quinta-feira, 11 de junho de 2009

Carlos VI Imperador do Sacro Império Romano Germânico

  • Carlos nasceu em 1º de outubro de 1685 e morreu em 20 de outubro de 1740, 
  • imperador do Sacro Império Romano de 1711 a 1740,  
  • 2º filho de Leopoldo I da Germânia e de sua 3ª esposa Leonor Madalena de Pfalz-Neuburg 
  • casado com Elisabeth Christine de Brunswick-Wolfenbuttel

Assumiu o trono como Carlos III de Aragão e Castela, sendo coroado em Madri, mas abandonou a pretensão ao assumir o trono austríaco. Não consta na lista de reis espanhóis, pois Filipe duque de Anjou finalmente obteve o trono como Filipe V de Espanha.

Educado por Anton Florian de Liechtenstein, foi o herdeiro dos Habsburgos espanhóis, ramo em extinção. Carlos II da Espanha fez seu herdeiro o duque de Anjou, que subiu ao trono espanhol como Filipe V, violando o contrato. A guerra pela coroa levou à Guerra da Sucessão Espanhola, nos anos finais do século XVII.




____Reinado____
O irmão, imperador José I da Germânia morreu subitamente, Carlos retornou à Austria e assumiu o trono austríaco. Em 1711 foi eleito sacro imperador romano em Frankfurt.  Embora com pouco talento político, em sua monarquia a Áustria atingiu sua maior expansão. Talvez em consequência dos anos que passou na Espanha, introduziu na corte em Viena: 
  • o cerimonial espanhol, ou Spanisches Hofzeremoniell,  
  • constuiu a famosa Escola Espanhola de Equitação, 
  • construiu o Reichskanzlei "chancelaria do Estado"  
  • a Biblioteca Nacional, 
  • agregou também ao palácio de Hofburgo a ala Michaeler. 

Muito do que foi construído em seu reinado são os prédios que hoje mostram em Viena o estilo barroco.

Tinha ambições musicais, quando menino, recebeu lições de Johann Joseph Fux de modo que compunha e tocava cravo e piano e por vezes se animou a reger a orquestra real.

____Sucessão____
Tendo apenas duas filhas e não herdeiros varões, preparou cuidadosamente a «Pragmática Sanção» em 1713, pela qual declarou que seu reino não poderia ser dividido e filhas mulheres poderiam também herdar o trono paterno. Mesmo assim quando morreu teve lugar a Guerra da Sucessão Austríaca. Por fim, a «Pragmática Sanção» predominou e uma filha o sucedeu – Maria Teresa, como Rainha da Hungria e da Boêmia, Arquiduquesa de Áustria embora, sendo mulher, não fosse eleita para o Sacro Império Romano, eleito então Carlos VII da Baviera. Depois de Carlos VII, porém, o marido de Maria Teresa, Francisco da Lorena, foi eleito imperador como Francisco I da Lorena assegurando a continuação da linha dos Habsburgo.


«Pragmática Sanção» é a designação tradicionalmente dada a toda a norma ou disposição legal promulgada de forma solene por um soberano absoluto que disponha sobre aspectos fundamentais do Estado, regulando questões como a sucessão no trono, as matérias de religião de Estado e outras. Na história do Sacro Império Romano-Germânico refere-se mais especificamente a um édito emitido pelo Imperador.

Origem: Wikipédia

Leia Mais…

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A loucura dos reis – Pantomima dinamarquesa




Cristiano VII – Copenhague, 29 de janeiro de 1749 - Rendsburg, 13 de março de 1808, foi rei da Dinamarca e da Noruega de 1766 a 1808. Era o segundo filho de Frederico V da Dinamarca e da Noruega e de sua primeira esposa Luísa da Grã-Bretanha. Casou-se em 1 de outubro de 1765 com a prima Caroline Matilde da Grã-Bretanha, irmã do rei da Grã-Bretanha Jorge III. Doente mental, assumiram o governo e o exército o seu médico Struensee e Peter Bernstorff, que realizaram diversas reformas liberais.






_____________Infância____________
A doença o perseguiu durante a maior parte de seu reinado, embora tivesse seus períodos lúcidos. As casas reais dinamarquesa e hanoveriana (Grã-Bretanha) eram intimamente relacionadas, a mãe de Cristiano era filha de Jorge II. Quando Cristiano visitou a Inglaterra, em 1768, as pessoas comentavam sua grande semelhança com os membros da família real britânica. Sua mãe morreu quando ele tinha 2 anos e sua relação com a madrasta nunca foi estreita. Tinha um meio irmão Frederico, um príncipe fraco e deformado. Cristiano teve uma infância muito difícil, carente de afeto, deixado com preceptores, como Ditlev Reventlow – um bruto que não exitava em aterrorizá-lo, surrando-o tanto que as vezes o menino era encontrado espumando no chão. A situação melhoraria com a chegada em 1760 de um tutor suiço de 28 anos, Elie-Salomon François Reverdil, que tentou construir seu pupilo em filosofia e nos princípios da benevolência. Cristiano era bom em línguas, falava dinamarquês, francês e alemão, mas um estudante difícil e atrasado. Apresentava um profundo sentimento de insegurança e inadequação. O medo sempre foi uma característica de sua personalidade.

Fracote, baixo e de constituição delgada, tentava compensar suas deficiências criando uma imagem de valentão. Seu físico franzino talvez tenha sido um ingrediente importante no desenvolvimento de sua personalidade perturbada. Loiro de olhos azuis, de aparência agradável.

_____________Casamento__________
Quando Cristiano estava com 16 anos iniciaram as negociações para seu casamento com uma prima de 13 anos – Carolina Matilda –  irmã de Jorge III , era atraente, ingênua, loira de olhos azuis. Casaram em outubro de 1765 e o primeiro filho, o herdeiro Frederico VI nasceu em 28 de janeiro de 1768.

_____________Reinado____________
A monarquia dinamarquesa era uma autocracia pela lex regia de 1665. Lançado pela morte do pai a uma posição de poder absoluto, Cristiano, lembrando as humilhações a que fora sujeito criança, decidiu ser "senhor absoluto de seus negócios". Conservou por algum tempo os serviços do competente conde Bernstorff e demitiu os demais ministros de seu pai. Confiou também seu reino a cargo de seu médico Struensee – um homem cheio de contradições, politicamente ambicioso e de racionalismo iluminista que conseguiu muitos inimigos, não apenas entre os cortesãos, mas especialmente entre os que invejavam o poder que detinha e se ressentiam das reformas que fizera no governo da Dinamarca. A rainha estava completamente apaixonada pelo médico. O rumor de que Struensee pretendia conseguir a abdicação e até a morte do rei, para poder se casar com a rainha e assumir o poder, deu início a já esperada revolução dinamarquesa. Em janeiro de 1772, os principais conspiradores se reuniram no apartamento da rainha viúva Juliana e seu filho Frederico, e rumaram para  conseguir a assinatura do rei para as ordens mandando prender Struensee e sua própria mulher.

A rainha depois de ser declarada divorciada do rei, foi setenciada à prisão perpétua no castelo Aalborg. Devido aos apelos de Jorge III ela foi tranferida e se refugiou em Celle, Hanover e faleceu em 11 de maio de 1775.

Depois da revolução, Cristiano exerceu apenas um poder nominal, viveu em reclusão, fazendo aparições simbólicas. Cedera às pressões da rainha viúva e seu filho, mas se ressentia do que elas haviam feito.

Em 1784 seu filho o príncipe herdeiro Frederico, desgostoso com o governo reacionário e impopular da rainha viúva e de seu filho, convenceu o pai a comparecer ao conselho de Estado para assinar um documento que demitia o ministério.

Cristiano tinha mais 20 anos de vida, mas viveu recluso e seus aparecimentos públicos foram raros. A Dinamarca, apesar da loucura do rei e com Andreas Bernstorff como seu principal ministro, gozou de um longo período de governo liberal, com certo aumento da prosperidade e da paz, até a declaração das Guerras Napoleônicas.

A sombria existência de Cristiano terminou em março de 1808, quando estava em Holsten, extremamente apavorado com o avanço das tropas auxiliares espanholas. Embora o príncipe herdeiro Frederico VI, exercesse o poder real e o tenha feito durante um quarto do século, nunca foi oficialmente o regente.

_____________Descendência________
  1. Frederico VI – 28 janeiro 1768-3 dezembro 1839. Rei da Dinamarca e da Noruega.
  2. Luisa Auguste – 7 junho 1771-13 janeiro 1843. Duquesa de Schleswig-Holstein


Origem: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green   e   Wikipédia

Leia Mais…

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Petrópolis – Rio de Janeiro



Petrópolis é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro. Ocupa uma área de 774,606 km², contando com uma população de 312.766 habitantes (2008). O clima ameno, as construções históricas e a abundante vegetação são grandes atrativos turísticos. Além disso, a cidade possui um movimentado comércio e serviços, além de produção agropecuária (com destaque para a fruticultura) e industrial. Fundada por iniciativa de Dom Pedro II, é constantemente chamada de Cidade Imperial. Petrópolis é a sede do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia.






