quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Castelo de Osaka


O Ōsaka-jō (em japonês: 大坂城・大阪城, "Castelo de Osaka") é um castelo situado em Chūō-ku, o distrito mais central de Osaka, no Japão. Originariamente denominado como Ozakajo, é um dos castelos mais famosos do país, tendo desempenhado um importante papel nas lutas de unificação durante o Período Azuchi-Momoyama, no século XVI.




O castelo encontra-se numa área com cerca de um km2, no interior do Parque Público do Castelo de Osaka. Foi erguido sobre duas plataformas preenchidas de terra, com muralhas de pedra aparelhada, cercado por um fosso inundado, à semelhança dos castelos europeus.

O edifício central possui cinco andares na parte exterior e oito no interior (servidos atualmente por um elevador). Foi construído por cima de uma alta fundação de pedra, de forma a proteger os seus ocupantes dos ataques que poderiam vir do exterior


História
Em 1583 Toyotomi Hideyoshi iniciou a construção do Ōsaka-jō no sítio do templo Ikkō-ikki de Ishiyama Hongan-ji. A planta básica foi modelada a partir do Azuchi-jō, o quartel-general de Oda Nobunaga. Toyotomi queria construir um castelo que espelhasse o de Oda, mas suplantou-o em todos os aspectos, a planta apresenta:
  • uma torre principal
  • cinco andares
  • três andares subterrâneos suplementares, e
  • talha dourada nos lados para impressionar os visitantes.


Em 1585, a torre de menagem interna ficou concluída. Toyotomi continuou a ampliar o castelo, tornando-o cada vez mais formidável aos olhos dos atacantes. Em 1598, a construção ficou finalmente completa. No entanto, nesse mesmo ano Hideyoshi faleceu, passando o castelo para o seu filho, Toyotomi Hideyori.

Em 1600 Tokugawa Ieyasu derrotou os exércitos de Hideyori na Batalha de Sekigahara, tendo dado início ao seu próprio bakufu em Edo. No Inverno de 1614 Tokugawa atacou Hideyori, começando o Cerco de Osaka. Apesar de as forças de Toyotomi estarem numa proporção aproximada de 2 para 1, os defensores do castelo enfrentaram o exército de 200.000 homens e protegeram as muralhas exteriores do castelo. No entanto, Tokugawa tendou manietar Toyotomi ao preencher o fosso exterior do castelo, o que lhe retirou grande parte da capacidade de defesa. Durante o Verão de 1615, Hideyori começou a escavar o fosso uma vez mais. Tokugawa, indignado, enviou novamente os seus exércitos para o Castelo de Osaka e derrotou os homens de Toyotomi. O Ōsaka-jō caíu perante Tokugawa, tendo o clã Toyotomi desaparecido.

Em 1620 o novo herdeiro do xogunato, Tokugawa Hidetada, começou a reconstruir e a rearmar o castelo. Construíu uma nova torre principal elevada, com cinco andares no exterior e oito no interior, e atribuiu a tarefa de construir novas muralhas a cada clã de samurais. As muralhas erguidas durante a década de 1620 ainda se mantém de pé, estando encrustradas nos penhascos de granito sem qualquer argamassa. Muitas das pedras foram trazidas de pedreiras localizadas nas proximidades do Mar Interior, e carregam inscrições com as insígnias das famílias que as conduziram até às muralhas.

Em 1665 o castelo foi parcialmente destruído pelo incêndio causado pela queda de um raio que o atingiu.

Em 1843 depois de décadas de negligência, o castelo recebeu as reparações de que muito necessitava quando o bakufu recolheu dinheiro do povo da região para reconstruir várias das torres.

Em 1868 grande parte do castelo foi queimado durante os conflitos civis que rodearam a Restauração Meiji. Sob o governo Meiji, o Ōsaka-jō foi convertido em quartel para ao exército japonês de estilo ocidental, em rápida expansão.

Em 1928 o presidente da câmara de Osaka concluíu uma campanha de angariação de fundos bem sucedida. Em 1931, iniciou-se a sua reconstrução, empregando-se o ferro e o concreto como materiais de construção.

Em 1945 no final da Segunda Guerra Mundial, os bombardeamentos a Osaka danificaram a torre principal, reconstruída poucos anos antes.

Em 1995 o governo de Osaka aprovou outro projeto de restauro, com a intenção de devolver à torre principal o esplendor que apresentava durante o Período Edo. Em 1997 as obras de recuperação ficaram concluídas. O Ōsaka-jō é uma reprodução concreta (com a adiçao de elevadores) do edifício original; no entanto, o interior não lembra, de todo, um castelo japonês.



Hoje
O castelo está aberto ao público. É um popular ponto de atracção durante a estação dos festivais, e especialmente durante a época das cerejeiras em flôr, quando os campos do castelo se cobrem com vendedores de comida e percursionistas de taiko. Os jardins também acolhem um museu, a grande arena coberta Ōsaka-jō Hōru, e o Santuário Toyokuni dedicado a Toyotomi Hideyoshi.


