domingo, 30 de maio de 2010

Chipre

O Chipre é uma ilha situada no mar Egeu oriental ao sul da Turquia, cujo território é o mais próximo, seguindo-se a Síria e o Líbano, a leste. Segundo leis internacionais, a ilha de Chipre no seu todo é um país independente. Todavia, desde 1974 encontra-se dividida entre um Estado que ocupa os dois terços ao sul da ilha: o Chipre grego e a República turca, que ocupa o terço norte da ilha e que é reconhecida somente pela própria Turquia. Ambos os estados possuem a cidade de Nicósia como a sua capital, sendo esta a última capital dividida por um muro em todo mundo.


História
Depois de sucessivamente ocupado por egípcios, assírios, persas e gregos durante a antiguidade, Chipre foi dominado pela República de Veneza desde 1489 até à invasão dos turcos otomanos em 1570. Pelo Congresso de Berlim, a ilha passou à administração britânica a 12 de julho de 1878, sendo convertida oficialmente em colônia em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial.

Em 1930 começam as primeiras revoltas a favor da inoses (união de Chipre com a Grécia) e, nos fins da Segunda Guerra Mundial, os greco-cipriotas aumentam a pressão para o fim do domínio britânico.

Em 1960, Chipre, Grécia e o Reino Unido assinam um tratado que declara a independência da ilha, ficando os britânicos com a soberania das bases de Akrotiri e Dhekelia. Makarios assume a presidência, mas a constituição indicava que os turco-cipriotas ficariam com a vice-presidência, com poder de veto, o que dificultou o funcionamento do estado e as relações entre greco-cipriotas e turco-cipriotas, desembocando em explosões de violência intercomunitária em 1963 e 1967.

A 15 de julho de 1974 um golpe pró-helênico depôs o governo legítimo, o que provocou a reação de Turquia, que, utilizando-se da suposta defesa dos interesses dos turco-cipriotas, invadiram e até hoje ocupam militarmente a parte norte da ilha, ocupação esta que já fora declarada ilegal inúmeras vezes pelo Conselho de Segurança da ONU, cujas resoluções ordenavam a retirada imediata das tropas turcas. Esta foi a origem da República Turca de Chipre do Norte, um estado de fato que só é reconhecido pela Turquia e pela Organização da Conferência Islâmica. Deste então, o Estado Turco vem tentando modificar a etnia da ilha, trazendo centenas de milhares de turcos (os quais não têm origem cipriota) e habitam as casas dos greco-cipriotas refugiados de guerra que fugiram da morte sem nada levar.

A República de Chipre foi aceita como membro da União Europeia em 2004, ao mesmo tempo que se aplica um plano para a reunificação apoiado pelas Nações Unidas, apesar de um referendo em que 76% dos greco-cipriotas terem votado contra.


Geografia
Chipre é uma das grandes ilhas do mar Mediterrâneo (juntamente com a Sicília, Sardenha, Córsega e Creta), a mais oriental de todas, localizada entre a costa sul da Anatólia e a costa mediterrânica do Médio Oriente. Geograficamente, pertence à Ásia, embora culturalmente e historicamente seja um misto de elementos europeus e asiáticos, com os europeus a predominar, dado o seu passado grego e os dois terços atuais de população de origem grega.

A ilha é montanhosa, com duas zonas acidentadas separadas por um vale amplo (a Mesaoria), onde se ergue a capital, Nicósia. A sudoeste erguem-se os montes Troodos, que albergam o ponto mais elevado da ilha, o monte Olimpo, com 1 953 m de altitude. A norte erguem-se os montes Kyrenia, uma cordilheira bastante estreita que começa na costa norte e que se prolonga para leste na longa península que confere à ilha a sua forma característica. Há também pequenas planícies costeiras no sul.

Nicósia é a maior cidade e a capital quer do estado reconhecido internacionalmente, quer da República Turca de Chipre do Norte. Outras cidades importantes são Limassol na parte grega e Famagusta na parte ocupada. O clima é mediterrânico.


Demografia
Os cipriotas gregos e turcos compartilham muitos costumes, mas mantêm sua etnicidade baseada na religião, idioma e outros fortes laços com suas respectivas terras maternas.

A língua: O grego é falado predominantemente no sul, enquanto o turco predomina no norte. Esta delimitação das linguagens só corresponde ao período presente, devido à divisão da ilha depois de 1974, a qual implicou uma expulsão dos cipriotas gregos do norte e um movimento análogo dos cipriotas turcos desde o sul. No entanto, historicamente, o grego (em seu dialeto cipriota) era falado por um 82% da população aproximadamente, a qual estava regularmente distribuída ao longo de toda o área de Chipre, tanto no norte como no sul. De maneira similar, os falantes turcos estavam distribuídos também de maneira regular. O inglês é pouco falado na ilha.


Política
Chipre é uma república, com um sistema presidencialista de governo. O presidente é o chefe de estado e de governo, nomeando e liderando o Conselho de Ministros, que exerce o poder executivo. O presidente é eleito por 5 anos, por voto direto e universal. O poder legislativo é exercido pela Câmara dos Representantes. Os deputados são eleitos democraticamente por um sistema uninominal, de 5 em 5 anos. Os deputados são só cipriotas gregos. Os representantes da denominada República Turca do Norte de Chipre não são reconhecidos internacionalmente.


Símbolos nacionais
  • Bandeira
A atual bandeira nacional do Chipre foi adotada a 16 de agosto de 1960. Mostra um mapa de toda a ilha por cima de dois ramos de oliveira.


  • Brasão de armas

O brasão de armas do Chipre representa uma pomba que transporta um ramo de oliveira, 1960 foi o ano da independência dos cipriotas em relação á Grã-Bretanha. O fundo é um cobre-cor amarela; o presente simboliza os grandes depósitos de minério de cobre em Chipre.

  • Hino nacional
Tanto o hino nacional do Chipre como o da Grécia foram extraídos de um longo poema de 158 estrofes, todavia somente as duas primeiras são parte oficial da composição musical. O texto foi escrito por Dyonísios Solomós e musicado por Nikolaos Mantzaros, tendo sido oficialmente adotado em 1864. Trata-se duma ode à liberdade alcançada em 1821, após séculos de domínio otomano.




Fonte: Wikipédia

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fernando VII - rei da Espanha


Fernando VII da Espanha (San Ildefonso ou Escorial, 13 de outubro de 1784 – Madri, 29 de setembro de 1833), rei espanhol, filho de Carlos IV e de Maria Luísa de Parma. Fernando Maria Francisco de Paula Domingo Vicente Ferrer Antonio José Joaquin Pascual Diego Juan Nepomuceno Januario Francisco Javier Rafael Miguel Gabriel Calixto Cayetano Fausto Luís Raimundo Gregorio Lorenzo Geronimo de Borbón y Borbón, como foi batizado, foi rei de Espanha em 17 de março de 1808 quando da abdicação forçada do pai.





Reinado
Príncipe das Astúrias, procurou o apoio de Napoleão para preservar os seus direitos ao trono. Mergulhou a Espanha na anarquia e guerra civil, em março de 1808 a rebelião de Aranjuez fez dele rei, as tropas de Napoleão, comandadas por Murat, ocuparam Madrid e o Imperador mandou que a família real fosse para Bayonne, obteve a abdicação de Carlos IV, obrigou Fernando a assinar a sua própria abdicação e prendeu-o no confortável castelo de Valençay até dezembro de 1813.

