sábado, 30 de janeiro de 2010

Órgãos Barrocos

Coleção de órgãos barrocos em igrejas brasileiras
Instrumentos de valor histórico inestimável

Entre o fim do século XVII e meados do XIX, aparece na Europa uma preciosa coleção de órgãos de igreja, que até hoje, se distingue pelas dimensões monumentais, pela riqueza de ornamentos e pelo som, de nitidez incomparável. De valor inestimável para a arte sacra e a música erudita, tendo sido uma das principais ferramentas de trabalho de compositores famosos. Esses órgãos barrocos formam um surpreendente acervo no Brasil. De uma centena deles de que se tem registro no século XVIII, sobraram 15, dois dos quais em funcionamento. A coleção chama atenção pelo exagero de pinturas e entalhes recobertos de ouro e ainda por uma peça que a torna singular:

• instrumento de 1710 assinado pelo alemão Arp Schnitger (1648-1719), espécie de Antonio Stradivari, o célebre construtor de violinos, no mundo dos órgãos barrocos. Não há mais que 30 desses, e o do Brasil enfeita a Catedral da Sé de Mariana em Minas Gerais, doado em 1753, por D. José I, rei de Portugal.


No Brasil imperial, os órgãos barrocos se popularizaram como o que ocorria naquele tempo nas cortes europeias. Na cena da coroação de D. Pedro I, em 1822, retratada por Debret, aparece ao fundo o órgão no qual se executou, naquela ocasião, composição de José Maurício Nunes Garcia, um dos grandes nomes da música barroca brasileira. Tal órgão, pode ser visto na antiga Catedral da Sé do Rio de Janeiro.

Países como Espanha e Portugal, donos de valiosas coleções de órgãos barrocos, já se dedicam à conservação desses instrumentos há um século. Na cidade mineira de Bom Jesus do Amparo se encontra destroços de um órgão barroco do século XIX, obra de um artesão local. Com o que sobrou ainda é possível reconstruir o maquinário original. Outra preciosidade é o órgão do Mosteiro de São Bento, no Rio que só ficou de pé a caixa original.

  • O inventário dessas obras é o primeiro passo para a conservação do tesouro que restou.

Origem: trechos do texto de Marcelo Bortoloti da revista Veja - ed. 2150 - ano 43 - nº 5 - 3 fev 2010

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sacro Império Romano-Germânico

O Sacro Império Romano-Germânico (em alemão Heiliges Römisches Reich; em latim Sacrum Romanum Imperium) foi a união de territórios da Europa Central durante a Idade Média, durante toda a Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea sob a autoridade do Sacro Imperador Romano. Embora Carlos Magno seja considerado o primeiro Sacro Imperador Romano, coroado em 25 de dezembro de 800, a linha contínua de imperadores começou apenas com Oto 'o Grande' em 962. O último imperador foi Francisco II, que abdicou e dissolveu o Império em 1806 durante as Guerras Napoleônicas. A partir do século XV, este estado era conhecido oficialmente como o Sacro Império Romano da Nação Germânica.

A extensão territorial do Império variou durante sua história, mas no seu ápice englobou os territórios dos modernos estados:

Alemanha,
Áustria,
Suíça,
Liechtenstein,
Luxemburgo,
República Tcheca,
Eslovênia,
Bélgica,
Países Baixos e
grande parte da Polônia, França e Itália






Na maior parte da sua história, o Império consistiu de centenas de pequenos reinos, principados, ducados, condados, cidades livres imperiais, e outros domínios. Apesar de seu nome, na maior parte da sua existência o Sacro Império Romano-Germânico não incluiu a cidade de Roma em seus domínios.

O Sacro Império Romano-Germânico invocava o legado do Império Romano do Ocidente, considerado como acabado com a abdicação de Rômulo Augústulo em 476. Embora o Papa Leão III tenha coroado Carlos Magno como Imperator Augustus em 25 de dezembro 800, e seu filho, Luís I, o Piedoso, também tenha sido coroado como Imperador pelo Papa, o Império e toda sua estrutura não foram formalizados por décadas, devido principalmente à tendência dos francos de dividir as heranças entre os filhos após a morte do rei. Isso é notável quando Luís I coroou-se em 814, após a morte de seu pai, mas apenas em 816, o Papa Estêvão VI, que sucedeu Leão III, foi a Reims e de novo coroou Luís. Com esse ato, o imperador fortaleceu o papado, instituindo o papel essencial do papa nas coroações imperiais.

Terminologias contemporâneas para o Império variaram muito durante os séculos:
  1. O termo Império Romano foi usado em 1034 para denotar as terras sob o domínio de Conrado II
  2. Império Sagrado em 1157
  3. Imperador Romano para referir-se aos governantes do Norte da Europa começaram com Oto II (Imperador 973-983)
  4. Os imperadores de Carlos Magno (Imperador de 800 a 814) a Oto I o Grande (Imperador de 962-973) usavam simplesmente a frase Imperator Augustus (ambos, sem a palavra "Romano", eram os títulos preferidos em vez de Imperador Romano)
  5. O termo preciso Sacro Império Romano, data de 1254
  6. A versão final Sacro Império Romano Germânico apareceu em 1512, depois de diversas variações no fim do século XV.

– No seu Essai sur l'histoire generale et sur les moeurs et l'esprit des nations (1756), o filosofo francês Voltaire descreveu o Sacro Império Romano como uma "aglomeração" que não é "nem sagrada, nem Romana, e nem um Império".

De um ponto de vista jurídico o Império Romano, fundado por Augusto em 27 aC e dividido em duas "partes" após a morte de Teodósio I, em 395, havia sobrevivido somente na parte oriental que, com a deposição do último imperador ocidental Rômulo Augústulo, em 476, tinha obtido também as insígnias da parte ocidental reunindo de um ponto de vista formal o Império Romano.

A coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III em 800 foi ato privado de perfil jurídico legítimo: somente o imperador romano do Oriente (chamado "bizantino" mais tarde pelos iluministas no século XVIII) seria digno de coroar um par seu na parte ocidental, razão pela qual Constantinopla viu-se sempre com superioridade e suspeita aquele ato.

– Este ato foi justificado, do ponto de vista formal, com dois expedientes:
  1. na época, o Império Bizantino era governado por uma mulher, Irene de Bizâncio, ilegítima aos olhos ocidentais, criava um vazio de poder que tornava possíveis eventuais golpes (de fato na época o Império Bizantino não tinha nenhuma possibilidade de intervir diretamente na Europa ocidental);
  2. a questão que o papa se declarasse como direto herdeiro do Império romano arrogando-se o poder temporal graças ao documento (falso) da Doação de Constantino, com o qual Constantino I teria cedido a soberania sobre a cidade de Roma (e seu território limítrofe) ao papa Silvestre I; o documento, desmentido como falso já no século XV, foi redigido realmente no século VIII, quando o papa, ameaçado pelo avanço dos lombardos, tinha que fazer valer a própria autoridade. Naquela ocasião ele havia feito outro ato análogo, entretanto formalmente ilegítimo, com a coroação do rei dos francos Pepino o Breve, como agradecimento pela ajuda recebida na luta com os lombardos.


A partir da Alta Idade Média em diante, o Império estava sendo regido sob uma frágil coexistência do Império com a luta de duques locais para tirar o poder para longe dele. Com uma grande extensão que encontrava outros reinados medievais como a França e a Inglaterra, os Imperadores eram incapazes de manter controle sobre as terras que oficialmente tinham. Em vez disso, para assegurar sua própria posição e não ser deposto, os Imperadores eram forçados a dar mais e mais autonomia aos governantes locais: nobres e bispos. Esse processo começou no século XI e foi mais ou menos concluída em 1648. Diversos imperadores tentaram reverter essa dissolução da sua autoridade, mas eram frustrados pelo papado e pelos príncipes do Império.

Um pretendente a Imperador deveria primeiramente ser eleito como Rei dos Romanos. Reis eram eleitos desde muito tempo: no século IX pelos líderes das cinco tribos mais importantes: 1. os francos sálios da Lorena, 2. os francos ripuários da Francônia, 3. os saxões, 4. os bávaros, e 5. os suábios; depois pelos principais duques e bispos do reino; finalmente apenas pelo chamado Kurfürsten.

Esse colégio eleitoral foi formalmente estabelecido em 1356 pelo Rei da Boêmia, Carlos IV, através do decreto conhecido como Bula Dourada. Inicialmente, havia apenas sete eleitores:
  1. o Conde Palatino do Reno,
  2. o Rei da Boêmia,
  3. o Duque da Saxônia,
  4. o Margrave de Brandemburgo, e
  5. o arcebispo de Colônia,
  6. o arcebispo deMainz, e
  7. o arcebispo de Trier.
Durante a Guerra dos Trinta Anos, o Duque da Baviera ganhou direito ao voto como oitavo eleitor. Esperava-se de um candidato à eleição que oferecesse concessões de terra e dinheiro para os eleitores para que assim pudesse assegurar os votos. Em muitos casos, isso levava muitos anos enquanto o rei se ocupava de outras tarefas: freqüentemente ele precisava primeiro resolver rebeliões no norte da Itália, ou alguma querela com o papa. Depois os imperadores dispensaram a coroação papal, contentando-se com o título de Imperador-Eleito

último imperador a ser coroado pelo papa foi Carlos V em 1530


– O imperador devia ser:
  • um homem de bom caráter com mais de dezoito anos
  • todos os seus quatro avós tivessem sangue nobre.
  • nenhuma lei exigia que ele fosse católico, mas o direito imperial presumia que ele o fosse
  • não precisava ser alemão
A partir do século XVII, os candidatos geralmente possuíam estados dentro do Império. Luís XIV, Rei da França, considerou permitir que a Alsácia-Lorena, recentemente adquirida pelos franceses, voltasse a fazer parte do Império de modo a habilitá-lo a candidatar-se ao trono.

O imperador não podia simplesmente expedir decretos e governar o Império de maneira autônoma. Seu poder era severamente restrito pelos diversos líderes locais: no final do século XV, o Reichstag – estabeleceu-se como o corpo legislativo do Império, uma complexa assembléia que se reunia a períodos irregulares a pedido do imperador e cujo local de reunião variava, e tornaria uma assembléia permanente somente após 1663.

Uma entidade era considerada Reichsstand – patrimônio imperial, de acordo com o direito feudal, não fosse subordinada a mais ninguém exceto o próprio Sacro Imperador Romano. Eles incluíam:
  • Territórios governados por um príncipe ou duque, e em alguns casos reis.
  • Governantes do Sacro Império Romano-Germânico, com a exceção dos Rei da Boêmia (um eleitor), não podiam ser soberanos de reinos dentro do Império, mas alguns tinham reinos fora dos domínios do Império, como era o caso do Reino Unido, onde o governante era também Príncipe-eleitor de Hanôver desde 1714 até a dissolução do Império.
  • Territórios feudais liderados por um dignitário clérigo, que era então considerado príncipe da Igreja.
  • Cidades Livres Imperais.