Fonte: Wikipédia

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Loucura dos reis – estroinices florentinas


Os Medicis não foram uma família real, mas príncipes italianos politicamente sagazes. Governaram Florença da década de 1430 até a morte do último grão duque, Gian Gastone em 1737; com exceção de um breve período no início do século XVI. Florença atingiu seu apogeu sob a hábil orientação do verdadeiro fundador da família – o grande príncipe negociante Cosimo dei Medici e de seu neto, Lorenzo, o magnífico.





Sua ampla rede bancária fez dos Medicis uma força na economia e política, na Europa ocidental. Florença foi enriquecida com belíssimos edifícios, pinturas e esculturas graças à patronagem dos Medicis e seus partidários.

No final do século XVII os florentinos e os Medicis viviam da reputação e dos recursos de um passado esplendoroso. Viviam de uma fachada que não conseguia esconder a decadência e a impotência política da Toscana. Havia desemprego e pobreza. Florença se tornara uma potência de terceira categoria. Exército pequeno e marinha praticamente inexistente. O grão duque Cosimo III governou a Toscana por 53 anos. Nem bom nem mau, seu governo foi afetado por certas facetas de seu próprio caráter que são em certo sentido vitais para a compreensão da personalidade de seu filho e sucessor, o último grão duque, Gian Gastone.

Cosimo III foi criado por uma mãe pietista(*), unida por um casamento infeliz ao seu pai, o grão duque Ferdinando, que governou Florença de 1621 a 1670. Cosimo tornou-se um beato tacanho, carrancudo e fervoroso, mais bem talhado para a vida eclesiástica que para carreira secular. Era intolerante com qualquer desvio em relação à ortodoxia, fosse na moral ou na crença. Tentou impedir mulheres de serem atrizes, proibiu a entrada de homens em casas que houvesse moças solteiras e impôs uma série de decretos intolerantes e anti-semíticos.

Casou com Marguerite Louise d'Orleans, sobrinha do rei francês Luis XIV. Houve uma enorme incompatibilidade conjugal. Ele austero e taciturno, avesso a contatos físicos que alguns suspeitassem que fosse homossexual. Ela, bonita, cheia de vida, fisicamente vigorosa, orgulhosa, teimosa e egoísta. Dormiam juntos, uma vez por semana, sob a supervisão de um médico. Finalmente um herdeiro nasceu, Ferdinando, em 1663. Anna Maria nasce em 1667. O terceiro filho, Gian Gastone nasce 24 de maio de 1671. Marguerite assim depois de cumprir com sua obrigação, parte para França em junho de 1675, para nunca mais voltar.

– Seus herdeiros, não teriam filhos:
  1. Ferdinando casou-se sem entusiasmo com uma princesa bávara, Violante. Contraiu sífilis e morreu 10 anos antes do pai.
  2. Anna Maria casou com um eleitor palatino, Johann William. Três das irmãs de William eram a imperatriz e as rainhas de Portugal e Espanha. Sem descendência.
  3. Gian Gastone com 23 anos casou-se com uma rica viúva, Anna Maria, filha do duque de Saxe-Lauenburgo. Uma mulher rude, desagradável, de gosto vulgar, enorme e amedrontadora, com um aspecto grosseiro e desgracioso. A reação de Gian à vida conjugal foi de horror. Em busca de consolo, voltou-se para seu amigo íntimo, seu lacaio que se tornou seu amante. Gian adquiriu uma preferência pelo sexo com prostitutos, que nunca perderia. Viveu na França, Hamburgo e em 1705 voltou definitivamente para Florença. Sem descendência.

Cosimo sem sucessor, se agarrou a idéia do herdeiro vir de seu obeso irmão, o cardeal Francesco Maria, que pediu a dispensa das sagradas ordens. Mas o cardeal morreu antes de casar. Dois anos depois Ferdinado morre. Em 1723 o idoso grão duque Cosimo III morre e Gian Gastone com 52 anos o sucedeu.

Gian Gastone tinha pouco interesse por assuntos governamentais, mas escolheu bem os seus ministros, e o governo tornou-se sob alguns aspectos melhor e certamente mais liberal, do que havia sido o de seu pai. A igreja tornou menos severa. Teve um sistema de governo mais liberal e esclarecido. Sua vida era reclusa no palácio Pitti e via o mundo através de uma névoa mais ou menos permanente de embriaguez. Bebia em grande quantidade vinhos e destilados abrasadores. Em 1730, Gian torceu o tornozelo e ficou de cama, nos 7 anos seguintes, só a abandonaria em ocasiões muito especiais.

Gian Gastone tornara-se um soberano negligente, um alcoólatra com gostos pervertidos. Havia sido um jovem promissor e de índole humana e bondosa. Deve ter sido vítima de um transtorno de personalidade que as circunstâncias – uma criação sem afeto, um pai distante e austero e um casamento infeliz – todas conspirando para transformar na ruína de um homem.

Em 1731, as grandes potências reuniram-se em Viena e decidiram pela sucessão de Gian, o herdeiro seria D. Carlos, duque de Parma, filho de Filipe V da Espanha. Mas D. Carlos tornou-se rei das Duas Sícilias e foi substituido como herdeiro por Francisco Estêvão, duque de Lorena, marido de Maria Teresa Habsburgo, futuro imperador Francisco I.

Em julho de 1737, Gian ficou doente e faleceu em 14 de julho, enterrado com grande pompa no duomo. Se fora um governante ineficiente, a morte redimiu sua reputação junto aos florentinos; ele foi carregado até o túmulo com todo o cerimonial de que a cidade da ostentação era capaz.