Napoleão Bonaparte colocou no trono seu irmão, José I. Tal situação provocou a Guerra da Independência. Quando o conflito terminou, o monarca foi reposto no cargo pelo Tratado de Valença (1814) e regressou a Espanha. Voltando a Espanha em março de 1814, aboliu a Constituição liberal, perseguiu os seus adversários, mudou constantemente os ministros. As colônias americanas tornaram-se independentes, o exército de Cadiz rebelou-se. Fernando teve que restabelecer a Constituição em 1820, depois da revolta de Riego, ficando virtualmente preso até 1823, quando foi levado para Cádiz. Retomou o poder absoluto com o apoio da França. Passou o resto da vida combatendo os apostólicos, a direita do partido que o apoiava. Revogou a lei sálica introduzida por Filipe V, de modo a poder deixar o trono à filha primogênita.

Em 1823, Luís XVIII ajudou-o a restabelecer o poder absoluto, que marcou a primeira etapa do seu governo (1814-1820). Quando caiu Napoleão, os Bourbons voltaram ao poder na França e na Espanha. Fernando VII, autoritário e teimoso, concedeu, contrariado, uma constituição liberal. Chateaubriand, também Ministro dos Negócios Estrangeiros de Luís XVIII, aproveitou a ocasião para oferecer ao exército francês uma vitória fácil e aos Bourbons a revanche sobre a Revolução. Assim a Santa Aliança entregou à França o cuidado de dar uma lição aos liberais espanhóis. O corpo expedicionário foi colocado sob o comando do Duque de Angoulême, sobrinho de Luís XVIII.

As colônias espanholas da América (México, Argentina, Chile e outras), entretanto, emanciparam-se. Outras, como o Paraguai, já eram independentes e outras como Cuba e Porto Rico permanecerem colônias. O império colonial espanhol estava desintegrado em 1814. Durante os anos em que os Bourbons estavam presos na França, o Novo Mundo governara-se sozinho sem interferência de Madrid. Em 1810 muitas das possessões coloniais tinham-se declarado independentes. A volta dos Bourbons em 1814 não ajudou a interromper a tendência.

Fernando VII era um reacionário, opositor a qualquer conceito de liberalismo político, e um incompetente, que esperava que as colônias se submetessem ao desejo real. Quando isso não aconteceu, entrou em combate contra os súditos. No final, recursos preciosos foram gastos combatendo os revolucionários na América, sem recuperar qualquer uma das colônias. Esse primeiro período absolutista foi seguido pelo Triênio Liberal ou Constitucional (1820-1823), no qual foi dada continuidade à obra reformista iniciada em 1810. Contudo, a contra-revolução surgida na corte e a entrada na Espanha das tropas francesas enviadas pelo duque de Angoulême ("os Cem Mil Filhos de São Luís") permitiram a restauração do absolutismo.

Os anos finais de seu reinado foram dedicados à questão sucessória: a luta entre os partidários da candidatura ao trono por seu irmão, D. Carlos Maria Isidro de Bourbon, conde de Molina, e de sua herdeira e filha primogênita Isabel (Isabel II), em cujo reinado foi iniciada a primeira Guerra Carlista.

Casamentos e Filhos
Mesmo infeliz na política, foi ainda mais infeliz nos 4 casamentos.

  1. Casou pela primeira vez em 6 de outubro de 1802 em Barcelona com sua prima tísica Maria Antônia Teresa (Caserta 1784-1806 morta de tuberculose em Aranjuez) de Bourbon-Sicilia, Bourbon-Lorena ou Bourbon-Nápoles. Era princesa de Bourbon-Duas Sicílias, filha de Fernando IV de Nápoles mais tarde Fernando I das Duas Sicílias e de sua esposa a arquiduquesa Maria Carolina de Habsburgo-Lorena. O casamento foi duplo, pois o príncipe herdeiro das Duas Sicílias casava também com a irmã de Fernando, a infanta Maria Isabel. A noiva entrou em Madrid em grandes festas. Eram alianças para unir a Espanha e as Duas Sicílias no panorama internacional, quando o poder da França napoleônica aumentava. Teve vários maus partos e morreu sem herdeiros.
  2. Casou em Madrid em 29 de setembro de 1816 com sua sobrinha a Infanta de Portugal Maria Isabel Francisca de Bragança (Queluz 1797-1818 de cesariana num parto em Madrid) filha do rei D. João VI com sua irmã Carlota Joaquina. Eram outra vez bodas duplas, pois o Infante Don Carlos Maria Isidro, irmão do rei, casava com outra infanta de Portugal, Maria Francisca. Chegaram a Cádiz vindas do Brasil, onde a corte estava exilada. Isabel tinha físico decepcionante, era gorda e sem dote. No entanto muito culta e detentora de extrema bondade. Foi a fundadora do Museu do Prado. Tiveram duas filhas, mas apenas uma sobreviveu: Maria Luísa Isabel (1817-1818).
  3. Casou outra vez em Madri em 20 de outubro de 1819 com Maria Josefa Amália de Saxe Wettin (nascida em Dresde em 1803 e morta em 1829 em Aranjuez, aos 25 anos). Tinha 16 anos e era filha de Maximimiliano I (1759-1838) rei de Saxe, e de Carolina Maria de Parma. Casava de novo aos 34 anos, tinha gota, abusava do consumo do tabaco, a coroa não tinha herdeiro direto. Recém saída do convento, viveram afastados. Mas ela demorou dez anos para morrer, e no final da década de 1820 o rei ainda não tinha um herdeiro direto. Seu irmão o Infante Don Carlos Maria Isidro, mais reacionário ainda do que ele, já se sentia sobre o trono. Frustrou-se, e seus partidários, quando Fernando VII aos 45 anos, velho e achacoso, decidiu casar de novo.
  4. Casou em Madri em 11 de dezembro de 1829 com sua sobrinha a princesa de Bourbon-Duas Sicílias Maria Cristina de Bourbon-Nápoles, nascida em Palermo em 1806 e morta em 1878, filha de seu cunhado Francisco I e de sua irmã, a Infanta Maria Isabel de Espanha - a que tinha uma indecente semelhança a Manuel Godoy. Era irmã da Infanta Carlota de Nápoles, casada com seu irmão o Infante D. Francisco. Nasceu afinal uma filha e depois nasceu outra e por conselho da esposa, em 1830 o rei promulgou a Pragmática Sanção, para que a filha primogênita pudesse herdar - e não seu irmão, o conde de Molina. A Sanção confirmava a revogação, por Carlos IV, da Lei Sálica introduzida na Espanha por Filipe V. Maria Cristina seria regente a partir de 1830. Filhas: Maria Isabel II (1830-1904) e Luísa Fernanda (1832-1897)




Fonte: Wikipédia

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domingo, 23 de maio de 2010

Catedral de Notre Dame, Paris


A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo (daí o nome Notre-Dame – Nossa Senhora), situa-se na praça Parvis, na pequena ilha Île de la Cité em Paris, França, rodeada pelas águas do Rio Sena. A catedral surge intimamente ligada à ideia de gótico no seu esplendor, ao efeito claro das necessidades e aspirações da sociedade da altura, a uma nova abordagem da catedral como edifício de contato e ascensão espiritual.


A arquitetura gótica é um instrumento poderoso no seio de uma sociedade que vê, no início do século XI, a vida urbana transformar-se a um ritmo acelerado. A cidade ressurge com uma extrema importância no campo político, no campo econômico (espelho das crescentes relações comerciais), ascendendo também, por seu lado, a burguesia endinheirada e a influência do clero urbano. Resultado disto é uma substituição também das necessidades de construção religiosa fora das cidades, nas comunidades monásticas rurais, pelo novo símbolo da prosperidade citadina, a catedral gótica. E como reposta à procura de uma nova dignidade crescente no seio de França, surge a Catedral de Notre-Dame de Paris.

O local da catedral contava já, antes da construção do edifício, com um sólido historial relativo ao culto religioso. Os celtas teriam aqui celebrado as suas cerimônias onde, mais tarde, os romanos erigiriam um templo de devoção ao deus Júpiter. Também neste local existiria a primeira igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, projetada por Childeberto por volta de 528 dC. Em substituição desta obra surge uma igreja românica que permanecerá até 1163, quando se dá o impulso na construção da catedral.