O número de territórios era incrivelmente grande, chegando a aproximadamente 300 na época da Paz de Vestfália. Muitos deles não possuíam mais do que alguns quilômetros quadrados, razão pela qual o Império era freqüentemente descrito como uma "colcha de retalhos".


– O Reichstag era dividido em três classes distintas:
  1. O Conselho de Eleitores, que incluía os Eleitores do Sacro Império Romano.
  2. O Conselho de Príncipes, que incluía tanto nobres como clérigos.
  3. A Bancada secular: Príncipes (aqueles com o título de Príncipe, Grão-Duque, Duque, Conde Palatino, Margrave, ou Landgrave) com votos individuais; alguns tinham mais que um voto porque governavam diversos territórios. Ainda, o Conselho incluía Condes e Grafs, que eram agrupados em quatro Colégios: Wetterau, Suábia, Francônia, e Vestfália. Cada Colégio contava um voto no total de votos.
A Bancada Eclesiástica: Bispos, certos Abades, e os dois Grão-Mestres da Ordem Teutônica e da Ordem de São João tinham votos individuais. Outros abades eram agrupados em dois Colégios: Suábia e o Reno. Cada colégio tinha um voto coletivo. O Conselho das Cidades Imperiais, que incluía representantes das Cidades Imperiais eram agrupados em dois Colégios: Suábia e o Reno. Cada Colégio tinha direito a um voto coletivo. O Conselho das Cidades Imperiais não era totalmente igual aos outros; ele podia não votar em várias votações como a admissão de novos territórios. A representação das Cidades Livres no Reichstag se tornou comum desde a Alta Idade Média. Sua participação foi formalmente reconhecida apenas em 1648, com a paz de Vestfália quando acabara a Guerra dos 30 anos.

Cortes imperiais
O Império tinha também duas cortes: o Reichshofrat (também conhecido como o Conselho Áulico) baseada na corte do Rei/Imperador (depois em Viena), e a Reichskammergericht (Corte da Câmara Imperial), estabelecida com a Reforma Imperial de 1495.

Círculos Imperiais
Como parte da Reichsreform (Reforma Imperial), seis Círculos Imperiais foram estabelecidas em 1500 e estendidos para dez em 1512. Esses eram grupos regionais compostos pela maioria (mas não por todos) os vários estados do Império com o propósito de defesa, impostos imperiais, supervisão tributária, manter a paz e segurança pública. Cada círculo tinha seu próprio Kreistag ("Dieta Circular").

O Reino Franco Oriental desenvolveu-se como uma entidade separada até que um não-Carolíngio foi eleito como rei no começo do século X. A posterior coroação de seu filho Oto I como sucessor a imperador marcou o início da associação do Reino Franco Oriental com o título de Imperador, uma associação que se manteve intacta até a abdicação de Francisco II em 1806.

Com a divisão do reinado Franco com o Tratado de Verdun em 843, a dinastia Carolíngia prosseguiu independente nas três divisões: A parte oriental ficou sob o domínio de Luís o Germânico, que foi substituído por diversos líderes até a morte de Luís, a Criança, o último carolíngio da parte oriental. Os líderes da Alamania, Baviera, França e Saxônia elegeram Conrado I dos Francos, que não era um Carolíngio, como líder em 911. Seu sucessor, Henrique (Heinrich), I o Passarinheiro (R. 919-936), um Saxão eleito no Reichstag de Fritzlar em 919, conseguiu a aceitação de um Império Oriental separado da parte Ocidental (ainda comandada pelos Carolíngios) em 921, chamando a si mesmo Rex Francorum Orientalum (Rei dos Francos do Leste). Ele fundou a dinastia Otoniana.

Henrique indicou seu filho Otto, que foi eleito Rei em Aachen em 936, como seu sucessor. Um casamento-aliança com a soberana viúva do Reino Itálico deu a Otto o controle de toda essa nação. Sua posterior coroação como Imperador Oto I (depois chamado "o Grande") em 962 marcaria um avanço importante, quando desde então a realeza Franco-Oriental – e não o Reino Franco Ocidental que era o outro restante dos Reinos Francos – teria a bênção do Papa. Otto ganhou muito do seu poder logo, quando, em 955, os Magiares foram derrotadas na Batalha de Lechfeld.

Em contemporâneas e posteriores escrituras, essa coroação seria também referida como translatio imperii, a transferência do "Império dos Romanos" para um novo Império. Os imperadores alemães ainda pensavam serem sucessores diretos daqueles do Império Romano; por isso inicialmente chamavam-se Augustus. No começo eles não se chamavam Imperadores "Romanos", provavelmente para não provocar um conflito com o Imperador Romano que ainda existia em Constantinopla. O termo imperator Romanorum apenas se tornou comum sob Conrado II (sendo sua coroação em 1027, portanto na primeira metade do século XI) depois do Grande Cisma.

Nesse tempo, o reinado oriental não era "Alemão", mas uma "confederação" de antigas tribos germânicas de Bávaros, Alamanos, Francos e Saxões. O Império era uma união política que provavelmente sobreviveu por causa da influência do rei Henrique, o Saxão e seu filho, Oto. Embora formalmente eleito pelos líderes das tribos germânicas, eles eram na verdade capazes de indicar seus sucessores.

Isso mudou depois que Henrique II morreu em 1024 sem ter tido nenhum filho. Conrado II, primeiro da Dinastia Saliana, foi então eleito rei em 1024 depois de um certo debate. Como exatamente era escolhido o rei aparentava ser uma complicada conglomeração de influência pessoal, querelas tribais, heranças, e a aprovação pelos líderes no que acabou tornando-se o colegiado de Eleitores.

O Império quase entrou em colapso quando o Papa Gregório VII declarou a excomunhão do Rei Henrique IV (rei em 1056, Imperador de 1084 a 1106). Embora ele tenha voltado atrás em 1077, a excomunhão teve fortes conseqüências. Durante isso, os duques alemães elegeram um segundo, Rodolfo da Suábia, na qual Henrique IV conseguiu derrotar apenas depois de uma guerra de três anos em 1080. Os místicos pilares do Império foram permanentemente abalados; o rei alemão foi humilhado. Mais importante ainda, a igreja era claramente um jogador independente no sistema político do Império, não estando sujeita à autoridade imperial.

A "constituição" do Império ainda estava desorganizada no começo do século XV. Embora alguns procedimentos e instituições tenham sido criados, como por exemplo, a Bula Dourada de 1356, as regras de como o rei, os eleitores, e os outros duques deviam cooperar dentro do Império dependia mais da personalidade do respectivo rei.

Ao mesmo tempo, a igreja também estava em crise. O conflito entre diversos papas só foi resolvido no Concílio de Constança (1414-1418). Depois de 1419, muita energia foi gasta na luta contra a heresia dos Hussitas. A idéia medieval de um Corpus christianum unificado, na qual o papado e o Império eram as instituições líderes, começava a sucumbir.

Demorou algumas décadas até que as novas regulamentações fossem aceitas e a nova corte entrasse em funcionamento; apenas em 1512 que os Círculos Imperiais ficariam totalmente formados. O Rei também deixou claro que a sua própria corte, o Reichshofrat, continuasse funcionando paralelamente ao Reichskammergericht. É interessante notar que nesse mesmo ano, o Império recebeu o seu novo título, o Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation ("Sacro Império Romano da Nação Germânica").

Em 1517, Martinho Lutero iniciou o que seria depois conhecido Reforma Protestante. Nessa época, muitos duques locais viram a chance para se opor à hegemonia do Carlos V. O Império então ficou dividido por linhas religiosas:
  • o Norte, o Leste e a muitas das grandes cidades — Estrasburgo, Frankfurt e Nuremberg— tornando-se protestante
  • o Sul e o Oeste permaneceram católicos


Com o avanço de Luís XIV, os Habsburgos ficaram dependendo da ajuda dos Arquiduques da Áustria para conter o avanço do Reino da Prússia, que estavam dominando alguns territórios dentro do próprio Império. Durante o século XVIII, os Habsburgos estavam envolvidos em vários conflitos pela Europa, tal como a Guerra da Sucessão Espanhola, a Guerra da Sucessão Polonesa e a Guerra da Sucessão Austríaca. O Dualismo alemão entre Áustria e Prússia dominava a história do império desde 1740. A partir de 1792, a França revolucionária estava em Guerra com várias partes do Império interruptamente. O Império foi formalmente dissolvido em 6 de agosto de 1806 quando o último Sacro Imperador Romano-Germânico Francisco II (a partir de 1804, Imperador Francisco I da Áustria) abdicou, sendo seguido por uma derrota militar pelos franceses sob o comando de Napoleão, que reorganizou muito do império na Confederação do Reno, um estado satélite francês. Francisco da Dinastia de Habsburgo-Lorena sobreviveu ao desmanche do Império, continuando a reinar como Imperador da Áustria e rei da Hungria até a dissolução final do Império dos Habsburgos em 1918 depois da Primeira Guerra Mundial. Após, a Confederação Napoleônica do Reno foi substituída pela Confederação Germânica e depois pela Confederação Norte-Germânica, até que os territórios que falavam o alemão, menos a Áustria, foram unidos sob a liderança do Reino da Prússia em 1871, no Império Alemão, o estado predecessor da atual Alemanha.

Às vezes é dito que o único atual sobrevivente do Império é o pequeno Principado de Liechtenstein, localizado entre a Suíça e a Áustria.

Ainda existe um Habsburgo reclamando o trono Imperial, Otto de Habsburgo. Entretanto, o trono do Império nunca foi meramente hereditário, e títulos de nobreza não são mais oficiais na Alemanha e as outras repúblicas da Europa Central.

– Tem sido dito que a história moderna da Alemanha foi predeterminada por três fatores:
  1. o Reich,
  2. a Reforma Protestante, e
  3. o dualismo entre Áustria e Prússia.