História
A história da cidade começa a figurar-se mais propriamente em 1822, quando Dom Pedro I, a caminho de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro hospedou-se na fazenda do padre Correia e ficou encantado com a região. Tentou comprar as terras, porém sem sucesso. Por fim, adquiriu uma fazenda vizinha, a fazenda do Córrego Seco, que renomeou Imperial Fazenda da Concórdia, onde pretendia construir o Palácio da Concórdia. Hoje, a propriedade corresponde, com alguns acréscimos, à área do primeiro distrito de Petrópolis.

Os planos do primeiro imperador não foram concluídos, mas Dom Pedro II continuou com os planos e em 1843 assinou um decreto pelo qual determinava o assentamento de uma povoação e a construção do sonhado palácio de verão, que ficou pronto em 1847. A partir de então, durante o verão, a cidade tornava-se a capital do Império com a mudança de toda a corte. Pedro II governou por 49 anos, e em pelo menos 40 verões permaneceu em Petrópolis, eventualmente por até cinco meses.

Independentemente da época do ano, era em Petrópolis que moravam os representantes diplomáticos estrangeiros. Entre 1894 a 1903 foi capital do Estado do Rio, em substituição a Niterói, devido a Revolta da Armada. Também neste período, foi eleito o único vice-governador fluminense cuja base política era Petrópolis – Hermogênio Silva. O sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado seu primeiro prefeito em 1916.

A importância política da cidade perdurou por décadas, mesmo depois do fim do Império. Todos os presidentes da república, de Prudente de Morais a Costa e Silva, passaram pelo menos alguns dias na cidade imperial durante seus mandatos. O mais assíduo dentre eles foi Getúlio Vargas, cujas estadias, durante o Estado Novo, duravam até três meses. Como consequência da transferência da capital do Brasil para Brasília, Petrópolis perdeu consideravelmente sua importância no contexto político do país.

O planejamento
Petrópolis é um notável exemplo dos esforços de imigração européia para o Brasil no Segundo Reinado, é tida como a primeira cidade projetada do Brasil, composta de um núcleo urbano - a cidade (hoje o Centro), onde se concentravam o Palácio Imperial, prédios públicos, comércio e serviços. O Centro seria rodeado por "quarteirões imperiais", que receberam famílias de agricultores, principalmente alemãs, que hoje compõem bairros do primeiro distrito. Outros estrangeiros, como açorianos e, posteriormente, italianos, viriam somar-se ao contingente de imigrantes, sobretudo para trabalhar nas indústrias de tecidos e comércio.
O pitoresco do projeto de Koeler foi o fato de batizar os quarteirões com nomes de cidades e acidentes geográficos das regiões (Reihnland-Westphalen) de onde vinham os colonos alemães: Kastelaum (Castelânea), Mosel (Mosela), Bingen, Nassau, Ingelheim, Woerstadt, Darmstadt e Rheinland (Renânia). As terras foram arrendadas para Koeler e, através dele, aos imigrantes, resultando em um sistema de foro e laudêmio (enfiteuse) pago aos herdeiros de Dom Pedro II até hoje.

Arquitetura
A cidade possui um conjunto arquitetônico sem igual, dos quais o símbolo mais conhecido é o Palácio Imperial, hoje Museu Imperial. O palácio é a principal construção do chamado "centro histórico", onde se destaca a Avenida Koeler, ladeada por casarões e palacetes do século XIX. A via é perpendicular à fachada da Catedral de São Pedro de Alcântara e, no outro sentido, à praça Ruy Barbosa e à fachada da Universidade Católica - constituindo-se, assim, em um dos mais belos cenários da cidade.


No chamado "centro histórico" encontram-se também construções curiosas como:
  • a casa de verão de Santos Dumont;
  • o palácio de Cristal;
  • a "Encantada" – Museu Casa de Santos Dumont;
  • o palácio Amarelo – Câmara de Vereadores;
  • o palácio Rio Negro, fronteiriço à sede da prefeitura (palácio Sergio Fadel);
  • o "castelinho" do auto-denominado "duque de Belfort", na esquina da Koeler com a praça Ruy Barbosa;
  • a antiga casa da família Rocha Miranda, na Avenida Ipiranga - mesmo endereço de outra residência da mesma família, em estilo sessentista
  • linhas modernas também estão presentes na casa de Lúcio Costa, no bairro de Samambaia.

Petrópolis foi palco de acontecimentos e episódios diversos da história do Brasil, como:
  1. A inauguração da primeira rodovia pavimentada do Brasil, a União e Indústria (1861), ligando a cidade a Juiz de Fora (MG);
  2. A primeira sessão de cinema (1897), com a exibição, através de "cinematógrapho", dos primeiros filmes dos irmãos Lumière;
  3. A assinatura do tratado que incorporou o Acre ao Brasil (1903);
  4. A morte de Ruy Barbosa (1923);
  5. O suicídio do escritor austríaco Stefan Zweig (1942).

Geografia
Petrópolis localiza-se no topo da Serra da Estrela, pertencente ao conjunto montanhoso da Serra dos Órgãos, a 838 metros acima do nível do mar. Situa-se a 68 km do Rio de Janeiro.
O clima da cidade é o tropical de altitude com verões úmidos e invernos secos. A média anual da cidade é de 18°C (típica de uma cidade serrana fluminense). A média de julho é 15°C, sendo a máxima da temperatura média neste mês de 22°C e a mínima de 10°C. Em janeiro a temperatura média é de 21°C, sendo a máxima da temperatura média de 27°C e a mínima de 18°C.

Subdivisão
  1. Petrópolis (distrito sede)
  2. Cascatinha
  3. Itaipava
  4. Pedro do Rio
  5. Posse

Econômia
A econômia de Petrópolis é baseada no turismo e no setor de serviços. Também merece destaque o comércio de roupas, sobretudo nos pólos da Rua Teresa e Itaipava, que atraem compradores (atacadistas e varejistas) de todo o país.

Turismo
Casa da Ipiranga ("Casa dos Sete Erros")
Casa de Joaquim Nabuco
Casa da Princesa Isabel
Casa do Barão e Visconde de Mauá
Castelo do Barão de Itaipava
Catedral de São Pedro de Alcântara com o Mausoléu Imperial
Estação Itaipava
Parque Municipal de Itaipava
Florália
Morro Açu (Parque Nacional da Serra dos Órgãos)
Palácio de Cristal
Palácio Grão Pará
Palácio Quitandinha
Palácio Rio Negro
Trono de Fátima
Casa do Barão e Visconde do Arinos
Casa de Rui Barbosa
Casa do Visconde de Caeté

Cultura
Museu Casa de Santos Dumont
Museu Imperial de Petrópolis
Teatro Municipal Paulo Gracindo

Personalidades Ilustres:
Santos Dumont, aviador;
Fausto Fanti, humorista;
Nair de Tefé, caricaturista e primeira-dama do Brasil;
Guilherme Fontes, ator;
Eduardo Gomes, patrono da Força Aérea;
Roberto Jefferson, ex-deputado federal;
Raul de Leoni, poeta;
Camila Morgado, atriz;
Sir Peter Brian Medawar, Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1960;
Julio Cezar Melatti, antropólogo;
Marco Aurélio de Oliveira, o Marcão, jogador de futebol;
Rodrigo Santoro, ator;
Gil Brother, ator e comediante;
Gualter Salles, piloto.

Visitantes famosos
  • Maximiliano da Áutria – primo de Pedro II, foi um dos primeiros estrangeiros famosos a visitar Petrópolis, ainda em 1863 (pouco antes de assumir o trono do México).
  • Balduíno I, da Bélgica – também passaria por Petrópolis durante sua visita ao Brasil, em 1920.
  • Rainha Sofia da Noruega – visitou Petrópolis em 1981.

Mas, além de cabeças coroadas, a cidade ainda receberia inúmeros outros nomes reconhecidos internacionalmente, como:
  • Einstein, em 1926.
O maior número de visitantes célebres, porém, concentrou-se entre 1944 e 1946, tempo de vida do Hotel-cassino Quitandinha:
  • Orson Welles, Errol Flynn, Maurice Chevalier, Greta Garbo, Carmen Miranda, Walt Disney, Bing Crosby e até um rei destronado (Carol I, da Romênia) foram alguns de seus hóspedes.
Com o fechamento dos cassinos no país, determinado pelo presidente Dutra (1946-1950), o Quitandinha começou a entrar em decadência. Antes, porém, seria a sede da Conferência Interamericana de 1946, na qual destacou-se a chefe da delegação argentina, Eva Perón.
A poetisa Gabriela Mistral exercia a função de consulesa do Chile em Petrópolis quando foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Outro Nobel, o britânico Peter Medawar (Medicina, 1954) nasceu e viveu em Petrópolis até os 14 anos. Na década de 1970, a cantora norte-americana Sarah Vaughan também visitou a cidade.

Refúgio de importantes nomes da cultura nacional, figura nas páginas de Machado de Assis e de Stanislaw Ponte Preta, e lá Jorge Amado concluiu seu "Gabriela Cravo e Canela".

Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Villa-Lobos e Alceu Amoroso Lima tinham casas de veraneio em Petrópolis. Como centro do poder nacional, foi o endereço de veraneio de importantes vultos do império e da república, como os barões de Mauá e Rio Branco ou, mais tarde, Santos Dumont e Rui Barbosa.