Já em 1160, e em resultado da ascensão centralizadora de Paris, o bispo Maurice de Sully considera a presente igreja pouco digna dos novos valores e manda demolir. O gótico inicial, com as suas inovações técnicas que permitem formas até então impossíveis, é a resposta à demanda de um novo conceito de prestígio no domínio citadino. Durante o reinado de Luís VII, e sob o seu apoio, este projeto é abençoado financeiramente por todas as classes sociais com interesse na criação do símbolo do seu novo poder. O programa seguiu velozmente e sem interrupções que pudessem ocorrer por falta de meios econômicos.

A construção inicia-se em 1163 refletindo alguns traços condutores da Catedral de Saint Denis, subsistindo ainda dúvidas quando à identidade de quem terá "colocado" a primeira pedra, o Bispo Maurice de Sully ou o Papa Alexandre III. Ao longo do processo (a construção, incluindo modificações, durou até sensivelmente meados do século XIV) foram vários os arquitetos que participaram no projeto, esclarecendo este fator as diferenças estilísticas presentes no edifício.

Em 1182 presta já o coro serviços religiosos e, na transição entre os séculos, está a nave terminada. No início do século XIII arrancam as obras da fachada oeste com as suas duas torres estendendo-se a meados do mesmo século. Os braços do transepto (de orientação norte-sul) são trabalhados de 1250 a 1267. Simultaneamente levantam-se outras catedrais ao seu redor num estilo mais avançado do gótico; a Catedral de Chartres, a Catedral de Reims e a Catedral de Amiens.

A catedral foi, nos finais do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, palco de alterações substanciais principalmente na zona este, em que túmulos e vitrais foram destruídos para substituir por elementos mais ao gosto do estilo artístico da época, o Barroco.

Em 1793, no decorrer da Revolução francesa e sob o culto da razão, mais elementos da catedral foram destruídos e muitos dos seus tesouros roubados, acabando o espaço em si por servir de armazém para alimentos.

Com o florescer da época romântica, outros olhares são lançados à catedral e a filosofia vira-se para o passado, enaltecendo e mistificando numa aura poética e etérea a história de outras épocas e a sua expressão artística. Sob esta nova luz do pensamento é iniciado um programa de restauro da catedral em 1844, liderado pelos arquitetos Eugene Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste-Antoine Lassus, que se estendeu por vinte e três anos.

Em 1871, com a curta ascensão da Comuna de Paris , a catedral torna-se novamente pano de fundo a turbulências sociais, durante as quais se crê ter sido quase incendiada.

Em 1965, em consequência de escavações para a construção de um parque subterrâneo na praça da catedral, foram descobertas catacumbas que revelaram ruínas romanas, da catedral merovíngia do século VI e de habitações medievais.

Já mais próximo da atualidade, em 1991, foi iniciado outro projeto de restauro e manutenção da catedral que, embora previsto para durar dez anos, se prolonga além do prazo.


A literatura e a fama
Durante o espírito do romantismo, Victor Hugo escreveu, em 1831, o romance “Notre-Dame de Paris”, O Corcunda de Notre-Dame. Situando os acontecimentos na catedral durante a Idade Média, a história trata de Quasimodo que se apaixona por uma cigana de nome Esmeralda. A ilustração poética do monumento abre portas a uma nova vontade de conhecimento da arquitetura do passado e, principalmente, da Catedral de Notre-Dame de Paris.



Momentos altos na catedral
  1. 1314 - Na praça Parvis, em frente à fachada ocidental da catedral, o último grão mestre templário, Jacques de Molay, após dez anos na prisão, juntamente com outros templários, foram executados queimados vivos na fogueira. Foram condenados pela igreja católica com ordem direta do Papa Clemente V, influenciado e pressionado pelo rei Filipe IV de França, que acusaram os templários de serem hereges, culpados de adoração ao demônio, homossexualidade, desrespeito à Santa Cruz, sodomia e outros comportamentos de blasfêmia.
  2. 1431 - Coroação de Henrique VI de Inglaterra durante a Guerra dos cem anos.
  3. 1804 - Coroação a 2 de dezembro de Napoleão Bonaparte a imperador de França e sua mulher Josefina de Beauharnais a imperatriz, na presença do Papa Pio VII
  4. 1909 - Beatificação de Joana d'Arc.


A fachada ocidental
É a fachada principal e não só a de maior impacto e monumentalidade como também a de maior popularidade.

Uma afinidade na composição e traços gerais pode ser estabelecida com a fachada da Catedral de Saint Denis, uma derivação da fachada do românico normando.

A fachada apresenta um conjunto proporcional, uma ordem de traçado coerente, de construção racional, reduzindo os seus elementos ao essencia. Aqui optou-se por uma parede “plástica” que interliga todos os seus elementos e passa a integrar também a escultura em locais pré-definidos, evitando que cresça espontânea e aleatoriamente como acontecia no românico.

A fachada apresenta três níveis horizontais e é ainda dividida em três zonas verticais pelos contrafortes ligeiramente proeminentes que unem em verticalidade os dois pisos inferiores e reforçam os cunhais das duas torres.


1. Nível inferior
Neste nível são evidentes três portais que surgem em épocas diferentes e que formam um conjunto que passa a ser utilizado na arquitetura a partir dos meados do século XII. São profusamente trabalhados, penetrando na parede por uma sucessão de arcos envolventes em degrau, arquivoltas, destacando-se o portal central ligeiramente em altura dos laterais.

Portal de Santa Ana
É o portal da direita e vem da época do início da construção da catedral e terá sido no início possivelmente pensado para um dos braços do transepto.

O tímpano, que representa a Virgem Maria com Cristo em criança, transparece ainda uma forte ligação à escultura do românico tardio pela sua frontalidade, rigidez do vestuário e pouca volumetria. Na proximidade da Virgem está um rei ajoelhado, que se crê ser o rei Luís VII e na frente deste um bispo, que poderá ser o impulsionador da construção da catedral, o bispo Maurice de Sully. A arquitrave possui dois níveis; a banda superior, de cerca de 1170, tem cenas da vida de Maria e a inferior, do início do século XIII – altura em que o portal deverá ter sido colocado neste local, retrata cenas da vida de Ana e Joaquim, pais de Maria, fato que terá dado o nome ao portal.

Portal da Virgem
É o portal da esquerda, pertence ao século XIII com iconografia referente a Maria. Na arquitrave, na sua banda inferior, vêem-se seis patriarcas do Antigo Testamento e reis sentados a emoldurar um pequeno baldaquino em baixo que remete simbolicamente à Anunciação. Na banda superior, são representados a morte e a ascensão de Maria aos céus e os apóstolos que rodeiam a cena. Cristo, no ponto central, toca o corpo de sua mãe, como que num sinal à futura ressurreição. O tímpano trata da coroação de Maria, em que Cristo, sentado, recebe-a e benze-a, enquanto um anjo descende e a coroa. A realçar a festividade da cena estão dois anjos ajoelhados carregando candelabros nas mãos. Nas arquivoltas anjos, profetas, reis e santos assistem ao acontecimento.

Portal do Julgamento
É o portal central e o mais novo do conjunto. No românico a figura central do portal é Cristo em ascensão aos céus, como parte dos acontecimentos de pentecostes ou no papel de Julgador. Mas no gótico já não é o monge que inicia os fiéis no mundo iconográfico do sagrado, a fé e a experiência espiritual são, nesta fase, sobrepostos pela autoridade e lei representadas pelo clero ligado à cidade, o bispo. Deste modo passa o tema do Julgamento a representar o papel principal no portal gótico.