Muitos esforços têm sido feitos para entender por que o Reich nunca formou um poder forte e centralizado sobre seus territórios, como aconteceu com a sua vizinha França. Algumas razões incluem:
  1. o Império era um corpo federativo desde o início: ao contrário da França, que tinha feito parte do Império Romano, na parte oriental do Reino Franco
  2. as tribos germânicas que depois fizeram parte da nação germânica (Saxões, Turíngios, Francos, Bávaros, Alamanos ou Suábios) eram muito mais independentes e relutavam em ceder o poder a uma autoridade central
  3. todas as tentativas de fazer o reino uma monarquia hereditária falharam; em vez disso, o rei era sempre eleito
  4. cada candidato para rei fazia promessas para o seu eleitorado, assim dando aos nobres mais e mais poder através dos séculos
  5. devido às conotações religiosas, o Império era uma instituição duramente afetada pela disputa entre o Papa e os Reis germânicos em suas respectivas coroações como Imperador
  6. nunca ficou claro sob quais condições o papa devia coroar o imperador e especialmente se todo o poder do imperador era dependente do poder clerical do papa.

Muito debate aconteceu sobre isso, especialmente durante o século XI, levando à Controvérsia da Investidura e a Concordata de Worms em 1122.

Se o sistema feudal do Império, onde o Rei era formalmente o topo da chamada "pirâmide feudal", era a causa ou sintoma da fraqueza do Império não é certo. Em qualquer caso, a obediência militar, que – de acordo com a tradição germânica – estava intimamente ligada à doação de terras aos tributários, sempre foi um problema: quando o Império tinha que ir para a guerra, as decisões demoravam e eram tímidas.

Até o século XVI, os interesses econômicos do sul e do oeste divergiam daqueles do norte, onde a Liga Hanseática operava. A Liga Hanseática era muito mais ligada com a Escandinávia e o Báltico do que com o resto da Alemanha.



A historiografia alemã de hoje enxerga o Sacro Império Romano-Germânico como um sistema balanceado de organizar uma multidão de estados (efetivamente independentes) sob um complexo sistema de regulamentos legais. Pequenos estados como os Senhorios e as cidades Imperiais Livres sobreviveram por séculos como entidades independentes, embora eles não tivessem nenhum poderio militar.

O grande número de territórios diferentes com diferentes línguas (alemão, francês, Italiano, tcheco, esloveno, etc.), denominações religiosas e diferentes formas de governo levaram a uma grande variedade de culturas, o que pode ser visto na atual Alemanha com as culturas regionais, costumes e dialetos que mudam às vezes no raio de poucos quilômetros.

Impérios Sucessores
Depois do fim das Guerras Napoleônicas uma nova União alemã foi criada em 1815. Ela sobreviveu até 1866 quando o Reino da Prússia dissolveu a Confederação germânica para formar a Confederação Norte-Germânica que se tornaria um estado-nação em 1871, o Império Alemão.



Origem: Wikipédia

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Olímpia – Grécia

Olímpia foi uma cidade da antiga Grécia, é famosa por ter sido o local onde se realizavam os Jogos Olímpicos da Antiguidade até sua supressão em 394 pelo imperador romano Teodósio I - jogos estes que só foram igualados em importância aos seus equivalentes realizados em Delfos, os Jogos Pítios. Também é conhecida pela gigantesca estátua de Zeus em marfim e ouro, criada pelo escultor Fídias para o templo do deus localizado na cidade, e que foi uma das sete maravilhas do mundo antigo. Escavações junto ao templo de Zeus, durante a década de 1950, revelaram a existência de um estúdio que se supõe ter pertencido a Fídias. Hoje o local preserva um importantíssimo sítio arqueológico tombado pela UNESCO.


O sítio arqueológico que existe em Olímpia consiste de um santuário (altis) com diversas edificações.
  • dentro do temenos estão o Templo de Hera ou Heraion, o Templo de Zeus, o Pelopion e a área do altar de sacrifícios;
  • ao leste ficam o hipódromo e o stadium;
  • ao norte do santuário se localizam o Prytaneion e o Philippeion, bem como uma série de capelas votivas conhecidas como Tesouros, ofertadas pelas várias cidades-estado antigas;
  • ao sul destes Tesouros fica o Metroon, com a Stoa Eco ao leste;
  • ao sul do santuário estão a Stoa Sul e o Bouleterion;
  • ao oeste erguem-se as casas da Palestra, a oficina de Fídias, o Gymnasion e o Leonidaion.


História
Pré-história
Foram encontrados vestígios de alimentos e oferendas incineradas datando do século X aC, evidenciando uma longa história de ocupação humana no local, embora não tenham restado traços de edificações desta época remota.

Períodos Geométrico e Arcaico
De quatro em quatro anos uma trégua era anunciada e pessoas de todas as partes da Grécia reuniam-se em Olímpia, a fim de competir e assistir os Jogos. O prêmio para o vencedor era o "kotinos", feito a partir de uma coroa de flores silvestres de oliveira. Olímpia foi um local sagrado assim como Delfos. O recinto sagrado era situada no vale do Alfeios, no território de Pisatis na região noroeste do Peloponeso.

Embora historicamente os Jogos começaram em 776 aC, que é considerada a primeira Olimpíada, organizada pelas autoridades de Elis, os Jogos foram praticados desde os tempos muito antigos e segundo a tradição eles foram prorrogados por Hércules. Neste evento unificador, apenas os gregos livres foram autorizados a participar. Gregos de tão longe como os da região do mar Cáspio e da África, vieram para competir e assistir. Filósofos, sábios e heróis lá podiam ser vistos admirando os atletas. Não é acidental que a Grécia, pela primeira vez na história realizou os Jogos. Este foi um evento único, um produto de uma civilização que se considerava superior as outras, em que os cidadãos livres estavam honrando os seus deuses, que os tinham favorecido com a força e a glória. Há dez milhas do interior do mar Jónico e ao oeste do Peloponeso, no ponto onde os rios Kladios e Alpheios uniam-se, se estabeleceu o antigo santuário de Olímpia e o local dos antigos Jogos Olímpicos. Olímpia pertencia à cidade de Pisa. Em torno de 700 a.C., na época do domínio de Pisa, foram feitas reformas no terreno, nivelando áreas e cavando canais.

Os primeiros edifícios foram construídos em torno de 600 aC, quando os skiludianos, aliados dos pisatanos, ergueram o Templo de Hera, seguido pelos Tesouros e pelo Pelopion, e também pelas estruturas profanas das arenas e do Bouleterion. O primeiro estádio foi construído em torno de 560 aC como uma simples faixa de terra, que foi remodelada cerca de 60 anos depois com a adição de elevações laterais para os espectadores. Em 580 aC Elis, em aliança com Esparta, reconquistou o santuário.

Período Clássico
Este foi o período em que Olímpia conheceu seu esplendor. Entre os séculos V e IV aC foram erguidos uma série de novos edifícios sacros e seculares, incluindo o Templo de Zeus, cujas proporções e decoração atingiram uma magnificência até então inaudita. Também as estruturas desportivas foram ampliadas e completadas. O Pritaneu foi levantado em 470 aC, o Metroon em 400 aC, e a Stoa Eco na mesma época.

Período Helenístico
O final do século IV aC viu o surgimento do Philippeion, e logo em seguida do maior edifício do local, o Leonidaion, para receber visitantes ilustres. Nos dois séculos seguintes apareceram a Palestra, o Gymnasion, as casas de banhos e a Cripta, uma passagem de arcos ligando a entrada do santuário ao estádio.

Período Romano
Durante a era romana os Jogos foram abertos para os cidadãos de todo o império romano. Foi iniciado um extenso programa de restaurações, que incluíram o Templo de Zeus, e de novas construções, como o Nympheum e de novos aquedutos e banhos. Nesta época o complexo sofreu com abalos sísmicos e invasões bárbaras. A despeito das dificuldades os Jogos continuaram até 393, quando um decreto de Teodósio I, imperador cristão, baniu os jogos por considerá-los uma reminiscência dos tempos pagãos. O atelier de Fídias foi transformado em basílica e o local foi povoado por cristãos até o fim do século VI, quando aluviões começaram a cobrir a área, que só foi descoberta no século XIX.


Arqueologia
O estudo arqueológico de Olímpia começou com a descoberta do local em 1766 pelo antiquário inglês Richard Chandler, embora a região não começasse a ser escavada senão em 1829, quando franceses trouxeram à luz a área dos templos e arredores. No final do século, arqueólogos alemães continuaram o trabalho na parte central do santuário, acabando por descobrir estatuária do Templo de Zeus, a Niké de Peônio, o Hermes de Praxíteles e muitos bronzes, num total de 14 mil objetos que hoje são expostos no Museu Arqueológico de Olímpia. Os trabalhos continuaram no início do século XX, embora de forma mais limitada. Em meados do século foi escavado o estádio onde tinham lugar as competições de corrida, o estúdio de Fídias, o Leonidaion e os muros norte do estádio, bem como a área sudeste do santuário, onde foram encontrados muitos bronzes e cerâmicas. Nos anos 70 e 80 novas escavações trouxeram à luz tumbas, o Prytaneion e o Pelopion.

O Templo de Zeus
O centro religioso do local, foi construído entre 470 aC e 456 aC pelo arquiteto Libon de Elis. Foi construído na ordem dórica e tinha seis colunas frontais e treze de cada lado, e única entrada era na fachada oriental, à qual se tinha acesso por uma grande rampa. Os grupos escultóricos dos pedimentos, considerados hoje a obra-prima do estilo Severo, esculpidos pelo Mestre de Olímpia, mostravam a corrida de bigas entre Pélops, criador dos Jogos Olímpicos, e Enômao, rei de Pisa, e as métopas estavam decoradas com as cenas dos "doze trabalhos de Hércules".

O grande atrativo para os visitantes do templo era a monumental estátua de Zeus, do escultor Fídias: possuía 12 m de altura e era toda de ouro e marfim. Não era sem motivo que era uma das sete maravilhas do mundo antigo. A estátua foi destruída em um incêndio e o templo pereceu num terremoto no século V dC. Porém o geógrafo grego Pausânias, em sua Descrição da Grécia, nos deu uma visão detalhada do templo, o que nos possibilita reconstruí-lo em seu aspecto original.


A Olímpia moderna
Atualmente, com a reinstituição dos Jogos Olímpicos por Pierre de Coubertin, a chama Olímpica acende-se de quatro em quatro anos no restaurado estádio de Olímpia, utilizando a luz do Sol refletida por um espelho parabólico. Essa chama vai depois acender uma tocha que é transportada por atletas até ao local da realização dos Jogos dessa Olimpíada.






Fonte: Wikipédia

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Torre Eiffel

A Torre Eiffel é uma torre treliça de ferro do século XIX localizada no Champ de Mars, em Paris, que se tornou um ícone mundial da França e uma das estruturas mais reconhecidas no mundo. É o edifício mais alto de Paris e o monumento pago mais visitado do mundo, milhões de pessoas sobem na torre a cada ano. A torre foi construída como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889 e leva o nome de seu projetista, Gustave Eiffel.