Fonte:Wikipédia

Leia Mais…

Monarquia



Monarquia é uma forma de governo em que um indivíduo governa como chefe de Estado, geralmente de maneira vitalícia ou até sua abdicação, e "é totalmente separado de todos os outros membros do Estado". A pessoa que encabeça uma monarquia é chamada de monarca.


Não há definição consensual de monarquia. Deter poderes políticos ilimitados no Estado não é a característica mais recorrente, haja vista as muitas monarquias constitucionais, como as do Reino Unido, Austrália, Suécia, Noruega, Dinamarca, Canadá, Japão, etc.

Chefia do Estado hereditária é a característica mais comum das monarquias, apesar de haver monarquias eletivas, tais como a do Vaticano e da antiga República Unida dos Países Baixos, não sendo tidas como repúblicas.

Das 44 nações que têm monarcas como chefes de Estado, dezesseis são Reinos da Commonwealth – que reconhecem Isabel II (Elisabete) do Reino Unido como sua chefe de Estado.

A palavra monarca vem do grego μονάρχης (monarkhía, de μόνος, "um/singular," e ἀρχων, "líder/chefe"), posteriormente do latim monarchìa, referindo-se a um soberano único, nominalmente absoluto. Com o tempo, a palavra foi sendo utilizada para designar outras formas de governo, como a ditadura. O uso moderno da palavra monarca é geralmente usada para se referir a um sistema hereditário tradicional de governo, sendo que monarquias eletivas são consideradas, no geral, exceções.


Papel e características
Atualmente, a extensão dos poderes reais do monarca varia:

Monarquia absoluta – o monarca governa como um autocrata, com poder absoluto sobre o Estado e governo, por exemplo, o direito para governar por decreto, promulgar leis, e impor punições. Monarquias absolutas não são necessariamente autoritárias; os absolutistas esclarecidos do Iluminismo eram monarcas que permitiam diversas liberdades.

Monarquia constitucional – o monarca é quase em sua totalidade uma figura decorativa sujeita à Constituição. A soberania reside formalmente e é empregada em nome da Coroa, mas politicamente reside no povo (eleitorado), representado pelo parlamento ou outra legislatura. Monarcas constitucionais possuem pouco poder político real, e são constituídos pela tradição, opinião popular, ou por códigos legais e estatutos. Eles servem como símbolos de continuidade e de Estado e atuam em funções praticamente cerimoniais. Ainda assim, muitos monarcas constitucionais mantiveram reservas de poderes, tais como: a prerrogativa para demitir o primeiro-ministro, recusar-se a dissolver o parlamento, negar-se a conceder a permissão real para legislação, efetivamente vetando-a.

Monarquia hereditáriao monarca é chefe de Estado por nascimento e durante o tempo de sua vida. Um dos princípios da legitimidade que podem fundar uma monarquia hereditária é o direito divino, a ideia de que Deus escolhe a pessoa do rei pela regra da sucessão. A história e a tradição também desempenham um grande papel na legitimidade das monarquias em vigor.

Quase todos os Estados possuem um único monarca num determinado momento, apesar de existir casos de monarcas que governaram simultaneamente em alguns países (diarquia). Um regente pode governar enquanto um monarca é menor, ausente ou debilitado.

Monarquia, especialmente a absoluta, é algumas vezes ligada a aspectos religiosos; muitos monarcas já reivindicaram o direito para governar segundo a vontade de Deus ("direito divino dos reis" ou "mandato do Céu"), uma especial conexão com Deus (rei sagrado) ou mesmo uma pretensa encarnação dos próprios deuses (culto imperial, rei divino). No islã, o califa é o chefe de Estado que é ao mesmo tempo um líder temporal (do califado, Estado Islâmico) e religioso (líder da Umma, comunidade dos crentes). Muitos monarcas se intitulam Fidei defensor ("Defensor da Fé"); alguns mantêm cargos oficiais relacionados à religião de Estado ou à Igreja estabelecida.

Monarcas possuem diversos títulos, incluindo os de rei ou rainha, príncipe ou princesa (Príncipe de Mônaco, por exemplo), imperador ou imperatriz (Imperador do Japão, Imperador do Brasil), ou mesmo duque ou grão-duque (Grão-Duque de Luxemburgo). Muitos monarcas também são distinguidos por tratamentos, como Sua Majestade, Alteza Real ou Pela Graça de Deus. Os títulos de monarcas soberanos (existem outros, intermediários, mas estes são os mais conhecidos) conforme a tradição ocidental, do mais alto para o mais baixo são:
  • Imperador
  • Rei
  • Grão-Duque
  • Príncipe
  • Duque
  • No Vaticano, o título atribuído ao monarca é Papa.
Abdicação é quando um monarca se demite. A verdadeira monarquia foi frequentemente oposta, por seus teóricos, à tirania que é um poder de forma monárquica, mas não fundamentado no direito. A soberania do monarca deve ser limitada por um conjunto normativo que a distingue do despotismo: seja as leis de Deus, seja as regras de justiça natural, seja as leis fundamentais do Estado. Para a maioria dos teóricos, a monarquia não é assim o governo de um só; ela supõe o respeito de normas superiores ou levar em conta o interesse geral, o bem comum. Não somente as atribuições dos monarcas, mas também sua sucessão, obedecem a normas.

Sucessão – As regras para a seleção dos monarcas variam de país para país. Em países cuja forma de governo é a:
  • monarquia constitucional as regras de sucessão são geralmente consubstanciadas em uma lei aprovada por um órgão de representação, como um Parlamento.
  • monarquia eletiva, os monarcas são eleitos ou nomeados por algum corpo (um colégio eleitoral) de forma vitalícia.
  • monarquia hereditária, a posição de monarca é herdada por um parente, de acordo com os costumes e as regras de ordem de sucessão, na qual usualmente se traça uma linha desde a família real até uma dinastia histórica pelo parentesco consanguíneo.
Às vezes a ordem de sucessão é afetada por regras em matéria de gênero. A regra de sucessão paterna proíbe sucessores do sexo feminino, e em alguns sistemas uma mulher só pode herdar quando, pela linha masculina, não há nenhum descendente que remonte a um ancestral comum. Em 1980, a Suécia se tornou a primeira monarquia a declarar iguais os direitos de primogenitura, o que significa que o filho mais velho do monarca, independentemente do sexo, ascende ao trono. Outros reinos (tais como os Países Baixos, em 1983, Noruega, em 1990, e Bélgica em 1991) tem seguido este exemplo. Às vezes a crença religiosa afeta a sucessão. Como exemplo, desde a Lei de Compensação de 1701, todos os católicos romanos são inelegíveis para ser o monarca britânico e são ignorados na ordem de sucessão. A primogenitura, em que o filho mais velho do monarca é primeiro na linha de se tornar monarca, é o sistema mais comum. No caso de ausência de filhos, o membro mais próximo na linha colateral (por exemplo, um irmão mais novo) torna-se monarca. Outros sistemas incluem tanistry, que é semi-eletivo e se baseia no mérito e na Lei sálica. Em algumas monarquias, como a da Arábia Saudita, a sucessão ao trono normalmente passa primeiro para irmão mais velho do monarca, e, só depois, aos filhos do monarca. A nomeação, feita pelo atual monarca é um outro sistema, utilizado na Jordânia. Neste sistema, o monarca escolhe o seu próprio sucessor, que pode ou não ser um parente.

– Ao longo da história têm existido diferentes tipos de monarquia.

Monarquia sagrada ou religiosa
A forma mais antiga que se conhece foi a sagrada ou a religiosa, que encontramos nas culturas primitivas. Neste tipo de monarquia, o rei era considerado como de origem divina e possuía um poder limitado pelo regulamento religioso. Tal modelo pode-se encontrar em Israel, na Roma Antiga, no Império asteca e no Antigo Egipto.

Monarquia patrimonial
A monarquia patrimonial, estabelece uma relação de preferência entre a família do monarca e o poder. Neste regime, o rei emana de uma simples extensão do seu poder privado, seja o da sua família ou dos seus meios. O reino pode ser tomado como propriedade privada do rei, e da sua família saem os conselheiros, os chefes militares, os seus servidores, os funcionários, etc. A diferença entre domínio público e privado quase desaparece. O poder é um atributo pessoal do monarca, que dispõe da sucessão, de acordo com as normas da família ou segundo a sua própria escolha. Esta forma de governo apareceu nos povos germânicos (Francos, Visigodos, etc.).

Monarquia feudal
Desde a Idade Média, o regime monárquico se espalhou por toda a Europa, normalmente pela necessidade de um dirigente forte, capaz de formar e comandar exércitos para defender o país. As monarquias feudais europeias eram assim dinásticas, o trono sendo geralmente transmitido ao filho mais velho ou ao descendente masculino mais próximo. Os soberanos medievais buscavam armas e soldados com os senhores feudais, e não se mantinham no poder que graça a fidelidade da nobreza. Assim, na monarquia feudal, apresenta-se a característica de uma limitação do poder do monarca, segundo a própria estrutura feudal do reino. O poder era entregue ao rei, com o acordo dos senhores feudais, e estava dependente da colaboração destes, sendo estabelecido segundo regras bem definidas e mútuas. O rei possuía um poder efetivo concedido pelos seus iguais, conservando estes um poder da mesma ordem nos seus domínios. Este tipo de monarquia caracterizou, com algumas variantes, a França dos séculos X ao XIV, o Japão do século XV ao XVIII, a China da dinastia Ming.