Anna Maria a irmã de Gian, viveu no palácio Pitti mais 6 anos, em seu testamento, legou todos os seus bens e propriedades pessoais à cidade de Florença, por toda a eternidade. Com isso Anna Maria reparou a estroinices(•) do irmão e pode-se dizer que os Medicis recompensaram os florentinos pela lealdade que demonstraram à família ao longo de 300 anos.



Ferdinando e Anna Maria, filhos de Cosimo III, irmãos de Gian Gastone




(•)estróina
es.trói.na
adj m+f Diz-se da pessoa extravagante, dissipadora, estouvada. s m+f Essa pessoa. Col: farândola, súcia.

(*)pietismo
pi.e.tis.mo
sm (fr piétisme) 1 Movimento iniciado dentro do protestantismo, pelos fins do século XVII, na Alemanha, segundo o qual a verdadeira religiosidade consiste na liberdade da consciência, na piedade subjetiva e nas obras de misericórdia, sendo o dogma secundário ou supérfluo. 2 fam Fanatismo.



Fonte: 'A Loucura dos Reis' de Vivian Green e Dicionário Michaelis

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Alexandra Feodorovna imperatriz da Rússia

Alexandra de Hesse (Vitória Alice Helena Luísa Beatriz de Hesse). Nasceu em Hesse-Darmstadt, 6 de junho de 1872 e faleceu em Ekaterinburgo, 17 de julho de 1918. Filha de Luís IV, grão-duque de Hesse e da princesa Alice do Reino Unido. Mulher de grande beleza, foi a última czarina da Rússia. Em 1894 casou-se com o futuro czar Nicolau II da Rússia, adotando o nome de Alexandra Feodorovna. Foi a sexta criança entre os sete filhos do grão-duque Luís IV de Hesse e do Reno, e da princesa Alice do Reino Unido, segunda filha da rainha Vitória. Foi batizada de acordo com os rituais da Igreja Luterana e foram-lhe dados os nomes da sua mãe e tias. Com a perda da mãe a princesa tornou-se muito próxima da sua avó materna, passando grande parte da sua infância no Reino Unido. Quando era mais nova, tinha a alcunha de Sunny, mas após a morte da sua mãe e da irmã mais nova, ela tornou-se mais amarga e solitária.



Casamento e Vida
Alice casou-se relativamente tarde tendo em conta a idade própria para casar da época, principalmente por ter recusado casar-se com o Principe Alberto Victor, Duque de Clarence (filho mais velho do Príncipe de Gales), apesar da forte pressão familiar. Há quem diga que a rainha Vitória queria que os seus dois netos se casassem, mas como gostava muito de Alice, aceitou a sua decisão. A velha rainha chegou mesmo a afirmar que estava orgulhosa da sua neta por esta a enfrentar, algo que muitas pessoas, incluindo o seu próprio filho, não se atreviam a fazer. Alice, tinha já conhecido e estava apaixonada pelo czarevich da Rússia, cuja mãe era cunhada do seu tio, o Príncipe de Gales e cujo tio, o Grão-Duque Sergei Alexandrovich, era casado com a sua irmã Isabel Feodorovna. Além disso, ambos eram primos em segundo grão, uma vez que eram netos da princesa Guilhermina de Baden.

Nicolau e Alice tinham-se conhecido em 1884, quando a sua irmã se casou com o tio do czarevitch e quando ela regressou à Rússia em 1889, apaixonaram-se.

"O meu sonho é um dia casar-me com a Alice H. Já a amo há muito tempo, mas com mais sentimento e força desde 1889 quando ela passou seis semanas em São Petersburgo. Durante muito tempo resisti, mas sei que os meus sonhos se vão tornar realidade." escreveu Nicolau no seu diário.


Alice levantou dúvidas em relação ao fato de ter de mudar a sua fé Luterana, mas foi convencida por Nicolau e, converteu-se fervorosamente à Igreja Ortodoxa Russa.

Nicolau e Alice ficaram noivos em abril de 1894. Alexandre III morreu no dia 1 de novembro de 1894, o que fez com que Nicolau se tornasse czar de todas as Rússias aos 26 anos de idade. Alice mudou de nome para Alexandra quando se converteu à Igreja Ortodoxa Russa. O casamento realizou-se na capela do Palácio de Inverno em São Petersburgo no dia 26 de novembro de 1894. Foi um casamento vitoriano, baseado num amor físico intenso e apaixonante. A irmã mais velha de Alexandra, Ella, passou também a ser a sua tia por casamento. Ela, tal como Nicolau, era prima direta do rei Jorge V do Reino Unido. Nicolau era também primo direto do rei Cristiano X da Dinamarca, do rei Constantino I da Grécia e do Rei Haakon VII da Noruega.

Alexandra era odiada na corte e pelo povo russo, era calada, de aparência fria, arrogante e indiferente. Ficou magoada pela sua recepção muito pouco entusiasta e afirmou estar cansada da perda de morais e etiqueta da corte russa. Alexandra era chamada de petulante e aborrecida, provincial, enfastiante e convencida, e tanto a nova imperatriz como a Corte viviam em constante atrito.

