (1329-1353), filha de Rodolfo II Conde Palatino do Rhin.

  1. Wenceslas, que morreu jovem.
Ana de Swidnica (1339-1362, filha de Enrique II, duque de Swidnica e Catalina de Anjou), com quem teve dois filhos:

  1. Wenceslao de Luxemburgo (1361-1419), sucessor de Carlos como rei de Bohemia, e
  2. Isabel de Bohemia (1358-1373), quem se casou com Alberto III da Áustria.
Isabel de Pomerania (1347-1393), filha do Boguslaw V, duque de Pomerania e Isabel da Polónia. De sua união nasceram seis filhos:

  1. Ana de Boêmia (1366-1394), casou com Ricardo II rei da Inglaterra
  2. Segismundo de Luxemburgo (1368-1437), imperador, rei de Hungria e Boêmia e Margrave de Brandenburgo
  3. João de Luxemburgo (1370: † 1396)
  4. Carlos de Luxemburgo (1372: † 1373)
  5. Margarita de Luxemburgo (1373: † 1410), casou com João III, Margrave de Nuremberg
  6. Enrique de Luxemburgo (1377: † 1378).


– Universidade Carolina

Universitas Carolina, era constituída por quatro faculdades, como era comum nas grandes instituições medievais de ensino:
  1. Artes Liberais,
  2. Medicina,
  3. Direito e
  4. Teologia.

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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