Monarquia absoluta
A monarquia absoluta designa os regimes em que o monarca exerce um poder sobre os seus súbditos, só limitado pelo direito natural, mas que, para além disso, iguala a sua vontade à lei e impõe sobre os seus domínios um poder em que o monarca figura como o responsável final ou exclusivo. Assim, o rei governa só, mas deve respeitar os privilégios dos corpos e das ordens que compõem o país, e ele deve tomar conselho. A monarquia absoluta é, por essência, centralizadora. Foram monarquias absolutas a maior parte dos estados europeus ocidentais, entre os séculos XVI e XVIII, sobretudo em França, Espanha, Áustria, Sabóia e Portugal, que se caracterizaram pela inexistência de qualquer outro poder político alternativo, exceto a lei e os costumes, sem prejuízo da identificação da vontade real com a lei. Luís XIV, rei da França (1643-1715), é o representante arquétipo e a mais perfeita ilustração do absolutismo. O princípio da relação entre o monarca e Deus (o rei como representação de Deus na Terra) dá ao monarca regras morais e de direito natural que não pode transgredir. No caso de Portugal, o essencial era garantir que o rei pudesse ser a última voz que resolvesse quaisquer diferendos internos. O absolutismo moderno começou a se desenvolver com o nascimento dos Estados-nação no século XVI, a fim de estabilizar o poder real em reacção ao feudalismo. Com o declínio da feudalidade, o poder é centralizado nas mãos dos soberanos. Estes dirigentes são apoiados por uma crescente classe média, ou burguesia, que se beneficia de um governo central forte, capaz de manter a ordem e criar um clima propício para o florescimento do comércio. O absolutismo, como sistema político, implica todos os poderes detidos por um monarca e se distingue da democracia pelo fato de que o poder encontra sua justificação essencial nele mesmo. A monarquia absoluta ocidental tinha fortes limites. Por um lado obedecia às leis fundamentais do reino (sucessão masculina, leis regionais, legitimidade, princípios de regência, etc.). Na Espanha, a monarquia absoluta nasceu com os reis católicos, os quais conseguiram a unidade religiosa e territorial. Em Portugal, a tendência para este sistema já era sensível no reinado de D. João I e tomou forma definitiva com D. João II. O seu sucessor, D. Manuel I, proveu-a de instrumentos burocráticos necessários para o seu exercício concreto. Uma série de revoluções, iniciadas com a segunda revolução da Inglaterra, levaram progressivamente os monarcas da Europa a ceder seus poderes a regimes parlamentares. Na Inglaterra, como depois na França, o princípio de um rei que governa só, é questionado pelos parlamentos, composto dessa burguesia, que pretende não somente ser consultada, mas também governar.

Monarquia constitucional
A monarquia constitucional, surgiu na Europa nos finais do século XVII, com a Revolução Gloriosa inglesa, em 1688. A sua característica principal reside no fato de o exercício da autoridade estatal do monarca estar na dependência de um Parlamento que está reunido de forma permanente. O monarca personifica a autoridade do Estado. A sucessão monárquica pode estar regulamentada pela legislação estatal ou por preceitos de ordem familiar. Desde meados do XIX, a monarquia constitucional apresenta com frequência uma forma democrática de estado, com as regras constitucionais daí decorrentes. A sucessão pode ser eletiva ou hereditária, conforme os países ou épocas. A Constituição deve emanar da nação e estabelecer as regras do governo. O parlamento, e especialmente a Câmara dos Comuns que representa a nação, personifica o direito face ao monarca. As monarquias francesas de 1790 a 1792 e, em seguida, a partir de 1815 a 1848, se baseiam neste princípio. Nestas formas de monarquia, ao passo que o sistema parlamentar se desenvolve gradualmente, a soberania passa do rei para a nação. No Brasil, dois anos após a declaração de independência em relação ao Império português, D. Pedro I outorgou, em 1824, a primeira Constituição Brasileira, que lhe deu amplos poderes. Esta manteve-se em vigor até à proclamação da República em 1889. Na Europa, após a Primeira Guerra Mundial foram derrubadas as monarquias da Rússia, Alemanha e Áustria, existindo atualmente monarquias constitucionais no Reino Unido, Países Baixos, Suécia, Dinamarca, Noruega, Espanha e Bélgica.

Monarquia eletiva
A monarquia eletiva, é a forma de governo em que o monarca desempenha o seu cargo por toda a vida e o seu sucessor é eleito por um conselho através de votação. Este sistema de sucessão foi praticado durante a Idade Média, representando uma evolução do modelo germânico. Na monarquia visigótica encontramos exemplos disso. O rei era eleito por um conselho composto pelos príncipes ou grandes responsáveis eleitores. Depois da escolha, o novo monarca devia jurar as capitulações governativas, que continham as condições impostas pelo conselho eleitoral para o monarca exercer o poder. Este sistema ainda vigora atualmente em alguns estados, como por exemplo, no Vaticano, onde o Colégio de Cardeais escolhe um novo Papa.

Monarquia hereditária
A monarquia hereditária, é a forma monárquica em que o soberano é estabelecido por sucessão hereditária. A ordem sucessória tanto pode apoiar-se no regime familiar da casa reinante (por exemplo, a dinastia de Avis, Hohenzollern, Hanôver, etc.), como na lei do reino (Espanha ou Reino Unido). As diversas regulamentações variam, sobretudo, quanto à sucessão feminina (exclusão das mulheres, igualdade destas com os herdeiros masculinos, o estabelecimento dos herdeiros masculinos por ordem de nascimento e do grau de parentesco, transmissão ou não transmissão pelas mulheres do direito sucessório aos seus descendentes varões, etc.). Atualmente, a maioria das monarquias modernas são hereditárias.


História
Monarquia é uma das mais antigas formas de governo, com ecos na liderança de chefes tribais. Desde 1800, a maior parte das monarquias do mundo têm sido abolidas, e a maior parte das nações que ainda a mantêm, são monarquias constitucionais. Entre os poucos Estados que mantêm aspectos da monarquia absoluta são o Brunei, o Omã, o Qatar, a Arábia Saudita, a Suazilândia e o Vaticano. O monarca também mantém um poder considerável na Jordânia e em Marrocos. A mais recente nação a abolir a sua monarquia foi o Nepal, que se tornou uma república em 2008.

África
Faraós governaram o Antigo Egito ao longo de três milênios (c. 3150 a.C. a 31 a.C.) até à altura em que o Egito foi anexado ao Império Romano. No mesmo período, vários reinos floresceram na região vizinha, Núbia. O Corno de África, desde o Império Aksumite (Séculos IV a.C. - I a.C.) e, posteriormente, o Império Etíope (1270-1974), foi governado por uma série de monarcas. Haile Selassie, o último imperador da Etiópia, foi deposto num golpe de Estado. O Império Kanem (700-1376) estava na África Central. Reinos como o Reino do Congo (1400-1914) existiam no sul da África. Com a Partilha de África, vários reinos europeus conquistaram e apoderaram-se de vastos territórios, fazendo deles colónias.

Europa
Dezenas de monarquias têm existido na História da Europa. Muitas monarquias foram abolidas: algumas monarquias dissolveram-se originando Estados independentes (Áustria-Hungria), outras foram desmanteladas pela revolução (Império Russo terminou após a Revolução Russa de 1917), e outras foram fundidas em uma única coroa (por exemplo, a Coroa de Aragão e a Coroa de Castela fundiram-se dando origem ao Reino de Espanha). A Noruega, ao tornar-se independente da Suécia, em 1905, optou pela monarquia. A Espanha, após o governo franquista, restabeleceu a monarquia ao transitar para a democracia. Hoje, na Europa, continuam a existir:
  • sete reinos – Espanha, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos (Holanda), Noruega;
  • três principados – Liechtenstein, Mônaco (que são Estados independentes) e Gales, incorporado no Reino Unido;
  • um ducado – Ilhas do Canal, do Ducado da Normandia;
  • um Grão-Ducado – Luxemburgo;
  • um Estado soberano – Vaticano como cidade-estado;
  • o caso peculiar de Andorra – em que o Bispo de Urgel e o Presidente da França são co-príncipes.

Ásia
Na China, "rei" é a tradução para o termo usual Wang (王), nome dado ao soberano antes da Dinastia Qin e durante o período dos Dez Reinos. Durante o início da Dinastia Han, a China tinha um número de pequenos reinos, cada um com o tamanho de um conselho e subordinado ao imperador da China. O Japão é hoje a única monarquia em que o monarca continua a usar o título de Imperador.