Filhos
A incapacidade de Alexandra em gerar um herdeiro para o trono russo nas suas primeiras quatro tentativas foi fonte de grande desapontamento. Alexandra era fervorosamente protetora do papel do seu marido como czar e apoiava ativamente o seu direito de governar de forma autocrática. Ela defendia o seu direito divino e acredita ser desnecessário pensar na aprovação de outras pessoas.

A czarina, tal como o seu marido, era muito dedicada à sua família. Desde a sua infância que tinha sido muito tímida, uma característica que partilhava com a sua avó Vitória. Ela odiava aparições públicas e evitava-as, aparecendo apenas quando era absolutamente necessário. Esta timidez e desejo de estar sozinha, tiveram um grande impacto nos seus 5 filhos e no Império. Ela nunca se esforçou por ser amada pelo povo russo.

Quase um ano depois do seu casamento, Alexandra deu à luz a primeira filha do casal, uma menina chamada Olga que nasceu no dia 15 de novembro de 1895. Olga não poderia subir ao trono devido às leis implementadas pelo czar Paulo I. Olga foi motivo de alegria para os seus próprios pais que chegaram mesmo a afirmar que preferiram ter uma menina porque, se tivessem tido um rapaz, ele pertenceria ao povo russo e, assim, tinham a sua filha só para eles.


– Nicolau e Alexandra tiveram cinco filhos:
  1. Olga Nikolaevna – 15 de novembro de 1895-17 de julho de 1918, assassinada aos 22 anos em Yekaterinburg pelos Bolcheviques; canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa; sem descendência.
  2. Tatiana Nikolaevna – 10 de junho de 1897-17 de julho de 1918, assassinada aos 21 anos em Yekaterinburg pelos Bolcheviques; canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa; sem descendência.
  3. Maria Nikolaevna 26 de junho de 1899-17 de julho de 1918, assassinada aos 19 anos em Yekaterinburg pelos Bolcheviques; canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa; sem descendência. Discutiu-se a sua possível sobrevivência ao massacre que vitimou a família até o seu corpo ser descoberto em 2007
  4. Anastásia Nikolaevna – 18 de junho de 1901-17 de julho de 1918, assassinada aos 17 anos em Yekaterinburg pelos Bolcheviques; canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa; sem descendência. A sua possível sobrevivência foi discutida até 2007 e foi um dos maiores mistérios do século XX.
  5. Czarevich Alexei – 12 de agosto de 1904-17 de julho de 1918, assassinado aos 13 anos em Yekaterinburg pelos Bolcheviques, canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa; sem descendência. Discutiu-se a sua possível sobrevivência até o seu corpo ser descoberto em 2007.


Rasputine
No princípio, Alexandra virou-se para os médicos russos para tratar de Alexei. Os seus tratamentos geralmente falhavam, uma vez que não era conhecida qualquer tipo de cura. Sofrendo com o fato de saber que qualquer queda ou corte poderia matar o seu filho, a imperatriz decidiu fazer ainda mais trabalho de caridade. Também se virou para Deus, à procura de conforto, o que a levou a familiarizar-se com os rituais e Santos da Igreja Ortodoxa, passando horas a rezar na sua capela privada. Em desespero, Alexandra começou a confiar cada vez mais em místicos e nos chamados "homens santos". Um destes, Gregório Rasputine, parecia ter sucesso.

O estilo de vida decadente de Rasputine, levaram Nicolau a enviá-lo para longe da família em diversas ocasiões. Mesmo depois de o Diretor da Polícia dizer pessoalmente a Alexandra que Rasputine bêbado num restaurante de Moscovo, gabou-se à multidão que Nicolau o deixava deitar-se com a sua mulher sempre que quisesse. Ela culpava os rumores de maliciosos. "Os Santos são sempre torturados.", escreveu uma vez. "Ele é odiado porque nós o amamos." Nicolau não era tão cego, mas mesmo ele se sentia incapaz de fazer alguma coisa em relação ao homem que parecia salvar a vida do seu filho.

Desde o principio que se faziam acusações a Rasputine nas costas. Apesar de alguns dos mais altos membros do clero de São Petersburgo o aceitarem como um profeta vivo, outros denunciavam-no como uma fraude e um herege. No seu apartamento em São Petersburgo, onde ele vivia com a sua filha Maria, era visitado por qualquer um que procurasse uma bênção, uma cura ou um favor da czarina. As mulheres, encantadas com o misticismo rudimentar que rodeava o monge, também o procuravam para as "bênçãos privadas" que eram conduzidas com a maior das privacidades no seu quarto. Rasputine gostava de pregar um tipo de teologia única em que uma pessoa tinha de se tornar familiar com o pecado antes de ter a oportunidade de o ultrapassar.