Possui 324 m de altura. Foi a estrutura mais alta do mundo desde a sua conclusão até 1930, quando perdeu o posto para o Chrysler Building, em Nova York, Estados Unidos. Não incluindo as antenas de transmissão, a Torre é a segunda estrutura mais alta da França, atrás apenas do Viaduto de Millau, concluído em 2004. A Torre Eiffel é uma estrutura de aço e pesa cerca de 10.000 toneladas, possui uma densidade relativamente baixa.

– Tem três níveis para os visitantes:
  1. A caminhada para o primeiro nível é superior a 300 passos.
  2. O terceiro e mais alto nível só é acessível por elevador.
  3. O primeiro e o segundos níveis possuem restaurantes.


A torre tornou-se o símbolo mais proeminente de Paris e da França. A torre é uma parte do cenário caracterizado em dezenas de filmes que se passam em Paris. Seu estatuto de ícone é tão determinado que ainda serve como um símbolo para toda a nação da França, como quando ela foi usada como o logotipo da candidatura francesa para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 1992.

Inaugurada em 31 de março de 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. Era para ser uma estrutura temporária, mas tomou-se a decisão de não desmontá-la. O governo da França planejou uma Exposição mundial e anunciou uma competição de design arquitetônico para um monumento que seria construído no Champ-de Mars, no centro de Paris. Mais de cem designs foram submetidos ao concurso. O comitê do Centenário escolheu o projeto do engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923), de quem herdaria o nome. A torre com sua estrutura metálica se tornaria, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com seus 317 m de altura, possuía 7300 toneladas quando foi construída, sendo que atualmente deva passar das 10000, já que são abrigados restaurantes, museus, lojas, entre muitas outras estruturas que não possuía na época de sua construção.

Eiffel, um notável construtor de pontes, era mestre nas construções metálicas e havia desenhado a armação da Estátua da Liberdade, erguida pouco antes no porto de Nova Iorque. Quando o contrato de 20 anos do terreno da Exposição Mundial (de 1889) expirou, em 1909, a Torre Eiffel quase que foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio a salvou. Os últimos 20 m desta magnífica torre correspondem a antena de rádio que foi adicionada posteriormente.

A torre manteve-se como o monumento mais alto do mundo ao longo de mais de 40 anos. Foi destronada em 1930 com o Chrysler Building, de Nova Iorque de 319 m. Ao todo, desde a abertura já recebeu um total de 244 milhões de visitantes.
  • Atualmente, é visitada anualmente por 6,9 milhões de pessoas.


Os nomes de 72 cientistas, engenheiros e outros franceses notáveis estão gravados em reconhecimento a suas contribuições por Gustave Eiffel. Estas gravações foram cobertas de tinta no começo do século XX, e restauradas em 1986-1987 pela Société Nouvelle d'exploitation de la Tour Eiffel, uma companhia contratada para negócios relacionados à Torre.


Origem: Wikipédia

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Loucura dos reis – trilogia medieval

Os reis medievais ingleses eram homens de personalidades diferentes, criados na tradição cristã, com sua autoridade limitada pelas responsabilidades que o costume impunha e pelos juramentos que faziam quando eram coroados.

Houve quatro reis muito menos bem sucedidos, cujos reinados foram perturbados por guerra civil e terminaram em desastre:
  1. João Sem Terra
  2. Eduardo II
  3. Ricardo II
  4. Henrique IV

Dos quatro, os três últimos foram privados de seus tronos e assassinados. Ricardo II e Henrique IV ascenderam ao trono quando menores de idade. João e Eduardo II se tornaram reis quando eram jovens adultos. Todos tinham um problema de personalidade.

  • João foi qualificado de possuído e enlouquecido por feitiçaria e bruxaria.
  • Eduardo II considerado perverso e não louco.
  • Ricardo II um esquizofrênico.
  • Henrique IV sofreu um grave colapso nervoso entre 1454 e 1456.



João – visto como o pior dos reis medievais ingleses, tirânico, imoral e injusto. Seu reinado foi cheio de perturbações: crescente insatisfação entre os barões, hostilidade do grande príncipe francês, Filipe Augusto. Em seu reinado o papa colocou a Inglaterra sob interdição eclesiástica, proibindo todos os cultos e cerimônias religiosas até que João cedesse e lhe prestasse vassalagem. Um ato que muitos consideraram humilhante. Perdeu as insígnias reais e adoeceu gravemente, falecendo em 18 de outubro de 1216.

Sua personalidade deve ser compreendida à luz de sua ancestralidade e criação. Ele veio de uma longa linhagem de príncipes competentes, mas desequilibrados, os condes de Anjou. O pai de João, Henrique II, rei da Inglaterra e por meio de um casamento com Alienor da Aquitânia, duque de Aquitânia. A família angevina, os Plantagenetas, conhecidos como a "prole do demônio", conta uma lenda de um ancestral, conde de Anjou. Henrique II pai de João, um homem de grande competência e implacável determinação, agitado e dado a violentas explosões de raiva. Sua mãe Alienor de Aquitânia, uma mulher imperiosa e turbulenta. João foi o caçula, mimado preferia o luxo da corte às artes marciais, imaturo no comportamento e na aparência.A mãe o desprezava e o pai o protegia e as vezes o desamparava. Temperamental e egocêntrico, foi tanto vítima quanto o autor dos problemas que iriam finalmente esmagá-lo.

João Sem Terra, viveu numa era brutal, suavizada pela prece e pela santidade, mas marcada pela mutilação e banhada em sangue. Tinha ataque de fúria e sua crueldade excessiva, faziam pensar que era louco. A raiva lhe contorcia o semblante. Foi excessivamente cruel. O seu desequilíbrio mental, se revela de maneira mais convincente em seu senso de insegurança, que motivava o seu tratamento cruel e vingativo que dispensava aos inimigos e na inveja e desconfiança com quem tendia a tratar, tanto amigos quanto adversários. A inimizade de dois dos homens mais poderosos da época, Filipe Augusto da França e o papa Inocêncio III, acabou se confrontando com uma situação que escapava a seu controle. João foi mais azarado do que louco.



Eduardo II – neto de João Sem Terra, se tornou rei da Inglaterra em 1307. Seu reinado foi uma tragédia pessoal. Embora sua personalidade tivesse traços anormais e parecesse inadequada para um rei, Eduardo não foi louco. Como no caso de tantos outros príncipes, sua personalidade foi moldada por sua criação. Filho de Eduardo I, que o nomeou príncipe de Gales em 1301. Sua mãe, Eleonora de Castela morreu quando ele tinha 13 anos.

Se transformou num homem forte e bonito, apreciador da equitação e mais culto que a maioria dos grandes senhores da corte. Suas recreações pareciam cada vez menos as esperada de um cavaleiro, muito menos de um príncipe real:

  • passeios de barco
  • natação
  • ocupações servis, plantar e cavar

Ao que parece ele encontrava mais satisfação na companhia de jovens e robustos operários do que na de cavaleiros da corte. O que pareceu ainda mais inadequado e chocante foi a obsessiva afeição de Eduardo por um jovem fidalgo rural da corte, Gaveston. Por razões de conveniência, os dois casaram. Gaveston casou com a sobrinha do rei, Margaret de Clare e teve uma filha. Eduardo casou com a filha de 12 anos do rei da Franca, Isabel e tiveram 2 filhos e 2 filhas. Seu favorito foi morto e Eduardo nunca se esqueceu nem perdoou os condes que haviam acossado Gaveston até a morte. Sua afeição pelo favorito, a única constante de sua vida, condicionaria tudo o que aconteceria aos 15 anos que ainda lhe restavam. Dali em diante haveria "ódio perpétuo... entre o rei e os condes".

Sei reinado foi mais estável e mais forte nos últimos anos do que no começo. Recobrou seus poderes reais, através de Hugh Despenser e de seu filho. Decidiu consolidar sua posição reforçando o tesouro real por meio de medidas fiscais extorsivas e do confisco de propriedades de barões de lealdade duvidosa. O descontentamento era geral, o ressentimento crescente. Henrique e Despenser foram aprisionados. Hugh foi morto e provavelmente o rei tenha tido um assassinato brutal.

Eduardo II foi enterrado na abadia de St. Peter, em Gloucester, onde seu túmulo se tornou o centro de um pequeno culto. Seu coração foi removido, posto em uma urna de prata e enterrado com sua rainha na igreja franciscana de Newgate em Londres. Quando ela morreu 20 anos depois em 1358, ela foi enterrada com seu vestido de noiva.



Ricardo II – sucedeu seu avó Eduardo III em 1337. Seu reinado foi perturbado por guerras civis violentas e terminou com sua deposição e assassinato. Ele se tornou cada vez mais introspectivo e sua apreensão da realidade pareceu reduzir-se.

Tinha 11 anos quando se tornou rei. Seu avô, Eduardo III foi um grande príncipe guerreiro. Seu pai, o Príncipe Negro morrera um ano antes de sua acessão, tinha notável reputação como cavaleiro e soldado, mas Ricardo era um rapaz com interesses mais estéticos do que militares. Formou-se em sua mente uma concepção semimística do direito divino a que ele se aferrou até o fim. Era tão egocêntrico que chegava a ser narcisista. Em seus retratos parece bonito e elegante, com quase 1.80 m de altura e uma vasta cabeleira loira. Tomava banho regularmente, um hábito inusitado em seu tempo, e foi o «inventor do lenço de bolso». O rei mais culto de sua linhagem. Ardoroso e sensível, ardiloso e calculista; era propenso a ataques de irritação, mas era generoso com os amigos. Amava a mãe e tornou-se intensamente devotado à sua mulher, Ana da Boêmia. Havia um elemento bissexual em sua personalidade. Teve um amigo íntimo a quem concedeu grande poder.

Ricardo desapareceu nas sombras, recolhendo-se finalmente no castelo de Pontefract, onde seu carcereiro o matou de fome. Morreu antes de fevereiro de 1400 e foi levado para o sepultamento de honra em Westminster, tinha apenas 34 anos. Parece mais provável que tenha sofrido de uma depressão moderada ou aguda, que por vezes tocava as raias da insanidade maníaco-depressivo.


Origem: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Palácio de Luxemburgo - Paris

O Palácio do Luxemburgo (Palais du Luxembourg, em francês) é um palácio localizado em Paris, na França. Atualmente a sede do Senado da França. O formal Jardim Luxemburgo (Jardin du Luxembourg) apresenta 25 hectares, povoados por estátuas e providos de grandes tanques de água onde as crianças pilotam modelos de barcos. No canto sudoeste, existe um pomar de macieiras, pereiras e o teatro de marionetes.