América
As monarquias existiram entre os povos indígenas das Américas, muito antes da colonização europeia. Os títulos utilizados no Novo Mundo incluíam Cacique (em Hispaniola e Porto Rico) Tlatoani (no Império Asteca), Ajaw (no Império Maia), Inca (no Império Inca), Morubixaba (na antiga Tupi para designar o "Chefe"). A época dos Descobrimentos e a colonização europeia trouxe extenso território aos monarcas europeus. Algumas colônias romperam com os seus impérios e declararam independência (como os Estados Unidos, na Revolução Americana e as guerras de independência hispano-americanas, na América Latina). O Canadá e outras colônias britânicas na América, tornaram-se autônomas, permanecendo sob a monarquia britânica no domínio da Commonwealth britânica ou como territórios ultramarinos. Estados monárquicos também emergiram:
  1. Agustín de Iturbide declarou-se Imperador do México, em 1822, depois da colonização. Maximiliano do México governou como imperador mexicano de 1863 a 1867.
  2. Dois membros da Casa de Bragança, Pedro I e Pedro II, governaram o Brasil como imperadores, de 1822 a 1889, separando-se do Império Português.
  3. O Haiti também conheceu diferentes períodos monárquicos após sua independência. Jean-Jacques Dessalines intitulou-se imperador e governou o país de 1804 a1806; foi sucedido por Henri Cristophe, mantido como rei de 1811 a 1820; posteriormente, vieram Faustin-Élie Soulouque, que governou de 1849 a 1859, e Fabre-Nicholas Geffrard, que se manteve no poder de 1859 a 1867.

A seguinte lista inclui 44 monarquias, das quais 43 são reconhecidas como Estados independentes pela Organização das Nações Unidas. O Vaticano também está incluído, haja vista que é um sujeito de direito internacional, mesmo não sendo membro da ONU (mas dispõe de um assento permanente como observador). Por conseguinte, cerca de 23,3% dos estados independentes são hoje reconhecidos como monarquias.

– A lista das monarquias independentes e soberanas atuais compreende os seguintes países:

Império (um) – imperador
Japão – Akihito – não tem qualquer poder político, monarquia mais antiga do mundo

Reinos (33) – reis e rainhas
Reino Unido – Isabel II (Elizabeth II) – Reinos da Commonwealth:
Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Salomão, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Santa Lúcia, São Cristovão e Névis, São Vicente e Granadinas, Tuvalu
Arábia Saudita – Abdallah – monarquia islâmica, reino unido desde 1932
Bahrein – Hamad bin Isa Al Khalifa – passou a reino em 2002
Bélgica – Alberto II
Butão – Jigme Khesar Namgyal Wangchuck – monarquia budista desde 1907
Camboja – Norodom Sihamoni – 1993 passou a ser monarquia novamente
Dinamarca – Margarida II – também chefe da Groelândia e Ilhas Feroé
Espanha – Juan Carlos I – monarquia restaurada em 1975
Jordânia – Abdullah I – união do reino em 1921
Lesoto – Letsie III – não tem poder executivo ou legislativo
Malásia – Mizan Zainal Abidin – monarquia eletiva
Marrocos – Mohammed VI
Noruega – Harald V
Países Baixos (Holanda) – Beatriz I – composto por 12 províncias e Aruba e Antilhas Neerlandesas, formando o Reino Unido dos Países Baixos
Suazilândia – Mswati III
Suécia – Gustavo XVI
Tailândia – Rama IX – budista, golpe militar em 2006, monarquia constitucional ditadura
Tonga – Taufa'ahau Tupou V – antes de 1865 pertencia ao Reino Unido

Grão-ducado (1) – grão duque
Luxemburgo – Henrique I

Principado (3) – príncipes
Andorra – Bispo Joan Enric Vives i Sicília e Nicolas Sarkosy da França – é uma diarquia, tendo 2 chefes de Estado, poder igual sobre o país, o Bispo de Urgel e o presidente da França
Liechtenstein – Hans-Adam II
Mônaco – Alberto II

Sultanato (2) – sultão
Brunei – Muda Hassanai Bolkiah
Omã – Qaboos bin Said Al Said

Emirados (3)
Emirados Árabes Unidos – Khalifa bin Zayid Nahyan – monarquia eletiva (presidente)
Kwait – Sabah al-Ahmad al-Dschabir as-Sabah (emir)
Qatar – Hamad bin Khalifa (sheikh)

Base territorial soberana da Santa Sé (1) – papa
Vaticano – Bento XVI – última monarquia absoluta europeia, única teocracia cristã em todo o mundo


Fonte: Wikipédia

Leia Mais…

domingo, 7 de junho de 2009

A loucura dos reis – O rei enfeitiçado e sua herança



Os males do corpo e da mente são tão sutilmente entrelaçados que parecem indistinguíveis, e com frequência reagem uns sobre os outros. A doença física pode ser um agente que precipita a perturbação do equilíbrio da mente. Mas em outros casos, a doença física, embora talvez não gere nenhum prejuízo mental severo, afeta, ainda que apenas periféricamente, o julgamento. A inter-relação entre a fraqueza física e fragilidade mental foi particularmente bem exemplificada pelo caso do rei espanhol do século XVII, Carlos II, cuja vida foi colecionada desde o nascimento por problemas crônicos de saúde.






Carlos não foi insano num sentido convencional, mas sua debilidade física teve por complemento a fragilidade mental, ainda que, de modo muito intermitente, o monarca tenha revelado centelhas de entendimento político e até de sabedoria. Os males gêmeos do corpo e da mente de Carlos fizeram de seu governo, um desastre para seu povo.


Endogamia *
A personalidade de Carlos, tão fortemente moldada por fatores genéticos, foi uma prova da importância da hereditariedade na política européia. A endogamia nas famílias reais desempenhou um papel significativo na configuração do destino da Europa. Claramente, algumas doenças físicas podem ser transmitidas de uma geração para outra. No século XVI e XVII a endogamia real tornou-se um costume preeminente dos Habsburgos espanhóis e austríacos. "Tu, felix Austria nube; alii gerant bella" – "Tu, feliz Áustria, te casa; outros engendram guerras". É bem verdade que os Habsburgos não cessaram de engendrar guerras, mas se casaram entre si com entusiasmo, em detrenimento de seus descendentes:
  • primos de 1º grau casavam entre si
  • tios casavam com sobrinhas
O último casamento de Felipe II, foi com Ana, filha de seu primo Maximiliano II com sua irmã Maria. Seu filho Felipe III casou com sua prima Habsburgo; e seu filho Felipe IV casou com sua sobrinha e prima Ana – pais de Carlos II o último Habsburgo da Espanha, em cuja personalidade as deficiências congênitas da endogamia, físicas e mentais, se concentrariam de maneira intensa e desastrosa.

Filiação
O pai de Carlos II, Felipe IV, teve vários filhos com suas duas esposas – desses filhos:
  • dois foram abortados
  • três só viveram para receber o batismo
  • seis resistiram entre 2 semanas e 4 anos
Teve muitos bastardos, que foram relativamente saudáveis. O mais conhecido deles foi D. Juan.

Felipe IV foi casado com a princesa Isabel da França em primeiro casamento, depois de sua morte, casou em 1649, com sua sobrinha de 15 anos, 30 anos a menos que o marido. Em 1661 nasce o futuro Carlos II. Felipe IV morreu em 17 de setembro de 1665, quando Carlos assume o reino com 4 anos. Alguns tiveram a impressão que não era só o rei que morria, mas que o próprio império espanhol estava perecendo.

Reinado
No reinado de Carlos II, houve alguns sinais superficiais de recuperação econômica, na forma de aumento da produção agrícola e de uma expansão comercial. Mas havia o caos monetário, o desenvolvimento industrial era desprezível, grande comércio ultramarino estava sob o controle de negociantes estrangeiros. O prestígio internacional da Espanha declinara, pois ela fora obrigada a reconhecer a independência dos Países Baixos, perdera Portugal e estava eclipsada pela poderosa França de Luís XIV. Felipe deixou em testamento para assegurar o futuro governo de seu país instituindo uma junta para aconselhar Mariana, a rainha-mãe, que deveria ser a regente e a chefe do poder executivo. Mariana carecia de experiência e capacidade para governar, por mais dedicada que fosse ao seu filho, não tinha nenhuma compreensão real dos profundos e difíceis problemas que afligiam seu país de adoção. Depositou sua confiança, em seu confessor, um astuto jesuíta austríaco, padre Everardo Nithard. Mas como o testamento de Felipe IV proibia que estrangeiros participassem do conselho de Estado, Mariana arranjou para que Nithard fosse naturalizado e nomeado inquisidor-geral. Desde o início Mariana sofreu, pois teve que enfrentar o filho bastardo de Felipe IV, o meio-irmão do rei, D. Juan – ambicioso, hábil e atraente, até conseguiu demitir Nithard. Foi nessa atmosfera, numa corte intolerante, governada por uma rígida etiqueta, muita intriga, desconfiança e trapaça, que o jovem rei Carlos II foi criado.




Carlos foi uma criança doente. Sua criação nada fez para ajudar a resolver os problemas temperamentais e físicos que herdara, e eram tão graves que dificilmente poderia ter melhorado. Era raquítico e incapaz de andar adequadamente porque suas pernas não o suportavam. Aos 9 anos ainda não sabia ler e escrever e seus conhecimento gerais permaneceram pequenos ao longo de sua vida. A caça foi uma de suas recreações principais. Apreciava a arte delicada da música, que aplacava momentaneamente os traumas que já o afligiam.