A banda inferior da arquitrave, por estar danificada, foi substituída no século XVIII por uma representação da ressurreição dos mortos. A banda superior representa os “escolhidos” e os “condenados” separados pelo Diabo e pelo arcanjo Miguel com a balança das almas. Os que entram no paraíso levam uma coroa, uma possível alusão à santidade da coroa francesa. O tímpano apresenta Cristo na pose de Julgador revelando as chagas nas palmas das suas mãos. Nas arquivoltas Abraão recebe as almas dos escolhidos e o Diabo as dos pecadores.

Concêntricos a Cristo surgem anjos, patriarcas, profetas, dignitários, mártires e virgens santas.
A rematar e a fazer a transição para o nível intermédio está a Galeria dos Reis, uma banda composta por 28 estátuas de 3,5 m de altura cada. As estátuas tanto podem ser representações de figuras do Antigo Testamento como monarcas franceses. Durante a revolução francesa foram danificadas pelos revoltosos que pensavam tratar-se dos reis de França. As atuais estátuas foram redesenhadas e as originais encontram-se no Museu de Cluny.

2. Nível intermédio
A dominar o nível intermédio encontra-se a rosácea de 13 m de diâmetro ao centro encaixada entre os contrafortes e ladeada por janelas gêmeas. À sua frente surge a estátua da Virgem Maria com o Menino. Seguindo o traçado do piso inferior, e contribuindo para a unidade da fachada, corre uma galeria de arcarias rendilhadas a rematar este nível na zona superior.


3. Nível superior
Erguem-se as duas torres de 69 m de altura - influência normanda do século XII que acabou por permanecer na arquitetura religiosa europeia. A torre sul acolhe o famoso sino de nome “Emmanuel”. É possível visitar a torre norte onde, após uma subida de 386 degraus, se podem vislumbrar a cidade de Paris, os pináculos e as gárgulas da catedral que povoaram o romance de Victor Hugo.

A cabeceira
A estrutura de suporte de peso é visível do exterior a ladear todo o edifício, mas na zona da cabeceira a elegância destes elementos resulta numa fluidez visual que só se torna possível depois de 1225, quando as capelas são acrescentadas ao exterior. Nesta altura todo o esplendor técnico do gótico está ao alcance e os arcobotantes, que fluem da zona superior da parede do coro, onde a impulsão da abóbada para o exterior se concentra, prolongam-se até aos contrafortes, não de forma pesada, mas transmitindo leveza e harmonia.

As fachadas do transepto
Após a construção das capelas exteriores torna-se necessário prolongar os braços do transepto. O frontão trabalhado a coroar o portal, denominado gablete, cresce ao segundo nível e sobrepõe-se à fileira de janelas que surgem num plano recolhido. Do mesmo modo é também a rosácea colocada num nível mais recolhido e ligeiramente sobreposta por uma balaustrada fina. A rematar a fachada surge um frontão com janela circular ladeado de tabernáculos abertos. O tímpano apresenta um registo em três bandas, típico do gótico, onde se torna possível representar diversos episódios alimentando o gosto pela festividade do relato. Na banda inferior vêem-se cenas de Jesus em criança. Nas duas bandas superiores um bispo conta a história do presbiteriano Teófilo, desenvolvendo-se a lenda do mesmo personagem numa sequência de quatro cenas na banda imediatamente inferior.

Também no portal toma lugar a estátua de uma Madona que sobreviveu à revolução francesa e que denota o nível avançado da escultura gótica, apresentando uma naturalidade na atitude e rotação corporal.


O interior
O gótico permite a ligação da terra ao céu e, no interior de uma catedral do estilo, o crente é impelido à ascensão pela afirmação constante da verticalidade, pela monumentalidade das paredes que parecem erguer-se segundo uma teoria contrária à da gravidade, tornando-as leves, deixando por elas filtrar o colorido dos grandes vitrais numa aura etérea. A utilização de tais elementos arquitetônicos numa catedral deve-se mais a um propósito religioso prático que a aspirações artísticas.

O edifício tem 127 m de comprimento, 48 m de largura e 35 m de altura é rematada em cima por abóbadas e dá o primeiro passo na construção colossal do gótico. As maciças colunas de fuste liso da nave, que acentuam a verticalidade, fazem a divisão em arcadas altas para as alas laterais e suportam uma tribuna (galeria), em que janelas para o exterior são abertas para deixar entrar mais luz. Criando unidade com este elemento surge o clerestório a fazer o remate superior com os seus grandes grupos de janelas de dois lances e óculo.

A rosácea do braço norte do transepto tem 13 m de diâmetro e um azul forte como cor dominante. A composição baseia-se no número 8 e suas multiplicações e simboliza o Universo, a Terra e os sete planetas. No centro surge a Mãe de Deus rodeada de medalhões com representação de personagens do Antigo Testamento, profetas, reis e altos clérigos. A rosácea do braço sul do transepto baseia-se do mesmo modo no número 12 e apresenta central a imagem de Cristo como o julgador do mundo. À sua volta, em medalhões, surgem apóstolos e anjos.


– Curiosidades
  • Na praça Parvis, em frente à fachada ocidental da catedral, encontra-se no pavimento uma placa de bronze que representa o ponto zero a partir do qual todas as distâncias das estradas nacionais francesas são calculadas.
  • Na catedral existem quase 200 vitrais, alguns entre os maiores construídos na História.
  • Perto da catedral, existe a Igreja de São Julião o Pobre, uma igreja greco-católica melquita.



Fonte: Wikipédia

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sábado, 22 de maio de 2010

D. Isabel, a rainha santa de Portugal

Isabel de Aragão (Saragoça, 1271 - Estremoz, 4 de julho de 1336), foi uma infanta aragonesa e, de 1282 até 1325, rainha consorte de Portugal. Passou à história com a fama de santa, tendo sido beatificada e, posteriormente, canonizada. Ficou popularmente conhecida como "Rainha Santa Isabel" ou, – "A Rainha Santa".

Isabel era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão com Constança da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II.


Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, para além de outro monarca reinante, Frederico II da Sicília. Para além disso, sua tia materna foi Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica.


Casamento
D. Dinis tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão. D. Dinis enviou, por isso, uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Quando lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.

A 11 de fevereiro de 1288 com 17 anos , Isabel casou-se, por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa.

Em 1281 D. Isabel de Aragão recebeu como dote as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer, e Porto de Mós. Posteriormente deteve ainda os castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte de Rio Livre, Portel e Montalegre, para além de rendas em numerário e das vilas de Leiria e Arruda (1300), Torres Novas (1304) e Atouguia da Baleia (1307). Eram ainda seus os reguengos de Gondomar, Rebordões, Codões, para além de uma quinta em Torres Vedras e da lezíria da Atalaia.

Segundo uma história apócrifa, D. Dinis não lhe teria sido inteiramente devotado e visitaria damas nobres na região de Odivelas. Ao saber do sucedido, a rainha ter-lhe-á apenas respondido: Ide vê-las, Senhor. Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las teria originado o moderno topônimo Odivelas. Contudo, esta interpretação não é sustentada pelos linguistas.

– Do seu casamento com o rei D. Dinis teve 2 filhos:
  1. Constança (3 de janeiro de 1290 - 18 de novembro de 1313), que casou em 1302 com o rei Fernando IV de Castela.
  2. D. Afonso IV (8 de fevereiro de 1291 - 28 de maio de 1357), sucessor do pai no trono de Portugal.


Rainha
Na década de 1320, o infante D. Afonso, herdeiro do trono, sentiu a sua posição ameaçada pelo favor que o rei D. Dinis demonstrava para com um seu filho bastardo, Afonso Sanches. O futuro D. Afonso IV declarou abertamente a intenção de batalhar contra o seu pai, o que quase se concretizaria na chamada peleja de Alvalade. No entanto, a intervenção da rainha conseguiu serenar os ânimos – pela paz assinada em 1325 nessa mesma povoação dos arredores de Lisboa, foi evitado um conflito armado que teria instabilizado o reino.