Em 1912, Alexei sofreu uma grave hemorragia que lhe ameaçou a vida quando a família se encontrava de férias em Spala, na Polônia. Alexandra e Nicolau faziam turnos para ficar sempre com ele e tentar (em vão) reconfortá-lo e tentar fazê-lo esquecer das dores. Num raro momento de paz, Alexei sussurrou à mãe, "Quando eu morrer, já não vai doer, pois não, mamã?" Devastada, parecia que Deus não estava a responder às orações de Alexandra para a salvação do seu filho. Acreditando que o seu filho ia morrer, a imperatriz tentou em desespero enviar um telegrama a Gregório Rasputine, que rapidamente enviou uma resposta, "Deus viu as vossas lágrimas e ouviu as vossas orações. Não te lamentes. O pequeno não vai morrer. Não permitis que os médicos o incomodem demasiado." O conselho de Rasputine acabou por coincidir com os primeiros sinais de que o herdeiro estava se recuperando. A partir de 1912, Alexandra passou a confiar cada vez mais no monge e a acreditar verdadeiramente na sua capacidade para curar o filho. Esta confiança cega acabou por permitir a subida política de Rasputine, que iria abalar seriamente a popularidade da Família Imperial durante a Primeira Guerra Mundial.

O assassinato
A sexta-feira, dia 16 de julho de 1918, amanheceu quente e poeirenta. O dia decorreu normalmente para a família. Às quatro da tarde, Nicolau e as suas filhas deram o seu passeio habitual no jardim. Às 7 horas, Yurovsky convocou todos os homens da Tcheca ao seu quarto e ordenou-lhes a recolher todos os revolveres dos guardas que se encontravam do lado de fora. Com 12 armas pousadas em cima da mesa, ele disse, "Esta noite vamos matar a família inteira. Todos eles."

O czar e czarina e toda a sua família, incluindo Alexei, gravemente doente, bem como alguns servos leais, foram executados pelos bolcheviques na cave da Casa Ipatiev na madrugada de 17 de julho de 1918. Um grupo de guardas, cada um deles escondendo um revolver, entrou na sala. O seu líder, Yurovsky, leu casualmente a sentença, "Os vossos parentes tentaram salvar-vos. Eles falharam e agora temos de vos matar." Nicolau levantou-se da sua cadeira e teve apenas tempo de perguntar, "O quê?" antes de ser baleado na cabeça. Alexandra assistiu à morte do marido e de dois servos antes do comissário Peter Ermakov a matar com uma bala que perfurou o lado direito da sua cabeça antes de a permitir fazer o sinal da cruz. Ermakov, bêbado, apunhalou o seu cadáver e o do seu marido, partindo-lhes várias costelas. Alexandra estava deitada junto ao seu marido Nicolau, banhada numa poça de sangue. Alexandra Feodorovna morreu aos 46 anos de idade.

Noventa anos depois da sua morte, a "mulher alemã" é agora venerada como uma santa, (principalmente após a sua canonização em 2000) pelo povo que, outrora, a odiou.

Leia também: Assassinato da Família Imperial Romanov

Fonte: Wikipédia

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Isabel I da Espanha - reis católicos

Isabel I (Madrigal de Las Altas Torres, 1451 — Medina del Campo, 1504), filha de João II de Castela e de Isabel, infanta de Portugal, neta materna de Isabel de Bragança e de João, duque de Beja (1400-1442). Posteriormente apelidada 'A Católica'. Seus ancestrais na nobreza europeia incluíam Henrique IV da Inglaterra. Em 1469, celebrou-se o seu matrimônio com Fernando, rei da Sicília e herdeiro de Aragão, primo afastado, filho de Joana Enriquez, senhora de Casarrubios e de João II de Aragão.

Por morte de seu meio-irmão, o rei Henrique IV de Castela, foi proclamada rainha de Castela (1474-1504), depois da derrota de D. Joana, a Beltraneja, filha de D. Joana de Portugal e de Henrique IV de Castela. D. Afonso V, tio e marido de Joana, a Beltaneja, entrou em Castela por Zamora e Toro. O tratado das Alcáçovas pôs fim à luta com Portugal. A morte de D. João II uniu os reinos de Aragão e Castela (1497).

No fim da Reconquista, com a tomada de Granada (1492), a rainha mostrou grande firmeza no poder. Ajudada pelos cardeais Mendoza e Jiménez de Cisneros tentou converter ao catolicismo os muçulmanos e apoiou Cristóvão Colombo na sua expedição ao Novo Mundo (América). Após a descoberta de Colombo, a rainha se interessou pelo bem estar dos americanos nativos. Ordenou que aqueles que tinham sido levados à Espanha retornassem e por dispositivos em seu testamento determinou que os nativos fossem bem tratados nos territórios controlados pelos espanhóis. Seus desejos no seu testamento não foram sempre honrados.

Seu legado também tem um lado mais negro:
  • favoreceu a inquisição espanhola
  • foi responsável pela expulsão dos judeus da Espanha em 1492 (Decreto de Alhambra)


Foi das mulheres mais inteligentes e dinâmicas de então, com papel importantíssimo para manter Castela independente de Portugal.


Descendência:
– de seu casamento com Fernando II de Aragão:
  1. Isabel de Aragão casada com o rei Manuel I de Portugal
  2. João, príncipe das Astúrias, casado com Margarida, arquiduquesa de Áustria
  3. Joana, a Louca, rainha de Castela casada com Filipe, o Belo
  4. Maria de Aragão casada com o rei Manuel I de Portugal
  5. Catarina de Aragão casada com Henrique VIII rei da Inglaterra


Origem: Wikipédia

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O baile da Ilha Fiscal

A Ilha Fiscal foi primeiramente denominada Ilha dos Ratos. O nome se referia ao grande número de ratos que teriam vindo fugidos das cobras da Ilha das Cobras. Havia, numa outra versão, umas pedras cinzentas espalhadas pela ilha que se assemelhavam a ratos, à distância.