História
Foi construído por Marie de Médicis, mãe do Rei Luís XIII, no local de um antigo hotel particular pertencente a François, Duque de Luxemburgo, de onde vem o seu nome. Marie de Médicis comprou em 1612, tendo encomendado o novo edifício, ao qual se referia como Palais Médecis, em 1615. A construção e mobilias do palácio formaram o seu principal projeto artístico, apesar de nada restar atualmente dos interiores tal como foram criados por ela, salvo alguns fragmentos arquitetônicos reunidos na Sala do Livro de Ouro. Os conjuntos de pinturas que a Rainha encomendou, de cujos temas ela expressou os seus requisitos através de agentes e conselheiros, estão dispersos por vários museus. Os mais célebres, uma série de vinte e quatro telas triunfantes, foram encomendados a Peter Paul Rubens.

Marie instalou residência em 1625, enquanto os trabalhos no interior continuavam. Os aposentos de um dos lados, no piso térreo, foram reservados para a Rainha, e o conjunto correspondente no outro lado para Luís XIII. A construção foi finalizada em 1631; a Rainha Mãe foi expulsa da corte no mesmo ano.

Em 1642, Marie deixou em herança o Palácio do Luxemburgo ao seu segundo filho, Gastão de Orleans, o irmão mais novo do Rei. O palácio passou depois para a sua viúva e para a sua filha, Ana, Duquesa de Montpensier, que fez dele a sua residência. A filha desta, a Duquesa de Guise, herdou-o em 1660 e deu-o a Luís XIV em 1694. O palácio não voltaria a ser habitado até ser possuído por Luís XVI que o deu, em 1778, ao seu irmão, o Conde de Provença.

– Durante a Revolução Francesa foi:
  • uma prisão durante um breve período,
  • o centro do Diretório Francês
– Foi também a primeira residência de Napoleão Bonaparte, como Primeiro Cônsul da França.

O palácio manteve o seu papel senatorial, com breves interrupções, desde então. (foto do Senado)


No século XIX o palácio foi extensamente remodelado, com uma nova fachada para o jardim, e um ciclo de pinturas, realizado entre 1845 e 1847 por Eugène Delacroix, o qual foi adicionado à biblioteca.



Na 2ª Guerra Mundial
Durante a ocupação germânica de Paris (1940-1944), Hermann Göring ocupou o palácio, usando-o como quartel general do Luftwaffe em França. Tomou para si próprio um suntuoso conjunto de salas para acomodá-lo nas suas visitas à capital francesa. O seu subordinado, o Marechal de Campo do Luftwaffe Hugo Sperrle, também ocupou um apartamento e passou a maior parte da guerra gozando as luxuosas cercanias.

O palácio foi designado como um "ponto forte" para a defesa da cidade pelas forças alemãs em agosto de 1944, mas graças à decisão do General no comando Dietrich von Choltitz de render a cidade em vez de lutar, o palácio foi apenas minimamente danificado.O edifício foi mais tarde usado para a conferência de paz de 1946.


Arquitetura
O Palácio do Luxemburgo tem mais de residência secundária que de palácio urbano oficial. Compõe-se por um pátio quadrado, um corpo de entrada coroado por uma cúpula, a cúpula Tournon, e por pavilhões. O Palácio do Luxemburgo é o resultado da livre inspiração do Palazzo Pitti (Florença, Itália) pedido por Marie de Médicis que, tendo-se cansado do Palais du Louvre, desejava reencontrar o espírito florentino e a doçura que este lhe evocava, nomeadamente através do emprego das ornamentações de pedra na arquitetura do edifício em vez de uma mistura de tijolo e pedra, como se encontra por exemplo no pavilhão de caça do Château de Versailles.


Fonte: Wikipédia

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Castelo de Chaumont-sur-Loire


O Château de Chaumont-sur-Loire é um palácio francês localizado nas margens do Rio Loire, na comuna de Chaumont-sur-Loire, departamento de Loir-et-Cher, entre Amboise e Blois. Fica situado sobre o último rio selvagem da Europa, recentemente inscrito no Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.




História
No século X, Eudes I, Conde de Blois, mandou construir uma fortaleza para proteger a cidade de Blois dos ataques do Condes de Anjou.

Luís XI mandou queimar e arrasar Chaumont, em 1455, para punir Pedro de Amboise por este se ter revoltado contra o poder Real quando da "Liga do Bem Público". Depois disso, o filho de Pedro, Carlos I de Amboise, procedeu à reconstrução do château entre 1465 e 1475, edificando a ala norte (face ao Loire) atualmente desaparecida.

De 1498 a 1510, Carlos II de Chaumont de Amboise, ajudado pelo seu tio, o Cardeal Jorge de Amboise, prosseguiu a reconstrução, num estilo já marcado pelo Renascimento, conservando totalmente a aparência geral fortificada.

Em 1560, o Château de Chaumont-sur-Loire foi comprado por Catarina de Médici, um ano após o falecimento do seu marido, o Rei Henrique II. A Rainha recebeu numerosos astrólogos no palácio, entre os quais Nostradamus. Depois de um curto período, Catarina forçou Diane de Poitiers, amante de Henrique II durante muito tempo, a trocar o Château de Chenonceau pelo Château de Chaumont. No entanto, Diane de Poitiers viveu pouco tempo em Chaumont.

Em 1750, Jacques-Donatien Le Ray comprou o palácio como casa de campo, tendo lá estabelecido uma fábrica de vidros e cerâmicas. Foi considerado o "Pai (francês) da Revolução Americana", pois adorava a América. Benjamin Franklin chegou a ser um hóspede no Château de Chaumont-sur-Loire. No entanto, em 1789, o Novo Governo Revolucionário da França desapropriou Ray, incluindo o seu amado Château de Chaumont.

Madame de Stael adquiriu o palácio em 1810 e, em 1875, seria a vez de Maria Charlotte Say, herdeira da Fortuna di Açucar Say, se tornar proprietária do edifício. Esta última casou nesse mesmo ano com Amadeu, Príncipe de Broglie (filho de Alberto de Broglie). Este casal encarregou Ernest Sanson de restaurar o palácio, fez construir luxuosas cavalariças e um magnífico parque paisagístico à inglesa. Sanson optou por um conjunto em tijolo e pedra. As cavalariças de Chaumont são representativas dos edifícios construídos pela aristocracia afortunada, no final do século XIX, para abrigar os seus cavalos (foto ao lado). Foram consideradas, à época, como as mais luxuosas da Europa, beneficiando então de iluminação eléctrica em arco. Durante quarenta anos, o palácio conheceu uma época faustosa, ao longo da qual os Broglie deram festas e recepções deslumbrantes, levando uma vida digna de uma casa Real. Infelizmente, os reveses da fortuna obrigaram a Princesa de Broglie a vender Chaumont ao estado, em 1938, que o tornaria dependente dos serviços dos Monumentos Históricos.


Construção
Este palácio de estrutura medieval foi, efetivamente, construído no século XV. As alas norte e oeste foram edificadas entre 1469 e 1481. As torre são maciças e dotadas de balcões defensivos e caminhos de ronda. A porta de entrada é precedida por uma dupla ponte levadiça e rodeada por duas grandes torres redondas. A construção foi retomada, em 1501, por ordem de Carlos II de Amboise, senhor de Chaumont, e depois continuada pelo seu tio, O Cardeal Jorge de Amboise, ministro de Luís XII.


Hoje
O Château de Chaumont-sur-Loire e o Conservatório Internacional de Parques e Jardins estão reunidos. Formam o domínio de Chaumont-sur-Loire e as suas progamações culturais tornam-se complementares.

O Conservatório Internacional dos Parque e Jardins e da Paisagem de Chaumont-sur-Loire (CIPJP) e o Centro dos Monumentos Nacionais decidiram juntar os seus meios para assegurar a gestão e a animação cultural do Château de Chaumont-sur-Loire.





Fonte: Wikipédia

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Gemäldegalerie - Museu de Arte



A Gemäldegalerie é um museu de arte localizado na Kulturforum Potsdamer Platz em Berlim, na Alemanha, sendo um dos mais importantes do mundo por sua excelente coleção de arte européia dos séculos XIII ao XVIII.





História
A primeira idéia para a constituição de uma coleção de arte pública e de caráter educativo em Berlim surgiu por volta de 1797 através do arqueólogo Aloys Hirt. Ele advogava ainda que a coleção deveria ser formada exclusivamente sobre uma base cultural e científica, diferentemente das outras coleções principescas que existiam, e deveria gerir a si mesma com autonomia. Seu projeto logo encontrou apoio do rei Frederico Guilherme III, o qual logo disponibilizou parte de sua coleção privada, com cerca de 650 obras.

Com o retorno das tropas da Prússia após as Guerras Napoleônicas, outros 133 itens confiscados pelos franceses voltaram ao seu país de origem, aumentando a coleção. Contudo, o grupo reunido não perfazia um perfil adequado da arte européia, segundo os critérios estabelecidos, e logo considerou-se necessário adquirir-se obras complementares. A primeira oportunidade para tal ofereceu-se em 1815, quando o rei adquiriu cerca de 150 peças da Coleção Giustiniani em Paris, com arte italiana, e que logo foram integradas ao museu. Em 1819 outro incremento veio com a aquisição da coleção de Edward Solly, um inglês residente em Berlim, com trabalhos italianos dos séculos XIII ao XVI, alemães, holandeses e alguns itens de outros países.

Nesta altura iniciaram os planos para a construção de um prédio especial para abrigar a crescente quantidade de pinturas, formando-se uma comissão para definir o projeto, e para organizar a estrutura de funcionamento e o sistema de futuras exposições. Com a aquisição de um outro lote de obras, em 1830 o museu, então denominado Altes Museum, foi considerado pronto para ser entregue ao público, contando com 1198 pinturas e outros objetos da antiguidade, sendo instalado no pavimento superior do edifício.

A coleção foi organizada em três departamentos, dois com peças mostradas segundo critérios históricos e estilísticos, e outra seção fechada ao público em geral, contendo peças mantidas à parte por exibir uma moral incomum, às quais somente convidados tinham acesso. A entrada para as seções livres era gratuita, mas o público deveria anunciar sua visita com antecipação. A criação de um fundo para suprir os recursos necessários foi concedido pelo rei em um montante de 20 mil táleres anuais, suplementado por verbas extras quando fosse o caso de surgirem no mercado obras de especial interesse. Em 1841, para realizar aquisições diretamente da Itália, de igrejas e acervos principescos privado o apoio do novo rei, Frederico Guilherme IV veio, e partiu ele para lá com uma verba de 100 mil táleres, e conseguiu coletar um lote de obras muitos significativas, que incluía trabalhos de Fra Bartolomeo, Domenico Veneziano, Lorenzo Lotto, Giovanni Battista Moroni, Palma il Vecchio, Rafael, Tintoretto, Ticiano e Veronese.