"Ele é mais para baixo, frágil, não malformado; seu rosto no conjunto é feio; tem um pescoço comprido, face e queixo largos, com o lábio inferior típico dos Habsburgos, olhos não muito grandes de um azul-turquesa e uma compleição fina e delicada. Tem um olhar melancólico e levemente surpreso. O cabelo longo e claro, é penteado para trás de modo a deixar as orelhas à mostra. Não consegue se manter ereto quando caminha, a menos que se apóie contra uma parede, uma mesa ou uma outra pessoa. É fraco de corpo e de mente. De vez em quando, dá sinais de inteligência, memória e certa vivacidade, mas não presentemente; em geral, mostra-se lento e indiferente, letárgico e indolente, e parece estupidificado. Pode-se fazer com ele tudo quanto se queira, porque é desprovido de vontade própria." (núncio papal em 1686)

"Dos cinco reis Habsburgos, Carlos V inspira entusiasmo; Filipe II, respeito; Filipe III, indiferença; Filipe IV, compreensão, e Carlos II, piedade." (Marañon)

No entanto em 6 de novembro de 1675, quando atingiu a maioridade, Carlos II mostrou por um breve tempo, um lampejo de energia, até de vontade própria, o que indique que, com uma educação melhor, poderia ter mostrado bom senso. Escreveu uma carta ao seu meio-irmão D. Juan pedindo para que fosse para Madri ajudá-lo a governar. "Assumirei o governo de meus reinos. Preciso de sua pessoa ao meu lado para me ajudar, e livrar-me da rainha minha mãe. Esteja em minha câmara na quarta feira, dia 6." escreveu o rei Carlos. Mas os esforços do rei para sair debaixo das asas da mãe haviam fracassado, foi obrigado a assinar o decreto que prolongava os poderes da rainha mãe e da junta de governo, como primeiro ministro Dom Velenzuela, que era impopular e foi detido e banido por D. Juan, o coringa do reinado. O retorno de D. Juan foi saudado pelo rei e pela maioria dos grandes. A rainha-mãe recebeu ordem de deixar Madri e instalar-se em Alcazar, em Toledo, enquanto D. Juan empreendia a difícil tarefa de levar o meio-irmão a se desincumbir mais seriamente das responsabilidades de um rei.

D. Juan era bem intencionado, consciencioso e não desprovido de habilidade. Reanimou o governo. Esforçava-se por implantar reformas, mas o tempo não estava a seu favor e manter o rei sob constante vigilância, para que não voltasse a influência da mãe. Mas D. Juan adoeceu e morreu em dois meses, aos 50 anos, em 17 setembro de 1679. Quatro dias após a sua morte, o rei uniu-se com a mãe em Toledo e o governo caiu na incompetência desinformada de costume.

Casamento
Deveria ser uma Habsburgo, como desejava sua mãe, mas como a candidata tinha apenas 5 anos de idade, a princesa francesa Maria Luísa, filha do duque Orleans e sobrinha de Luís XIV, foi mais aceitável, uma alegre mocinha de 17 anos, que não conseguiu dar um herdeiro para a Espanha, faleceu em 12 de fevereiro 1689, de uma queda de cavalo.

O segundo casamento de Carlos foi com a irmã da esposa do imperador Leopoldo I, irmão de sua mãe; Maria Ana Neuburg – que logo se revelaria disposta a saquear seu novo país. Era uma mulher resoluta, decidida a influenciar o governo da Espanha e defender o interesse dos Habsburgos austríacos. Ela não se dava bem com a sogra. Mariana morreu em 16 de maio de 1696 e deixou Carlos ainda mais a mercê dos interesses conflitantes de sua corte.

Morte
O rei estava nos últimos estágios de sua doença. Recebeu a extrema unção em 28 de fevereiro de 1700, e cinco dias depois ditou seu testamento, legando seu império inteiro "sem permitir o menor desmembramento da monarquia fundada com tal glória por meus ancestrais" para o neto de sua meia-irmã Maria Teresa casada com Luís XIV rei da França – Filipe, duque de Anjou. Foi talvez o mais decisivo e certamente o mais importante ato de sua vida. Carlos morreu em 1º de novembro de 1700. Semanas depois, Filipe de Anjou foi proclamado rei da Espanha como Filipe V. E todos os tratados de partilha do reino espanhol que até então estavam sendo feitos, foram rasgados e a Europa mergulhou em 13 anos de conflitos sangrentos e onerosos antes que seu título fosse plenamente autenticado.


_____________________________
* endogamia
en.do.ga.mi.a
sf (endo+gamo2+ia1)
1 Sociol Matrimônio exclusivo entre os membros de um grupo específico de uma tribo ou povo (casta, nobreza ou outra camada), exigido por lei ou costume. 2 Biol Reprodução sexual entre parentes próximos, especialmente polinização de uma flor pelo pólen de outra da mesma planta. 3 Biol Fecundação pela união de duas células separadas que têm a mesma ascendência cromatínica; pedogamia. Antôn: exogamia.
_________________


Origem: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green e Dicionário Michaelis

Leia Mais…

sábado, 6 de junho de 2009

D. Pedro II – imperador do Brasil

Dom Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo, chamado 'O Magnânimo' (Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825 — Paris, 5 de dezembro de1891) foi o segundo e último Imperador do Brasil de fato. D. Pedro II foi o sétimo filho de Dom Pedro I e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria. Sucedeu ao seu pai, que abdicara em seu favor para retomar a coroa de Portugal, à qual renunciara em nome da filha mais velha, D. Maria da Glória. Pelo lado paterno, era sobrinho de Miguel I de Portugal, enquanto, pelo lado materno, sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Napoleão II da França, Francisco José I da Áustria e Maximiliano I do México. Sendo o irmão mais novo de D. Maria da Glória, também fora tio de D. Pedro V e D. Luís I, reis de Portugal.


Herdeiro do trono
Seu nascimento foi comemorado com festas durante três dias no Rio de Janeiro. Sendo o único filho homem do Imperador Dom Pedro I a sobreviver à infância, tornou-se o herdeiro da coroa imperial do Brasil, com o título de Príncipe Imperial. Mas tornou-se órfão de mãe com pouco mais de um ano de idade e na infância, o visconde de Barbacena o considerou um “menino magrinho e muito amarelo”, e que sofria constantemente de febres e ataques convulsivos. Do pai, recebeu carinho e afeto, revelando uma grande ternura pelo filho e dizia com orgulho: “Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro”. Verdadeiramente, o pequeno príncipe era antes um símbolo, por ser considerado “genuinamente brasileiro”.

Imperador do Brasil
No dia 7 de abril de 1831, o imperador Dom Pedro I abdicou de sua coroa e se viu forçado a partir para o estrangeiro para lutar pelo trono da filha mais velha, usurpado por seu irmão, o infante Dom Miguel. A partir de então, o príncipe Dom Pedro de Alcântara tornou-se Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. Seu império se estenderia até 1889, quando foi deposto, totalizando 58 anos como monarca brasileiro (no entanto, é comum muitos acreditarem erroneamente que o seu império iniciou somente em 1840 com a antecipação da maioridade).

Ao tornar-se imperador, Dom Pedro possuía apenas cinco anos de idade e a Constituição previa a criação de uma regência até que atingisse os 18 anos para então assumir suas prerrogativas constitucionais. E enquanto o pai era tratado com hostilidade nos anos finais como imperador, Dom Pedro II foi aclamado por uma multidão, que deixara a criança aterrorizada com o barulho e as manifestações de alegria em seu favor. Para a população da época, a figura do pequeno órfão que deveria governá-la um dia lhes era simpática. Mas para Dom Pedro, deixado apenas com suas três irmãs no Brasil, era muito doloroso a falta que o pai lhe fazia, como bem demonstrou em uma de suas primeiras cartas escrita por si próprio:
Meu querido Pai e meu Senhor. Principiei a Vossa Majestade Imperial pela minha própria letra mas não pude acabar e entrei a chorar e tremer-me a mão e não pude acabar.

Meu querido Pai e meu Senhor Tenho tantas saudades de Vossa Majestade Imperial e tanta pena de não beijar a mão. Quando me levantei e não achei Vossa Majestade Imperial e a Mamãe para lhe beijar a mão...

Dom Pedro I, então conhecido como duque de Bragança, considerou a separação dos filhos terrível e em suas cartas sempre demonstrou a saudade que sentia, mas também aconselhou o pequeno imperador:
"É mui necessário, para que possas fazer a felicidade do Brasil, tua pátria de nascimento e minha de adoção, que tu te faças digno da nação sobre que imperas, pelos teus conhecimentos, maneiras etc., pois, meu adorado filho, o tempo em que se respeitavam os príncipes por serem príncipes unicamente acabou-se; no século em que estamos, em que os povos se acham assaz instruídos de seus direitos, é mister que os príncipes igualmente o estejam e conheçam que são homens, e não divindades."

Ficou sob os cuidados de dona Maria Carlota de Verna Magalhães, que depois se tornou condessa de Belmonte e que foi como uma segunda mãe e dirigiu-lhe a educação inicial e velou por sua frágil saúde. Dom Pedro chamava-lhe carinhosamente de “Dadama”. Para tutorar o pequeno monarca, Dom Pedro I assinou um decreto em que nomeava "tutor dos meus amados e prezados filhos ao muito probo, honrado e patriótico cidadão José Bonifácio de Andrada e Silva, meu verdadeiro amigo", conhecido pela alcunha de Patriarca da Independência e grande estadista brasileiro que permaneceu no cargo até o ano de 1834, quando foi destituído pela regência.