D. Dinis morreu em 1325 e, pouco depois da sua morte, Isabel recolheu-se no então Convento de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336.

Nessa altura, Afonso declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua esposa D. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente 4 anos mais tarde, com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339.


Morte
Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde em 1995 foi iniciada uma escavação arqueológica, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo rio Mondego.

Segundo uma história hagiográfica(*), sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais elas escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde. O seu esposo D. Dinis repousa no Mosteiro de São Dinis em Odivelas.

Isabel foi uma rainha muito piedosa, passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625.
  • É reverenciada a 4 de julho, data do seu falecimento.
Com a invasão progressiva do convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra pelas águas do rio Mondego, houve necessidade de construir o novo convento de Santa-Clara-a-Nova no século XVII, para onde se procedeu à transladação do corpo da Rainha Santa. O seu corpo encontra-se incorrupto no túmulo de prata e cristal, mandado fazer depois da trasladação para Santa Clara-a-Nova.

No século XVII, a rainha D. Luísa de Gusmão, regente em nome de seu filho D. Afonso VI, transformou em capela o quarto em que a Rainha Santa Isabel havia falecido no castelo de Estremoz.

Atualmente, inúmeras escolas e igrejas ostentam o seu nome em sua homenagem. É ainda padroeira da cidade de Coimbra, cujo feriado municipal coincide com o dia da sua memória (4 de julho).



O milagre das rosas
A história mais popular da Rainha Santa Isabel é sem dúvida a do milagre das rosas. No entanto, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo fato de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e fama de santas, a história passou também a ser atribuída a Isabel de Aragão.

Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado:

– São rosas, Senhor!.
Desconfiado, D. Dinis inquirido:
– Rosas, no Inverno?.
D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele haviam rosas, ao invés dos pães que ocultara.

A época exata do aparecimento desta lenda na tradição portuguesa não está determinada. Não consta de uma biografia anônima sobre a rainha escrita no século XIV, mas circularia oralmente pelo país nas últimas décadas desse século. O mais antigo registo conhecido é um retábulo quatrocentista conservado no Museu Nacional de Arte da Catalunha.

Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugallevava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas. Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal (Crônica dos Frades Menores, Frei Marcos de Lisboa, 1562)

O primeiro registo escrito do milagre das rosas encontra-se na Crônica dos Frades Menores. No entanto, a tradição popular gerou inúmeras variantes: moedas de ouro que se transformam em rosas ou rosas que se transformam em ouro; e a atualmente mais conhecida, do pão em flores.

Em meados do século XVI a lenda já tinha sido amplamente difundida, e foi ilustrada por uma pintura anônima, conhecida por Rainha Santa Isabel, no Museu Machado de Castro de Coimbra, e por uma iluminura da Genealogia dos Reis de Portugal de Simão Bening sobre desenho de Antônio de Holanda. No século XVII surgem mais dois trabalhos anônimos retratando a rainha, a pintura a óleo no átrio do Instituto de Odivelas e o retábulo do Mosteiro do Lorvão.


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hagiografia
ha.gi.o.gra.fi.a
sf (hagio+grafo1+ia1) 1 História dos santos e das coisas santas. 2 Biografia dos santos.
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Fonte: Wikipédia e Dicionário Michaelis

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Anastasia Romanovna, imperatriz da Rússia


Anastasia Romanovna Zakharyina-Yurieva (... † 7 de Agosto de 1560) foi a primeira mulher do czar Ivan, o Terrível e a primeira czarina da Rússia. Era filha do boiardo Roman Yurievich Zakharyin-Yuriev, Okolnichi, que morreu em 16 de fevereiro de 1543, e que deu o seu nome à Dinastia Romanov de monarcas russos, e de Uliana Ivanovna, falecida em 1579. (ao lado foto da estátua de Anastasia)


Foi escolhida para noiva de Ivan de entre um grande número de candidatas possíveis, levadas ao Kremlin especificamente para o processo de seleção. Todas as famílias nobres de toda a Rússia receberam convites para apresentar jovens em candidatura (diz-se que houve entre 500 e 1500 moças em concurso).

– Anastasia e Ivan casaram em 3 de fevereiro de 1547 na Catedral da Anunciação. Tiveram seis filhos:
  1. Anna,
  2. Maria,
  3. Dmitri,
  4. Ivan,
  5. Evodokia e
  6. Teodoro (Feodor).


Supõe-se que Anastasia tenha exercido uma influência moderadora no temperamento volátil e violento de Ivan. No Verão de 1560, caiu doente e em consequência disso, Ivan sofreu um grave colapso emocional em que suspeitava que Anastasia tinha sido vítima de ações malévolas e tinha sido envenenada pelos boiardos. Embora na época não tenham existido provas de tal crime, Ivan mandou torturar e executar grande número de boiardos, contra quem já tinha ódio devido aos abusos cometidos contra si durante a sua infância. Exames aos restos mortais de Anastasia no final do século XX por arqueólogos e cientistas forenses encontraram provas de envenenamento.

  • O irmão de Anastasia Nikita Romanovich foi o pai de Feodor, o primeiro a usar o apelido Romanov.



Fonte: Wikipédia

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os Paleólogos


Os Paleólogos (em grego: Παλαιολόγος, pl. Παλαιολόγοι) foram a última dinastia do Império Bizantino. Depois da 4ª Cruzada, membros da família fugiram para Niceia, e vieram a controlar o império que se reestruturou com base nessa cidade. Miguel VIII Paleólogo tornou-se imperador em 1259 e retomou Constantinopla em 1261. Os seus descendentes governaram o império até à queda de Cosntantinopla em 1453, tornando-se na mais duradoura das dinastias bizantinas.


O lema da família era "Βασιλεὺς Βασιλέων Βασιλεύων Βασιλευόντων" (Basileus Basileon, Basileuon Basileuonton) ("Rei de reis, governando os governantes"). Devido às suas alianças matrimoniais com famílias do Ocidente, os Paleólogos foram a primeira família imperial a ter brasões e divisas no sentido ocidental; utilizavam quer a águia bicéfala negra em campo de ouro, quer esquartelado, em campo de gules (vermelho), quatro ""BB" de ouro.

A Dinastia
Os Paleólogos eram, originalmente, pequenos membros da nobreza oriundos da Macedônia. O primeiro Paleólogo a figurar nos registos históricos é Jorge Paleólogo, um amigo de Aleixo I Comneno, mas desconhecem-se os seus antepassados. O primeiro a casar-se com um membro da família imperial foi um certo Aleixo Paleólogo, cuja esposa era uma neta de Zoé Ducas, a filha mais nova de Constantino X, e do seu marido Adriano Comneno, o irmão mais novo do imperador Aleixo I. Um outro Aleixo Paleólogo casou-se com Irene Angelina, filha mais velha de Aleixo III Ângelo e de Eufrósine Camatera. Teodora Paleologina, filha deste casal, casou-se com o seu primo Andrónico Paleólogo, um descendente de Zoé. Este casal foi o progenitor da família imperial, uma vez que o seu filho veio a ser o imperador Miguel VIII.

Andrónico II, filho de Miguel VIII, casou-se com Ana da Hungria e foi pai de Miguel Paleólogo, por vezes referido como Miguel IX. O filho deste, neto de Andrónico II, foi Andrónico III Paleólogo. João V foi o pai, com Helena, filha de João VI Cantacuzeno, de Andrónico IV Paleólogo e de Manuel II Paleólogo. Manuel II foi o pai de João VIII Paleólogo e de Constantino XI, o último imperador, bem como dos déspotas da Moreia Demétrio Paleólogo e Tomás Paleólogo. Demétrio, depois de ter dado um pretexto a Maomé II para invadir a Moreia, foi derrubado e a sua filha Helena fez parte do harém do sultão durante algum tempo. Tomás, exilado em Veneza, vendeu o título imperial a Carlos VII de França, que, no entanto, nunca o empregou oficialmente.