Em 1871 Berlim se tornou a capital do Império Alemão, recentemente instituído. A mudança no status e o crescente senso de orgulho nacional tornou uma obrigação para os berlinenses equiparar sua galeria de arte com as melhores coleções de outras importantes capitais da Europa e sobrepujar os centros culturais de Dresden e Munique, então mais brilhantes. A competição entre os museus e colecionadores privados, e a procura por obras de arte, cresciam sem cessar, elevando drasticamente seus preços, o que atraiu muitos nobres a se desfazerem de suas coleções privadas.

A Gemäldegalerie se tornou uma das mais importantes reuniões de pintura européia. Entretanto, em 1887 a coleção foi reorganizada, e cerca de mil obras pouco exibidas ou de atribuição duvidosa foram leiloadas. Uma atitude discutível sob o ponto de vista atual, na época era comum.

A crescente falta de espaço no antigo edifício foi a grande dificuldade e logo iniciou planos para a construção de um novo, agora concebido para funcionar segundo uma nova sistemática de exposição, com peças de vários gêneros integradas num mesmo espaço a fim de reconstituir com maior fidelidade e coerência de cada época ou estilo, seguindo uma idéia de inspiração renascentista. Encontrou oposição de início, mas o apoio do casal imperial bastou para que em 1896 fossem iniciados os trabalhos.

A seção de arte antiga permaneceu no prédio do Altes Museum e as pinturas e esculturas mais recentes foram deslocadas para a nova sede, inaugurada em 18 de outubro de 1904. Nesta ocasião o museu recebeu a importante doação das coleções privadas de Alfred Thiem e James Simon, e passou a se denominar oficialmente Kaiser-Friedrich-Museum (mais tarde renomeado Museu Bode), em homenagem ao Imperador Frederico I.

Em 1910 as obras foram novamente reorganizadas e o espaço, já ficando outra vez exíguo, levou à elaboração de planos para mais uma ampliação do edifício, e ao mesmo tempo decidiu-se adquirir muitas obras de arte alemã. Para financiar os gastos a entrada ao museu passou a ser cobrada. Contudo, na seqüência da I Guerra Mundial, parte do acervo da instituição teve de ser alienado, sendo entregue à França por força dos termos do Tratado de Versalhes.

Nos anos 30 nova reorganização: foi criado o Museu Alemão, para onde foram transferidas as peças de arte alemã, holandesa e francesa, junto com esculturas dos períodos correspondentes, perda compensada em 1936 com a incorporação de cerca de metade do grande acervo do Banco de Dresden.

Durante a II Guerra Mundial o museu foi fechado, a coleção foi removida de sua sede e abrigada em bunkers em locais protegidos, e o prédio foi severamente danificado por bombas. Como resultado dos transtornos de guerra mais de 400 obras importantes se perderam para o museu, sendo destruídas, roubadas ou vendidas ilegalmente. Mais de 200 delas foram capturadas pelo Exército Vermelho e levadas à União Soviética. Após a divisão da cidade pelo Muro de Berlim a coleção foi novamente prejudicada por sua separação em dois centros de exposição. A primeira etapa da reorganização do museu perdurou até 1963, abrindo apenas 10 salas com cerca de 91 pinturas em exposição. Nesta altura a pinacoteca foi reinstalada precariamente no agora chamado Museu Bode, que entretanto não dispunha de espaço de exposição para muitas obras. Nas comemorações dos 750 anos da fundação de Berlim, em 1987, o museu pôde abrir 26 salas com cerca de 350 peças, sem contar as miniaturas, expostas desde 1979.

Com a reunificação da cidade em 1992, iniciaram-se acirrados debates sobre o destino da coleção de arte dispersa em locais diferentes e em grande parte oculta há anos em depósitos, sem poder ser apreciada pelo público. Por suas dimensões, a coleção não poderia ser levada integralmente para o Museu Bode, e organizou-se a elaboração de um projeto para uma nova sede própria. Em 1995 foi feito um levantamento das perdas sofridas pelo acervo em todas as últimas décadas desde antes da II Grande Guerra, agrupadas nas seguintes classes:

  1. Perdas no incêndio da antiga sede,
  2. Containers perdidos nas transferências da coleção,
  3. Obras levadas à União Soviética e nunca devolvidas,
  4. Perdas avulsas anteriores a 1945,
  5. Peças roubadas e destruídas,
  6. Peças faltantes com paradeiro ou destino ignorado.


Somente em 1998 as mais de 3.600 obras dispersas voltaram a ser reunidas, em um prédio especialmente construído para tal, desenhado por Heinz Hilmer, Thomas Albrecht e Christoph Sattler, com cerca de 7 mil m² de área expositiva e uma seqüência de 18 salas e 41 gabinetes que perfazem uma extensão de quase 2 km. Desde 2006 mantém ainda uma seção no Museu Bode, principalmente com esculturas, mas também com pinturas menores e outras que não eram vistas pelo público desde 1939.


O Museu
A galeria principal contém 1.000 obras-primas, mais 400 telas que ficam no piso inferior. A Gemäldegalerie possui uma das melhores coleções de arte europeia produzida entre o século 13 e o 18.

Duas das maiores seções são formadas por pinturas italianas do século XIII ao XVI e por pinturas de artistas holandeses do século XV ao XVI. Mestres alemães do período gótico e da Renascença estão representados por obras de Konrad Witz, Albrecht Dürer, Baldung Grien, Cranach e Holbein.

A sala octogonal de Rembrandt ocupa uma posição central na estrutura do museu. Os 16 trabalhos em exposição formam uma das maiores e melhores coleções do artista em todo o mundo. Elas são expostas junto com outras obras-primas holandesas e flamengas do século XVII: retratos, pinturas de gênero, de interior, paisagens e naturezas-mortas que ilustram o estilo e a preferência dos pintores por determinadas temáticas.

Pinturas italianas, francesas, alemãs e inglesas do século XVIII são exibidas em 6 salas. Canaletto, Watteau, Pesne e Gainsborough estão entre os grandes nomes da ala.




1ª foto: Madonna Terranuova de Rafael; 2ª foto: Amor Vitorioso de Caravaggio


Origem: Wikipédia e Coleção Folha Grandes Museus

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estreito de Gibraltar

O estreito de Gibraltar é uma separação natural entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, e entre dois continentes - Europa e África. Ao norte, encontram-se a Espanha e o território britânico ultramarino de Gibraltar; ao sul, Marrocos e Ceuta, enclave espanhol no norte de África. A soberania sobre o território de Gibraltar é do Reino Unido, gozando a população de Gibraltar cada vez mais autonomia. Em referendos na última década o povo de Gibraltar rechaçou qualquer possibilidade de associação com o Estado espanhol.

Trata-se da única abertura entre o Mediterrâneo e o oceano Atlântico, e situa-se entre o Mar de Alborão, na parte ocidental do Mediterrâneo, e o golfo de Cádiz, no Atlântico. Abarca desde a linha Gibraltar-Ceuta até a linha cabo Espartel-cabo Trafalgar

Do ponto de vista geológico, o estreito de Gibraltar resultou da fissura das duas placas tectônicas: a Placa Euroasiática e a Placa Africana.

  • A profundidade do estreito varia entre aproximadamente 280 m, no Umbral de Camarinal, e quase 1000 m, nas proximidades da Baía de Algeciras.

  • A largura mínima é de 14,4 km, entre Punta de Oliveros, em Espanha, e Punta Cires, em Marrocos.

  • Em poucos lugares do mundo se observam tantos contrastes sociais em uma distância tão curta. A parte espanhola está protegida Pelo Parque Natural do Estreito.

  • Através do Estreito de Gibraltar ocorre o intercâmbio de águas entre o Atlântico e o Mar Mediterrâneo: as águas superficiais, relativamente frias e pouco salinas, provenientes do Atlântico, entram no Mar de Alborão, sobrepondo-se às águas profundas, mais quentes e salinas, que retornam do Mediterrâneo.

  • As correntes são fortes e variam ao longo do dia, sendo causa de frequentes acidentes de navegação.

  • Era conhecido na Antigüidade como Os Pilares de Hércules. Posteriormente, o estreito, assim como o rochedo, recebeu o nome do general berbere Tariq ibn Ziyad (Tárique), passando a chamar-se Gibraltar (do árabe جبل طارق translit., Jebel Tariq, "montanha de Tariq". Em 711, Tárique atravessou o estreito, comandando a primeira incursão muçulmana à Península Ibérica, e se estabeleceu na Espanha visigótica.

  • O estreito, que antes já era de fundamental importância para a navegação entre os dois continentes, com a invenção dos canhões passou a ter um papel estratégica no controle do tráfego de navios. Na entrada e saída do Mediterrâneo, todos passam através do estreito, contemplando a "A Rocha".

  • O tráfego anual é elevadíssimo, com mais de 85.000 navios a cruzar o estreito todos os anos. Muitas pessoas, inclusive imigrantes ilegais, viajam da África para a Europa e vice-versa, através do estreito. Existem ligações regulares por ferry-boat entre Algeciras, Ceuta e Tânger (45 a 60 minutos de viagem).

Há anos que Espanha e Marrocos estudam conjuntamente a possibilidade de construção de um túnel sob o canal, similar ao do Canal da Mancha, entre a Grã-Bretanha e França. Um novo estudo, completado após três anos, foi anunciado em 2003.

Outra hipótese é a construção de uma ponte. Todavia, o custo de tal obra seria colossal, exigindo soluções de engenharia inovadoras, dadas as grandes profundidades do estreito.


Fonte: Wikipédia

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Gibraltar

Gibraltar é um território britânico ultramarino localizado no extremo sul da Península Ibérica. Corresponde a uma pequena península, com uma estreita fronteira terrestre a norte limitado pela Espanha, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de Gibraltar e Baía de Gibraltar, já no Atlântico. A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população gibraltina. A língua oficial é o inglês, mas se fala o castelhano e o Llanito, uma mistura de inglês e castelhano. População de 28.750 habitantes (2004).


O nome Gibraltar origina-se na expressão árabe jabal al-Tariq (ﺨﺒﻝﻄﺭﻕ) que significa "montanha do Tarique". A montanha, um promontório militarmente estratégico na entrada do mar Mediterrâneo, guarnece o estreito oceânico que une a África ao continente europeu. O nome é uma homenagem ao general muçulmano Tariq ibn Ziyad que no ano de 711 dC. desembarcou, iniciando a conquista do reino visigótico. Antes foi chamado pelos fenícios de Calpe, uma das Colunas de Hércules. Popularmente, Gibraltar é chamada de "Gib" ou "The Rock" (o Rochedo).