O castelo da Ilha foi projetado pelo engenheiro Adopho José Del Vecchio, para o Ministério da Fazenda que pretendia ter ali um posto aduaneiro. Del Vecchio, que era diretor de obras do ministério, elaborou um projeto em estilo néo-gótico com inspiração nos castelos do século XIV, em Auvergne, na França. O projeto foi agraciado com a Medalha de Ouro na exposição da Escola Imperial de Belas, e foi elogiado pelo Imperador “como um delicado estojo, digno de uma brilhante jóia”, referindo-se a sua privilegiada localização e a beleza da Baía da Guanabara.

A construção foi executada com extrema qualidade e os profissionais que trabalharam, cada um em seu ofício, merecem destaque : o trabalho em cantaria é de AntonioTeixeira Ruiz, Moreira de Carvalho se encarregou dos mosaicos do piso do torreão, um trabalho primoroso feito com diversos tipos de madeira. Os vitrais foram importados da Inglaterra, o relógio da torre é de Krussman e Cia., os aparelhos elétricos da Seon Rode. A pintura decorativa na parede é de Frederico Steckel e as agulhas fundidas foram feitas por Manuel Joaquim Moreira e Cia. (fig. vitral de D. Pedro II)

  • O prédio da Ilha Fiscal foi inaugurada no início de 1889 pelo imperador.
Na revolta da Armada em 1893 a Ilha Fiscal foi bastante danificada por projéteis que atingiram suas paredes, além de danificarem os vitrais e os móveis. Depois de alguns anos o prédio foi passado do Ministério da Fazenda para o Ministério da Marinha, numa troca efetuada em 1913.


O Baile
O famoso baile da Ilha Fiscal, foi um evento em homenagem à tripulação do couraçado chileno Almirante Cochrane, para cerca de 5 000 convidados. Com essa recepção, o Império reforçava os laços de amizade com o Chile, bem como tentava reerguer o prestígio da Monarquia, bastante abalado pela propaganda republicana.

A maior festa até então realizada no Brasil ocorreu pouco após a inauguração da ilha. Falou-se muito da música (valsa e polca), e do cardápio (uma imensa quantidade de garrafas de vinho e comidas exóticas) dessa festa. O comportamento dos participantes foi largamente explorado (a imprensa da época - sec. XIX – noticiou que peças íntimas foram encontradas na ilha depois da festa), curiosidades que ainda atraem historiadores hoje. O luxo e as extravagâncias com que se apresentaram os convidados geraram todo tipo de comentários.

Ocorreu no dia 9 de novembro de 1889. Inicialmente marcado para o dia 19 de outubro, foi adiado por ocasião da morte do rei Luís I de Portugal (1861-1889), sobrinho de Pedro II do Brasil.

A ilha foi enfeitada com balões venezianos, lanternas chinesas, vasos franceses e flores brasileiras. Na parte de trás do palacete foram montadas duas mesas, em formato de ferradura, onde foi servido um jantar para quinhentos convidados, sendo 250 em cada uma. Entre as iguarias, servidas em pratos ornamentados com flores e frutas exóticas, foram consumidos:
  • 800 kg de camarão
  • 1.300 frangos
  • 500 perus
  • 64 faisões
  • 1.200 latas de aspargos
  • 20.000 sanduíches
  • 14.000 sorvetes
  • 2.900 pratos de doces
  • 10.000 litros de cerveja
  • 304 caixas de vinhos, champagne e bebidas diversas
Uma banda, instalada a bordo do "Almirante Cochrane", o navio homenageado, tocou valsas e polcas madrugada adentro.

curiosidades
  1. um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da família real, às 10 h da noite: conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se e levou um tombo. Ao recompor-se, exclamou – O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!
  2. outro acontecimento curioso ocorreu no término da festa. Às 5 h da manhã, após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram alguns artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas. O fato pode, entretanto, ser fictício, foi relatado na coluna humorística Foguetes, do periódico carioca "O Paiz", no dia 12 de novembro.


República
A república foi proclamada seis dias depois do baile, e o imperador embarcou no mesmo Cais Pharoux de onde partiam os ferry-boats para levar os convidados para o baile. Vale observar que o cais Pharoux, no centro do Rio, hoje é conhecido como Praça Quinze, onde recentemente recuperaram-se as escadarias utilizadas para o embarque para a Ilha .


Hoje
Em 2001 o espaço passou por intensos trabalhos de restauração, coordenados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A partir das obras, foi recuperado o esplendor das pinturas decorativas do teto, das paredes e do piso de parquê do torreão. Também a parte externa do edifício voltou a exibir sua cor original. De quinta à domingo, tours guiados permitem explorar cada canto da construção, uma das preferidas de D. Pedro II. Entre os atrativos, os salões que abrigam exposições temporárias e permanentes que revelam a história da Ilha e da Marinha, a coleção de vitrais e os trabalhos em cantaria - colunas, arcos, florões e símbolos imperiais.