Zoé, filha de Tomás, casou-se com Ivan III da Rússia e, regressando à fé ortodoxa, retomou o seu nome de batismo Sofia. A sua influência na corte limitou o poder dos boiardos e levou, a prazo, à proclamação do duque da Moscóvia como Czar de todas as Rússias. A descendência masculina de Tomás extinguiu-se rapidamente, e os seus descendentes através de uma sua filha são, nos dias de hoje, dos duques Castriota de San Pietro de Galatina, da aristocracia do sul de Itália.

Uma dessas descendentes femininas, a Princesa de Aremberg, casou-se no início do século XIX com um Pfalzgraf de Zweibrucken, tornando, por exemplo, os duques da Baviera descendentes dos imperadores bizantinos. Também a rainha Ana, princesa de Hohenzollern, e consorte de Miguel da Roménia, descende dos Aremberg, e é por isso igualmente descendente dos imperadores de Bizâncio.

– Um ramo mais jovem
Um filho mais novo de Andrónico II tornou-se senhor de Montferrat, herdando o título através da sua mãe. A sua dinastia senhorial, no norte de Itália, sobreviveu ao ramo imperial de Constantinopla. Esta herança veio a ser posteriormente incorporada, através do casamento, na família Gonzaga, senhores de Mântua. Mais tarde a sucessão passou para os duques da Lorena, cujo chefe veio a ser o progenitor dos imperadores Habsburgo-Lorena da Áustria.

Imperadores Paleólogos
  1. Miguel VIII
  2. Andrónico II, filho de Miguel VIII
  3. Miguel IX, co-imperador, filho de Andrónico II
  4. Andrónico III, filho de Miguel IX
  5. João V, filho de Andrónico III (contestado por João VI Cantacuzeno, parente, pelo lado materno, dos Paleólogos
  6. Andrónico IV, filho mais velho de João V
  7. João VII, filho de Andrónico IV
  8. Andrónico V, co-imperador, filho de João VII
  9. Manuel II, filho mais novo de João V
  10. João VIII, filho mais velho de Manuel II
  11. Constantino XI, outro filho de Manuel II


O Império Bizantino restaurado pelos Paleólogos era muito débil quando comparado com o império pré-1204, pelo que os imperadores desta dinastia não se puderam dar ao luxo do "isolamento dourado" em que o império se mantivera anteriormente. O futuro Miguel VIII casou-se com Ducas Vatatzes, parente da família Vatatzes Láscaris, de modo a consolidar a sua posição no Império de Niceia.

Irene Paleologina, irmã de Miguel VIII e filha de Andrónico e de Teodora, foi mãe de Maria Cantacuzena, a qual se casou com Constantino Tikh da Bulgária e em seguida com Ivailo da Bulgária. Miguel VIII foi o pai de Constantino, por sua vez pai de João, que se tornou o sogro de Estêvão Decanski da Sérvia. Irene, filha de Miguel, casou-se com Ivan Asen III da Bulgária; outra filha, Eudóxia, casou-se com João II Comneno de Trebizonda, e outra filha ainda, Teodora, casou-se com David VI da Geórgia.

Andrónicus II casou-se com Ana da Hungria e foi o pai de Miguel Paleólogo, que faleceu antes do seu pai mas foi designado co-imperador. Este Miguel casou-se com uma princesa do reino arménio da Cilícia (Arménia Menor). O filho de Miguel IX e neto de Andrónico II tornou-se Andrónico III. Teodora, uma filha de MIguel IX, casou-se com os líderes búlgaros Teodoro Svetoslav e, posteriormente, com Miguel Chichman. Uma filha, Ana, casou-se em primeiras núpcias com o déspota do Épiro e em seguida o conde Orsini de Zante, tornando-se antepassada de Orisini de Zante, posteriormente Tocco de Zande e Leucádia.

Com a sua segunda mulher, Iolanda de Montferrat, Andrónico II tve Simonis, que viria a ser a esposa de Estêvão Milutin da Sérvia. O seu filho, Teodoro, tornou-se senhor de Montferrat por herança da mãe. A herança de Teodoro veio mais tarde a incorporar-se no património dos Gonzaga, duques de Mântua. Andrónico III casou-se primeiro com uma princesa de Braunschweig, que morreu sem descendência, e em segundas núpcias com Ana de Sabóia, a qual descendia de Balduíno I de Constantinopla. Foram os pais de João V Paleólogo, o qual foi obrigado a casar-se com Helena, filha de João VI Cantacuzeno.

De forma a obter apoio para derrubar João VI, João V deu a sua irmã Maria em casamento a Gattilusio, que recebeu o ducado de Lesbos em contrapartida. Este casal fundou a família nobre que foi continuada na aristocracia genovesa, sendo antepassados dos príncipes do Mónaco.

Andrónico IV desposou Maria da Bulgária. Manuel II casou-se com uma filha de uma régulo do então desmembrado reino da Sérvia. Zoé, filha de Tomás Paleólogo, casou-se com Ivan III da Rússia. Em 1446, Helena, irmã mais velha de Sofia, casou-se com Lázaro Brancovic, um príncipe sérvio.

Política
Sob o governo dos Paleólogos, o Império Bizantino em fragmentação ainda se reclamava o herdeiro do Império Romano, embora estivesse centrado na tradição e cultura gregas. A expressão "Helenos" tornou a ser utilizada para os Bizantinos se identificarem a si próprios, depois de ter sido um sinónimo de "pagãos" durante séculos. A dinastia foi mecenas da literatura e das artes.

Nos dias finais do império, o Peloponeso tornou-se na maior e mais rica região sob o controlo imperial, e era governado como um despotado por membros da família imperial, normalmente dois ou três dos irmãos mais novos conjuntamente. Apesar das frequentes disputas entre déspotas, estes revelaram-se caninamente fiéis ao imperador de Constantinopla (exceto quando um ou mais deles tentavam guindar-se ao trono imperial), enquanto as suas terras estavam cercadas pelos Venezianos e pelos Otomanos hostis. A capital do Despotado da Moreia era Mistra, uma grande fortaleza construída pelos Paleólogos perto de Esparta. (foto de uma igreja atual com a bandeira da Grécia e dos Paleólogos)

Os Paleólogos tentaram frequentemente acabar com o cisma enter as igrejas Católica e Ortodoxa, na esperança de que tal levaria os reinos ocidentais a apoiar os Bizantinos contra os Turcos. No entanto, todas as tentativas de reconciliação chocaram contra a feroz oposição da população.


Fonte: Wikipédia

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Império Bizantino

O Império Bizantino ou Reinado Bizantino, inicialmente conhecido como Império Romano do Oriente ou Reinado Romano do Oriente, sucedeu o Império Romano (cerca de 395) como o império e reinado dominante do Mar Mediterrâneo. Sob Justiniano I, considerado o último grande imperador romano, dominava Cartago e áreas do atual Marrocos, sul da península Ibérica, sul da França, sul da Itália, bem como suas ilhas, península Balcânica, Anatólia, Egito, Oriente Próximo e a península da Criméia, no Mar Negro. Sob a perspectiva ocidental, não é errado inserir o Império Bizantino no estudo da Idade Média, mas, a rigor, ele viveu uma extensão da Idade Antiga. Os historiadores especializados em Bizâncio em geral concordam que seu apogeu se deu com o grande imperador da dinastia Macedônica, Basílio II Bulgaroctonos (Mata-Búlgaros), no início do século IX. A sua regressão territorial gradual delineou a história da Europa medieval, e sua queda, em 1453, frente aos turcos otomanos, marcou o fim da Idade Média.