Educação
Ao tornar-se imperador com apenas cinco anos de idade, dom Pedro II se viu preso ao cargo de maior importância do país e por esta razão, seus tutores, principalmente o segundo, Manuel Inácio de Andrade, o marquês de Itanhaém, que substituiu José Bonifácio, decidiram dar ao jovem monarca uma educação excepcional. Todos os dias, inclusive aos domingos, Dom Pedro II acordava as seis e meia da manhã e tinha aulas de ciências naturais:

Astronomia,
Biologia,
Física,
Química,
Geografia,
línguas,
filosofia,
desenho,
caça,
aritmética,
dança,
música,
equitação e
esgrima








As duas últimas eram ensinadas por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro duque de Caxias. Somente duas horas do dia eram reservadas para brincadeiras e só era possível visitar as irmãs após o almoço. Para brincar, Dom Pedro possuia um pequeno jardim, um tanque com água onde boiava um barquinho, além de um jogo de cavalinhos, um baralho e um teatrinho no pátio do Paço. Seus mestres o ensinaram a lidar com políticos e ministros de Estado, além de ter conhecimento da vida pública e principalmente governar o país. Desde pequeno aprendeu a conter suas manifestações espontâneas de raiva, decepção, alegria e a ter humildade. Em 1835, aos nove anos de idade, já lia e escrevia bem, assim como traduzia do inglês e do francês. Um ano depois já conhecia o mapa da Europa e da América, inclusive suas cidades e preparava-se para iniciar os estudos da carta do Oriente. E em 1837, aos onze anos de idade, começou a aprender latim e já realizava operações de matemática, frações, números complexos, etc..

Maioridade
O período regencial, início do reinado de Dom Pedro II, foi o período mais problemático na história do Brasil. Diversas rebeliões e tentativas de secessão ocorreram, e apesar do sucesso que o governo fora capaz de obter debelando-as, para muitos, inclusive para o povo brasileiro, a única forma de pôr fim definitivo ao caos e restaurar a ordem seria declarando dom Pedro II maior de idade antes do tempo. Não acreditavam que um rapaz de apenas catorze anos de idade pudesse obter sucesso onde os mais experientes governantes fracassaram, apesar de toda a educação que recebeu. Entretanto, Dom Pedro II era considerado um símbolo vivo da unidade do país. Essa posição lhe dava, diante da opinião pública, uma autoridade maior do que a de qualquer regente. Uma demonstração clara do desejo de tornar imperador maior de idade foi o surgimento de uma quadrinha popular cantada pela população da cidade do Rio de Janeiro nessa época:
Queremos Pedro II
Embora não tenha idade!
A Nação dispensa a lei
E viva a Maioridade!

O regente, Araújo Lima, se viu sem opção a não ser aceitar o império das circunstâncias e se dirigiu ao paço imperial, onde explicou a Dom Pedro a situação crítica pelo qual o país passava e perguntou quando desejaria tornar-se maior de idade. O jovem imperador teria respondido de forma direta e curta:“Quero já!” No entanto, tratava-se de uma invenção dos maioristas para tornar o ato simbólico e deixar claro aos brasileiros que o adolescente estava preparado para assumir o seu devido lugar. Dom Pedro de fato não proferiu tal frase, tão distante do seu caráter retraído e tímido. Limitou-se a pedir a opinião do regente e então aceitou a proposta. Posteriormente viria a negar diversas vezes ter dito a famosa frase e muito menos de ter sido partícipe do plano dos deputados maioristas. A decretação oficial da maioridade de monarca foi recebida com enorme alegria pelo povo brasileiro. Pela segunda vez (a primeira, quando seu pai abdicou), Dom Pedro foi aclamado por cerca de 8 mil pessoas que se reuniram no paço da cidade para saudá-lo. No dia de seu aniversário, em 2 de dezembro de 1840, alguns meses após ser declarado maior de idade, o evento ocorre sob grande manifestação popular, com direito a festas e cortejos. O mesmo ocorre no primeiro ano de aniversário da Maioridade. O imperador registrou em seu diário: “Quanto me custa um cortejo, como mói! Mas ele é sinal de gratidão de meus amados súditos. Devo recebê-lo com boa cara.

Casamento
D. Pedro II se casou por procuração em Nápoles a 30 de maio de 1843 e em pessoa no Rio de Janeiro a 4 de setembro de 1843 com Teresa Cristina Maria de Bourbon-Duas Sicílias, nascida em Nápoles em 14 de março de 1822 e morta em 28 de dezembro de 1889 no Porto, estando sepultada em Petrópolis, no Brasil, desde 1925. Era filha caçula de Francisco, Duque da Calábria, futuro Francisco I das Duas Sicílias (1777-1830) e de sua segunda esposa Maria Isabel de Bourbon, quinta filha de Carlos IV rei da Espanha e portanto irmã de Carlota Joaquina de Bourbon. D. Teresa Cristina trouxe um dote de dois milhões de francos. Tiveram quatro filhos.

Reinado
Contrastando com o período conturbado da Regência, seu reinado foi de paz interna, uma vez encerrada:
  • a Guerra dos Farrapos, que se iniciara em 1835,
  • vencidas as Revoluções Liberal de 1842, em São Paulo e Minas Gerais,
  • Praiana, em 1848, em Pernambuco.
Durante seu reinado:
  • foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria;
  • correu a primeira locomotiva a vapor;
  • foi instalado o cabo submarino;
  • inaugurado o telefone e instituído o selo postal.
Foi colocado no trono aos 15 anos – um jovem louro, alto e de olhos azuis.

Educação no seu governo
Dada a pequena estrutura educacional herdada da época em que seu avô, D. João VI, esteve no Brasil, Dom Pedro II criou e reformulou escolas e faculdades. Fundou em 21 de Outubro de 1838 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o IHGB, inspirado no Institut Historique de Paris. O monarca nutria um profundo interesse pelas questões diretamente relacionadas ao desenvolvimento da Educação, especialmente a educação pública. Na última Fala do Trono, de 3 de maio de 1889 retomou a questão sob o viés institucional, propondo a criação do Ministério da Instrução e reforçando a diretriz constitucional (1824) da criação do Sistema Nacional de Instrução.

[...] era D. Pedro quem, em carta a José Bonifácio, o Moço, orgulhava-se de dizer: "Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e o Colégio Pedro II."
[...] esse colégio, o único que de certa forma, escapava ao ensino excessivamente livresco, anticientífico e pouco abrangente da época. Com efeito, apesar de obrigatória, a instrução primária era insuficiente: as escolas, poucas, estavam quase todas centralizadas na corte. O monarca parecia, porém, desconhecer essa realidade e concentrar-se, sobretudo, no "seu colégio", como costumava dizer, onde assistia a provas, selecionava professores e conferia médias. Em seu diário escreveria D. Pedro II: "Se não fosse imperador do Brasil quisera ser mestre-escola", uma opção que condizia, ao menos, com a representação que mais e mais se divulgava.

Mesmo no exílio, Pedro II continuou a contribuir para a cultura nacional através da doação de sua coleção particular de documentos e peças de arte. O esforço educacional, embora prejudicado pelas inúmeras deficiências trouxe resultados. Em 1869, havia 3516 escolas primárias no Império, frequentada por 115735 crianças. A quantia era ainda pequena, considerando-se que naquela ocasião existiam 1.902.424 crianças livres em idade escolar, mas de qualquer modo as necessidades nacionais iam sendo suprimidas, formando-se paulatinamente uma camada de profissionais liberais e funcionários. É equivocado dizer que o Brasil naquela época não havia universidades, não havia sim a amplitude de oportunidades para o seu ingresso. Mas pode-se dizer que, pela ação de Dom João VI, fora criada a Faculdade de Medicina da Bahia, em 1792, em 1827 logo após a independência, deu-se a criação da Faculdade de Direito de Olinda e de São Paulo. Igualmente pode-se dizer que, até mesmo antes da chegada de seu avô Dom João VI, sua bisavó, Dona Maria I, ordenou a criação e instalação, na cidade do Rio de Janeiro, da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho [o atual Insituto Militar de Engenharia (IME)], sendo esta a primeira escola de engenharia das Américas e a terceira do mundo.

Proclamação da República
Apesar de gozar de boa imagem entre a população, Pedro II foi deposto (mas de forma pacífica e sem nenhuma espécie de participação popular) no dia 15 de Novembro de 1889, através de um golpe militar do qual fez parte o Marechal Deodoro da Fonseca, que seria mais tarde o primeiro presidente republicano brasileiro. Deixou o Brasil sem ressentimento, embora triste. Ao ser deposto e banido do País, formulou «ardentes votos por sua grandeza e prosperidade».