Origem: Riotur e Wikipédia

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Imperador Tito

Nasceu em Roma aos 30 de dezembro de 39, filho primogênito do imperador romano Vespasiano e de Domitila 'a Maior'. Tinha dois irmãos: Domitila 'a Menor' e Domiciano. Reinou entre 79 a 81. Faleceu em 13 de setembro de 81, sofrendo de febre. Foi sucedido por seu irmão Domiciano.

Casado duas vezes, com Arrecina Tertúlia, falecida em 65 e pela segunda vez com Márcia Funila de família aristocrática. Teve um romance com Berenice, princesa judia, irmã do rei Herodes Agripa II.

Alcançou renome como militar, sob as ordens de seu pai. Serviu na Judeia durante o conflito conhecido como a "Primeira Rebelião Judaica" (67-70). Recaiu para Tito a responsabilidade de acabar com os judeus sediciosos. Destruiu Jerusalém em 70, o templo judaico demolido em um incêndio. A sua vitória foi comemorada com a construção do 'Arco de Tito' no Fórum Romano.

Governou com grande popularidade após a morte de seu pai (23.06.79), é considerado como um bom imperador, por Suetônio e outros historiadores.


Reinado
  • programa de construção de edifícios públicos
  • finalizou o anfiteatro Flávio, conhecido hoje como Coliseu
  • foi popular por sua generosidade
O seu curto reinado foi marcado por tragédias:
  • erupção do vulcão Vesúvio que destruiu as cidades de Pompéia e Herculano (24.08.79)
  • Roma foi consumida por um incêndio em 80





Origem: Wikipédia

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domingo, 27 de dezembro de 2009

Os Avis




A Dinastia de Avis, ou Dinastia Joanina, foi a 2ª dinastia a reinar em Portugal, entre 1385 e 1581/1582. Teve início no final da crise de 1383-1385, quando o Mestre da Ordem de Avis, D. João, filho natural de el-rei D. Pedro I, foi aclamado Rei nas Cortes de Coimbra.
A Crise de 1383-1385 foi um período de guerra civil e anarquia da História de Portugal, também conhecido como Interregno, uma vez que não existia rei no poder (embora houvesse uma rainha de direito em Beatriz de Portugal). A crise começou com a morte do rei Fernando de Portugal sem herdeiros masculinos.





A Casa de Avis
Antes disto, e possibilitando isto, dera-se a derrota do partido favorável à rainha destronada, D. Beatriz, mulher de João I de Castela, definitivamente vencido na batalha de Aljubarrota em 14 de agosto de 1385. A Casa de Avis, sucessora familiar da anterior dinastia afonsina, reinou no Continente português entre 1385 e 1581, quando D. Antônio é vencido no Continente português, na batalha de Alcântara, e destronado, sendo aclamado em seu lugar o estrangeiro Filipe I nas Cortes de Tomar. Mas reina ainda nas Ilhas até 1582, com a queda de Angra do Heroísmo, quando a Ilha Terceira e as restantes ilhas açorianas se rendem à armada invasora do Marquês de Santa Cruz.

A Dinastia de Avis é sucedida pela união pessoal entre as coroas de Portugal e de todos os demais reinos de Filipe II, que deu início à Dinastia de Habsburgo, ou Dinastia Filipina, ou Dinastia de Áustria.

A única filha do rei D. Fernando I de Portugal, sua sucessora, D. Beatriz, casara com o rei de Castela, pondo-se assim termo a uma série de guerras contra aquele reino, que haviam enfraquecido a economia de seu país. D. Fernando morreu alguns meses depois deste casamento.

D. Leonor Teles, a viúva de D. Fernando, nunca fora bem vista pelo povo e pela nobreza, que a não podia respeitar por ser ela já casada quando o rei, tomado de paixão, a roubou a seu marido, João Lourenço da Cunha. Mas, sob o reinado de sua filha D. Beatriz, residindo no estrangeiro, cabia a ela governar o reino como regente até que um filho de D. Beatriz completasse 14 anos, e viesse reinar pessoalmente em Portugal, conforme estipulado no Tratado de Salvaterra, contrato de casamento da princesa portuguesa, entre as coroas de Portugal e de Castela.

Isso desencadeou revoltas populares: as populações recusavam-se a aceitar a aclamação de uma rainha que era mulher de um rei estrangeiro (Castela), embora não por tal fato poder vir a dar origem à união dos dois países e em consequência a perda de independência de Portugal, mas sim por ódio à Rainha-Regente, considerada pessoa imoral, a quem não reconheciam por rainha porque era bígama e de maus costumes.

Os povos de Lisboa e outras partes do Reino, juntos com boa parte da nobreza, pediram então a D. João, mestre da Ordem de Avis, (filho natural legitimado do rei Pedro I, que aceitasse lutar contra D. Beatriz e o seu marido João de Castela, sendo o aclamado Regente.

Fugida a rainha D. Leonor Teles de Menezes de Lisboa, destituída da regência, viu-se obrigada a solicitar ao genro, o rei de Castela (chamado João I) para vir eliminar a revolução, e reinar pessoalmente em Portugal junto com D. Beatriz. Dirigiu-se o soberano castelhano para Lisboa, à testa de grande exército, cercando a cidade por terra, e também pelo rio, com a sua armada.