O embrião do Império Bizantino surgiu quando o imperador romano Constantino I decidiu construir sobre a antiga cidade grega de Bizâncio uma nova capital para o Império Romano, mais próxima às rotas comerciais que ligavam o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, e a Europa à Ásia. Já havia algum tempo que Roma era preterida por seus imperadores que optavam por outras sedes de governo, em especial cidades mais próximas das fronteiras ou onde a pressão política fosse menor. Em geral, eles tendiam a escolher Milão, mas as fronteiras que estavam em perigo na época de Constantino eram as da Pérsia ao leste e as do Danúbio ao norte, muito mais próximas da região dos Estreitos Turcos. A nova capital, batizada de Constantinopla em homenagem ao imperador, unia a organização urbana de Roma à arquitetura e arte gregas, com claras influências orientais. É uma cidade estrategicamente muito bem localizada, e sua resistência a dezenas de cercos prova a boa escolha de Constantino. Em pouco tempo, a cidade renovada tornar-se-ia uma das mais movimentadas e cosmopolitas de sua época. Sua religião, língua e cultura eram essencialmente gregas, e não romanas, mas para os bizantinos a palavra "grego" significava, de maneira injuriosa, "pagão". Os persas e os árabes também chamavam os bizantinos de "romanos". A palavra bizantino vem de Bizâncio, o antigo nome da capital do Império Romano do Oriente, Constantinopla. O termo bizantino começou a ser utilizado somente depois do século XVII, quando os historiadores o criaram para fazer uma distinção entre o império da Idade Média e o da Antiguidade. Tradicionalmente, era conhecido apenas como Império Romano do Oriente (devido à divisão do Império feita pelo imperador romano Teodósio I, no século IV da Era Cristã).

O Império Bizantino pode ser definido como um império formado por várias nações da Eurásia que emergiu como império cristão e terminou seus mais de mil anos de história em 1453 como um estado grego ortodoxo: o império se tornou nação. Nos séculos que seguiram às conquistas árabes e lombardas do século VII, esta natureza inter-cultural (assinalamos: não multinacional) permaneceu ainda nos Bálcãs e Ásia Menor, onde residia uma poderosa e superior população grega.

Os bizantinos identificavam a si mesmos como romanos, e continuaram usando o termo quando converteu-se em sinônimo de helênico. Preferiram chamar a si mesmos, em grego, romioi (quer dizer povo grego cristão com cidadania romana), ao mesmo tempo que desenvolviam uma consciência nacional como residentes de Romania (Romania é como o estado bizantino e seu mundo foram chamados na sua época).

Ainda que os antigos gregos não fossem cristãos, os bizantinos os reclamavam como seus ancestrais. De fato, os bizantinos se referiam a eles mesmos como romioi por ser uma forma de reter tanto sua cidadania romana quanto sua herança ancestral grega. Um substituto comum do termo "heleno" (que tinha conotações pagãs) tanto como o de romioi, foi o termo graekos (grego). Este termo foi usado frequentemente pelos bizantinos (tanto como romioi) para sua auto-identificação étnica. (ao lado bandeira do Imp. Bizantino)

A dissolução do estado bizantino no século XV não desfez imediatamente a sociedade bizantina. Durante a ocupação otomana, os gregos continuaram identificando-se como romanos e helenos, identificação que sobreviveu até princípios do século XX e que ainda persiste na moderna Grécia.


História
– Primeiros séculos
Entre o século III e o século V, o Império Romano viveu uma desastrosa crise nas suas estruturas. A parte ocidental do Império, onde se localizava a capital, Roma, teve que lidar com massivas imigrações de povos do norte e do leste, fenômeno conhecido como invasões bárbaras. Enquanto isso, a parte oriental do Império Romano, que sofria menos com essas invasões, se achava numa situação mais estável, tanto econômica como politicamente. A antiga capital, Roma, estava decadente e a elite senatorial era imprevisível quanto à sua fidelidade. Então não foi nenhuma surpresa quando Constantino ordenou, em 324, a construção de uma nova capital no lado europeu do Bósforo. A cidade foi erguida no local da antiga Bizâncio, colônia fundada por gregos de Mégara em 657 a.C. foi inaugurada com o nome de Constantinopla, em 330, que tinha uma posição privilegiada. Entre os mares de Mármara, Negro e Egeu, constituiu, ao longo de sua história, um verdadeiro entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente.

– Dinastias latinas
Nesse período, os imperadores buscaram combater o helenismo, predominando as instituições latinas. O latim também foi mantido como língua oficial.
  • De 395 a 457, estendeu-se a dinastia Teodosiana, cujo primeiro imperador foi Arcádio, responsável pela expulsão dos visigodos no final do século IV. Destacou-se também o cerco de Átila, o Huno, afastado, em 443, por meio do pagamento de um resgate de seis mil libras de ouro.
  • De 457 a 518, estendeu-se a dinastia Leonina que foi deposta em 477 mais somente o imperador Basilisco ou (Bizânico) e foi restaurada em 491 por Anastácio I um de seus herdeiros, na qual destacou-se, em 488, o acordo de combate aos hérulos levado a efeito entre o imperador Zenão I e o rei dos ostrogodos, Teodorico.
  • A mais importante dinastia latina foi a Justiniana (518-610). Nela, o imperador Justiniano I (527-565) buscou restaurar e dispor sob sua inteira autoridade a vastidão típica do império dos Antoninos (96-192). Em 534, sob o comando do general Belisário, o exército de Justiniano conquistou o reino dos Vândalos. Em 554, com a conclusão das Guerras Góticas, na península Itálica, o Império abraçava também o Reino dos Ostrogodos.
– Para a posteridade, o maior legado desse período foi o Corpus Juris Civili, base, ainda hoje, da maioria dos códigos legislativos do mundo. O Corpus Juris Civili era dividido em quatro partes:
  1. Código Justiniano - compilação de todas as leis romanas desde Adriano (117-138) ,
  2. Digesto ou Pandectas - reunião de trabalhos de jurisprudência de grandes juristas ,
  3. Institutas - espécie de manual que facilitava o uso do Código ou do Digesto , e
  4. Novelas ou Autênticas - novas leis decretadas por Justiniano e seus sucessores.


Justiniano ordenou também a construção da Basílica de Santa Sofia, com estilo arquitetônico próprio, o qual convencionou-se chamar de estilo bizantino.

No século VI, para combater a heresia do nestorianismo, o patriarca de Alexandria, Dióscoro, desenvolveu o monofisismo, formulação teológica também condenada pela Igreja Católica e muito ligada a ideiais de emancipação política no Egito e na Síria. Desencadearam-se então movimentos de perseguição aos monofisistas, protegidos, no entanto, pela esposa de Justiniano, a imperatriz Teodora. Buscando manter a unidade do império, Justiniano desenvolveu a heresia do monotelismo, uma tentativa de conciliação entre o monofisismo e o nestorianismo. Justiniano ainda se viu às voltas com terremotos, fome e a grande peste de 544. Após sua morte, os lombardos, até então estabelecidos na Panônia como aliados, invadiram, em 568, a Itália setentrional. Os bizantinos mantiveram ainda o Exarcado de Ravenna, os ducados de Roma e Nápoles, a Ístria, a Itália Meridional e a Sicília.

– Apogeu
O império sobreviveu, graças aos disciplinados exércitos, ao emprego do fogo grego nas batalhas marítimas e a bons imperadores e generais. Entre os séculos VII e IX, desenvolveu-se o movimento iconoclasta, que condenava o culto das imagens. Com os turcos, os imperadores deste tempo conseguiram manter seus territórios e se defender relativamente bem contra os inimigos.