No exílio
O ex-imperador e sua família foram exilados e mudaram-se inicialmente para Portugal (onde assistiram às exéquias do rei Luís I, falecido em 19 de Outubro de 1889, à cerimônia de aclamação de seu filho e herdeiro Carlos I, bem como à de batismo do infante D. Manuel, Duque de Beja e filho segundo do monarca português, nascido exatamente no dia da sua deposição, e do qual viria a ser padrinho de baptizado) e a seguir para França. A partir de 1890 até a sua morte, o imperador deposto viveu nas cidades de Nice e Paris. Em Nice, viveu em uma casa alugada por sua filha até que esta se estabelecesse em uma propriedade de seu marido. Foi também em Nice que Pedro II recebeu a notícia da morte da Condessa de Barral. Em Paris, o imperador passou a residir em um hotel de média categoria, e passava os dias estudando ou freqüentando os institutos culturais e científicos da capital francesa. Foi retornando em um carro aberto de uma sessão do Institut de France, em novembro de 1891, que a pneumonia que o levaria à morte o apanhou.

Morte
Pedro II morreu em Paris no dia 5 de Dezembro de 1891 no Hotel Bedford. A causa da morte foi uma pneumonia, seguida da infecção de uma ferida no pé. A França Republicana lhe deu funerais régios, mesmo ante os protestos do governo brasileiro. Recebeu um funeral com honras por ser herói da nação francesa condecorado com a Grão Cruz da Legião de Honra. Relatos da época asseguram que a procissão fúnebre do imperador só foi menor que as dedicadas ao escritor Victor Hugo e ao ex-imperador francês Napoleão Bonaparte. De Paris, o ataúde com o corpo de Pedro II seguiu de trem para Portugal. Lá, com a presença da Família Real Portuguesa e da Família Imperial Brasileira, foi depositado no Panteão dos Bragança no Convento de São Vicente de Fora em Lisboa, ao lado da Imperatriz. Revogada a Lei do Banimento, em 3 de setembro de 1920, seus restos mortais e os de sua esposa foram trasladados de Portugal para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 8 de janeiro de 1921, a bordo do Encouraçado São Paulo da Marinha do Brasil, após 17 dias de viagem. Acompanharam os restos mortais, o Conde D'Eu — seu genro — marido da Princesa Isabel, D. Pedro de Orleans e Bragança — neto de D. Pedro II e o Barão de Muritiba. Os restos mortais dos ex-imperadores permaneceram no Rio de Janeiro até dezembro de 1925, quando foram novamente trasladados para a Catedral de Petrópolis, cuja construção teve início sob seu patrocínio. Em 1939, em solenidade que contou com a presença de autoridades e do presidente da época, Getúlio Vargas, o imperador e a imperatriz foram sepultados na Catedral de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, em um mausoléu construído para a ocasião.





Descendência
De sua mulher – D. Teresa de Bourbon, princesa das Duas Sicílias (1822-1889):
  1. D. Afonso Pedro de Bragança e Bourbon, príncipe imperial do Brasil (1845-1847).
  2. D. Isabel Leopoldina de Bragança e Bourbon, princesa do Brasil (1846-1850), princesa imperial do Brasil (1850-1921), casou-se com Gastão de Orléans, conde d'Eu.
  3. D. Leopoldina Teresa de Bragança e Bourbon, princesa do Brasil (1847-1871), casou-se com o príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota.
  4. D. Pedro Afonso de Bragança e Bourbon, príncipe imperial do Brasil (1848-1850).

Títulos
1825-1831: Sua Alteza Imperial O Príncipe Imperial do Brasil Dom Pedro de Alcântara
1831-1889: Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
1889-1891: Passou a assinar sempre como "Dom Pedro de Alcântara".

Origem: Wikipédia

Leia Mais…

Museu Britânico

O Museu Britânico (em inglês British Museum) localiza-se em Londres e foi fundado em 7 de junho de 1753. O Museu Britânico é um marco fundamental no estabelecimento do método museológico, além de representar diversos aspectos característicos tanto da sociedade inglesa vitoriana quanto do pensamento político e científico do século XIX. Aberto em 15 de janeiro de 1759, após a aprovação do rei Jorge II em 1753, foi o primeiro grande museu público, gratuito, secular e nacional em todo o mundo. Não foi, entretanto, o primeiro museu moderno. O Museu Ashmolean, de Oxford (1679), tem o mérito de ter sido a primeira grande instituição museológica destinada especificamente a exposições públicas, organizadas para propósitos educacionais.


Ao ser fundado, o Museu Britânico reuniu três coleções:
  1. a Cottonian Library, coleção de manuscritos medievais de Sir Robert Cotton (1570-1631),
  2. os manuscritos da coleção do Conde de Oxford, Robert Harley (1661-1724) e
  3. a enorme coleção de Sir Hans Sloane (1660-1753), composta de antiguidades clássicas e medievais, moedas, manuscritos, livros, quadros e gravuras, além das peças que formariam o núcleo central do Departamento de História Natural do Museu Britânico.
O museu não estava tão distante dos gabinetes de curiosidades que marcaram a Europa no século XVIII: era pouco mais do que um enorme amontoado de objetos sem nenhuma classificação ordenada, apresentados menos para propósitos educacionais do que para "exaltar o espírito e enaltecer o progresso da humanidade".

Da antiguidade temos a origem de uma característica do museu moderno, em especial do museu Britânico: a combinação de exposições (entretenimento educacional para o público geral) e de uma biblioteca (pesquisa para um público erudito e acadêmico). A partir da consolidação desse modelo por Anthony Panizzi (1797-1879) na Biblioteca Britânica, este é um atributo hoje praticamente obrigatório para qualquer museu.

Da transição do século XVIII para o XIX, temos também outra característica: a formação do museu de caráter nacional. Desde o desenvolvimento do Museu do Louvre, denominado Musée Napoléon durante os primeiros anos do novo século, a rivalidade entre as nações da Europa e a afirmação da identidade nacional desses países passou também pela constituição do "museu nacional". A derrota definitiva de Napoleão talvez tenha sido um dos fatores que estimularam a reconstrução do espaço do Museu Britânico, além sem dúvida de expandir consideravelmente suas coleções: grande parte do acervo de antiguidades egípcias, incluindo a Pedra de Roseta, foi obtido com a capitulação do exército francês no Egito, em 1802.

A tentativa de reunir todo tipo de coleção possível foi uma forma de apresentar através de objetos todo o conhecimento da humanidade, numa espécie de "triunfo" do racionalismo científico. Obviamente, a acumulação de tantos objetos distintos num único lugar era operacionalmente inviável, e a transferência de algumas coleções foi se fazendo cada vez mais necessária. O desmembramento do museu se deu em diversas etapas das quais as mais importantes são:
  • a criação da National Gallery em 1824 – mais um exemplo do "monumento" de inspiração nacionalista,
  • a remoção do setor de História Natural para o Museu de História Natural a partir de 1880, para um edifício que, diferentemente do Museu Britânico e de seu estilo Neoclássico, celebrava o naturalismo racional científico no estilo Neogótico e
  • a transferência do setor de Etnografia, rico em objetos recolhidos nas expedições do Capitão James Cook, a partir de 1870.

– O museu hoje
O Museu Britânico abriga mais de sete milhões de objetos de todos os continentes, ilustrando e documentando a história da cultura humana de seus primórdios até o presente. Muitos dos artefatos da sua coleção estão armazenados nos depósitos situados nos porões do museu, por conta da falta de espaço para mostrá-los. Assim como muitos outros museus e galerias no Reino Unido, o Museu Britânico tem entrada gratuita, exceto no caso de algumas exposições temporárias especiais. Ele também conta com um serviço educativo responsável por apresentações didáticas da colecção para escolas, famílias e adultos. Oferece também um curso de pós-graduação sobre arte clássica e decorativa da Ásia.


Em Dezembro de 2000 foi inaugurado o Great Court – a maior praça coberta da Europa. Ela ocupa o espaço central do prédio, ao redor da Sala de Leituras (The Reading Room) da biblioteca (que agora foi transferida para St. Pancras). A construção do majestoso Reading Room, na década de 1850, foi primeiramente uma saída tanto para a falta de espaço, devido ao vertiginoso aumento do acervo, quanto mesmo para a própria aberração arquitetônica do imenso quadrilátero vazio que era parte do projeto original do arquitecto Sir Robert Smirke para o museu.



Curiosidades:
  1. Na construção do Reading Room foram usados pela primeira vez num edifício de grande porte na Inglaterra o ferro (como parte visível da estrutura) e o concreto (especialmente em seu uso inovador nas fundações).
  2. O interior do Museu Britânico pode ser visto no filme 'O retorno da múmia', apesar de o exterior do prédio mostrado no filme ser o do University College. O museu tem uma coleção de múmias, sendo a mais conhecida o Homem de Lindow, encontrado no noroeste de Inglaterra.
  3. O autor de livros de terror H. P. Lovecraft relatou que haveria uma cópia do livro místico 'Necronomicon' no museu britânico. Apesar de Lovecraft ter deixado claro que se tratava de um livro fictício, há quem acredite na sua existência.



Algumas peças do acervo

Moeda helenística

Estandarte de Ur

Escultura grega

Cilindro de Ciro

Estátua de faraó

Ourivesaria persa



Fonte: Wikipédia

Leia Mais…

Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
© 2008 Templates e Acessórios por Elke di Barros