História
Uma força anglo-neerlandesa liderada por Sir George Rooke apoderou-se de Gibraltar em 1704. O território foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht em 1713, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola. Nesse tratado, a Espanha cedeu à Inglaterra:

"… a total propriedade da cidade e castelo de Gibraltar, junto com o porto, fortificações e fortes … para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento."


Apesar de tudo, o tratado de cessão estipula que nenhum comércio por terra entre Gibraltar e a Espanha deve ocorrer, exceto para provisões emergenciais no caso de Gibraltar não conseguir ser abastecida por mar. Uma condição especial nesse tratado é que "nenhuma permissão deve ser dada sob qualquer pretexto, tanto a judeus quanto a mouros, para morarem ou terem residência na dita cidade de Gibraltar". Esta restrição foi rapidamente ignorada, e por muitos anos tanto judeus quanto árabes moraram pacificamente em Gibraltar. Numa cláusula de reversão, se a coroa britânica quiser abandonar Gibraltar, deve oferecê-la primeiro à Espanha.

Num referendo de 1967, a população de Gibraltar ignorou a pressão espanhola e votou maciçamente por permanecer uma dependência britânica. Mais recentemente, num segundo referendo que ocorreu em novembro de 2002, 99% dos votantes rejeitaram qualquer proposta de partilha de soberania entre o Reino Unido e a Espanha. No entanto, os gibraltinos têm buscado um status mais avançado e um relacionamento com o Reino Unido que reflita o presente nível de auto-governo. Uma nova constituição para o território foi submetida a aprovação.

Política
Gibraltar é um dos territórios britânicos ultramarinos, e o poder executivo de Gibraltar é partilhado pelo Governador, designado pelo monarca do Reino Unido, e pelo seu governo autônomo, presidido por um Ministro Principal. Desde a adoção das cartas constitucionais de 1969 e de 2006, este último desenvolveu a sua autonomia em diversos aspectos, embora os assuntos de defesa, relações externas, segurança interna e finanças sejam competências reservadas ao Governador de Gibraltar.

Geografia
Gibraltar é uma pequena península localizada no sul da Península Ibérica, com uma superfície de 6.5 km², limitada a norte por uma estreita fronteira terrestre com Espanha e, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de Gibraltar e Baía de Algeciras, com 12 km de linha de costa. O seu aspecto é de um promontório com 426 m de altitude e o seu clima é mediterrânico, com invernos suaves e verões quentes.



Economia
Uma vez que Gibraltar não possui recursos agrícolas nem minerais, os seus habitantes, na maior parte, ganham a vida graças ao porto, às docas e às bases da OTAN. As principais atividades econômicas são as reparações navais, o abastecimento aos navios, as indústrias alimentares e de bebidas, o turismo, o comércio e os serviços de reexportação.

A presença naval britânica em Gibraltar diminuiu muito desde o seu auge, antes da Segunda Guerra Mundial, o Estreito de Gibraltar é uma das mais frequentadas vias marítimas do Mundo, com a passagem de um navio a cada seis minutos.


– Curiosidades:
  • Gibraltar é o único local no continente europeu onde existem macacos em liberdade.
  • O aeroporto de Gibraltar é o unico aeroporto do mundo que é cortado por uma estrada.






Origem: Wikipédia

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sábado, 9 de janeiro de 2010

Edviges, rainha da Polônia


Edviges d'Anjou nasceu em Buda, 18 de fevereiro de 1372 e morreu em Cracóvia, 17 de julho de 1399. Rainha da Polônia a partir de 1384 e grã-duquesa da Lituânia a partir de 1386. Filha de Luís I, rei da Hungria e da Polônia e de Isabel Kotromanic da Bósnia, sucedeu seu pai em 1382 na Polônia, enquanto sua irmã Maria herdou o trono da Hungria.

Embora hoje seja dita "rainha", Edviges foi de fato coroada como "Rei da Polônia" (Hedvigis Rex Poloniæ e não Hedvigis Regina Poloniæ). O gênero masculino do seu título significava que ela era monarca de pleno direito, enquanto que o título de rainha era atribuído às esposas dos reis. Edviges pertencia, portanto, à Casa Real dos Piast, antiga dinastia nativa da Polônia, sendo bisneta de Ladislau I, que reunificou o reino polonês, em 1320.

Como rainha, Edviges teve efetivamente poderes limitados, mas foi muito ativa na gestâo política do reino e na vida diplomática e cultural de seu país. Estimulou a tradução para o polonês de muitos textos latinos, aumentando sua difusão entre seus súditos. Fez doações para a construção de hospitais, deu suas próprias jóias para financiar a recuperação da Academia de Cracóvia que no século XIX, passou a se chamar Universidade Jaguelônica, em homenagem à Dinastia Jaguelônica, sucessora dos Piast. Em 1397 Edviges fundou em Cracóvia a primeira Faculdade de Teologia da Polônia.

Casou-se em 18 de fevereiro de 1386 em Cracóvia, com Jogaila, grão-duque da Lituânia que, depois de convertido ao catolicismo, foi batizado como Ladislau II.

Edviges morreu em decorrência de complicações do parto de sua primeira filha, Isabel Bonifácia. A filha também não sobreviveu e a Dieta da Polônia elegeu Jogaila para sucedê-la. Este teve como sucessores os filhos havidos com sua última mulher, Sofia de Halshany, que não tinha ligações com a dinastia Piast, iniciando-se assim a Dinastia Jaguelônica.

Edviges foi canonizada pelo Papa João Paulo II, em 8 de junho de 1977. É venerada pela Igreja Católica como Santa Edviges da Polônia, padroeira das rainhas e da União Européia, além de santa padroeira da Polônia.


Origem: Wikipédia

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

D. Diniz - rei de Portugal


Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela. A doença de seu pai preparou-o bem cedo para governar. Sexto rei de Portugal. Foi aclamado em Lisboa em 1279, para iniciar um longo reinado de 46 anos, inteligente e progressivo. Lutou contra os privilégios que limitavam a sua autoridade. Em 1282 estabeleceu que só junto do rei e das Cortes se podiam fazer as apelações de quaisquer juízes, e um ano depois revogou doações feitas antes da maioridade. Em 1284 recorreu às inquirições. Em 1290 foram condenadas todas as usurpações.

Quando subiu ao trono, estava a coroa em litígio com a Santa Sé motivado por abusos do clero em relação à propriedade real. D. Dinis por acordo diplomático, obteve a concordata após a qual os litígios passaram a ser resolvidos pelo rei e os seus prelados. Apoiou os cavaleiros portugueses da Ordem de Santiago, que pretendiam separar-se do seu mestre castelhano. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal, passando a chamar Ordem de Cristo.

Travou guerra com Castela, mas dela desistiu depois de obter as vilas de Moura a Serpa, territórios para lá do Guadiana e a reforma das fronteiras de Ribacoa. Percorreu cidades e vilas, em que fortificou os seus direitos, zelou pela justiça e organizou a defesa em todas as comarcas. Fomentou todos os meios de uma riqueza nacional, na extracção de prata, estanho, ferro, exigindo em troca um quinto do minério a um décimo de ferro puro. Desenvolveu as feiras, protegeu a exportação de produtos agrícolas para a Flandres, Inglaterra e França. Exportações que abrangiam ainda sal e peixe salgado. Em troca vinham minérios e tecidos. Estabeleceu com a Inglaterra um tratado de comércio, em 1308. Foi o grande impulsionador da marinha, embora fosse à agricultura que dedicou maior atenção. Fundou aldeias, estabeleceu toda uma série de preciosas medidas tendentes a fomentarem a agricultura, adotando vários sistemas consoante as regiões a as províncias.

Deve-se ainda a D. Dinis um grande impulso na cultura nacional. Entre várias medidas tomadas, deve citar-se a Magna Charta Priveligiorum, primeiro estatuto da Universidade, e tradução de muitas obras.

  • A sua corte foi um dos centros literários mais notáveis da Península.



Nasceu em 9 de outubro de 1261, e morreu em Santarém a 7 de janeiro de 1325. Casou em 1288 com D. Isabel (nasceu em Saragoça, 1270; morreu em Estremoz a 4 de julho de 1336; enterrada em Santa Clara de Coimbra), filha de Pedro III e de D. Constança, reis de Aragão.

– Tiveram a seguinte descendência:

  1. D. Constança – nasceu em 3 de janeiro de 1290; casou em 1307 com Fernando IV, rei de Castela; morreu em 18 de ovembro de 1313
  2. D. Afonso IV, herdou a coroa – nasceu em 1291 e morreu em 1357


– De várias mulheres teve D. Dinis os seguintes filhos:

  1. D. Pedro Afonso – nasceu em 1280; foi conde de Barcelos; morreu em Lalim, c. 1354;
  2. D. Afonso Sanches – nasceu 1288; morreu em Vila do Conde, 1329. Filho de Aldonça Rodrigues Telha, foi senhor de Albuquerque em Castela, jaz no Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde;
  3. D. Pedro Afonso – nasceu e morreu em data incerta. Casou com D. Maria Mendes, foi sepultado na Capela de Santa Isabel da Sé de Lisboa;
  4. D. João Afonso – nasceu em data incerta; degolado em 4 de junho de 1325. Filho de D. Maria Pires, foi legitimado a 13 de abril de 1317; foi senhor de Lousã a Arouce; casou com D. Joana Ponce, de família asturiana;
  5. D. Fernão Sanches – nasceu e morreu em data incerta. Casou com D. Froilhe Anes de Besteiros;
  6. D. Maria Afonso – nasceu e morreu em data incerta. Filha de D. Marinha Gomes, mulher nobre de Lisboa; casou com D. João de Lacerda, fidalgo castelhano;
  7. D. Maria Afonso – nasceu em data incerta; morreu em 1320. Foi religiosa no Convento de Odivelas, tendo deixado fama de santidade.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Castelo de Osaka


O Ōsaka-jō (em japonês: 大坂城・大阪城, "Castelo de Osaka") é um castelo situado em Chūō-ku, o distrito mais central de Osaka, no Japão. Originariamente denominado como Ozakajo, é um dos castelos mais famosos do país, tendo desempenhado um importante papel nas lutas de unificação durante o Período Azuchi-Momoyama, no século XVI.




O castelo encontra-se numa área com cerca de um km2, no interior do Parque Público do Castelo de Osaka. Foi erguido sobre duas plataformas preenchidas de terra, com muralhas de pedra aparelhada, cercado por um fosso inundado, à semelhança dos castelos europeus.