Em 867, subiu ao trono Basílio I, dando início à Dinastia Macedônica, que levou o império ao auge. Muitas vitórias foram obtidas frente aos turcos, eslavos e búlgaros. Basílio II, que governou de 976 a 1025, completou a expansão do império. Ele prejudicou os grandes proprietários rurais em favor dos camponeses e venceu de uma vez por todas a Bulgária, incorporando-a ao império e recebendo a fama de Bulgaroctonos (Mata-Búlgaros). Venceu os normandos em Canas e restabeleceu a autoridade imperial na Apúlia.

– Declínio
No século VI, o império perdeu a Itália para os lombardos. No século VII, os árabes conquistaram Jerusalém, Damasco, Alexandria, Cartago. A idade áurea do império parecia ter acabado. Em 1071, o imperador bizantino Romano IV foi vencido e capturado pelos turcos seljúcidas. Com isso o Império perdeu até um terço de sua população e recursos. Por mais que a dinastia subseqüente, tentasse recuperar o Império, ataques do ocidente e do norte e a própria sorte dos imperadores impediram isso. A península Itálica estava definitivamente perdida. O declínio do Império veio acompanhado de uma subserviência comercial aos interesses ora da República de Veneza (com a qual o próprio Basílio II assinou um tratado), ora da República de Gênova, até que finalmente Veneza desviou a Quarta Cruzada para Constantinopla, que caiu frente aos cruzados em 1204.

Três Estados com governantes bizantinos surgiram depois da primeira queda de Constantinopla:
  1. O Império de Nicéia
  2. O Despotado do Épiro
  3. O Império de Trebizonda
Destes, é o Império de Nicéia que é considerado o verdadeiro sucessor. Governado por imperadores fortes e bons, se tornou a primeira potência territorial na Ásia Menor. A agricultura se desenvolveu, assim como o comércio, e várias cidades na Europa foram recuperadas. Os Paleólogos, faltando com o seu juramento de lealdade, assassinaram o legítimo imperador e depuseram a dinastia dos Vatatzes-Laskaris. Miguel VIII Paleólogo fez uma aliança desnecessária com Gênova e conseguiu reconquistar a antiga capital do Império Bizantino no dia 25 de julho de 1261. Contudo a dinastia dos Paleólogos não conseguiu recuperar a antiga glória imperial. A retirada de tropas da Ásia para a defesa e reconquista da Europa abriu caminho para os vários emirados turcos, inclusive aquele dos Otomanos, se instalarem em antigos territórios do Império de Nicéia. Sem os territórios asiáticos e com a colonização comercial de Veneza e Gênova, o destino do Império estava selado. Especialmente prejudicial era colônia genovesa de Pera, que, instalada de frente a Constantinopla, do outro lado do Chifre de Ouro, dominava o comércio local, importante para os bizantinos.

Apesar de várias tentativas de obter apoio ocidental, culminando com a promessa de união entre a Igreja Católica Romana, com sede em Roma, e a Igreja Católica Ortodoxa, com sede em Constantinopla, no Concílio de Basileia-Ferrara-Florença, poucos foram os resultados. A cruzada pregada pelo papado para o resgate da "Nova Roma" foi vencida pelos otomanos. A viagem do imperador João VIII ao Ocidente não rendeu frutos, apesar dele ter sido muito bem tratado nos reinos ocidentais.


Fim do Império
Os últimos séculos da vida bizantina começaram com um usurpador Aleixo I Comneno, que iniciou o restabelecimento de um exército com base no direito feudal e obteve sucesso significativo contra os turcos seljúcidas. O seu pedido de ajuda ao Ocidente contra o avanço desses últimos resultou na Primeira Cruzada, que o ajudou a reclamar Niceia mas o afastou do apoio imperial. As cruzadas seguintes se tornaram cada vez mais antagônicas. Mesmo que o neto de Aleixo (Manoel I de Bizâncio) fosse amigo dos cruzados, nenhuma das duas partes podia esquecer que a outra a mantinha isolada, e os bizantinos suspeitavam muito das intenções dos cruzados cristãos que atravessavam continuamente seu território. Os alemães do Sacro Império Romano-Germânico e os normandos da Sicília e Itália continuaram a atacar o império no século XI e XII.

Frederico Barbarossa tentou conquistar o império durante a Terceira Cruzada, mas foi a Quarta Cruzada que teve o efeito mais devastador sobre o império. A dinastia dos Paleólogos, consegue reconquistar Constantinopla em 1261 e derrotou o Épiro, mas dando demasiada atenção à Europa, quando as províncias asiáticas eram a principal preocupação. Por algum tempo o império sobreviveu apenas porque os seljúcidas, tártaros e persas eram muito divididos para pdoer atacar, mas por fim os turcos otomanos invadiram todos os trritórios, com exceção de algumas cidades portuárias.

Os otomanos (núcleo de origem do futuro Império Otomano) constituíram um estado independente substituindo o Sultanato Seljúcida de Rum por mérito de Osman I, filho de Ertuğrul, cujo nome, a partir de 1281, servira para indicar a dinastia otomana por ele fundada. O império apelou ao Ocidente em busca de ajuda, porém os diversos estados europeus colocaram como condição a reunificação da Igreja Católica com a Ortodoxa, A unidade da Igreja foi considerada e ocasionalmente imposta legalmente, mas os cristãos ortodoxos não aceitaram o catolicismo romano. Alguns combatentes ocidentais chegarma em ajuda a Bizâncio, mas muitos preferiram deixar o imperador combater e não fizeram nada quando os turcos conquistaram os territórios remanescentes. A salvação momentânea de Constantinopla foi a chegda dos timúridas liderados por Tamerlão, que na batalha de Ancara derrotaram pesadamente os otomanos.

– A queda de Constantinopla
Constantinopla foi em princípio poupada devido às suas potentes defesas, porém com o advento dos canhões os muros, que foram impenetráveis por mil anos, não ofereceram proteção adequada à nova tecnologia. A queda de Constantinopla chegou numa quarta-feira, 29 de maio de 1453 depois de um assédio de dois meses sob Maomé II. Constantino XI Paleólogo, embora fosse aconselhado a fugir para Morea, quis permanecer na cidade fundada por seu homônimo Constantino I e foi visto pela última vez quando entrava em combate contra os janízaros otomanos, que avançavam perigosamente, perdendo além do império a vida em campo de batalha. Maomé II conquistou também Mistra em 1460 e Trebizonda, pondo fim ao estado grego.

– Consequências
A queda de Constantinopla significou a perda de um posto estratégico do cristianismo, que assegurava o acesso de comerciantes europeus em direção às rotas comerciais para a Índia e a China, sobretudo para os comerciantes venezianos e genoveses. Com a dominação turca, a rota entre o Mediterrâneo e o Mar Negro não ficou, bloqueada aos navios cristãos, mas dificultada. Isto impulsionou uma corrida naval em busca de outra rota em direção à Índia através do oceano Atlântico, contornando a África, Espanha e Portugal rapidamente tiraram vantagem da posição geográfica para dominar as novas rotas, causando o declínio das repúblicas marítimas de Veneza e Gênova. No final do século XV, financiado pelos reis de Espanha, Cristóvão Colombo partiu para uma ousada tentativa de alcançar a Ásia em uma nova rota através do oceano, para oeste, descobrindo um novo continente, a América, descortinando um novo mundo para os europeus. Este mesmo processo de fechamento do comércio no mar mediterrâneo, no qual os turcos otomanos impediram o avanço europeu, fez com que toda a região balcânica se tornasse mais dependente da produção própria, juntamente com a península Itálica. As diversas transformações econômicas e políticas que se seguiram à queda do Império Romano do Oriente levaram os historiadores a convencionarem o ano de 1453 como o marco do fim da Idade Média e do fim do feudalismo na Europa, fazendo do Império Bizantino um grande marco para as descobertas de novas terras, e para o desenvolvimento do capitalismo no mundo.


Fonte: Wikipédia

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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