A burguesia da próspera cidade de Lisboa, assim como muitos da nobreza, entre muitos partidários apenas por ódio a D. Leonor Teles e ao seu amante galego, o conde Andeiro, apunhalado durante a revolução pelo novo Regente, aderiram facilmente à causa do Mestre de Avis. Foi a burguesia de Lisboa, mais rica, logo seguida por outras terras, quem financiou o esforço militar da revolução. Mas parte do clero e das primeiras figuras da nobreza portuguesas, por dever de fidelidade feudal, apoiavam ainda a sua rainha D. Beatriz.

Entretanto, um pequeno exército português, chefiado por D. Nuno Álvares Pereira (que apoiava o Mestre de Avis) vence os castelhanos. E o aparecimento da peste nas tropas sitiantes de Lisboa obrigou o rei de Castela a se retirar para o seu próprio reino.

Após algum tempo, outro exército luso-castelhano, por D. Beatriz e seu marido, invadiu novamente Portugal, acontecendo, em Aljubarrota (1385) uma batalha decisiva e perigosa, as tropas portuguesas, em número muito inferior, e chefiadas pelo futuro rei D. João I e por D. Nuno Álvares Pereira, seu condestável, conseguiram notável vitória, aonde caíram os pesados cavaleiros castelhanos, e pelo emprego sistemático das ágeis lanças pela primeira vez na Península.

A paz definitiva com Castela só veio a ser assinada em 1411. Para assinalar o acontecimento, D. João I mandou iniciar, no local, a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, conhecido por Mosteiro da Batalha, aonde jazem os príncipes da nova dinastia de Avis, em capela-panteão construída para esse fim.

Reis da dinastia Avis
  1. D. João I (r. 1385 - 1433, depois do Interregno que destronou a rainha D. Beatriz) – filho natural de D. Pedro I e meio-irmão do Rei D. Fernando I de Portugal
  2. D. Duarte (r. 1433 - 1438) – filho de D. João I.
  3. D. Afonso V (r. 1438 - 1481) – filho de D. Duarte.
  4. D. João II (r. 1481 - 1495) – filho de D. Afonso V.
  5. D. Manuel I (r. 1495 - 1521) – primo de D. João II.
  6. D. João III (r. 1521 - 1557) – filho de D. Manuel I.
  7. D. Sebastião I (r. 1557 - 1578) – filho de D. João, Príncipe de Portugal
  8. D. Henrique (r. 1578 - 1580) – tio-avô de D. Sebastião.
  9. D. António (r. 1580 - 1581) – sobrinho de D. Henrique, filho do casamento secreto do Infante D. Luís com Violante Gomes.


– A suposta dinastia de "Avis Beja"
Há algumas dezenas de anos atrás, o historiador A. H. de Oliveira-Marques categorizou, num dos seus mapas genealógicos inseridos na obra em dois volumes História de Portugal, a sucessão de D. João I até D. Manuel no primeiro desses mapas, intitulado Dinastia de Avis; e no mapa subsequente deu a descendência familiar de D. Manuel I até D. Antônio, chamando a esse mapa genealógico, por mera facilidade de identificação e leitura, de "Avis-Beja".

Este fato inofensivo e banal veio a ser posteriormente permeado com outras leituras de influência genealógica estrangeira, ocasionando a generalização até hoje, entre pessoas menos bem informadas, da crença de que teria havido duas dinastias, a de Avis, e a de "Avis-Beja", pelo simples fato de D. Manuel I ser primo direito (filhos de irmãos varões, e netos do mesmo avô paterno) de D. João II. Tal fato se deveria a ser D. Manuel Duque de Beja ao herdar a coroa, segundo essa crença: que ignora o fato de que D. Manuel era Infante de Portugal por nascimento, o seu primeiro título, e só por esse era tratado evidentemente até subir ao trono, sendo o ducado de Beja, entre muitos outros senhorios que deteve, apenas um apanágio para sua sustentação. Nem as dinastias podem evidentemente mudar quando a sucessão se dá entre pessoas legitimamente pertencentes à mesma família (o que não fora o caso de D. João I, por ter nascido filho natural, e ter retirado os direitos da herdeira legítima, D. Beatriz).

Acresce que se por este critério improcedente se desmembrasse a simplicidade das quatro dinastias tradicionais portuguesas, sempre que não sucedeu na Coroa filho, ou neto direto do monarca anterior, vários outros casos haveria em que teria de ser o mesmo processo aplicado:

  • Dinastia de Bolonha, depois de subir ao trono o reinante Conde de Bolonha, D. Afonso III,
  • Dinastia do Crato, depois de aclamado rei em Santarém o antigo Prior do Crato,
  • Dinastia de Aviz-Inquisição, ou Dinastia de Avis-Évora, depois de suceder o cardeal-rei D. Henrique, que era tio avô do soberano anterior, D. Sebastião, e Arcebispo de Évora à data da sua acessão.

Pois em Portugal até 1834 tanto um ducado como um bispado eram casas com direitos patrimoniais de idêntica natureza senhorial.


Fonte: Wikipédia

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Benção


"Que o caminho seja brando a teus pés, O vento sopre leve em teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre tua face, As chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja.... Que Deus te guarde na palma de Sua mão."
(Uma antiga bênção Irlandesa)
 
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