O edifício central possui cinco andares na parte exterior e oito no interior (servidos atualmente por um elevador). Foi construído por cima de uma alta fundação de pedra, de forma a proteger os seus ocupantes dos ataques que poderiam vir do exterior


História
Em 1583 Toyotomi Hideyoshi iniciou a construção do Ōsaka-jō no sítio do templo Ikkō-ikki de Ishiyama Hongan-ji. A planta básica foi modelada a partir do Azuchi-jō, o quartel-general de Oda Nobunaga. Toyotomi queria construir um castelo que espelhasse o de Oda, mas suplantou-o em todos os aspectos, a planta apresenta:
  • uma torre principal
  • cinco andares
  • três andares subterrâneos suplementares, e
  • talha dourada nos lados para impressionar os visitantes.


Em 1585, a torre de menagem interna ficou concluída. Toyotomi continuou a ampliar o castelo, tornando-o cada vez mais formidável aos olhos dos atacantes. Em 1598, a construção ficou finalmente completa. No entanto, nesse mesmo ano Hideyoshi faleceu, passando o castelo para o seu filho, Toyotomi Hideyori.

Em 1600 Tokugawa Ieyasu derrotou os exércitos de Hideyori na Batalha de Sekigahara, tendo dado início ao seu próprio bakufu em Edo. No Inverno de 1614 Tokugawa atacou Hideyori, começando o Cerco de Osaka. Apesar de as forças de Toyotomi estarem numa proporção aproximada de 2 para 1, os defensores do castelo enfrentaram o exército de 200.000 homens e protegeram as muralhas exteriores do castelo. No entanto, Tokugawa tendou manietar Toyotomi ao preencher o fosso exterior do castelo, o que lhe retirou grande parte da capacidade de defesa. Durante o Verão de 1615, Hideyori começou a escavar o fosso uma vez mais. Tokugawa, indignado, enviou novamente os seus exércitos para o Castelo de Osaka e derrotou os homens de Toyotomi. O Ōsaka-jō caíu perante Tokugawa, tendo o clã Toyotomi desaparecido.

Em 1620 o novo herdeiro do xogunato, Tokugawa Hidetada, começou a reconstruir e a rearmar o castelo. Construíu uma nova torre principal elevada, com cinco andares no exterior e oito no interior, e atribuiu a tarefa de construir novas muralhas a cada clã de samurais. As muralhas erguidas durante a década de 1620 ainda se mantém de pé, estando encrustradas nos penhascos de granito sem qualquer argamassa. Muitas das pedras foram trazidas de pedreiras localizadas nas proximidades do Mar Interior, e carregam inscrições com as insígnias das famílias que as conduziram até às muralhas.

Em 1665 o castelo foi parcialmente destruído pelo incêndio causado pela queda de um raio que o atingiu.

Em 1843 depois de décadas de negligência, o castelo recebeu as reparações de que muito necessitava quando o bakufu recolheu dinheiro do povo da região para reconstruir várias das torres.

Em 1868 grande parte do castelo foi queimado durante os conflitos civis que rodearam a Restauração Meiji. Sob o governo Meiji, o Ōsaka-jō foi convertido em quartel para ao exército japonês de estilo ocidental, em rápida expansão.

Em 1928 o presidente da câmara de Osaka concluíu uma campanha de angariação de fundos bem sucedida. Em 1931, iniciou-se a sua reconstrução, empregando-se o ferro e o concreto como materiais de construção.

Em 1945 no final da Segunda Guerra Mundial, os bombardeamentos a Osaka danificaram a torre principal, reconstruída poucos anos antes.

Em 1995 o governo de Osaka aprovou outro projeto de restauro, com a intenção de devolver à torre principal o esplendor que apresentava durante o Período Edo. Em 1997 as obras de recuperação ficaram concluídas. O Ōsaka-jō é uma reprodução concreta (com a adiçao de elevadores) do edifício original; no entanto, o interior não lembra, de todo, um castelo japonês.



Hoje
O castelo está aberto ao público. É um popular ponto de atracção durante a estação dos festivais, e especialmente durante a época das cerejeiras em flôr, quando os campos do castelo se cobrem com vendedores de comida e percursionistas de taiko. Os jardins também acolhem um museu, a grande arena coberta Ōsaka-jō Hōru, e o Santuário Toyokuni dedicado a Toyotomi Hideyoshi.


Fonte: Wikipédia

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Loucura dos reis – estroinices florentinas


Os Medicis não foram uma família real, mas príncipes italianos politicamente sagazes. Governaram Florença da década de 1430 até a morte do último grão duque, Gian Gastone em 1737; com exceção de um breve período no início do século XVI. Florença atingiu seu apogeu sob a hábil orientação do verdadeiro fundador da família – o grande príncipe negociante Cosimo dei Medici e de seu neto, Lorenzo, o magnífico.





Sua ampla rede bancária fez dos Medicis uma força na economia e política, na Europa ocidental. Florença foi enriquecida com belíssimos edifícios, pinturas e esculturas graças à patronagem dos Medicis e seus partidários.

No final do século XVII os florentinos e os Medicis viviam da reputação e dos recursos de um passado esplendoroso. Viviam de uma fachada que não conseguia esconder a decadência e a impotência política da Toscana. Havia desemprego e pobreza. Florença se tornara uma potência de terceira categoria. Exército pequeno e marinha praticamente inexistente. O grão duque Cosimo III governou a Toscana por 53 anos. Nem bom nem mau, seu governo foi afetado por certas facetas de seu próprio caráter que são em certo sentido vitais para a compreensão da personalidade de seu filho e sucessor, o último grão duque, Gian Gastone.

Cosimo III foi criado por uma mãe pietista(*), unida por um casamento infeliz ao seu pai, o grão duque Ferdinando, que governou Florença de 1621 a 1670. Cosimo tornou-se um beato tacanho, carrancudo e fervoroso, mais bem talhado para a vida eclesiástica que para carreira secular. Era intolerante com qualquer desvio em relação à ortodoxia, fosse na moral ou na crença. Tentou impedir mulheres de serem atrizes, proibiu a entrada de homens em casas que houvesse moças solteiras e impôs uma série de decretos intolerantes e anti-semíticos.

Casou com Marguerite Louise d'Orleans, sobrinha do rei francês Luis XIV. Houve uma enorme incompatibilidade conjugal. Ele austero e taciturno, avesso a contatos físicos que alguns suspeitassem que fosse homossexual. Ela, bonita, cheia de vida, fisicamente vigorosa, orgulhosa, teimosa e egoísta. Dormiam juntos, uma vez por semana, sob a supervisão de um médico. Finalmente um herdeiro nasceu, Ferdinando, em 1663. Anna Maria nasce em 1667. O terceiro filho, Gian Gastone nasce 24 de maio de 1671. Marguerite assim depois de cumprir com sua obrigação, parte para França em junho de 1675, para nunca mais voltar.

– Seus herdeiros, não teriam filhos:
  1. Ferdinando casou-se sem entusiasmo com uma princesa bávara, Violante. Contraiu sífilis e morreu 10 anos antes do pai.
  2. Anna Maria casou com um eleitor palatino, Johann William. Três das irmãs de William eram a imperatriz e as rainhas de Portugal e Espanha. Sem descendência.
  3. Gian Gastone com 23 anos casou-se com uma rica viúva, Anna Maria, filha do duque de Saxe-Lauenburgo. Uma mulher rude, desagradável, de gosto vulgar, enorme e amedrontadora, com um aspecto grosseiro e desgracioso. A reação de Gian à vida conjugal foi de horror. Em busca de consolo, voltou-se para seu amigo íntimo, seu lacaio que se tornou seu amante. Gian adquiriu uma preferência pelo sexo com prostitutos, que nunca perderia. Viveu na França, Hamburgo e em 1705 voltou definitivamente para Florença. Sem descendência.

Cosimo sem sucessor, se agarrou a idéia do herdeiro vir de seu obeso irmão, o cardeal Francesco Maria, que pediu a dispensa das sagradas ordens. Mas o cardeal morreu antes de casar. Dois anos depois Ferdinado morre. Em 1723 o idoso grão duque Cosimo III morre e Gian Gastone com 52 anos o sucedeu.

Gian Gastone tinha pouco interesse por assuntos governamentais, mas escolheu bem os seus ministros, e o governo tornou-se sob alguns aspectos melhor e certamente mais liberal, do que havia sido o de seu pai. A igreja tornou menos severa. Teve um sistema de governo mais liberal e esclarecido. Sua vida era reclusa no palácio Pitti e via o mundo através de uma névoa mais ou menos permanente de embriaguez. Bebia em grande quantidade vinhos e destilados abrasadores. Em 1730, Gian torceu o tornozelo e ficou de cama, nos 7 anos seguintes, só a abandonaria em ocasiões muito especiais.

Gian Gastone tornara-se um soberano negligente, um alcoólatra com gostos pervertidos. Havia sido um jovem promissor e de índole humana e bondosa. Deve ter sido vítima de um transtorno de personalidade que as circunstâncias – uma criação sem afeto, um pai distante e austero e um casamento infeliz – todas conspirando para transformar na ruína de um homem.

Em 1731, as grandes potências reuniram-se em Viena e decidiram pela sucessão de Gian, o herdeiro seria D. Carlos, duque de Parma, filho de Filipe V da Espanha. Mas D. Carlos tornou-se rei das Duas Sícilias e foi substituido como herdeiro por Francisco Estêvão, duque de Lorena, marido de Maria Teresa Habsburgo, futuro imperador Francisco I.

Em julho de 1737, Gian ficou doente e faleceu em 14 de julho, enterrado com grande pompa no duomo. Se fora um governante ineficiente, a morte redimiu sua reputação junto aos florentinos; ele foi carregado até o túmulo com todo o cerimonial de que a cidade da ostentação era capaz.


Anna Maria a irmã de Gian, viveu no palácio Pitti mais 6 anos, em seu testamento, legou todos os seus bens e propriedades pessoais à cidade de Florença, por toda a eternidade. Com isso Anna Maria reparou a estroinices(•) do irmão e pode-se dizer que os Medicis recompensaram os florentinos pela lealdade que demonstraram à família ao longo de 300 anos.



Ferdinando e Anna Maria, filhos de Cosimo III, irmãos de Gian Gastone




(•)estróina
es.trói.na
adj m+f Diz-se da pessoa extravagante, dissipadora, estouvada. s m+f Essa pessoa. Col: farândola, súcia.

(*)pietismo
pi.e.tis.mo
sm (fr piétisme) 1 Movimento iniciado dentro do protestantismo, pelos fins do século XVII, na Alemanha, segundo o qual a verdadeira religiosidade consiste na liberdade da consciência, na piedade subjetiva e nas obras de misericórdia, sendo o dogma secundário ou supérfluo. 2 fam Fanatismo.



Fonte: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green e Dicionário Michaelis

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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